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PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #7: Chris Ware, Elza Soares, Emicida e uma teia paranóica de referências]

A arte aqui em cima foi produzida pelo quadrinista Jão como uma apresentação aos seus leitores das principais influências e referências que culminaram na criação do universo de PARAFUSO ZERO – Expansão. O álbum é o próximo projeto do autor, conta com a minha participação no papel de editor e está em campanha de financiamento coletivo no Catarse. Para o post de hoje da série PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores, pedi que Jão comentasse como os personagens e as personalidades desenhadas por ele nesse pôster de referências influenciaram o desenvolvimento desse próximo quadrinho.

Em seguida às falas de Jão estão listados todas as aparições presentes na arte, ambientada na mesma cidade de superseres de PARAFUSO ZERO – Expansão. Daí deixo o desafio: quantos personagens e personalidades você consegue identificar antes de ver a lista final?

PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #7: Chris Ware, Elza Soares, Emicida e uma teia paranóica de referências]

Teia paranóica

“Eu tentei incluir no desenho muitos personagens e artistas que me influenciaram ao longo de toda a minha trajetória. O Arzach, do Moebius, por exemplo, é a obra que abro sempre antes de começar qualquer novo trabalho, como uma forma de energizar. É, possivelmente, o quadrinho que mais gosto entre todos os que já li. O Hellboy, do Mike Mignola, também tem uma função parecida, apesar de ser mais aparente no preto e branco do Baixo Centro, mas eu me inspiro muito nas histórias curtas dele, do ponto de vista de roteiro e dos contos mesmo, além do desenho, claro. Akira, do Katsuhiro Otomo, é outra história que serve como uma aula pra mim, assim como o Tekkon Kinkreet, do Taiyo Matsumoto”.

“Acho que cada um dos personagens e dos artistas presentes ali na esquina tiveram grande importância em diversos momentos de minha carreira: seja numa passagem relativamente rápida, mas que abriu minha cabeça para possibilidades que ainda não tinha pensado, como o canadense Jesse Moynihan (que, no caso, fez com que eu percebesse que poderia retomar um período anterior de minha trajetória, dos quadrinhos de ficção científica e de fantasia, e, assim, criar o que seria a PARAFUSO); seja no sentido de causar uma explosão atômica em mim que, depois de muito tempo, ainda reverbera dentro do que quero fazer como autor, como é o caso do Chico Science ou da Elza Soares, que chacoalharam todos os meus pensamento e que ainda estou em processo de aprendizagem ao ter contato com o que fizeram (e, no caso da Elza, que ainda está fazendo)”.

“Também gosto muito de acompanhar e pensar sobre a carreira de artistas que admiro. Em meio a uma espécie de teia paranóica que costumo construir em minha cabeça, existe uma teoria da conspiração (criada por mim, claro) em que percebo algumas similaridades nessas trajetórias individuais de pessoas que gosto dos trabalhos. É engraçado porque, para além das obras, esses caminhos, da mesma forma, me servem de inspiração”.

Infografismo e poderes telecinéticos

“Falando especificamente do novo álbum, PARAFUSO ZERO – Expansão, as referências aparecem em diversos momentos do desenvolvimento do trabalho: ali tem um clube da luta; uma proposta de infografismo que veio do Chris Ware; personagens com poderes telecinéticos e destruição de edificações a lá Akira, uma conversa sobre superseres e o momento em que vivemos baseado nas discussões propostas por Alan Moore em Watchmen; uma espécie de minimalismo ultra-detalhado que veio do clipe This is America, do Childish Gambino, que já era algo que já vinha fazendo desde a PARAFUSO 0, mas que, a partir de ter assistido ao vídeo abriu possibilidades que não tinha pensado ainda; o que o Gabriel Góes está fazendo com seu personagem Billy Soco em termos de construção de universo. São muitas coisas e acho que o que mencionei por aqui é somente a ponta do iceberg para todos os elementos que vêm de outros lugares hahaha”.

Lista de personagens:

– Batman e Robin, o Cavaleiro das Trevas, Frank Miller;
– Tyler Durden, Clube da Luta;
– Neo, Matrix;
– Manly, Jesse Moynihan;
– Starman, James Robinson e Tony Harris;
– Arzach, Moebius;
– Hellboy, Mike Mignola;
– Rincon Sapiência;
– Childish Gambino;
– Demolidor;
– Dr. Manhattan, Watchmen, Alan Moore e Dave Gibbons;
– Walter White e Jesse Pinkman, Breaking Bad;
– A Mulher Enigma, Enki Bilal;
– Diomedes, Lourenço Mutarelli;
– Billy Soco, Gabriel Góes;
– BNegão;
– Formiga, Formigueiro, Michael DeForge;
– Goku, Dragon Ball, Akira Toriyama;
– Jules Winnfield e Vincent Vega, Pulp Fiction, Quentin Tarantino;
– Kaneda e Tetsuo, Akira, Katsuhiro Otomo;
– Elliot Alderson e Mr. Robot, Mr. Robot;
– Yuri, Daniel Og;
– Raoul Duke, Medo e Delírio em Las Vegas;
– Jimmy Corrigan, Chris Ware;
– Elza Soares;
– Jake e Finn, Hora de Aventura;
– Tulipa Ruiz;
– Cachorro do Vida Boa, do Fabio Zimbres;
– Emicida;
– Chico Science;
– Piratas do Tietê, Laerte;
– Preto e Branco, Tekkon Kinkreet, Taiyo Matsumoto.

CONTINUA…

ANTERIORMENTE:
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #6: Akira, Wally e paralelismos distópicos];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #5: Proporções extremas e a insignificância humana no Universo];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #4: A origem do ‘Formato Jão’];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #3: Um sonho com Moebius];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #2: Baixo Centro, Flores e texto];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #1: origens, restrições e OuBaPo].

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