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PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #13: Nota do editor]

Encerro hoje a série PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores. A proposta desse especial do Vitralizado foi de compartilhar semanalmente com os leitores do blog o desenvolvimento de PARAFUSO ZERO – Expansão, álbum do quadrinista Jão no qual eu estava trabalhando como editor. O primeiro dos posts foi publicado no dia 30 de julho e continuamos com a empreitada ao longo de 13 segundas-feiras, incluindo hoje, mostrando as reflexões, as dúvidas e os planos do autor durante a produção do quadrinho e do período da campanha de financiamento coletivo com o objetivo de bancar a impressão do projeto.

Como já escrevi por aqui na semana passada e imagino que você já saiba, a campanha de financiamento coletivo no Catarse não virou. Conseguimos R$ 23,739, 83% da nossa meta de R$ 28,500, graças ao apoio de 229 pessoas. Ainda tô numa certa ressaca desses 60 dias de trabalho pesado na campanha e mais de sete meses desde a conversa em que o Jão me chamou para editar o livro. Também estou triste, óbvio. Mas foi demais, viu?

Eu, o Jão e a Helen Murta (sócia da editora Pulo e assessora da campanha) ainda faremos uma reunião avaliando os erros e acertos do projeto. Eu tenho plena consciência que poderíamos ter feito melhor uma coisa ou outra, mudado um detalhe aqui e ali que talvez tivesse contribuído para o nosso sucesso, mas tudo bem, faz parte. Nesse meio tempo eu tive o prazer de entrevistar e trocar ideia com um dos meus quadrinistas preferidos, um dos artistas brasileiros que mais admiro, e aprender um monte sobre quadrinhos e edição. Em meio a essas conversas também tive várias lições enriquecedoras sobre divulgação e estratégia com a Helen. Só tenho elogios e coisas boas a dizer sobre meus dois parceiros nessa empreitada.

Nosso objetivo era ver PARAFUSO ZERO – Expansão impressa e isso não rolou, mas cê saca o volume de conteúdo que produzimos? Não sei se tem alguma vantagem aí, mas não lembro de nenhum quadrinho não publicado sobre o qual se falou tanto. O Jão deu entrevista pro Papo Zine, conversou com os caras do Pipoca & Nanquim e protagonizou uma edição do HQ Sem Roteiro. Além dos depoimentos dele pra PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores, o projeto foi notícia em vários outros sites, perfis e canais de produção de conteúdo sobre quadrinhos.

Foi divertido pra caramba e agradeço a sua companhia por aqui ao longo das 13 segundas de PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores. Com certeza uma das empreitadas em que mais me diverti nesses seis anos do blog. Também agradeço a parceria do Jão e da Helen, grandes amigos com quem não vejo a hora de trabalhar outra vez. Seguimos!

FIM?

ANTERIORMENTE:

>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #12: Balanço e próximos projetos];
>>PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #11: Estrutura, experiência de leitura e construção narrativa];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #10: Catálogo de personagens];
>>PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #9: Facebook, drogas psicodélicas e algoritmos falhos];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #8: Viabilidade, encontros e trocas];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #7: Chris Ware, Elza Soares, Emicida e uma teia paranóica de referências];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #6: Akira, Wally e paralelismos distópicos];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #5: Proporções extremas e a insignificância humana no Universo];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #4: A origem do ‘Formato Jão’];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #3: Um sonho com Moebius];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #2: Baixo Centro, Flores e texto];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #1: origens, restrições e OuBaPo].

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PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #12: Balanço e próximos projetos]

A campanha de financiamento coletivo do álbum PARAFUSO ZERO – Expansão não atingiu a meta de R$ 28,500 para que a obra fosse impressa. No ar no site Catarse ao longo de 60 dias, o projeto do quadrinista Jão, que teve a minha participação no papel de editor do quadrinho, contou com o apoio de 220 pessoas e conseguiu pouco mais de 80% do montante pedido.

