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Animação / Cinema

Uma História de Amor e Fúria

Escrevi sobre o filme pro Divirta-se de hoje. Tremenda animação, com certeza um marco pra história do meio no Brasil. Como falei no meu texto, acho que os problemas da produção estão ligados principalmente ao anseio por mais quando os créditos começam a subir. São quatro histórias em 75 minutos e isso acaba limitando pra caramba o desenvolvimento de cada trama. De qualquer forma, vale a pena conferir.

Mais de dez anos separam o despertar das ideias que culminariam em Uma História de Amor e Fúria e seu lançamento.Diretor da animação que chega hoje (5) aos cinemas, Luiz Bolognesi havia encerrado seu trabalho como roteirista de ‘Bicho de Sete Cabeças’ (2001) quando começou a conceber a saga épica de um guerreiro imortal que sai em busca de sua amada ao longo de 600 anos.

A mistura de história com ficção científica divide a fantasia em quatro atos. Inicia com conflitos entre índios e europeus no Rio de Janeiro de 1566 e salta para a revolta da Balaiada, no Maranhão do século 19. Depois, o Brasil ditatorial da década de 60 e, por fim, a capital fluminense em 2096 – um futuro distópico no qual a cidade é controlada por milícias particulares. Como guerrilheiro, jornalista, líder revolucionário e defensor de suas terras, o protagonista enfrenta as mazelas de um país de governantes corruptos e violentos.

Além do herói, de diferentes nomes e sempre com a voz de Selton Mello, a constante da obra está em seu apuro estético. Produções da Disney, histórias em quadrinhos americanas e japonesas e estilos orientais de animação são referências óbvias na construção do visual impactante e coeso do filme.

As paletas de cores utilizadas em cada segmento do longa auxiliam na distinção dos ambientes: a vivacidade da iluminação do Brasil pré-colonial perde força a cada trecho, culminando nos tons escuros e pouco convidativos do cenário futurista. Apesar desse esmero plástico, o excesso de tramas limita o tempo destinado aos personagens.

Também com as vozes de Camila Pitanga, como Janaína (a musa do enredo), e Rodrigo Santoro, ‘Uma História de Amor e Fúria’ marca época na curta biografia do desenho animado nacional, graças ao seu apuro técnico. Está na fugacidade de cada ato o anseio decepcionante por mais.

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