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Entrevistas / HQ

Papo com Rogério de Campos: “O que está aquém no momento é a reflexão sobre quadrinhos no Brasil”

O momento extraordinário das histórias em quadrinhos brasileiras está fundamentado principalmente na qualidade das HQs lançadas por aqui ao longo dos últimos meses. O ano passado ficou marcado por uma quantidade inédita de publicações, pelo aumento no número de festivais e eventos relacionados a quadrinhos e na investida em diferentes formatos e estilos por parte de artistas e editores. Em meio a toda essa agitação, o editor Rogério de Campos publicou Imageria. Coletânea com vários trabalhos e artistas precursores da linguagem das histórias em quadrinhos, o livro apresenta pela primeira vez em formato impresso no Brasil obras de autores como Rodolph Töpffer, William Hogarth e Richard F. Outcault.

Ao longo das 360 páginas do livro, o editor reúne e investiga elementos em comum em títulos essenciais para a compreensão da origem e da composição das HQs como linguagem. “Depois que pesquisei tudo fiquei mais confuso do que no início. Não espere achar respostas sobre o que são quadrinhos. Você vai achar desenhos, histórias, histórias em quadrinhos, mas não explicação”, esclareceu o editor em uma conversa de quase duras horas realizada no final de janeiro na sede da editora Veneta.

Ao longo de seus mais de 30 anos trabalhando com histórias em quadrinhos, Rogério de Campos foi responsável pela introdução de alguns dos títulos e das empreitadas mais célebres do mercado brasileiro de HQs. Criador das lendárias revistas Animal e General, um dos responsáveis pela chegada dos mangás no Brasil no final dos anos 90 e atualmente editor de quadrinhos aclamados, como os títulos de Marcello Quintanilha e Marcelo D’Salette, Rogério de Campos tem muito a dizer não apenas sobre a produção de Imageria, mas também sobre a atual efervescência do mercado brasileiro de HQs.

“Me interessa o quadrinho vivo. Me interessa a invenção. Me interessou fazer o Imageria. Me interessa fazer uma coisa quando olho e digo: ‘nunca vi isso antes’. Gosto de publicar coisas que nunca vi antes. Até o julgamento estético é posterior.”

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A conversa com Rogério de Campos foi realizada na sede da editora Veneta, em São Paulo, no dia do anúncio que o quadrinista Robert Crumb cedeu duas ilustrações para uso do Movimento Passe Livre (MPL). O bate-papo teve início com um comentário do editor sobre o então recém-anunciado resultado do Prêmio Grampo 2016.

Acho que pela quantidade de gente votando, ficou um panorama interessante do que tem rolado por aqui.

Antigamente, essas premiações de quadrinhos nacionais eram frequentemente uma coisa assim: você lançou e ganhou um prêmio. Parecia aquelas coisas de country clube do interior, que você cai na piscina e ganha uma medalhinha de natação (risos). Tinha tão poucos álbuns nacionais! E agora tá ficando uma coisa meio maluca, estão virando prêmios disputados. Você vê por exemplo o FIQ, que é o Festival Internacional de Quadrinhos! É um grande festival de quadrinho nacional! Há muitos anos eu vi um negócio do (Jean-Luc) Godard, que alguém perguntava para ele, na década de 60, qual era a receita para criar um cinema nacional em um país de Terceiro Mundo. Aí ele falava assim: primeiro tem que exibir muito filme, muitos; também tem que ter a tecnologia para as pessoas fazerem filmes, oferecer as câmeras, ter os laboratórios, e não sei o quê; e a outra, é necessidade de um fórum para as pessoas discutirem. Se você não tiver um desses, não vai sair cinema. Não é que não vai, mas tende a ser um pouco estéril. O meu trabalho como editor nesses anos todos, foi muito de apresentar filme. Desde a Animal eu tô mostrando o que está acontecendo no mundo, sabe?

Quando fui escrever o pé biográfico do Imageria, fiquei lembrando de tudo que tinha lançado. Não era só o primeiro a ter lançado alguma coisa, mas também o primeiro a lançar em formato de livro, o primeiro a lançar em sequência, o primeiro a não lançar pirata (risos). De várias coisas. Então é essa a minha gana. Agora tá chegando o momento de dar espaço para os autores nacionais. E a criar o espaço da discussão. Na França o Godard tinha a Cahiers du Cinemá e os debates dos cineclubes. A Nouvelle Vague não teria existido sem os cineclubes e não teria existido sem a Cahiers du Cinemá. Acho que esse virou o ponto para se enfrentar no negócio do quadrinho brasileiro.

Um cara como o Pedro Cobiaco, ele é muito informado em relação ao que tá acontecendo lá fora. Eu falo com vários quadrinistas jovens, e eles estão sabendo muito do que tá acontecendo lá fora. Há 15 anos, 20 anos, quando comecei a mexer com quadrinhos, eu era o cara que mais entendia de quadrinhos, do que tava acontecendo no mundo lá fora. Eu, Laerte, Gualberto,… uns poucos caras que tavam acompanhando. Era muito difícil, não tinha internet. Hoje os artistas sabem, antes os críticos sabiam. Os moleques estão mais informados do que a crítica. Os caras tão fuçando, achando um cara lá do Canadá e outro da Rússia, eles estão muito informados.

