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Entrevistas / HQ

Papo com Márcio Jr., coautor de Música para Antropomorfos: “O que buscávamos era uma troca contínua no processo de criação”

Está marcado para amanhã (23/8), na loja da Ugra, aqui em São Paulo, a partir das 18h, o primeiro evento de relançamento de Música para Antropomorfos, álbum assinado pelo quadrinista Fabio Zimbres e pelos músicos da banda Mechanics publicado originalmente em 2007 e recém-retornado às livrarias pela editora Zarabatana Books. Eu estarei presente no evento para bater um papo com um dos coautores do projeto, o músico e também quadrinista Márcio Jr. Vamos?

Eu escrevi sobre o relançamento de Música para Antropomorfos para o jornal O Globo, contando a trajetória do livro, a dinâmica da relação entre Zimbres e o Mechanics durante o desenvolvimento do projeto e o produto final – um clássico moderno das HQs brasileiras. Eu recomendo a leitura do meu texto e, em seguida, a entrevista a seguir, uma conversa com Márcio Jr. sobre a jornada de Música para Antropomorfos até aqui. Prometo para amanhã a entrevista com Zimbres, contando a versão dele para essa mesma história.

“A atmosfera das músicas – sem letra – trabalhadas pelo Mechanics serviria de catalisador para a criação de uma HQ pelo Zimbres. O feedback do Zimbres, por sua vez, ajudaria a banda a definir o disco”

Qual a memória mais antiga que você tem dos conceitos que culminariam no Música para Antropomorfos/Music for Anthropomorphics? Você consegue lembrar da origem exata desse projeto?

É difícil precisar isso. Mas para entender o processo todo, tenho que ir ainda mais longe. Minha graduação é em Engenharia Civil. Entrei moleque na Universidade Federal de Goiás. 17 anos, cabaço de tudo. Era bom em matemática, passei de primeira no vestibular e tinha aquela mentalidade completamente infantil de fazer um curso que me garantisse financeiramente. Uma tolice de criança sem orientação. Meu lance sempre foi arte, música, quadrinhos, cinema. Terminei a faculdade em 1994 – ano em que montei o Mechanics. Em 1995, fui um dos criadores do Goiânia Noise Festival – atualmente em sua 24ª edição consecutiva. Tive uma loja de discos que reunia a nata da malandragem roqueira de Goiânia. Em 1998 fui um dos criadores da Monstro Discos – cujo primeiro título lançado é justamente um compacto do Mechanics chamado Sex, Rockets and Filthy Songs. Dava aulas de Matemática e Física em supletivos de 2º grau pra levantar uma grana e, no resto do tempo, me dedicava à Monstro e à banda. Quem conhece o rock alternativo brasileiro sabe o que a Monstro e o Goiânia Noise representam nacionalmente. Transformar Goiânia num pólo e referência para esta cena independente é algo de que me orgulho muito. Só que, passados cerca de dez anos, resolvi voltar a estudar – agora numa área mais próxima ao que eu já fazia. Queria pesquisar Rock e Quadrinhos, minhas maiores paixões. Parti então para um mestrado na Comunicação da UnB, já que em Goiânia, àquela altura, seria impossível lidar com esse tipo de objeto de pesquisa. O Mechanics, como banda, sempre teve a pretensão de lidar com hibridação de linguagens. O nosso primeiro álbum, Psycho Love (2001), já teve toda a concepção gráfica criada pelo Zimbres. Pensei então em radicalizar esse trânsito entre Rock e quadrinhos como a experiência empírica do mestrado. Foi aí que surgiu a ideia do Música para Antropomorfos. Na época, além da Monstro, eu tinha um outro projeto com dois amigos, os irmãos Thiago e Eliseu Xavier. Tratava-se de uma editora chamada Livros Voodoo. Lançamos, ali por 2005, a revista Voodoo!, que de certa forma antecipou essa coisa de publicação metida a besta, com impressão em pantone, páginas quádruplas, stêncil, etc. Zimbres também foi o astro da parada, com capa, entrevista e HQ inédita. Uma coisa que considero legal é que o Música foi o primeiro produto gerado no programa de pós-graduação em Comunicação da UnB.

O livro Música para Antropomorfos e o disco Music for Anthropomorphics saem em 2007. O seu mestrado de 2005 tem como título Histórias em Quadrinhos e Música Pop: Possibilidades de Interface. Qual a relação entre esse trabalho e o projeto que culminaria no quadrinho do Zimbres e no disco do Mechanics?

