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Série Postal 2018: as HQs produzidas por Deborah Salles para a coleção

Aqui estão as duas artes produzidas pela Deborah Salles para a quarta edição da Série Postal 2018. A HQ começará a ser distribuída na próxima semana e será lançada oficialmente no dia 30 de junho, na loja da Ugra, aqui em São Paulo (em breve divulgo mais informações sobre esse evento por aqui). Caso tenha ficado curioso em relação às diferenças das duas versões do trabalho, recomendo um pulo no Tumblr da Série Postal. A Deborah explica por lá um pouco das reflexões dela sobre ordem e sentido de leitura e como tudo isso foi aplicado nessa HQ.

A Série Postal 2018 teve sua primeira edição lançada no mês de março, com um trabalho do quadrinista Alexandre Lourenço. O segundo número foi publicado em abril, com uma HQ da artista Raquel Vitorelo. A terceira edição, batizado de Ausência de Si, é da autora Cecília Silveira. As 12 edições prévias do projeto foram assinadas por Mariana Paraizo, Jão, Felipe Nunes, Daniel Lopes, Paula Puiupo, Manzanna, Felipe Portugal, Bárbara Malagoli, Bianca Pinheiro, Taís Koshino, Pedro Cobiaco e Pedro Franz.

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Cecilia Silveira e a produção do terceiro número da Série Postal 2018

Reúno mais uma vez por aqui a íntegra do depoimento de um dos artistas participantes da Série Postal sobre o desenvolvimento do trabalho deles para o projeto. Dessa vez, a quadrinista Cecília Silveira comenta os conceitos, as técnicas e as reflexões por trás do terceiro número da coleção em 2018, batizado de Ausência de Si. Se quiser ter acesso a esse conteúdo com antecedência, siga o tumblr da Série Postal – estou apresentando por lá no momento, os bastidores do trabalho de Deborah Salles já para a quarta edição. A seguir, aspas, rascunhos, textos e ilustrações de Cecília Silveira:

“Eu tinha feito um trabalho pra um professor que ama ficção científica, o Felipe Abranches – professor do Ar.co, aqui em Lisboa e com uma história muito consolidada na banda desenhada em Portugal. O Felipe propôs um desafio de pensarmos cinco vinhetas (quadros) de forma que os quadrinhos não fossem unidades autônomas naquele corte de tempo, que a gente conseguisse refazer um cenário, que a gente conseguisse refazer a imagem total daquele espaço-tempo, que o conjunto das vinhetas fosse mais abrangente. Eu fiz, só não era de ficção científica como ele queria (risos)”

“Eu tinha essas vinhetas prontas: uma era um céu, outra uma vista de cima de uma cidade,… A ideia era fazer um movimento que fosse de cima pra baixo, do céu pro chão, e que a câmera tivesse num plano aberto, indo do macro pro micro. Então o objetivo era fazer um movimento que estivesse descendo e aprofundando”

“Pensando essa possibilidade, esse olhar específico da câmera, não só fazendo os quadros, é que foi o ganho pra mim. Eu tenho uns cadernos nos quais vou fazendo uns rascunhos e depois desenvolvo cada ideia. Então esse rascunho já existia no meu caderno e eu fui melhorando”

“Quando eu fui convidada pra fazer o postal eu logo soube o que ia criar, então o grande desafio foi: eu já tinha feito um tratamento em preto e branco e podia ser colorido, mas como reunir esses cinco quadros em um espaço de um postal? As cinco vinhetas, como eu tinha desenhado, não iam caber nesse espaço. Essa sobreposição das artes foi a parte mais complicada do processo, mas o quadrinho ganhou muito com ela”

“Todas as coisas que faço tem algo de poesia, o texto tem um peso muito grande no processo. Não penso nunca apenas as imagens, penso as duas coisas juntas. Antes de trabalhar com quadrinho em trabalhava com música. Eu trabalhei com a cantora Erika Machado durante sete anos, eu era letrista, a gente se conheceu na Belas Artes, em Belo Horizonte. Era um processo contínuo de fazer música e texto e eu não deixei de fazer isso, mas agora eu faço quadrinhos”