O que está aquém no momento é a reflexão sobre quadrinho no Brasil. O Brasil vive um nível de evolução inédito. Acho que a gente tem que enfrentar a questão da distribuição, um problema do quadrinho brasileiro, do mercado editorial, tem muito pouca loja especializada, enfim. Mas tem a questão do pensamento sobre quadrinho. E nesse sentido fiquei pensando sobre a necessidade do Imageria. A ideia foi, pra começo de conversa, que a gente precisa conhecer a base desse negócio todo. Apresentar. Legal, tem meu texto, meu blábláblá habitual, mas a ideia foi: apresentar (Rodolphe) Töpffer, tem um monte de gente discutindo quadrinho no Brasil e nunca leu Töpffer. Ele é básico para começar a falar da coisa. Claro, tem vários caminhos pro entendimento, mas é difícil você falar de quadrinhos sem ter lido isso aqui. Até onde eu vi, é a primeira vez que Yellow Kid é publicado no Brasil. Ou então as pessoas vão ficar achando que é o Stan Lee que inventou os quadrinhos, sabe? A impressão que dá lendo determinadas pessoas escrevendo sobre quadrinhos é que foi isso. Stan Lee ou Walt Disney, nem o Carl Barks. “O Walt Disney inventou os quadrinhos junto com o Stan Lee”. Então assim, a ideia é dar uma base para a gente apresentar. Nesse sentido, é como um mini festival de cinema apresentando O Encouraçado Potemkin, Cidadão Kane e D.W. Griffith pra finalmente começarmos a conversa, sabe? Assim que veio a ideia. Tem muito a ver, nesse sentido, com essa ideia de pensamento de quadrinhos. Enfim, eu falo muito, né? (risos)

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E esse livro faz pensar muito, né? Eu conhecia várias dessas coisas do Imageria e outras nunca tinha visto.

Eu também não!

Mas ver todos eles reunidos dessa forma me fez pensar bastante. Uma das coisas foi o tanto que muitos desses trabalhos presentes no livro ainda são contemporâneos e vanguardistas. Na página 257, por exemplo, aqueles quadrinhos alemães com bonecos de palito são de 1887 e me fizeram lembrar o trabalho do Randall Munroe no Xkcd.

Esses de palito me lembram O Bom e Velho Cuttlas, maravilhoso, que saiu aqui pela Zarabatana

Acho que muito do que o Winson McCay fez dialoga com o trabalho do Chris Ware. Os mangás da página 70, do século XVIII, lembram aqueles exercícios de expressões e aquele painel de danças desenhadas pelo Bill Waterson com o Calvin e o Haroldo. Enfim, dá pra ir longe. O subtítulo do livro diz “o nascimento das histórias em quadrinhos”, mas ao mesmo tempo ele dialoga com o que está sendo feito de mais moderno em termos de HQ.

Fiquei pensando que o livro deveria chamar As Invenções das Histórias em Quadrinhos, no plural. Tem isso, as invenções são constantes, né? Como os quadrinhos não são uma linguagem respeitada como literatura, teatro e cinema, ela teve essa liberdade de ser reinventada o tempo todo. Não tinha o peso do passado. Vários desses autores do século XIX faziam narrativa visual e não estavam pensando que estavam inventando alguma coisa. Eles estavam fazendo narrativas, desenhadas e pensando maneiras daquilo ser atrativo para o leitor. Esse processo é o melhor até hoje. Você pega um autor, por exemplo o (Marcelo) Quintanilha. Ele tem um tipo de narrativa que ninguém fez antes. E isso que me atrai. Você pega aquela coisa e fala: o cara inventou os quadrinhos.

Mas é isso mesmo. Tem um que parece o Fábio Zimbres. O (Percy) Winterbottom, acho. Confesso que quando achei esse cara fiquei lendo vários dele. Eu ficava pensando: “será que não tô sendo enganado?”, é de 1897!

Tem um outro: Pedra Filosofal do Josef Benedikt Engel, de 1896, me lembrou o Spy Vs Spy da Mad.

Sim. É impressionante. Eu não tinha pensando. Na hora me lembrou, pelo preto e branco e por certo grafismo, do Incal. Mas é verdade, o Spy Vs Spy é muito parecido e o sentido é o mesmo, poderia ser uma história deles.

E também Will Eisner, que você vê o tempo todo, em relação a enquadramento e narrativa mesmo…

O Will Eisner tem um negócio, quando você pega, por exemplo…tem muita coisa que não coloquei. Optei por muita narrativa visual. Mas você pega o traço do Will Eisner e tem muito a ver com os franceses. Ele falava muito de (Guy de) Maupassant. A impressão que dá é que os franceses tiveram uma influência muito maior do que a gente imagina.