O lançamento oficial do Música foi em 2007 e ele foi justamente a experiência empírica do meu mestrado, que se dispôs a pesquisar as interfaces entre Rock e Quadrinhos. Me intrigava muito as razões pelas quais duas linguagens tão distintas (uma, gráfica e estática; a outra, sonora e efêmera) buscavam frequente diálogo. Uma coisa que a pesquisa revelou é que, além das capas de disco, o contato mais usual entre HQs e Rock se dá por dois caminhos próximos: a quadrinização de uma música; ou a transformação de uma HQ em canção. O que o projeto Música para Antropomorfos propôs foi algo de outra natureza. A atmosfera das músicas – sem letra – trabalhadas pelo Mechanics serviria de catalisador para a criação de uma HQ pelo Zimbres. O feedback do Zimbres, por sua vez, ajudaria a banda a definir o disco. Todo o processo criativo encontra-se registrado em um capítulo da dissertação que você mencionou. Em 2015, atualizei este capítulo – com todos os desdobramentos ocorridos no projeto desde então – e ele faz parte do livro que eu lancei, o COMICZZZT! Rock e Quadrinhos: Possibilidades de Interface.

“Existe uma autonomia possível na fruição do projeto: você pode ouvir o disco sem ler a HQ, e vice-versa. Mas seria impossível disco e HQ ser o que são sem a determinante interferência de suas contrapartes”

Eu tô aqui falando no “projeto Música para Antropomorfos/Music for Anthropomorphics” e “no quadrinho do Zimbres/no disco do Mechanics”, mas eu queria saber quais são as suas definições sobre isso tudo. Você chama de projeto? Que nome você dá pra essa empreitada conjunta? E o disco é do Zimbres tanto quanto o quadrinho é de vocês? Como partiu a decisão de como cada obra seria assinada? Aliás, você vê o disco e a HQ como obras autônomas ou é tudo uma mesma coisa?

Esta é uma questão interessante. A bem da verdade, nunca tentamos categorizar rigorosamente o projeto. Essa tentativa de encapsular a experiência proposta pelo Música para Antropomorfos/Music for Anthropomorphics é antagônica à sua própria natureza – híbrida, transmidiática e que lida com a dissolução de fronteiras entre linguagens. Havia, à época do lançamento, uma dificuldade em lidar com o material. Em uma loja (ou uma coleção), aquilo ficaria entre os livros ou entre os discos? Em uma revista, em que seção iriam resenhar o trabalho? De qualquer forma, era usual nos referirmos ao produto como disco/livro. Para mim, é um projeto que tem vários desdobramentos, como o COMICZZZT!, a exposição do Zimbres, os shows e agora o filme O Evangelho Segundo Tauba e Primal. Assinamos o livro como uma criação conjunta Zimbres/Mechanics – ainda que todos saibamos que ali o trabalho do Zimbres seja absolutamente preponderante. No disco ocorre o inverso, com uma predominância do trabalho da banda. Mas o álbum tem o Fabio creditado como co-autor de todas as letras. Como eu já disse, existe uma autonomia possível na fruição do projeto: você pode ouvir o disco sem ler a HQ, e vice-versa. Mas seria impossível disco e HQ ser o que são sem a determinante interferência de suas contrapartes. Esta foi a experiência proposta e levada a cabo. O nosso desinteresse em nomear e hierarquizar essa experiência diz muito de sua matéria-prima – móvel e, de certa forma, inclassificável.

Durante muito anos, antes que eu pudesse ler o Música Para Antropomorfos, sempre que ouvia o nome do quadrinho, pela sonoridade, eu pensava no Music for Airports do Brian Eno. Aí depois eu li o quadrinho e vi todo o peso da ambientação da HQ do Zimbres e no diálogo que vocês criaram entre as canções e o quadrinho… Enfim, essa ideia da Música Ambiente teve algum peso na origem do projeto?