“Me interessa que a cor seja um instrumento narrativo, como ocorre nessa história. O azul vai conduzindo para essa coisa terrosa do fim. Essa é uma história em que eu tento extravasar as vinhetas, os quadrinhos, com as cores, de forma que fique meio sujo e tosco. Na verdade ficou até bonitinho, eu queria que tivesse ficado mais podre (risos) pra deixar claro essa coisa do processo, das múltiplas camadas”

“Eu comecei tudo no Photoshop e depois fui pro manual. Essa coisa da materialidade é algo muito português que acabou entrando no meu trabalho. Eles são velho mundo, então é comum nas BDs daqui esses puritanismos, como fazer na mão e tal. Mas isso foi bom, eu já tinha parado de desenhar há muito tempo e voltei a rever as contradições e distorções do meu desenho. Vou aceitando cada vez mais o acaso e o erro… O erro não, o acaso”

“Eu fiquei obcecada com a ideia de fazer caber esse quadrinho que eu já tinha desenvolvido no espaço de um cartão postal. Foi mesmo um desafio e o resultado é um outro objetivo, completamente distinto do que eu já tinha feito, com outra relação espacial. As sobreposições ajudaram muito esse trabalho e deram essa forma de poesia. As cores também contribuíram e deram essa cara de cair da tarde”

“Eu tinha acabado de assistir uma conferência no doutorado de uma pintura que chama Ana Marta. Na conferência ela fazia uma sobreposição entre uma obra do Julio Verne, O Raio Verde, com o Fragmentos do Discurso Amoroso do Roland Barthes e o trabalho dela como pintora. Ela disse que buscava o ápice da luz natural nos objetos e o romance do Julio Verne fala desse ápice do pôr-do-sol e existe mesmo esse fenômeno óptico, chamado de Raio Verde. O terceiro quadrinho do postal, com o casal em um desencontro amoroso, é verde. Eu tava com isso na cabeça, com essas coisas todas quando fiz o postal. Essa justaposição entre um texto filosófico e também poético do Barthes com o desencontro amoroso, que também tem a ver com o pano de fundo da história – a perda de tempo e o desvanecer da vida… Então tá tudo aí”

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Série Postal: Deborah Salles é a autora da quarta edição da coleção em 2018

A quadrinista Deborah Salles assina a arte da quarta edição da Série Postal 2018. No ano passado, a autora publicou a excelente Quase Um Ano, publicação independente e uma das maiores surpresas das HQs nacionais em 2017. O quadrinho da artista para a Série Postal começará a ser distribuído de graça a partir das últimas semanas de junho. Você encontrará informações sobre o evento de lançamento da HQ e os locais de distribuição da obra, assim como outros conteúdos relacionados ao projeto tanto aqui, no Vitralizado, quanto no Tumblr e na Fanpage da coleção.

A Série Postal 2018 é fruto de uma parceria entre o editor e idealizador do projeto, o jornalista Ramon Vitral, e a gráfica Juizforana. A edição de estreia do segundo ano do projeto foi de autoria de Alexandre Lourenço, a segunda de Raquel Vitorelo e a terceira por Cecília Silveira. As 12 edições da Série Postal lançadas em 2017, em parceria com o programa Rumos do Itaú Cultural, foram assinadas por Pedro Franz, Pedro Cobiaco, Taís Koshino, Bianca Pinheiro, Bárbara Malagoli, Felipe Portugal, Manzanna, Paula Puiupo, Daniel Lopes, Felipe Nunes, Jão e Mariana Paraizo.

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Série Postal 2018: a HQ produzida por Cecília Silveira para a coleção

Aí está o trabalho da quadrinista Cecília Silveira para a terceira edição da Série Postal 2018. A HQ foi batizada pela autora de Ausência de Si e começará a ser distribuído a partir de sábado (26/5). Para quem estiver no Festival de Beja, em Portugal, a artista estará por lá entregando o postal em mãos para interessados no projeto. Já aqui no Brasil, a obra estará sendo distribuída de graça em São Paulo na Banca Tatuí, na Banca Curva e na loja da Ugra. Em Porto Alegre os postais podem ser encontrados na Galeria Hipotética, em Goiânia na Mandrake Comic Shop e em Curitiba na Itiban.