Eu adoraria transformar esse livro numa coleção, tem tanta coisa que no meio da pesquisa fui achando e queria publicar. Achar esse material, com qualidade…houve muitos momentos que tive de tirar material por não ter conseguido encontrar com qualidade. Achava dois quadrinhos e a obra tava toda detonada. Foi uma dificuldade. Você fica pensando o quanto de história é perdida. A literatura você recupera. Mas a imagem tá perdida. As pessoas não tinham orgulho de ficar guardando. Até hoje as pessoas têm vergonha de guardar gibi velho (risos). E envelhece. Você fica vendo todas essas maravilhas e pensa que a história deve ser ainda mais rica do que se imagina.

E é difícil, né? Como alguém pode dizer que essas coisas não são histórias em quadrinhos?

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Mas fiquei pensando nisso também, na definição do que é história em quadrinho. O Scott McCloud tem aquela definição clássica de histórias em quadrinhos como ‘imagens pictóricas justapostas em sequência deliberada”. Você vê algumas coisas aqui que não estão justapostas, enfim, há muitas variáveis. E aí vem essa questão: o que é quadrinho? Você encontrou algum elemento em comum entre todas essas obras?

Eu não sei. Depois que pesquisei tudo fiquei mais confuso do que no início. Não espere achar respostas. Você vai achar desenhos, histórias, histórias em quadrinhos, mas não explicação (risos) Tem várias teorias, mas acho que os quadrinistas ficam fugindo disso o tempo todo. É engraçado. Eu vejo vários caras de quadrinhos, principalmente dos quadrinhos americanos e industriais, dizendo que isso ou aquilo não é quadrinho, mas você vê alguns gibis de super-heróis que pareciam uma sucessão de cards. Não tinha narrativa naqueles negócios.

Não sei. Confesso que não tenho ideia. Acho que tem um negócio de narrativa e imagens – e é muito vago “narrativa e imagens”, isso poderia dizer respeito à própria escrita. Não tenho ideia do que é. Gostaria, até pra botar banca, pra arrumar meu honoris causa na universidade, mas não tenho a menor ideia do que estamos falando (risos). Mas o problema é esse, vai mudando, vai dando um clique no negócio e vai mudando o que a gente considera HQ. Esse também é um problema. Tinha gente que achava que quadrinho era aquele negócio do jornal. Não conseguia conceber comic book, já algo que…é como falar: “ah, eu gosto de história em quadrinho, mas o que grafite tem a ver com história em quadrinho?”. De repente o grafite é o maior suporte de histórias em quadrinhos. As coisas vão mudando e muda toda a avaliação que a gente tem. Um pouco do objetivo do livro é mudar a avaliação que a gente tem a respeito do que é história em quadrinhos. Sem dúvida: a partir do início do século XX que começamos a ouvir falar, mas o processo de chamar comics? Demorou uns 50 anos o processo de chamar comics e histórias em quadrinhos e não cartoon. Pelo menos isso. Aliás, até hoje fala cartunista. Você vai ver vários quadrinistas sendo chamados de cartunistas. Terminou o século XX e a linguagem ainda não está consolidada.

Pra gente, dentro do nicho, soa insólito, mas é difícil para muita gente ainda entender o que é quadrinista, cartunista,…Se você colocar “cartunista Will Eisner” no Google, vai achar vários. Nunca fiz isso, mas imagino que você encontre vários. Cartunista Will Eisner, cartunista Robert Crumb, cartunista Maurício de Sousa.

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Mas isso também não tem uma relação com o nome da linguagem? Filme se traduz ao pé da letra em português, inglês, russo. História em quadrinho é muito nosso. Banda desenhada é outra coisa, comics é outra, enfim,…

Não tem um padrão, né cara? E é um entendimento completamente diferente, não é uma tradução simples. Não é a palavra que é diferente de um país pro outro, ela pressupõe conceitos diferentes. Fumetti, bande dessinée, comics e histórias em quadrinhos são coisas conceitualmente muito diferentes. Mas isso aí é positivo. Continua permitindo a invenção de cada um. Quando virar tudo comics, virar uma coisa só, vai ficar boring. Vai sair nada de bom disso. Confesso: eu gosto do caos desse negócio.

Espero que tenha apresentado uma sequência no Imageria. Procurei apresentar, primeiro: marcos indiscutíveis e que nunca tinham sido publicador no Brasil – Töpffer, Hogarth e Yellow Kid – que por isso ou aquilo são candidatos a melhores de todos os tempos. Depois outros que os quadrinhos nunca foram publicados. Em vários momentos eu me perguntei o motivo disso ou aquilo nunca ter saído no Brasil. Se fossem coisas que são só pra arqueólogos, historiadores e acadêmicos, mas não. As histórias são ótimas. O Töpffer é ótimo, muito engraçado, tem senso de humor. Não é datado, é engraçado até hoje. Não dá pra entender. Depois, caras que representaram momentos e tendências importantes dentro disso aí. E depois uns que gosto muito deles. O Malatesta, um francês, por exemplo.