O projeto Música para Antropomorfos jamais usou o conceito de música ambiente como referência. A ideia não era criar uma ambiência sonora para a leitura da HQ, tampouco criar uma narrativa em quadrinhos que materializasse imageticamente as músicas do Mechanics – que, por sua vez, nunca teve vocação para músicas incorporadas harmoniosamente a qualquer ambiente. O que buscávamos era uma troca contínua no processo de criação. As músicas – ainda sem letra, mas já com melodias vocais numa letra ininteligível – afetando a produção quadrinística do Zimbres; e seus desenhos, conceitos e páginas nos direcionando para uma formatação definitiva do disco. É possível ler o livro e escutar o álbum isoladamente – mas eles jamais seriam o que são sem processo de criação interdependente que existiu. Fruídos simultaneamente, o que se propõe são novas produções de sentido, nascidas dessa fricção.

De qualquer forma, ainda que o Music for Airports não fosse uma obra de cabeceira do Música para Antropomorfos/Music for Anthropomorphics, a abordagem do Brian Eno sempre foi um dos nortes da banda e, principalmente, do projeto. Aquela coisa da dissolução dos limites entre arte e ciência, ou ainda o processo criativo ao mesmo tempo cerebral e intuitivo sempre estiveram em perspectiva.

Você se lembra do seu primeiro contato com uma obra do Zimbres? Você pode falar um pouco sobre como foi o seu primeiro contato com ele? Como foi a recepção inicial dele para o projeto?

Acho que foi por intermédio da Animal, de longe a melhor revista que já existiu no Brasil – e não estou falando apenas de quadrinhos. O Fabio era uma das mentes por trás daquilo tudo, além de ser o principal artífice do MAU. Ali tinha aquele lance do Maudito Fanzine, que não só articulava os fanzineiros do Brasil, mas tratava os zines não como algo amador, mas como um veículo repleto de infinitas possibilidades. Tudo isso que vemos acontecendo hoje no Brasil, com publicações e feiras de zines sofisticados – e, em alguns casos, gourmetizados – nasce ali, com o Fabio. Sempre fui fã de sua estética e abordagem. Acho que é um artista sem igual no Brasil – e mesmo no mundo. Depois do final da Animal, acabei me aproximando dele. Distribuía a Coleção Minitonto aqui em Goiás e logo ele topou fazer a capa do Psycho Love. Quando pintou a ideia do Música, apresentei o projeto pra ele e, para minha sorte e felicidade, ele topou.

Que tipo de diálogo vocês mantiveram antes, durante e depois da produção do quadrinho e do disco? Você pode falar um pouco dessa dinâmica?

Trabalhar com o Fabio é um privilégio sem tamanho. Existe um diálogo aberto, tranquilo e fácil o tempo todo. Nada de atritos ou imposições. Em todos os projetos, o que acontece é buscarmos o melhor resultado para aquilo que estamos nos propondo. Já fizemos outras tantas coisas juntos. Convidei o Fabio para criar a arte de uma das edições do Goiânia Noise Festival. Ele participou da Voodoo!. Já compôs algumas exposições aqui. Já trouxe ele para oficinas e palestras. E temos este outro grande trabalho que é O Evangelho Segundo Tauba e Primal, onde foi responsável pela brilhante direção de arte – além de participar ativamente de diferentes aspectos do filme. O Evangelho e o Música foram trabalhos longos, complexos, difíceis de ser realizados. Mas a gente sempre chega ao fim. Acho que pela formação em Engenharia e pela experiência como produtor cultural, acabo por ter esse papel de catalisar e viabilizar o trabalho.

Como foram as suas primeiras impressões do que ele estava fazendo no quadrinho?

Eu fiquei absolutamente chocado! Era incrível ver o Fabio destrinchar as sonoridades que enviávamos e dar as mais improváveis respostas àquilo. Eu tinha algo em mente e ele surgia com perspectivas completamente diferentes. Desfrutei muito de todo esse processo.

Qual foi a recepção do público na época do lançamento? Foi difícil explicar pra imprensa e pros leitores a proposta do que vocês tinham feito? Quais a suas expectativas para esse relançamento?

A recepção, por parte da crítica, foi excelente. Por outro lado, os veículos mainstream – como a Rolling Stone e a Bravo! – não souberam como lidar com o material, por não ser possível classificá-lo de forma convencional. Em pouco tempo, a tiragem se esgotou e uma determinada parcela do público não conseguiu ter acesso a ele. As expectativas com o relançamento é que tanto o pessoal que não conseguiu o Música na época, quanto o novo público de quadrinhos surgido na última década possam ter o material em mãos. Acho que a obra continua tendo um caráter único, mesmo na diversidade do atual panorama de quadrinhos no país.

