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Papo com Andrew DeGraff

Degraff-StarWars

Já fiz três posts dedicados ao Andrew DeGraff por aqui: quando ele participou da exposição dedicada ao J.J Abrams na Gallery 1988, na época que ele lançou seus mapas dos filmes de Star Wars e também quando ele produziu os painéis de Indiana Jones. Entrevistei o artista pro site da Galileu. Ele falou sobre técnicas as origens dos mapas e de seu próximo trabalho. No momento ele está produzindo um painel gigante com todo o percurso de Frodo e companhia durante a trilogia O Senhor dos Anéis pra uma exposição solo. Demais né? Meu texto no site da Galileu tá aqui. Segue a entrevista:

Degraff-IntrigaInternacional

O cartógrafo nerd

Artista norte-americano Andrew DeGraff mapeia os percursos de protagonistas de clássicos pop

O próximo trabalho do ilustrador Andrew DeGraff é maior que um sofá. Ele está pintando o percurso dos protagonistas da trilogia O Senhor dos Anéis em um único painel e a obra será o destaque de sua próxima exposição. Colaborador dos jornais The New York Times e The New York Observer e da revista TimeOut Chicago, ele ganhará uma retrospectiva solo de seus trabalhos na prestigiada Gallery 1988, de Los Angeles. Em cartaz a partir de março, o evento vai reunir a série mais famosa de DeGraff, dedicada a registrar a rota de personagens de filmes clássicos da cultura pop. O trabalho inédito, apresentando o caminho de Frodo e seus amigos até a Montanha da Perdição, estará acompanhado de ilustrações ambientadas nos universos de Star Wars, Indiana Jones, Goonies e outros.

“Se uma obra de arte levanta questões sobre a vida e moralidade, isso é ótimo – mas mais pessoas vão sacar se ela tiver Stormtroopers”, brinca o DeGraff em entrevista à GALILEU em referência aos soldados imperiais de Star Wars. Segundo ele, para a produção de alguns de seus mapas ele chega a assistir ao mesmo filme mais de vinte vezes e são necessários mais de dez dias para produzir alguns dos painéis. Além de explicar suas técnicas e explicar as origens de seus mapas, ele explicou a diferença de artes sobre cultura pop e artes concebidas por fãs.

Degraff-RascunhoSenhordosAnéis

Como surgiu a ideia dos mapas?
Eu comecei fazendo mapas em matérias de revistas de viagens. Era divertido combinar informações reais em um formato de desenho e brincar com os conceitos de infografia e ilustração. A segunda parte disso foi criar imagens para galeria de cultura pop que não eram baseadas em personagens principais ou mesmo secundários. Todos nós lembramos falas e cenas icônicas, então isso acaba ocupando 90% das imagens em alguns exposições de cultura pop. Nada contra isso, mas pensei que seria interessante tirar os personagens da imagem e apresentar apenas os cenários e os ambientes. O pano de fundo define muito de um grande filme. A ideia de representar os cenários como setas veio do mapa que fiz para Intriga Internacional (1959). Representei o personagem do Cary Grant como uma seta vermelha, uma referência direta aos créditos de abertura do Saul Bass para o filme.

Quantas vezes vocês assiste cada filme para lembrar os percursos?
Eu amo os filmes que pinto. Um bom teste é pensar: “eu posso assistir vinte vezes seguidas?”, pois é basicamente o que acabo fazendo algumas vezes. Eu preciso parar e dividir cena por cena, mas as vezes é difícil parar quando você se apega à trama. Vinte minutos depois eu estou me xingando por ter deixado passar exatamente aquela cena que procurava. Isso acaba arruinando o filme para mim durante alguns anos.

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E como você faz os mapas? Quais técnicas você utiliza?
Cada mapa exige duas ou três sessões para anotações, listar os cenários e buscar um formato básico. Depois gasto alguns dias em rascunhos de escalas menores para ter uma noção de tudo que preciso mostrar numa perspectiva plana, o que acabo repetindo na versão final. O rascunho precisa ser muito detalhado, já contendo tudo que pretendo mostrar: cortes de interiores, arquiteturas e designs icônicos e também outros layouts. Passo muito tempo pensando o quanto quero mostrar de determinadas cenas. Junto com a minha lista de o que acontece em cada lugar no filme, acabo criando uma espécie de pequeno storyboard. Depois eu gasto até três dias fazendo o desenho final e começo a pintar com guache. Normalmente gasto entre 150 e 200 horas na pintura.

Por que você acha que os mapas fizeram tanto sucesso?
É engraçado. Nunca imaginei que eles se tornariam isso tudo. Acho que as pessoas gostam do jeito de maquete deles. São mundo fechados. Meus mapas geralmente são delicados como miniaturas de navios em garrafas. São tão completos quanto eu consigo fazer, estilizados e com muita informação. Minha regra quando estou produzindo é: “tudo é tão importante quanto todo o resto”. Tento dar a todo carro, árvore, prédio e montanha a mesma quantidade de detalhes. Claro, de longe as pinturas parecem totalmente abstratas, mas você passa a reconhecer várias paisagens e construções a medida que se aproxima. É quando o público tem aquele instante “Aha!”.

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Você pretende continuar a produzir os mapas?
Definitivamente. Tenho uma exposição marcada na Gallery 1988 de Los Angeles a partir de 28 de março então estou por conta da próxima leva e não pretendo parar. No momento estou trabalhando num mapa do tamanho de um sofá com as história dos três Senhor dos Anéis, para a exposição.

A internet é um espaço propício para artistas e fãs de cultura pop expressarem suas paixões com ilustrações, mash-ups e várias reinterpretações de filmes, livros, quadrinhos e discos. Por que você acha que as pessoas gostam tanto dessas releituras?
Tenho algumas dúvidas sobre isso. Há muitos bons ilustradores e artistas fazendo artes baseadas em cultura pop e é natural as pessoas responderam àquilo que conhecem. Para muitos de nós, é parte das nossas infâncias, então vai fundo nas nossas consciências. Acho importante determinar a diferença fanart e arte de cultura pop. Gosto muito de fanarts – e fiz muitos trabalhos assim. Mas fanarts não apresentam qualquer revelações sobre o filme ou o quadrinho, é apenas uma representação quase romântica de determinado personagem ou cena. Muito do que vejo online é na verdade fanart. Mais uma vez: não tenho qualquer problema com isso. Adoraria ver uma pintura do Chewbacca feita pelo Basquiat ou pin-ups da Marvel assinados pelo Egon Schiele. Só acho que quando você vê arte sobre cultura pop, há conceitos pessoais do artista que acrescentam aos conceitos próprios dos filmes ou quadrinhos. Na maioria das vezes são esses os trabalhos que vejo se destacando na internet. Uma boa ideia é uma boa ideia. Se uma obra de arte levanta questões sobre a vida e moralidade, isso é ótimo – mas mais pessoas vão sacar se ela tiver Stormtroopers.

Degraff-IndianaJonesCaçadoresdaArcaPerdida

1 comentário Papo com Andrew DeGraff

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