Uma coisa do livro, também, é a narrativa. Tem vários livros sobre quadrinhos que colocam um quadro, um desenho, a capa de um gibi. Ótimo, adoro vários, mas acho que são histórias, tinha que apresentar um enredo, na medida do possível coloquei páginas e sequências inteiras. Para mostrar como a história começava e terminava. Você pega um desenho do Töpffer e ele não pretendia que aquilo fosse olhado isoladamente. Até o desenho era como se fosse meio às pressas, inconsequente, não era pra ser isolado. Por isso também vários estudos sobre quadrinhos ficam mancos. Você via um pedaço, não a história inteira.

Eu espero que o Imageria ajude a gente a ler mais. Quando eu comecei a publicar os quadrinhos, estava num momento que não tinha nem espaço nas livrarias, aí a coisa começou a andar, começaram a surgir novas editoras, e eu me lembro das pessoas sempre me falarem: “agora você tem concorrência”. Meu, há todo um mundo de quadrinhos. Há tanta coisa para ser publicada no Brasil, que acho ridículo editores ficarem brigando pelo super-herói tal. Tem tanta coisa para ser publicada. Fico vendo os caras brigando para publicar tanta coisa de quadrinhos japoneses e já publiquei todos. Os principais. Os caras ficam brigando e tem tanta coisa do Japão, com personagens e autores, mundos inteiros e segmentos de quadrinhos japoneses que nunca foram publicados no Brasil. Só do Japão, ou só dos Estados Unidos, tem tanta coisa. A gente fica com a impressão do Brasil ser muito americanizado, mas boa parte do bom quadrinho americano tá começando a chegar agora. É muito pouco. Tem um mundo. E tem um mundo também no passado, dos anos 80, 70 e 60. Muita coisa para ser apresentada. Acho que isso daqui, o Imageria, vai ajudar a ter um melhor quadrinho nacional.

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Você disse que de certa forma esse livro dificultou ainda mais sua compreensão do que é quadrinho. Como editor, fazer esse livro, refletir sobre ele, mexeu com a sua cabeça também?

Ah, sem dúvida. Mas como editor eu tenho uma mágica. De vez em quando, o autor me apresenta, eu não entendo, e é por isso que publico (risos) Eu não sei de onde o Quintanilha tira aquelas coisas e, ah, vou publicar. Ele aparece com aquelas coisas e eu publico. É justamente por não ter entendido. Quando compreendo, eu meio,…sabe? Ah, já sei como isso aqui se encaixa. De novo: é a invenção. Eu tenho o respeito. Sou um editor que me meto muito nas obras dos autores. Vamos ver isso, mexer isso, a letra, muda o quadrinho, o formato, muda o personagem. Mas tenho um respeito básico por aquilo, que é o meu estranhamento básico pelo negócio. Sei que tem um nível que não compreendo completamente, que quem vai compreender vai ser o leitor e o autor. Eu sou só o intermediário, o negociante no meio do processo. Então eu tenho vivido sem entendimento a minha carreira inteira de editor, sabe? (risos) Várias coisas que imaginava que não iam vender nada, venderam muito e foram sucesso. Geram um monte de gente desenhando igual. Eu sou o editor, não sou o autor.

Mas em termos de linguagem, há coisas que aparentemente estão na essência do que é quadrinho e você colocou no livro e já contribuiu de alguma forma em um livro da Veneta?

Olha, o que teve foi de entender algumas coisas que me atraíam. Por exemplo, o Autocracia. Tem um quadrinho aqui sobre o bandido Jack Shepard (p. 51). O Autocracia é um quadrinho sem personagens e o Woodrow Phoenix fica comentando sobre automóveis, é só paisagem, estradas, ruas, sem gente e nem carros aparecendo. Aí vejo essa história em quadrinho de 1724 que é sobre o Sheppard, um ladrão famoso pelas fugas, aparece ele aqui e ali e depois não aparece mais. Conta a história sem o personagem aparecer, em 1724! É isso que você falou antes, perceber que as coisas já estavam por aí.

E sabe, o que acho que fica mais evidente é a artificialidade desse quadrinho industrial, de um padrão de quadrinho industrial que é uma coisa mais ou menos recente, e que várias pessoas tomam como uma coisa da natureza: “é assim por que sempre foi assim”, “história em quadrinho é isso”. De novo: voltamos ao começo da conversa, histórias em quadrinhos não têm que ser isso ou aquilo, depende dos autores. Já esse quadrinho industrial não, o desenhista já recebe na página, no formato que tem que ser, já tem personagem que tem que aparecer, limite de coisas que pode fazer e tal. O cara pode fazer o que quiser com aquele personagem desde que seja naquele formato, tenha X quadrinhos por páginas, que ele continue vermelho, que ele não mate ninguém, que não morra, é claro, que ele esteja com a namorada (risos) Ele pode fazer o que quiser! (risos) Me interessa o quadrinho que vai além disso aí.

