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## Retrospectiva Vitralizado 2017 ## Série Postal – Ano 1

Os 12 quadrinhos do ano de estreia da Série Postal compõem a primeira empreitada impressa do Vitralizado – e provavelmente não será a última, diga-se de passagem. Você confere as artes e as entrevistas com todos os artistas envolvidos no projeto por aqui e também no tumblr da coleção. Hoje, dia 22 de dezembro, o primeiro ano da Série Postal chega ao fim e agradeci a todas as pessoas envolvidas no projeto nos canais oficiais da Série Postal. Aproveito a deixa pra reproduzir esse agradecimento por aqui. Ó:

Hoje chega ao fim o primeiro ano da Série Postal. As 12 HQs resultaram em 24 mil exemplares impressos, 12 entrevistas com os autores, 12 eventos de lançamento, sete matérias em jornais e sites, três matérias em canais de televisão, cinco menções em programas no YouTube, cinco páginas de posts no blog Vitralizado e 287 atualizações na página da coleção.

A Série Postal tem como proposta distribuir quadrinhos de graça para a maior quantidade possível de pessoas dentro de um formato de custo mínimo e que fuja ao padrão do que o grande público costuma esperar de uma HQ. Mas mais do que isso tudo, era uma desculpa imensa para reunir vários artistas incríveis para criar algo memorável – e todos esses objetivos foram alcançados.

Aguarde novidades em breve sobre o segundo ano da Série Postal. Por ora, fica o agradecimento a todos que ajudaram na divulgação, na distribuição e no desenvolvimento do projeto. Foram vários artistas, lojistas, editores, jornalistas, produtores de conteúdo e amigos que auxiliaram na projeção dessa empreitada. Da mesma forma, foi primordial o apoio do Rumos e do Itaú Cultural. Valeu por tudo, pessoal!

Fica registrado um obrigado especial aos autores desses primeiros 12 meses da coleção: Pedro Franz, Pedro Cobiaco, Taís Koshino, Bianca Pinheiro, Bárbara Malagoli, Felipe Portugal, Manzanna, Paula Puiupo, Daniel Lopes, Felipe Nunes, Jão e Mariana Paraizo. Sem vocês, não haveria Série Postal e ela não seria o sucesso que foi.

Até 2018!

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Mariana Paraizo e a produção do 12º número da Série Postal

O desenvolvimento do trabalho de Mariana Paraizo para a 12º Série Postal é bastante interessante e propõe reflexões relevantes relacionadas a questões de direitos autorais e direitos de uso de imagem. Assim como fiz com os depoimentos de todos os autores do projeto, publiquei a entrevista que fiz com ela no Tumblr dedicado à coleção de postais e reúno por aqui a íntegra dos depoimentos. A seguir, aspas de Mariana Paraizo:

“Foi bem legal a oportunidade de participar do projeto. Parecia que se encaixava muito bem com essa vontade que eu tinha de construir uma narrativa a partir de imagens do Google. Eu tenho uma coisa com objetos antigos, coleções, coisas guardadas… No caso, eu queria fazer um trabalho em um cartão postal que remetesse a um cartão postal. Não queria só fazer uma imagem que fosse só passear pelo cartão sem ter nenhuma relação com o próprio formato. Achei essa caixa antiga de cartões postais do meu pai. Procurando o que fosse me estimular para fazer uma narrativa eu encontrei esse texto meio misterioso sobre uma moça chamada Kátia que não devolveu um chaveiro. Era estranho, era um cartão postal que parecia ter sido abandonado pela metade. Não parecia que a pessoa tinha chegado de fato ao que ela queria. Ficava uma coisa interrompida. Eu mostrei pro meu pai e ele não reconheceu. Ele lembrava da Kátia, amiga dele, mas que aquela letra não era dele, parecia do irmão dele e o cartão nem tinha sido mandado. Então já se instalou um vontade de trabalhar em cima dessa coisa meio misteriosa, que parecia que ia se relacionar bem com essa pesquisa no Google em que fui colocando palavras-chaves e procurando imagens pra formar sequências não completamente ao acaso, em uma composição que indicava um caminho interessante de narrativa sem que ela estivesse lá por completo”

“O que aconteceu é que essa primeira versão do postal foi barrada pelos direitos de imagem. Como eu usei os prints e não pedi permissão para cada um dos sites pra utilizar as imagens, o Itaú Cultural ficou preocupado com a possibilidade de processo. Isso me deixou meio chateada, mas da adversidade vivemos (risos). Tive que lidar com esse fato. Eu não via nenhuma possibilidade real de alguém buscar o direito dessas imagens de volta. São imagens que não são nem muito representativas e nem autorais, pareciam feitas por uma instituição para uma circulação mais comercial e que normalmente são deixadas e abandonadas ao relento. Elas não são localizadas, não ficam sendo acompanhadas para se ter um registro de sua localização. Mas enfim…”