A Série Postal 2018 teve sua primeira edição lançada no mês de março, com um trabalho do quadrinista Alexandre Lourenço. O segundo número foi publicado em abril, com uma HQ da artista Raquel Vitorelo. As 12 edições prévias do projeto foram assinadas por Mariana Paraizo, Jão, Felipe Nunes, Daniel Lopes, Paula Puiupo, Manzanna, Felipe Portugal, Bárbara Malagoli, Bianca Pinheiro, Taís Koshino, Pedro Cobiaco e Pedro Franz.

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Raquel Vitorelo e a produção do segundo número da Série Postal 2018

A quadrinista Raquel Vitorelo reuniu um vasto conteúdo mostrando os bastidores da produção do segundo número da Série Postal 2018, o quadrinho Crônica. Assim como faço desde o início do projeto, eu vou publicando ao poucos esse material no site da coleção e depois reúno aqui no Vitralizado a íntegra do depoimento da autora e parte do material de making-of. Aliás, vale demais um pulo na página para conferir todas as imagens e rascunhos disponibilizados pela autora. E também recomendo uma visita ao site da Raquel, uma das autoras que mais chama a minha atenção na cena brasileira de quadrinhos. A seguir, Raquel Vitorelo e a produção do segundo número da Série Postal 2018:

“É uma proposta bem diferente, né? O postal tem um tamanho muito restrito. Ao mesmo tempo, isso é bem bacana, quando as coisas ficam livre demais é ainda mais difícil de pensar. Quando eu recebi o convite pra participar do projeto eu deixei um pouco essas limitações do suporte cozinhando na minha cabeça e pensei principalmente em algumas ideias que eu tinha pra quadrinho, assuntos que eu queria tratar e de qual forma eles poderiam ser melhor aproveitados pelo suporte”

“Gostar de brincar com o formato deve ter algo a ver com os meus pais, que são arquitetos. Eu cresci com eles trabalhando e eu achando que eles estavam brincando. Eu acho bacana brincar com os limites da linguagem, o papel, a dobra e como essas coisas também conversam ou não com a narrativa. Acho que não tem sentido não ter um significado narrativo algo que seria interessante de tratar. Por exemplo, no Perigeu eu fiz muitos testes aqui em casa pra ver se fazia sentido imprimir essa história num papel mais transparente”

“Já o Tomboy era uma ideia que eu tinha quase de um manifesto, uma espécie de perfomance de alguém falando com o leitor, diretamente. Uma coisa que eu gosto no Tomboy, que a princípio achei que era um defeito, mas acabei gostando, é que muita gente pega pra ler e não sabe direito por onde começar ou pra qual lado ir. De alguma forma, as pessoas acabam se cativando pelo discurso, completamente direto e pessoal pro leitor. Tentei fazer de uma forma que a própria ordem da dobra desse a ideia da ordem de leitura. É uma coisa meio linear, mas que também faz sentido se forem apenas alguns quadrinhos separados”

“Eu tentei brincar um pouco com uma falta de linearidade, misturando as legendas… Eu estava pensando nisso esses dias e me falaram uma coisa interessante: a minha proposta com esse quadrinho foi justamente misturar as legendas com as imagens que não estavam de acordo, quase como um jogo da memória em que você tem que achar o par, sabe? Essa foi a minha forma de lidar com essa linearidade meio que imposta. E eu também queria remeter um pouco aos quadradinhos do calendário, tem um diálogo interessante com as doenças crônicas, na verdade o meu tema”

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“Eu estava falando com a minha mãe e ela sugeriu que daria pra ler os quadrinhos do postal em uma outra ordem. Foi engraçado ela sugerir isso, algo que eu nunca tinha reparado. Eu estava lendo recentemente sobre os requadros no Japão, nos mangás. Tem uma pesquisadora americana que mora no Japão há muitos anos e ela reparou que as páginas de mangá no Japão nunca tem uma encruzilhada. Como no Japão eles têm uma leitura da direita pra esquerda e de cima pra baixo, eles não têm uma hierarquia do que vem primeiro, se é na horizontal ou na vertical. Eles evitam as encruzilhadas para a ordem de leitura ficar mais evidente. O quadrinho que eu fiz foi com régua, direitinho, cortando na metade as proporções e tal e é isso que permite que ele tenha uma leitura meio diversificada. Foi algo que não pensei muito, mas vendo agora acho que ficou bacana, passa essa ideia eterna de dor e sofrimento da qual você não pode sair (risos)”