Estava conversando com um amigo sobre a origem dessa explosão de quadrinhos: é o final dos super-heróis. Meu, na prática, acabou esse negócio de gibi de super-heróis. Eles estão se arrastando e isso deu liberdade. O final desse template deu liberdade para mulheres fazerem quadrinhos, quando quebrou esse esquema, deu liberdade para as pessoas pensarem “ o que eu faço com um papel e uma caneta na mão? O que eu posso fazer com isso?”. É uma folha em branco, não tem um template pro cara completar. Isso é uma coisa muito libertadora. Isso pode explicar, em parte, essa euforia dos quadrinhos nos últimos 20 anos. Bate com o despencar da venda do comic book. Não é falar contra os super-heróis, não é isso, mas contra essa hegemonia, essa dominação, essa coisa absurda que foi durante tanto tempo. Pode continuar existindo, mas sendo um segmento dentre outras coisas de quadrinhos. E o Imageria mostra que existe uma vida riquíssima de quadrinhos de antes disso. Quadrinhos para adultos, educativos, religiosos, reportagem em quadrinhos. Reportagem em quadrinhos nasceu junto com as histórias em quadrinhos. A primeira história em quadrinho foi provavelmente uma reportagem. O primeiro filme foi uma adaptação de uma história em quadrinho. As pessoas falam “ah, a onda recente das adaptações”, mas meu, o cinema começou adaptando quadrinhos, com o L’Arrouseur Arrosé do Lumière.

Tem algo de muito factual nessa origem dos quadrinhos, né? Você começando lá nas pinturas nas cavernas como narrativa sequencial, o que o cara tava pintando era o cotidiano dele. Hoje as tiras diárias retratam menos essa realidade cotidiana…

Mas olha só, durante muito tempo, os personagens de ficção ficavam brilhando lá. Hoje em dia é a Laerte, o Angeli, o Adão,…o Allan (Sieber) tá falando mal do cara que encontra na rua. Nesse sentido, os quadrinhos retomaram, a partir do (Robert) Crumb, um cara chave, o cara, o olhar em relação ao que está acontecendo. Mesmo que seja depois de fumar um e ver umas coisas voando pelo ar (risos), mas retratam o que está acontecendo. Falo isso no livro: quando começam os syndicates, eles querem homogeneizar o conteúdo, não querem causar nenhum problema que impeça a venda das tiras. Realidade é um problema. Pode ser legal num lugar: “em Nova York isso aqui é ok, mas em Ohio isso não é mais legal”. Realidade é um problema. Outra: tem que criar personagens, com eles os leitores reconheciam no jornal, então vendiam brinquedos e traquitanas, enfim…Isso fez com que os quadrinhos, durante boa parte do século XX virasse uma coisa predominantemente de fantasia, distante do mundo real. Os quadrinhos estão retomando, desde os anos 80, seu lugar como narrador da realidade. Nesse sentido, é a realidade, mesmo que seja a realidade a partir de um ácido (risos)

Crumb

E já que você levou pra Crumb. Ele é uma referência pra gente em relação a posicionamento político. Teve a história da ilustração doada para o Movimento Passe Livre. Pelos títulos que você lança, por coleções como a Baderna, é possível ver que a Veneta tem um posicionamento político também. O Cumbe é uma obra bastante política. Mesmo o Talco de Vidro, vejo como um reflexo desse conflito de classe aqui no Brasil desde que o PT entrou no poder, é sobre esse choque de realidades.

Ah, sem dúvida.

Pra você é importante ter esse posicionamento? É algo que está na sua linha editoral?

Me interessa o quadrinho vivo. Me interessa a invenção. Me interessou fazer esse livro inteiro, o Imageria, me interessa fazer uma coisa quando olho e digo: “nunca vi isso antes”. Gosto de publicar coisas que nunca vi antes. Até o julgamento estético é posterior a isso. Não me interessa muito, ficar…tem uma senhorinha que dirige a principal agência literária japonesa e fui ter uma reunião com ela uns anos atrás, ela me disse: “Rogério, antes de sentar para falar com você fiquei estudando o catálogo da sua editora e não entendi nada”. Era a Conrad na época. “Você publica Dragon Ball e a biografia do Osugi Sakae”, que é um anarquista japonês. Depois ela disse que entendeu: “Você publica o primeiro. Normalmente quem publica Dragon Ball segue essa linha, você não, publicou e seguiu pra outra coisa”. Sabe o que é engraçado? As pessoas entendem melhor do que eu. Não é que é mesmo? Daí o meu slogan: “Eu não sigo tendências, nem as tendências que eu lanço” (risos).