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“Daí a solução que encontrei para um segundo cartão postal com o tempo que tinha, foi lidar com essa situação como parte do cartão postal que eu ia fazer. Usei o printscreen da mesma forma, usei a sequência do Google da mesma forma e procurei por ‘autoria’ no Google. Dei uma borrada no nome do Google, mas deixei as cores. Trabalhei em cima da coisa de não usar a imagem na íntegra, mas indicar completamente o que ela era. No caso no Google eu borrei e coloquei ‘buscador’ por cima e nas outras imagens eu coloquei tarjas pretas em duas linhas de sequência de foto vindas da busca por ‘autoria’. Tirei as duas linhas e inseri no postal, na íntegra, e em cima de cada imagem coloquei a tarja preta e fui apagando aos poucos para mostrar o verso, mas não o suficiente para revelar que era uma fotografia ou uma imagem coorporativa ou instituicional com uso restrito”

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Jão e a produção do 11º número da Série Postal

Uma das propostas do quadrinistas Jão ao produzir a 11ª edição da Série Postal foi controlar o tempo de leitura da HQ. Segundo o autor, a ideia era estimular que seus leitores voltassem à obra e não esgotassem a leitura em um primeiro contato. Publiquei as falas do Jão sobre o quadrinho no Tumblr da Série Postal e reúno a íntegra dos depoimentos por aqui. A seguir, falas do autor:

“O convite para fazer o postal veio num período em que eu estava trabalhando esse tipo de quadrinho, uma coisa mais experimental. Eu tinha começado a fazer o Flores, O Bárbaro e acho que as duas coisas juntaram. Era algo que eu estava afim de fazer naquele momento, no segundo semestre do ano passado, algo mais experimental e relacionado a movimento em quadrinhos. No primeiro semestre do ano passado eu tinha feito algumas experiências semelhantes que não cheguei a mostrar pra ninguém, mas as coisas foram andando pra chegar nisso. Quando veio o convite pra poder fazer essa história, pensei que aquilo que eu estava desenvolvendo, nesse tipo de narrativa, não necessariamente com um começo no canto superior direito e um fim no inferior esquerdo, sabe? Queria algo que você pudesse entrar por outro lugar. No caso dessa história específica, pensei em algo circular”

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“Eu não tinha me ligado nessa conexão com Spy Vs. Spy, mas agora penso que tem tudo a ver. Na época que comecei a fazer quadrinhos, há uns 10 anos, eu lia muito. Então acho que é uma influência, sim”

“A construção da paleta de cores dos meus quadrinhos é uma questão meio bizarra. Eu posso ter uma vaga ideia de que quero trabalhar com uma cor específica e aí vou fazendo umas experiências até chegar numa paleta que compõe o todo. Mas eu também não tenho uma paleta padrão nos meus trabalhos. No caso do postal, eu fiz alguns testes com outras cores antes e tal, mas eu queria uma coisa que destacasse em algumas partes, até pra que as cores guiassem a leitura. Fui fazendo esses testes até chegar nessa composição final”

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“Normalmente, quando vou criar uma história pequena, que precisa ser resolvida num espaço curto, eu tenho muito problema. Ao mesmo tempo, o conceito do postal me trouxe a história, toda essa narrativa circular me fez pensar no rolê do postal ser uma coisa que você vai mandar um recado pra alguém, pra uma pessoa que você gosta e tudo mais. Aí essa pessoa vai pegar essa HQ e vai colocar num quadro ou numa gaveta e de vez em quando vai retomar esse trabalho. Daí o que pensei foi isso: se eu fizesse uma história com início, meio e fim, uma coisa fechada, a pessoa não precisaria mais olhar pra ela. Eu queria que fosse um desafio, o postal estando na gaveta e permitindo uma viajada sempre que o leitor entrasse em contato com ele”

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“Em relação ao roteiro, eu já tinha a história na cabeça e sabia o que ia acontecer nela. Eu sentei e fui fazendo e alguns elementos foram aparecendo. No caso do Baixo Centro, eu e o Rafael [co-autor da HQ] fizemos um roteiro básico, muito aberto, inclusive era pra ter apenas 16 páginas e acabou com 64. Então fui incluindo elementos e algumas cenas que já estavam escritas eu ampliei até chegar no resultado final. Nos últimos dias tô fazendo um processo completamente diferente desse: sentar e escrever um roteiro, pra uma história que estou planejando pro ano que vem. Eu tô fazendo um processo que tem muito tempo que não faço, até pelo fato da história ter diálogos. Então é importante ter essa prévia antes, pensar roteiro, o que vai acontecer com os personagens e construir algo mais amarrado”