“O trabalho impresso do Fabio se aproxima muito do universo mais arrojado das artes plásticas. E o sujeito tem uma visão de mundo absolutamente idiossincrática. Suas narrativas são sempre inusitadas e improváveis, ainda que muito cerebrais”

Você atua em muitas frentes, sendo uma delas como roteirista quadrinhos. Como quadrinista, como você analisa o trabalho do Zimbres? O que você considera de mais singular nas obras dele?

Ele vai negar, mas a real é que o Zimbres é um gênio. Não tenho outro termo para me referir ao Fabio – e acho que muitos dos melhores quadrinistas do país vão concordar comigo. Para começar, tem a coisa da originalidade do desenho. Naquela suposta ‘feiúra’ existe muita sofisticação. De forma orgânica e nada pretensiosa, o trabalho impresso do Fabio se aproxima muito do universo mais arrojado das artes plásticas. E o sujeito tem uma visão de mundo absolutamente idiossincrática. Suas narrativas são sempre inusitadas e improváveis, ainda que muito cerebrais. Se engana quem acha que o que conduz o Zimbres é uma força intuitiva e puramente espontânea. Há muita pesquisa e racionalização naquilo que ele cria. Além disso, há sempre a experimentação com as linguagens às quais se dedica. Nos quadrinhos, por exemplo, o Fabio trabalha tempo e espaço de forma muito singular.

Hoje, mais de 10 anos depois do lançamento desse projeto, quais você considera os principais retornos e as maiores lições que tirou da experiência criando o Música para Antropomorfos?

Em cada projeto que realizo, meu foco é sempre o projeto em si. Não sou muito bom com esse lance de retorno. O que me move é realizar uma obra que tenha fim nela mesma. É claro que tento encontrar o público. Mas isso é outra coisa, depende de um conjunto de variáveis que fogem ao controle de quem cria. O Música para Antropomorfos foi um trabalho que consumiu anos de nossas vidas. Foi realmente difícil finalizarmos e concretizarmos o tal disco-livro. Mas sempre tive muito orgulho do que fizemos. O modo como o Música foi crescendo no imaginário das pessoas foi algo muito interessante de acompanhar. Também houve todos os desdobramentos do projeto, como o livro teórico COMICZZZT! e o filme O Evangelho Segundo Tauba e Primal. Esse, em particular, levou 12 anos para ser concluído desde que tive a ideia de fazer uma animação a partir do Música. E é outro trabalho do qual tenho o maior orgulho. Ou seja, acredito muito naquela máxima: ‘O que é feito respeitando o tempo, o tempo respeita’. Esta reedição da Zarabatana atesta isso, bem como a edição lançada em 2017 na Colômbia e as outras duas que estamos negociando com Portugal e França.

Nesses mais de 10 anos desde o lançamento do Música para Antropomorfos, quais você considera as principais mudanças pelas quais a cena brasileira de quadrinhos passou? Quais os principais avanços e retrocessos que você viu?

Esses dez anos testemunharam uma radicalíssima mudança na cena dos quadrinhos brasileiros. Acredito piamente estarmos vivendo o auge da nossa HQ, no que diz respeito à qualidade daquilo que é produzido. O quadrinho brasileiro contemporâneo está entre os melhores do mundo. Mesmo essa vertente mais ousada e experimental tem mostrado um vigor inaudito. Quando lançamos o Música ou mesmo a Voodoo!, publicações independentes com um design mais arrojado, experimental e artístico não eram nada comuns. De lá pra cá, as publicações têm ficado cada vez mais incríveis – e acho que temos nossa contribuição nisso aí. O que ainda falta é o acesso a um público mais amplo – o que tem a ver com questões estruturais da sociedade brasileira. É duro termos talentos tão geniais que não podem sobreviver exclusivamente de seu trabalho com quadrinhos.

Você vê algum diálogo entre a cena musical brasileira independente e a cena brasileira de quadrinhos?