Me interessa isso. Tem autores que me parecem estar numa reinvenção constante. Você vê o Quintanilha, por exemplo, é uma surpresa. Os dois últimos, um se passa na Bahia e o outro é sobre uma dentista de Niterói. Isso me interessa, o autor que eu olho e digo: “não estou entendendo”. Aí eu mando pro leitor pra ver se ele entende (risos).

Tungstênio

De qualquer forma são obras que têm um posicionamento político. Seja o Crumb ou o Cumbe. Parece ser algo seu. Estamos vivendo em uma época que as pessoas estão tomando partido. Na minha leitura tá claro qual é o posicionamento da Veneta.

A Veneta publica vários autores de esquerda, mas porque a direita já tá muito bem servida. Qualquer imbecil de direita tem várias editoras para ser publicado. Tanto que as livrarias estão cheias de imbecis de direita. Então assim, como negociante tenho um bom campo pra explorar nesse negócio. Tem a minha posição como cidadão, lógico. Mas de novo: quem tá falando? Quem tá tentando entender o mundo? Quem tá pensando como usar isso daí, a escrita e o desenho para retratar o mundo, como as coisas estão acontecendo? Às vezes, retrata na forma de fantasia, pode ser com vampiros, há várias maneiras de retratar o mundo. Tem várias maneiras, mas é isso. Não usar aquele mesmo template. O que me entedia muito é usar aquele mesmo personagem, o que você pode fazer de novo com um personagem criado em 1938? Sabe? Só tem acelerado as vezes que o Super-Homem morre. O Super-Homem tá morrendo desde a década de 50, de tempos em tempos ele morre. O que você pode fazer com um personagem criado em 1938 e pra quem existe vários gibis mensais sendo produzidos? Não é que eu duvido, o Alan Moore pode fazer algo genial com aquilo. Mas é difícil.

Mas confesso outra vez: é mais você que percebe do que eu. Tô no meio, as pessoas tem melhor visão do que eu faço do que eu mesmo. O que é natural. Eu vi, por exemplo, o Cidadão N do Danyael Lopes, um desenho espetacular. É óbvio, tem aquela coisa do Ezra Pound, que o virtuosismo é uma prova da sinceridade. Aquele desenho, aquele trabalho que ele tem pra contar é uma coisa totalmente surpreendente, absolutamente pessoal e incontrolável. Não é uma coisa assim, “ah, vou criar um personagem que vai render camisetas”, não. Ele poderia ter várias coisas amenizando, para tornar a história mais palatável, para virar um gibi infanto-juvenil, mas não. Ele recusa isso para fazer uma coisa muito diferente, estranha, isso me interessa. Cada um dos títulos que publiquei me deixou surpreso. Não são só os quadrinhos. Como o Cravo na Carne, sobre as mulheres faquires, claro que publiquei. Encontrei um dos autores em uma festa e imediatamente fechamos (risos) Isso me interessa. Pra ficar publicando mais do mesmo, já teve muita editora fazendo isso no Brasil. Os caras ficam correndo atrás, pagam 200 ou 300 mil dólares de adiantamento em um livro que é cópia de outro que acabou de fazer sucesso. Não faço isso e não me interessa. Não é ter medo de ir em bola dividida, eu tenho tédio de ir em bola dividida, sabe? Tenho tédio. Se tem três editoras querendo publicar um título, que bom! Alguém vai publicar certamente.

Cara, a gente passou décadas, quase um século, publicando quadrinho americano. E quadrinho americano bem específico. A gente tem um século de quadrinho europeu, quadrinho japonês, sabe? Quantos quadrinhos africanos foram publicados no Brasil? Tem coisa pra cacete pra ser feita. E quadrinho americano também. É uma coisa muito limitada. Enfim, espero que chame atenção, espero que outros editores roubem coisa da Veneta pra publicar e espero ajudar numa discussão, numa melhor maneira de avaliar e pensar quadrinho no Brasil. Os quadrinhos daqui já tão chamando muita atenção lá fora do Brasil. Você vê o Quintanilha e o Cumbe…Cara, chegou a edição francesa do Cumbe e é espetacular, capa dura e tal. As coisas tão acontecendo, e o que é muito importante: o Quintanilha e os outros estão fazendo quadrinho deles, brasileiros. Não estão se adaptando à indústria, tão colocando seus parâmetros, impondo seus parâmetros. Pra consolidar isso, demanda pensar isso daqui, pensar seriamente, mudar o nível de discussão sobre quadrinho no Brasil. Acho que precisa.

Gen2

E quando você olha os últimos meses, principalmente 2015, o que você pensa? Foram dois eventos enormes, o FIQ e a CCXP, a Nébula, o Fabuloso Quadrinho Brasileiro, esse monte de HQ fantástica, as Jornadas da USP. Você vê como um período atípico? Vê algum motivo particular pra isso tudo estar acontecendo agora?