Produzida durante todo o período da campanha, a série de posts PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores teve como proposta tratar do desenvolvimento da HQ e das reflexões de seu autor enquanto o projeto buscava apoio e tomava forma. No post de hoje, penúltimo da série, Jão fala sobre a meta não alcançada para o financiamento do álbum, faz um balanço inicial desses dois meses de campanha e trata de seus próximos trabalhos. Saca só:

PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #12: Balanço e próximos projetos]

Saldo positivo

“Acredito que, mesmo que o projeto não tenha atingido seu objetivo e sido bem-sucedido, o saldo foi positivo. Foram mais de 220 pessoas que apostaram na ideia, que fizeram parte disso tudo junto comigo. Nossa própria experiência, eu na posição de autor e você na de editor, na construção dessa campanha e de tudo o que conversamos sobre o álbum foi algo que gostaria de ressaltar como muito importante para minha carreira também. O desenvolvimento junto com toda a equipe que trabalhou muito para viabilizar essa piração minha foi incrível e enriquecedor. Além disso, vejo que meu trabalho ficou muito mais conhecido desde a abertura do financiamento coletivo do quadrinho, tem muito mais gente me acompanhando e interessada em saber o que estou fazendo, o que, por si só, é algo que acrescenta demais para mim como artista.

É um projeto que não deu certo e isso é ruim, pois gostaria muito de ter conseguido realizar essa história já que considero ser minha incursão com maior grau de experimentação na linguagem dos quadrinhos até aqui. Sem contar que, cada vez mais, esse universo que iniciei em 2016 está se tornando parte de nosso cotidiano, basta andar na rua e ver a onda de violência e de discursos extremistas que estão tomando conta de nosso país atualmente. Talvez o PARAFUSO ZERO – Expansão seja o meu Duna (risos) De qualquer forma, analisando friamente, acho que o balanço é bom. Fizemos muitas coisas, rolou uma divulgação muito legal por parte da mídia especializada, abrimos um canal para falar de certos aspectos que não estavam sendo discutidos dentro do mercado autoral aqui no Brasil, como é o caso dos super-heróis na contracultura. Em resumo, mesmo que não tenha dado certo, estou satisfeito”.

Balanço

“Eu acho que ainda está cedo para uma análise mais profunda em termos de erros e acertos, assim como lições que serão tiradas a partir da experiência com a campanha. Espero que nos próximos dias possa fazer uma avaliação mais detalhada e extrair conhecimento de tudo isso que fizemos juntos. Agora estou exausto. Um ponto que gostaria de destacar, contudo, é que minha opinião não mudou em relação ao financiamento coletivo. Ainda acho que é uma das melhores formas de viabilizar projetos de quadrinhos. A questão é entender onde surgiram os problemas que afetaram no desempenho de arrecadação da campanha. Ficamos com mais de 80% da meta atingida, então acho que, com alguns ajustes, dá para seguir utilizando esse modelo, até porque é construída uma relação próxima entre autores e leitores, o que considero muito importante”.

Viabilidade

“Acho difícil que um dia a PARAFUSO ZERO – Expansão venha a acontecer. Entrei no financiamento coletivo porque foi a forma que encontrei para viabilizar esse trabalho. Como disse anteriormente aqui na série Bastidores, acho que essa obra tem muito a ver com adereços que são acoplados ao produto final, sejam zines, cards, pôsteres etc. Não era só um álbum, era uma expansão em diversos aspectos. Antes mesmo do início da campanha no Catarse, recebi propostas de editoras interessadas no projeto, mas não cheguei em uma conclusão sobre como poderia ser feito um acordo que viabilizaria todo o suporte necessário para a publicação, incluindo esses produtos que orbitam o título e a equipe que está trabalhando comigo…”

Descanso e próximos projetos

“Agora quero tirar uns dias para descansar e avaliar tudo isso que fizemos. Acho importante e necessário. Somente após esse período que vou pensar quais serão os meus próximos passos. Tenho muitos projetos em curso, que estão em diversos níveis de execução, então terão novos trabalhos meus circulando por aí em breve, só não sei dizer quais (risos) Fiz o financiamento coletivo de uma forma em que nada do valor arrecadado viria pra mim diretamente, ou seja, meu pagamento como autor seria viabilizado por meio das vendas dos álbuns depois do lançamento, mas foi algo que resolvi apostar e dedicar meu ano. Como não rolou, terei que investir um tempo em trabalhos fora dos quadrinhos também”.

