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Bastidores PARAFUSO #1 – Parte II: Temas e Restrições

Começa amanhã (10/1) o Laboratório de Quadrinhos Potenciais organizado e coordenado pelo quadrinista Jão em Belo Horizonte. As HQs produzidas ao longo dos três encontros da oficina serão editadas e publicadas na revista PARAFUSO #1, com foco integral em narrativas gráficas experimentais. A lista com os nomes dos artistas selecionados para a oficina foi divulgada ontem: Aline Lemos, Bruno Pirata, Daniel Pizani, Estevam, Faw Carvalho, FRM, Gabriel Nascimento, Ing Lee, João Belo, Julhelena, Marcos Batista e Priscapaes.

As atividades do Laboratório são abertas ao público, que poderá acompanhar o desenvolvimento das HQs ao vivo, na Livraria da Rua (R. Antônio de Albuquerque, 913, Savassi, BH), nos dias 10, 11 e 12 de janeiro, das 14h às 21h.

Na semana passada foi publicada aqui no Vitralizado a primeira parte da série Bastidores PARAFUSO #1 (leia aqui), com um texto no qual Jão falou sobre suas inspirações e objetivos com o projeto. Agora, na segunda parte, o quadrinista escreve sobre os temas que serão abordados nos quadrinhos da revista e as restrições impostas por ele aos participantes do Laboratório. Saca só:

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Bastidores PARAFUSO #1 – Parte II: Temas e Restrições

por Jão

Editar trabalhos coletivos, muitas vezes, é um desafio. Para não ficar parecendo uma colcha de retalhos, é necessário criar alguma forma de unidade e conversa entre as artes. Seja pela abordagem, seja pelo estilo, seja pela técnica de impressão. Não pensar nisso antes pode gerar diversos problemas futuros. Assim, para a PARAFUSO #1, como organizador da antologia, após alguns dias de brainstorming e alguns tiros no escuro, planejei – com a colaboração da minha sócia Helen Murta – uma espécie de tema que permeia toda a edição. Caso fosse um dos meus trabalhos individuais, dificilmente esta seria a proposta, mas achei que seria interessante observar como outros artistas elaboram suas obras a partir de um conceito muito utilizado por mim em outros momentos. O tema em questão é “a cidade”. Achei que poderia gerar uma discussão interessante, pois existem muitas abordagens possíveis do espectro urbano. O próprio fato de ter uma quantidade relativamente grande de criadores e criadoras participando do processo junto comigo também influenciou a escolha.

A partir do tema base, pensei que queria contar uma história por meio da edição. Criar uma espécie de narrativa em segundo plano, mas que seria importante para a experiência de leitura da obra como um todo. Assim, enviei para cada artista um subtema que pode ser, por exemplo, “estradas”, “casa” ou “mesa de jantar”; e as restrições que guiariam a produção das páginas, como, por exemplo, “sem protagonista”, “sem texto”, “todos os quadros com closes em rostos” e, em muitos casos, foram mais de duas restrições para cada. Esta etapa foi elaborada para que os artistas produzissem fora do Laboratório de Quadrinhos Potenciais, em seus estúdios e locais de trabalho cotidianos. Cada um pode fazer duas, quatro ou seis páginas.

Gosto de ver o OuBaPo como uma forma lúdica de criação e, para os encontros presenciais, programei a confecção de três zines, que serão feitos um em cada dia. Cada um deles tem restrições criativas para o coletivo de participantes, que desenvolvem ensaios em quadrinhos baseados em temas preestabelecidos. São eles: Carteira de Trabalho, uma série de ilustrações sobre profissões inexistentes, em que cada autor terá, como restrição, uma única cena para desenvolver um personagem; Arqueologia Urbana, que abordará objetos incomuns encontrados na cidade, tendo como limitações a repetição de cenários e um grid de quatro quadros por página; e Comércio Informal, que será composto por ilustrações sobrepostas dentro de quadrinhos, como uma forma de trabalhar layouts e design das páginas, e os artistas não poderão utilizar textos em línguas existentes, passando todos os seus conceitos por meio dos desenhos.

A proposta com os exercícios realizados dentro do Laboratório de Quadrinhos Potenciais é que, para além dos zines produzidos, seja feita uma seleção de ensaios que entrarão na PARAFUSO #1, que ajudarão a contar a narrativa editorial necessária para a antologia.

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