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Top 10 Vitralizado 2014: a volta de Miracleman

Como bom leitor de quadrinho sempre soube das polêmicas envolvendo Miracleman. O personagem é uma versão alternativa britânica para o Capitão Marvel batizada de Marvelman, nos anos 80 ele  foi modernizado pela mente de um então jovem Alan Moore, a revista na qual o personagem era publicado faliu, uma editora americana comprou os direitos da série e também não demorou pra fechar as portas e os direitos do herói passaram anos em uma disputa judicial envolvendo a editora Image e Neil Gaiman. Quando essa confusão toda chegou ao fim, Miracleman foi parar na Marvel que passou a republicar suas edições originais no início de 2014. Expliquei essa história toda em fevereiro logo que as revistas do herói retornaram às lojas de quadrinhos.

Para escrever minha matéria sobre a saga do personagem conversei com alguns especialistas sobre a história do herói e a obra de Alan Moore. Minhas três principais fontes foram Lance Parkin, biógrafo de Moore, o editor do Bleeding Cool, Rich Johnston, e um dos jornalistas mais próximos do escritor inglês, Pádraig Ó Méalóid – em uma das mais recentes entrevistas feitas por ele, Moore declarou ter sido sua última. Ficou claro pra mim a grandiosidade e a importância de Miracleman para os quadrinhos de super-heróis, Johnston chegou ao ponto de dizer que é a maior obra desse gênero em todos os tempos. Mas a verdade é que só fui compreender o que representava Miracleman ao chegar em Londres e comprar minhas primeiras cópias da série.

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Estão lá todos os elementos que mais a frente fariam de Moore talvez o grande autor de quadrinhos de super-heróis de todos os tempos. Temas que ele voltaria a tratar em Watchmen, V de Vingança e Promethea já dão as caras com força nas doze primeiras edições do gibi. Talvez faltasse na época o domínio da linguagem sequêncial que é um dos principais atributos de seus trabalhos mais maduros, ainda assim pode ser realmente a obra-prima do escritor.

Além de ler os quadrinhos também estive presente em palestras e debates com pessoas ligadas à obra. Ouvi de Alan Davis, por exemplo, que sua carreira teria sido outra não fosse Miracleman – a obra também teria sido o motivo do final da amizade entre ele e Moore, me contou Pádraig Ó Méalóid. Não fosse Miracleman, não dá pra ter certeza se teríamos Watchmen e V de Vingança, obras fundamentais para uma imensa mudança no tom dos quadrinhos norte-americanos nos anos 80 que hoje influenciam extremamente os filmes inspiradas nessas hqs. Isso pra ficar só nas consequências mais óbvias.

A fase de Moore chega ao fim no número 16, em seguida começa o arco escrito por Neil Gaiman, inédito a partir do número 24. Durante uma palestra com Mark Buckingham, responsável pela arte das edições roteirizadas por Gaiman, o artista disse que já estava trabalhando nos textos nunca publicados do escritor. Minha curiosidade é saber o que será do personagem dentro da Marvel quando Gaiman colocar o ponto final na saga do herói. Descobriremos em 2015.

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