CONTINUA…

ANTERIORMENTE:

>>PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #11: Estrutura, experiência de leitura e construção narrativa];
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>>PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #9: Facebook, drogas psicodélicas e algoritmos falhos];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #8: Viabilidade, encontros e trocas];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #7: Chris Ware, Elza Soares, Emicida e uma teia paranóica de referências];
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PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #11: Estrutura, experiência de leitura e construção narrativa]

Estamos às vésperas do encerramento da campanha de financiamento coletivo do álbum PARAFUSO ZERO – Expansão, próxima HQ do quadrinista Jão e na qual estou trabalhando no papel de editor. Apesar de ainda estarmos distantes do montante pedido para que o quadrinho seja impresso, estamos confiantes no nosso sucesso. Ao longo da semana passada o número de apoiadores cresceu de forma impressionante e só precisamos manter o ritmo para alcançarmos os nossos 100%. Então fica o aviso: você que deixou seu apoio para a última hora, chegou o momento de investir no projeto!

Enquanto isso, damos continuidade à série PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores, na qual Jão fala sobre o desenvolvimento de seu próximo quadrinho. Na 11ª atualização da série, o artista fala sobre a estrutura do álbum que está construindo e dá detalhes inéditos do conteúdo que os investidores da campanha terão acesso assim que o álbum for impresso. De bônus no post de hoje, divulgo mais uma leva do desafio autoimposto por Jão de criar um superser para cada apoiador da campanha do Catarse. Quer ter o seu superser? Apoie o projeto! Com vocês, Jão e a estrutura de PARAFUSO ZERO – Expansão:

PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #11: Estrutura, experiência de leitura e construção narrativa]

Estrutura e tempo de leitura

“A ideia da estrutura da revista é que ela tenha uma história inicial, uma espécie de prólogo, e também um epílogo. A proposta do prólogo é mostrar um pouco da origem desse universo dos superseres. O recheio mesmo do álbum apresenta a história que divulgamos na sinopse, a história principal, na qual estou trabalhando no cenário dela atualmente. É essa história principal que vamos nos restringir a um único cenário. Ultimamente eu tenho pensado em formas diferentes de fazer essa repetição de cenário. Talvez eu não me limite a um gride tão certinho e fixo, quero brincar com isso, talvez mostrar uma outra perspectiva, mas sempre dentro de uma restrição, de um limite autoimposto.

Para além dessa história principal, apresentada na sinopse, a ideia é inserir histórias curtinhas que mostrem outros momentos, outros lugares do mundo desses superseres. A função dessas histórias paralelas será de incluir todos esses elementos que apresentam o que é esse universo. São nelas que faremos a abordagem pós-cyberpunk, do mundo dominado pelos superseres e como ele influencia a vida dos demais cidadãos dessa cidade. A função delas é apresentar um panorama desse universo.

Pode parecer que um álbum de 68 páginas será uma leitura rápida, mas PARAFUSO ZERO – Expansão será a minha obra que vai exigir mais do leitor. Provavelmente não será uma leitura tão rápida. Meu objetivo é que cada página conte uma história dentro da trama principal. O leitor vai ter que ficar muito atento ao que está acontecendo, aos elementos que estão sendo colocados ali. A ideia é que seja um desafio meu para quem for ler o livro. Temos conversado muito sobre isso na edição do quadrinho e o meu plano, não apenas por conta do formato, é propor uma experiência de leitura que eu, por exemplo, não tive. Uma proposta muito parecida com o que o Chris Ware faz, ele é a referência mais próxima do que estou me propondo a fazer. E não quero me limitar a isso, quero pelo menos tentar algo que não tenha visto até hoje – e espero que os leitores também não tenham visto, quero que seja algo novo para eles também.