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Um papo com o quadrinista Jão sobre a 11ª edição da Série Postal

Eu estive em Belo Horizonte para lançar o 11º número da Série Postal, assinada pelo quadrinista Jão. O lançamento rolou na última edição de 2017 da Faísca – Mercado Gráfico – aliás, um tremendo evento, no qual os postais circularam aos montes. Antes da feira, eu e o Jão demos um pulo na Rede Minas pra conversar um pouco sobre as 12 edições da Série Postal e algumas das reflexões propostas pelo projeto. Dá o play:

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Sábado (18/11) é dia de Faísca em Belo Horizonte, com lançamento da 11ª edição da Série Postal

Ei, vai estar em Belo Horizonte no sábado (18/10)? Então deixo o convite pra você dar um pulo na Faísca – Mercado Gráfico. O evento rola das 11h às 17h, no Campus Liberdade da universidade Una (Rua da Bahia, 1764, Lourdes), com entrada gratuita. Estarei por lá na companhia do quadrinista Jão lançando a 11ª edição da Série Postal, marcando o último evento com a presença do projeto em 2017. Aliás, a Série Postal estará presente com exemplares limitados dos 12 números da coleção. Tudo de graça, leva quem chegar primeiro. Você confere a programação completa da feira e a lista com todos os artistas presentes na página do evento no Facebook.

Aliás, além de estar na Faísca distribuindo os postais, também vou participar de um bate-papo com o Jão com o título HQs e Restrições Criativas. A conversa rola a partir das 14h. Vamos falar sobre a criação do postal número 11, fazer um balanço do primeiro ano da Série Postal e refletir um pouco sobre os desafios enfrentados por cada autor durante a produção de seus quadrinhos para o projeto. Vai ser massa, cara. Vamos?

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Felipe Nunes e a produção do 10º número da Série Postal

Reúno por aqui a íntegra do meu papo com o artista Felipe Nunes sobre a produção do 10º número da Série Postal. Conheço poucos quadrinistas tão empenhados com seus trabalhos, em refletir sobre o que está fazendo, quanto o autor dessa antepenúltima edição da coleção. É sempre muito interessante ler/escutar o que o Nunes tem a dizer sobre as criações dele. Como tenho feito desde o início da Série Postal, publiquei as falas do artista primeiramente lá no site do projeto e agora reproduzo a versão completa por aqui. Saca só:

“Eu levei alguns dias pra finalizar o postal, não estava fazendo nada na época. Tinha acabado de fazer O Segredo da Floresta, um gibi que era de um outro roteirista, então eu estava num hiato. Depois de não ter escrito nada no ano passado, eu queria tentar incorporar coisas novas no meu trabalho. Aí fiz um quadrinho autobiográfico. Eu tinha passado pelo término do meu namoro e achei que era um boa oportunidade para expressas o que eu sentia naquele momento”

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“Talvez seja o meu primeiro quadrinho em alguns anos só protagonizados por pessoas. O próprio O Segredo da Floresta tem algum tipo de realismo fantástico, com personagens meio mágicos, e por mais que eu não tenha escrito e não ache uma história tão potente é de alguma forma o final desse ciclo. Talvez agora eu esteja fazendo o meu trabalho definitivo dessa onde de animais, mas não de fábulas familiares. O postal foi importante também pra pensar quadrinhos em que eu protagonize, tentar mudar um pouco a linguagem e não ficar preso nessa ideia de que eu tenho que seguir uma fórmula… Eu fico muito incomodado com o meu trabalho, tô fazendo agora um livro novo e pensando o quanto a gente insiste em uma linguagem ou em soluções e estruturas narrativas”

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“Eu sempre pensei o postal como uma página. Eu me esforço muito pra tentar deixar o meu desenho mais sintético e eficiente, sem muitos problemas narrativos. Eu sou meio obcecado por isso no meu trabalho. Tenho um pouco de facilidade de resumir minhas ideias e deveria praticar mais isso, é uma coisa que reflito nos meus quadrinhos longos, mas numa perspectiva mais ampla. Pensando caras que eu gosto muito, como o Jason e o Christophe Blain, eles têm um timing narrativo muito bom, muito eficiente e eu me baseio no trabalho deles de diferentes formas, como escolher intervalos precisos – talvez isso seja uma influência de uma narrativa mais didática que eu tenho”