A explicação de o que aconteceu, na minha opinião e talvez em outro momento eu desenvolva melhor: foram duas coisas, o Maus e os mangás. Ao mesmo tempo teve o trabalho do Crumb nesses anos todos. O Maus foi um gibi em preto e branco, que conquistou a crítica e vendeu muito bem. Os mangás, no Brasil foi muito com Pókemon. Nos Estados Unidos foi Sailor Moon e na Europa Dragon Ball, o carro chefe lá. Todos também em preto e branco. De novo essa mentalidade: as livrarias quando pensavam em quadrinho, achavam que precisava de cor. Nenhum editor se interessava muito por quadrinho em preto e branco com história longa. O que vendia era álbum da Europa, colorido, com 48 ou 60 páginas. “Aquilo que vende e o resto é coisa de alternativo”. De repente aqueles mangás começaram a vender muito. O preto e branco possibilitou mais variedade de autores, experiências e tal. Antigamente, para publicar o quadrinho era muito caro, tinha que ser álbum, colorido. Colorido tinha que ser de tiragem grande ou então fica muito caro a unidade. Quando os livreiros e o mercado viram que vendia preto e branco, abriu as portas para aquilo. Isso abriu as portas também pra autores ocidentais, para tiragens menores, para tiragem de livros. Dois mil exemplares, dois mil e quinhentos exemplares ou três mil. Não mais tinha a necessidade de sair com 50 mil exemplares. Isso fez com que surgisse um monte de editoras pequenas que poderiam fazer quadrinhos, antes elas não tinham grana pra fazer colorido. E mesmo as editoras grandes puderam experimentar mais. Antigamente, pra fazer um álbum de quadrinho colorido tinha que ser um autor bacana, já reconhecido. Então é um negócio muito maluco que aconteceu em meados dos anos 80. Em meados dos anos 70 parecia que quadrinho caminhava para ser um segmento dos livros de arte. Ia ser só imagem, você tinha autores como o (Philippe) Druillet, com arte de muito impacto e a história quase secundária. Esse movimento de histórias em preto e branco e longas, fez que a história tivesse maior importância. Tá ali a base do negócio.

É muito engraçado que, para mim, de um lado tá o Maus e de outro os mangás. Se você pensar, o Maus existe porque o Art Spielgelman conheceu o Gen, Pés Descalços. Ele conheceu o Barefoot Gen e foi muito inspirado nisso que ele remontou algo em que já estava trabalhando, mas naquele formato do Gen. Ele já estava desenvolvendo, mas você vê na evolução do Maus o momento em que ele lê o Gen. Então a mudança foi de base industrial. Esse é o segredo. Tem a decadência dos super-heróis: as vendas dos super-heróis estão caindo desde a década de 40, é um mito que as pessoas achem que nos anos 60 e 70 eram Marvel e DC os mais vendidos, não é verdade, os gibis mais vendidos nessa época eram os gibis de bichinho, Tom e Jerry e Pernalonga. Nos anos 70 os caras da Marvel e das grandes editoras começaram a fazer umas experiências de gibis nas comic shops, eles mandavam pro ponto de venda já esgotado. Tudo isso foi montando uma base pro surgimento desse negócio. Mas o final do comic book de massa foi uma coisa positiva pra criatividade. A ausência dele foi boa nesse sentido, até para os quadrinhos de super-heróis. Enfim, esse negócio do quadrinho em preto e branco eu nunca vi ninguém estudar, mas parece muito claro: te dá liberdade de fazer histórias mais longas e não custa tanto. É nesse movimento que sai Christopher Blain, David B, Marjane Satrapi, Charles Burns, todos…o Charles Burns, por exemplo, Maus saiu numa coleção que fez sucesso e a editora foi atrás de outro autor. Publicaram Gen e Charles Burns (que já era parceiro da Raw) por indicação do Art Spielgeman. E a Raw era uma revista alternativa, mas aquilo era pra vender em livraria. Não é à toa que essa revolução de quadrinho de autor acontece mais na livraria mainstream nos Estados Unidos do que na comic shop, que ainda tem a resistência do super-herói. As livrarias grandes tavam nem aí se é japonês, porque vendia! E o gibi preto e branco vendia mais. Isso explica um pouco tudo que acontece.

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E você falou que a ideia do livro era propor reflexão. Você vê os autores de fora, os que você publica, os quadrinistas com quem você trabalha, refletindo sobre a linguagem dos quadrinhos?

Por coincidência, todos eles são muito pensadores da linguagem. Bom, o Quintanilha me ajudou a procurar material do Imageria. Você vê o (Marcelo) D’Salete, ele é muito estudado. O Juscelino (Neto) escreveu uma tese sobre autobiografia em quadrinhos. Todos estão pensando, não que eu ache necessário, tem pessoas que estão nem aí e fazem suas coisas. Mas de maneira geral… Você pega o Cidadão N e ele é cheio de citação, ele começa com o Jack Kirby, aí tem o Alan Moore,..são todos eles muito leitores de quadrinhos.