Descoberta de poderes

“A história da introdução vai mostrar um superser apenas no final dela. Ela mostra as pessoas comuns desse mundo, será uma história de descoberta desses poderes. Eu tenho pirado muito nessa ideia de construção de um universo: como eu poderia fazer isso? Como posso fazer isso de uma forma diferente?

Esse prólogo será uma história fechada, com início, meio e fim. Ela também distancia-se um pouco da trama principal e do cenário maior do álbum, com superseres e batalhas. É uma história diferente. Ela também é diferente como experiência de leitura quando comparada à principal. Então o livro será composto por mais de uma história, todas fechadas, mas também compondo uma história maior”.

O papel do leitor

“O leitor terá um papel importante nessa experiência que eu estou propondo, na construção da história junto comigo. Alguns elementos da história e desse universo eu não pretendo fechar, para que eles sejam construídos também pelo leitor. Eu quero que o leitor use a imaginação dele. Isso vem desde a minha ideia original, quando comecei a conceber esse mundo, buscando um diálogo tanto com o universo dos games quanto dos jogos de RPG. São pontas que eu quero unir, leitores como jogadores, completando, construindo e imaginando algumas ideias que vou deixar em aberto.

Eu acho que faltam obras que inspirem pessoas e não entreguem tudo mastigado. Gosto da posição que o meu trabalho tem. Isso obriga que as pessoas leiam e construam a história junto comigo. Eu sempre procuro por obras desse tipo, seja filme, literatura ou quadrinhos. Procuro por obras que me estimulem a construir uma narrativa, a pensar mesmo. É isso que eu quero trazer para a PARAFUSO ZERO – Expansão”.

Desdobramentos

“Eu tenho facilidade para guardar as minhas ideias e para esse tipo de construção criativa em que estou trabalhando. Esqueço facilmente de algumas coisas, mas outras eu lembro pro resto da vida. Algumas pessoas abrem um documento do Word e escrevem suas ideias, eu já tentei fazer isso, mas não funcionou tão bem como quando a coisa tá na minha cabeça. Agora, por exemplo, eu tô 24 horas por dia ligado nesse projeto. Eu posso estar fazendo qualquer outra coisa, cozinhando, assistindo TV ou dormindo e a minha cabeça tá ligada em função dele.

Eu até tenho um material muito mais extenso do que será possível colocar no álbum. Quero inclusive que esse álbum tenha alguns desdobramentos por conta disso, são muitas histórias e situação já construídas. Atualmente eu tenho tentado não me prender tanto à construção narrativa da forma tradicional. Tenho pensado em construção narrativa de situações, quase como esquetes.

Eu tenho várias histórias curtas e quando fomos escolher o que entra no livro, acho que teremos uma gama muito grande, mas isso aí eu deixo pro editor (risos). O processo é caótico, mas a minha memória, em termos de construção, funciona bem, ela está sempre ligada e atenta ao mesmo tempo. Eu assisto alguma coisa rápida na TV, seja uma série ou um filme, e isso já vira uma história na minha cabeça que não vai desaparecer.

Aliás, uma coisa que eu não tenho é bloqueio criativo. Já fiquei travado em alguma história por não saber como sair de um labirinto, dentro da construção narrativa. Já cheguei em alguns becos sem saída e fiquei dias e meses, em algumas histórias até anos, no mesmo lugar, mas bloqueio criativo em termos de ‘não consigo fazer nada’, eu não tenho. Não é algo que faz parte de mim, inclusive as ideias são muitas e não tenho braço pra fazê-las”.

Promessas

“Eu vou manter isso que coloquei no Catarse em termos de sinopse, não quero fugir disso. A história é aquilo ali, é aquela sinopse. Mas em termos do que começamos a conversar lá em março, em termos do que fazer e como contar essa história, tudo pode mudar completamente (risos). Aquilo que já apresentamos e que foi divulgado como sinopse e conceito do álbum vai estar lá, não estou enganando ninguém. A pessoa não vai comprar um livro e encontrar algo diferente do que foi prometido, mas a forma como eu vou contar a história é que não prometi pra ninguém, isso está em aberto e será transformado enquanto eu estiver fazendo.