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“Eu tinha acabado de me mudar pro meu atual apartamento e foi uma ideia que surgiu. Queria tentar fazer uma analogia entre a minha casa e o meu corpo. Achei que seria interessante dividir em blocos para contextualizar a sensação de estar ali. A primeira coluna é a introdução da história, encaixando a sensação no lugar, de eu abaixar a luz da tela, mostrar o horário, a minha cara e eu descalço. Fazer esses três blocos de informação, sendo a segunda coluna esse desenho grande foi justamente pra ambientar o apartamento vazio e criar um padrão com o taco do chão. Quando eu penso no ritmo de um quadrinho eu penso igual a um compasso de música. O postal é um pouco ritmado, com todas as colunas acontecendo em um tempo específico”

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“Eu queria criar um clima com essa borda azul. Eu nunca fui um bom colorista pra falar a verdade. Ano passado eu tive a obrigação de começar a colorir pra nova versão do Dodô, que vai sair agora na Polônia e em Portugal. Tive de aprender e passei a parar de tentar ser naturalista na cor e tentar realmente a começar a entender como criar clima pra cor e ali eu precisava desse ambiente mórbido. O branco ia tirar um pouco desse contraste. Talvez eu pudesse ter feito tudo preto, que também criaria um contraste ótimo. São um pouco sensitivas demais as minhas intenções nesse quadrinho. O objetivo era que não fosse uma HQ good vibe”

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“Eu gosto do meu postal. Hoje talvez eu fizesse um pouquinho diferente, mas eu gosto dele. Eu pensei como uma página na horizontal, em função do verso do postal. Não foi algo que sofri pra fazer, nem planejei muito. Fiz umas duas versões, no máximo. Eu não costumo muito fazer muitas versões e rascunhos. Eu penso muito antes de fazer e quando faço já é uma versão quase definitiva”

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Série Postal: as HQs produzida por Jão e Mariana Paraizo para os dois últimos números da coleção

Aqui estão as artes dos quadrinistas Jão e Mariana Paraizo para os dois últimos números da Série Postal. Os quadrinhos começarão a ser distribuídos a partir de amanhã, durante a Feira Des.Gráfica 2017. Os postais estarão disponíveis na mesa da Ugra Press no evento. O trabalho de Jão também será lançado em Belo Horizonte durante a edição de novembro da feira Faísca, marcada para o dia 18 de novembro no Centro Universitário Una na capital de Minas Gerais.

E pra quem não viu (ou quer rever): aqui estão as seis edições prévias da Série Postal, assinadas por Felipe Nunes, Daniel Lopes, Paula Puiupo, Manzanna, Felipe Portugal, Bárbara Malagoli, Bianca Pinheiro, Taís Koshino, Pedro Cobiaco e Pedro Franz.

Rumos Série Postal 12 - Mariana Paraizo (frente)

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Série Postal: Jão e Mariana Paraizo assinam os dois últimos números da coleção de HQs em formato de cartão postal do Vitralizado

Os quadrinistas Jão e Mariana Paraizo assinam os dois últimos números da Série Postal. O projeto é a primeira investida impressa do Vitralizado e foi produzido com apoio do programa Rumos do Itaú Cultural. Tanto a 11ª edição, assinada por Jão, quanto o 12º número, trabalho de Mariana Paraizo, poderão ser retirados já a partir do próximo sábado (4/11) em vários pontos de distribuição pelo país, sendo a mesa da loja e editora Ugra Press na Feira Des.Gráfica 2017 um deles. O trabalho de Jão será lançado oficialmente em um evento ainda a ser anunciado que ocorrerá em Belo Horizonte.

A Série Postal consiste em uma coleção de 12 HQs em formato de cartões postais, cada uma das obras é de autoria de um artista distinto da cena brasileira de quadrinhos. Os trabalhos estão sendo distribuídos de graça e mensalmente ao longo de 2017 em lojas especializadas de diferentes cidades do país.

O primeiro número foi assinado por Pedro Franz, o segundo é de autoria de Pedro Cobiaco, o terceiro de Taís Koshino, o quarto de Bianca Pinheiro, o quinto de Bárbara Malagoli, o sexto de Felipe Portugal, o sétimo de Manzanna, o oitavo de Paula Puiupo, o nono de Daniel Lopes e o décimo por Felipe Nunes. No tumblr da Série Postal você encontra informações exclusivas sobre o projeto, depoimentos dos artistas envolvidos e matérias sobre a coleção.

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