Uma vez eu conversei com o Alberto Breccia. Ele ficava falando que recebia os livros de quadrinhos nas convenções e voltava pra Buenos Aires e trocava tudo aquilo por livro, porque ele não dava bola pra quadrinhos (risos) O Will Eisner falava que tem que ler livro, conto, romance e tal, menos quadrinho. Mas tem esses outros que acompanham. O Crumb é a mesma coisa. Tive uma conversa com ele e ele falou: “Na Zap, eu, o Gilbert e o Spain, a gente era mais de quadrinho, o resto não, eram mais das artes plásticas”. Você vê que ele é um cara que tá lendo e acompanhando. Você fica até surpreso o tanto que ele tá acompanhando. O cara tá há 70 anos acompanhando, ele é um grande estudioso. Seria ótimo se ele fizesse a história dele dos quadrinhos, ia revelar muita coisa. São caras que tão pensando muito.

De novo, não acho que é necessário. De qualquer maneira, todos os autores, os que lêem e não lêem me parecem enfrentar a página em branco sem ideia preconcebida de como deve ser. Eu sou a última pessoa que deve falar com eles de como deve ser uma história em quadrinho. Não me interessa isso também. Não sei. Acho que editores fizeram muito pouco pelos quadrinhos (risos) Bom, tem o Shazam, que foi inventado por um editor. O único caso de editores que fizeram alguma coisa que presta. O Shazam é mais legal que o Super-Homem (risos).

Enfim, espero que o Imageria inspire uns moleques. Meço meu sucesso como editor pela quantidade de coisas que geram a partir dos livros, não exatamente pela vendagem dos livros. Vibro mais quando vejo gente que passou a criar quando viu aquele livro ou outro. Meu ego fica mais inflado, minha vaidade toca mais, quando alguém diz que viu esse ou aquele. Sabe? No fundo, tanto como jornalista quanto como editor sempre trabalhei muito mais focado nos produtores do que nos consumidores. Sempre tive mais interessado em ajudar os produtores a produzir ou publicar coisas como referência do que exatamente para os consumidores colecionarem. Ainda que eu ache o Imageria muito divertido.

Whiz2

E você já trabalhou com jornalismo e falou sobre a necessidade de espaços como a Cahiers du Cinemá fazia na França. O que você acha da forma como os quadrinhos são noticiados na imprensa hoje, tanto na internet como em veículos mais tradicionais?

Olha, os quadrinhos são a linguagem artística que mais usufrui da internet. Nesse sentido, parece que todo mundo sofreu, uns mais e outro menos. A imprensa nunca deu mesmo muito espaço pra quadrinho, sempre foi meio limitado. Se você comparar, tinham uns colunistas, eu mesmo tive uma página, mas espaço para cinema ou qualquer coisa é sempre maior. Com a internet tem muito mais lugares, mas de fato eu acho que falta. Há ausência na mídia papel. E na internet há muitos espaço sobre quadrinho que quando você vai ver é cinema. Falam do Demolidor por causa da série de TV, é um acessório. De fato, é um problema mesmo. Nesse sentido. Há várias pessoas discutindo isoladas e não há pautas únicas sendo exploradas até o final. Acho que é um problema mesmo e não sei como solucionar. Por outro lado, o espaço de tudo tem diminuído nos jornais. Isso afeta mesmo o pensamento, o nível de discussão das coisas. Acho que existe principalmente uma discussão muito consumista na cultura, muito de compre e não compre, “isso vale a pena comprar” ou “isso não vale a pena comprar”. Tem muita crítica envolvendo dinheiro. “Me arrependi de gastar dinheiro”, “não gaste seu dinheiro com isso”, e falta um pensamento que vejo alguns pouco fazendo, pensando analisando, julgando, e era bom que tivesse um espaço.

Alguém tinha que fazer um Comics Journal brasileiro.

É. A Fantagraphics tem a importância dela pelos quadrinhos que publicou, como o Love & Rockets, mas o Comics Journal tem uma importância gigante para o quadrinho mundial. Pelo nível de discussão e exigência, eles foram a Cahiers du Cinemá dos quadrinhos. Existiram outras experiências interessantes, mas que duraram menos. Sem dúvida: sem o Comics Journal, o cenário seria outro, sem o que eles fizeram ali. Não sei muito como solucionar. Não sei, quem sabe? De repente o Imageria ajuda.

ComicsJournal

4 comentários Papo com Rogério de Campos: “O que está aquém no momento é a reflexão sobre quadrinhos no Brasil”

  1. Dario Chaves

    No dia 18 de fevereiro às 19h30 o Instituto HQ traz o editor e criador da Editora Veneta, Rogério de Campos, para um bate papo sobre a sua carreira.

    Durante o evento, os álbuns da Veneta serão vendidos com 20% de desconto.

    Rogério de Campos é editor e criador da Veneta. Lançou revistas como Animal e General. Fundou a editora Conrad, é jornalista, tradutor, autor do romance Revanchismo e do Dicionário do Vinho (Editora Nacional), vencedor do Jabuti 2011.

    EVENTO GRATUITO.
    NÃO PERCAM

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