Esse é um tema que me interessa demais – tanto que fiz um mestrado e publiquei um livro sobre ele. Resumindo, acho que um dos maiores problemas dos quadrinhos brasileiros foi sua dissociação de outras formas de linguagem, especialmente a música alternativa. Demorou a acontecer, por uma série de motivos, um do it yourself para nossos quadrinhos. Por décadas, tudo que os quadrinistas podiam almejar era alguma editora onde pudessem oferecer seus serviços. Esta coisa da auto-publicação, da distribuição independente e do associativismo é muito recente por aqui. Nestes dez últimos anos, o que vimos foi prioritariamente um boom deste fenômeno – que no Rock, mesmo o brasileiro, aconteceu bem antes. Uma experiência como a Ugra Press, por exemplo, não tem background nos quadrinhos, mas na cena punk. Agora, o curioso é o movimento inverso que tem ocorrido no Rock. O público não tem se renovado e o interesse pelo gênero é cada vez menor. Ou seja, quando nossos quadrinhos finalmente assumem uma atitude rock, o Rock perde interlocução com a juventude. São dinâmicas complexas.

O quanto você acha que o choque entre esses diferentes mundos em que você atua contribui para sua formação como artista?

Nunca gostei da ideia de uma formação unicamente especializante. Me interessa o trânsito constante entre diversos conhecimentos e linguagens. A lógica da ultra-especialização é uma lógica neoliberal, de mercado. Para arte e produção cultural, seus resultados são catastróficos. O que um quadrinista que só lê quadrinhos pode produzir senão uma HQ frágil e derivativa? O mesmo vale pra música, literatura, arte plásticas, etc. Por outro lado, tenho uma tendência a ficar entediado com facilidade. Fazer muitas coisas distintas (e não ter tempo pra mais nada) é uma forma de lidar com isso – ainda que não seja das mais inteligentes. Produzir continuamente é meu modo de dar sentido ao mundo e à vida. E é na diluição das fronteiras entre as linguagens que percebo a possibilidade de algo verdadeiramente instigante e, com um pouco de sorte, novo e diferente.

A nova edição de Música para Antropomorfos tem diferenças em relação à original?

A HQ não sofreu alterações, mas a edição traz sim algumas diferenças em relação àquela lançada em 2007. A primeira delas é o formato. O livro agora tem dimensões um pouco maiores, o que facilita seu posicionamento em livrarias. O original era do tamanho de um mangá – que foi uma proposta do Zimbres numa época em que os mangás ainda não haviam atingido a popularidade alcançada hoje. A capa também é diferente – e foi divertido acompanhar o processo de criação desta nova capa, com mais de uma dezena de versões. Por fim, o livro conta com um incrível texto introdutório do grande Diego Gerlach. Coisa fina!

Vocês também pretendem relançar o disco?

Uma das maiores mudanças ocorrida na última década foi a obsolescência, principalmente no Brasil, do CD como suporte físico para música. Quem ainda compra CDs? Parece que só eu mesmo. Então, decidimos não encartar o CD no livro – algo que também aconteceu com a edição colombiana. Quem quiser ter acesso ao álbum “Music for Anthropomorphics” basta dar uma conferida no site www.mechanicsband.com. Mas existe um projeto de relançar o disco em vinil, numa edição luxuosa, com um encarte maravilhoso feito pelo Zimbres. Estou trabalhando nisso e espero que até o final do ano tenhamos o material disponível. E também estamos pensando no Mechanics fazer shows executando o álbum na íntegra.

Quando foi feito a animação O Evangelho Segundo Tauba e Primal? Após a exibição em SP onde o filme estará disponível?

O filme foi produzido e dirigido por mim e pela Márcia Deretti (minha sócia na MMarte e na vida, já que somos casados), tem direção de arte do Zimbres e foi animado pelo monstruoso Wesley Rodrigues – o homenageado deste ano no Animamundi. Foram anos de trabalho – com alguns intervalos no meio, claro. O curta estreou recentemente, em junho, aqui em Goiás. Agora será exibido, ainda em agosto, nas mostras competitivas do 28º Cine Ceará e da 29ª Mostra Kinoforum – Festival Internacional de Curtas de São Paulo – dois festivais brasileiros muito tradicionais e importantes. A carreira do filme está apenas começando e espero que ele seja selecionado para diversos festivais mundo afora. Espero que rolem umas vendas para TVs também. No universo do cinema, a vida de um filme em festivais é de 2 anos. Depois disso, iremos disponibilizá-lo na internet. E o filme também fará parte do lançamento da nova edição do Música para Antropomorfos na Bienal Internacional de Quadrinhos de Curitiba.

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