“Tem muita coisa que fazemos de forma intuitiva e isso que é legal em quadrinhos – em outras formas de expressão também, mas principalmente em quadrinhos: as leituras ficam muito abertas, existem muitas coisas que escrevemos e só descobrimos depois com a leitura de outras pessoas”

“Esse espaço mais limitado do cartão postal me fez pensar que eu conseguiria tratar bem essa questão da repetição e de uma calendário eterno dentro desse formato. O outro tema que eu tinha pensando não ia nessa proposta, era algo muito diferente. Acho que de vez em quando a gente saca umas pautas que estão em alta, mas entre tratar de uma pauta de um jeito ruim e não tratar da pauta, eu prefiro não tratar”

“Hoje eu acho que escolhi muito bem a cor, ainda mais com essa laminação fosca que ficou muito dá hora (risos) A ideia era que o postal tivesse uma cor vibrante, quase irritante mesmo. Eu não sei até que ponto posso dar spoilers, mas durante todos os quadros eu trato um pouco dos sintomas que eu tenho, eu tenho muita sensibilidade à luz. Enquanto eu desenhava, fui percebendo que o desenho estava mexendo com os meus sintomas e gatilhos”

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“A primeira versão que eu fiz foi azul, um azul bem escuro que passava uma sensação completamente diferente, meio triste, e não era isso que eu queria passar. Sem contar que estava mais convencional. Acho que seria interessante colocar uma cor ironicamente alegre (risos). Esse amerelão tem um pouco das versões em verde e vermelho, que eu também fiz. Esse contraste das cores complementares dá uma sensação agressiva, acho que essa é a palavra”

“Eu fiquei olhando em volta e pensando em coisas do meu dia a dia, completamente cotidianas, mas permeadas pela presença constante de uma doença. Pensei em coisas que não remetem necessariamente a um sintoma, mas fazem parte de uma existência conjunta com essa experiência de uma doença crônica”

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“Eu tenho enxaqueca crônica. Muitas pessoas têm enxaqueca e não sabem muito bem como lidar com isso. Eu tenho pesquisado muito a respeito e descobri que é uma das principais causas de invalidez no trabalho no mundo. As pessoas não têm muita noção que é um distúrbio muito comum, muita gente acha que não é nada demais e relativiza o problema”

“Eu costumo desenhar as coisas no papel, com lápis e lapiseira. Eu peguei o verso de um papel usado. Fiz um esboço e passei a limpo em um papel vegetal. Usei um grafite 0.9. Sempre trato no Photoshop, as cores são Photoshop. Eu faço muita mistureba, gosto de escanear muita coisa e vou mexendo milhões de vezes. Essas cores finais, primeiro eu pintei com um brush e fui mexendo nas configurações dele, de forma que ele misturasse as cores conforme a pressão da caneta do tablet. Depois eu manipulei as cores até elas ficarem mais saturadas e deu nisso”

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“Eu tive que refazer algumas vezes as letras, fiquei com medo de não dar leitura, por ser manual e tão pequenininha. Geralmente eu tenho esse receio. Eu sou designer e gosto de letras pitititicas, mas tem sempre o risco das pessoas não conseguirem ler. Fiquei fazendo vários testes. Primeiro eu escrevi a lápis, mas como o lápis tem essa textura meio ruidosa, ficou sujo demais. Aí refiz tudo no Photoshop também”

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Uma conversa com Raquel Vitorelo e Carlos Neto sobre a Série Postal 2018

O jornalista Carlos Neto mediou e filmou o evento de lançamento do segundo número da Série Postal 2018. Ele acabou de compartilhar no Papo Zine o vídeo desse conversa comigo e com a autora da segunda edição do projeto, a quadrinista Raquel Vitorelo. A Raquel falou sobre as origens do quadrinho assinado por ela e suas técnicas durante a produção da obra e também contou sobre algumas das inspirações dela para trabalhos já publicados e outras empreitadas. Enquanto isso, eu falei sobre a repercussão desse segundo ano da coleção e adiantei uma ou outra novidade sobre o futuro do projeto. Curioso? Dá o play: