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ROUBE ESSAS MÃOS!: uma oficina sobre plágio com Gabriel Góes e Diego Gerlach

Saca que demais esse curso que o Gabriel Góes e o Diego Gerlach vão dar na Laje aqui em São Paulo no dia 3 de novembro. A oficina foi batizada de ROUBE ESSAS MÃOS! e consiste em um encontro de cinco horas com os dois quadrinistas sobre o que eles chamam de “bom e velho plágio”. Segundo a página do evento no Facebook, Góes e Gerlach “desenvolveram uma oficina que emprega a cópia (de modo ao mesmo tempo discreto e ostensivo) para gerar material inédito”. Promissor, hein?

O Gerlach e o Góes assinam três das minhas HQs preferidas de 2017 (Nóia, Arracém e Soco™ – Volume 1) e são dos quadrinistas mais interessantes e prolíficos da cena brasileira de quadrinhos e poucos cursos instigaram a minha curiosidade nos últimos tempos quanto esse dos dois. Recomendo um pulo lá na página da oficina no Facebook pra saber mais sobre o evento (a matrícula custa R$220 e as inscrições devem ser feitas pelo email [email protected]). Segue o serviço completo da oficina e a proposta do encontro:

ROUBE ESSAS MÃOS!
Oficina com os quadrinistas Gabriel Góes e Diego Gerlach
03/11 (sexta feira pós feriado de Finados)
Duração: 5 horas (15h-20h)
Valor: R$ 220 (indique umx amigx e cada um paga R$200)
Inscrições: [email protected]
Objetivo: Ensinar a qualquer aluno o segredo dos mestres – o plágio.

Góes e Gerlach são dois dos quadrinistas mais prolíficos da geração de HQ brasileira pós-2010, e ambos empregam abordagens diversas e flutuantes para cada uma de suas HQs. Talvez a mais empregada e prestigiada por ambos é o bom e velho plágio.

Inspirados em uma fala de Jack Kirby sobre a prática (anexada ao fim desse sumário), G&G desenvolveram uma oficina que emprega a cópia (de modo ao mesmo tempo discreto e ostensivo) para gerar material inédito.

Com uma breve apresentação de precedentes históricos em slideshow (incluindo material dos próprios autores, além de ‘O curioso caso de quando Zé Carioca e Pateta eram chapas’ [uma análise do uso de apropriação ‘sancionada’ nos primórdios de um dos personagens mais populares do quadrinho nacional]), os alunos da oficina tomarão contato NA PRÁTICA com um método rico para se entender os fundamentos da narrativa em cartum. Como reduzir a informação visual a seu essencial, contando uma história da maneira mais sucinta possível, e como isso se relaciona com seu gerenciamento de tempo ao criar uma HQ.

“Se você é um indivíduo competitivo e quer se firmar nesse campo: não há escola. Você faz sua própria escola. Você cria sua escola. Quero dizer que você pega emprestado braços, pernas, cabeças, pescoços e traseiros de todo mundo que puder. Nos quadrinhos, que são um campo peculiar, cada sujeito – cada artista – é o professor de outro artista. Não há escola nenhuma pra isso. Podem te ensinar a mecânica por trás do negócio, o que é bom. Vejo mérito nisso. Mas desenhar um bom desenho não te faz um bom artista. Posso te dizer dez sujeitos, logo de cara, que desenham melhor que eu. Mas não acredito que o trabalho deles obtenha tanta resposta quanto o meu. (…) Não é a técnica, é o indivíduo. (…) Como sempre digo, uma ferramenta não tem vida. Um pincel é um objeto inerte. É o sujeito. Se você quer fazer, você faz. Se acha que um cara desenha o tipo de mãos que você gostaria de desenhar, roube-as. Pegue essas mãos pra você. (…) Tudo que o sujeito tem nesse campo é pressão, e acho que a pressão fornece um estímulo. Você tem seus próprios stresses; eles vão suprir seu estímulo. Se você quer fazer, você vai fazer. E vai fazer do jeito que puder”, Jack Kirby, 1970

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