Ao começar a fazer a esquina na qual será ambientada a história principal vieram novas ideias de como usá-la e de como contar essa história a partir desse cenário. É algo que vem acontecendo no desenvolvimentos das histórias desse álbum e que faz muito sentido dentro dessa proposta de ser a HQ de super-heróis mais estranha já feita. Esse processo em aberto é algo que gosto de compartilhar, como estamos fazendo nessa série sobre os bastidores do livro e que quero continuar quando as coisas começarem a acontecer mesmo, quando o livro estiver sendo finalizado. Imagino que as pessoas que apoiaram no Catarse também tenham interesse em ver como vai se desdobrar essa narrativa”.

BÔNUS:

CONTINUA…

ANTERIORMENTE:

>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #10: Catálogo de personagens];
>>PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #9: Facebook, drogas psicodélicas e algoritmos falhos];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #8: Viabilidade, encontros e trocas];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #7: Chris Ware, Elza Soares, Emicida e uma teia paranóica de referências];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #6: Akira, Wally e paralelismos distópicos];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #5: Proporções extremas e a insignificância humana no Universo];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #4: A origem do ‘Formato Jão’];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #3: Um sonho com Moebius];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #2: Baixo Centro, Flores e texto];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #1: origens, restrições e OuBaPo].

HQ

PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #9: Facebook, drogas psicodélicas e algoritmos falhos]

Faltam 18 dias para o fim da campanha de financiamento coletivo do álbum PARAFUSO ZERO – Expansão, próxima HQ do artista Jão e na qual estou trabalhando no papel de editor. Na nona atualização da série de posts sobre os bastidores do desenvolvimento da obra, o quadrinista fala sobre como as redes sociais foram a principal fonte de inspiração para o surgimento do quadrinho e como a difusão de discursos extremistas será representada na busca incessante dos personagens por mais poderes. Recomendo a leitura dos capítulos prévios da série PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores e também deixo o link pra uma conferida na página do álbum no Catarse.

No post de hoje também incluo um bônus em vídeo, a palestra de Jão na Bienal de Quadrinhos de Curitiba sobre a representação da cidade em seus trabalhos e publicações de outros quadrinistas com uma forte ambientação urbana. A seguir, o depoimento de Jão e o vídeo do evento:

PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #9: Facebook, drogas psicodélicas e algoritmos falhos]

Facebook e drogas psicodélicas

“A proposta da PARAFUSO ZERO – Expansão é de conversar com a Parafuso 0, lançada em 2016, e tratar de novos temas. Questões como linchamento e da justiça com as próprias mãos, por exemplos, são tópicos presentes nesse meu universo de superseres que serão mantidos nessa próxima obra. No entanto, agora eu me propus a falar desses temas e também da propagação de discursos extremistas nas redes sociais. Como seria um mundo no qual as pessoas têm poder para propagar todo e qualquer discurso abertamente? Eu construí esse universo de supereseres a partir desse questionamento, impregnado no Facebook e nas redes sociais em geral.

Eu também queria construir uma estrutura de história que funcionasse como a própria estrutura do Facebook. Existem mecanismos que estarão presentes na história que são característicos dessa rede social. Por exemplo: censurar certos temas e deixar que certos conteúdos sejam mais explícitos ou não. Em termos de representação gráfica, a ideia é usar os botões de reações de Facebook para expor os sentimentos de cada personagem. O plano é fazer uso de conceitos de infografismo pra apresentar as reações e sentimentos dos personagens. Isso já veio colado na proposta de fazer esse álbum novo.

A maior parte dessas ideias eu vou abordar dentro desse clube de batalhas, clube de lutas, frequentado pelos personagens. Também vou tratar desses temas a partir de uma droga psicodélica que estará presente na história. Essa viagem e toda a psicodelia do álbum, para além das cores, será focado para tratar desses temas, do caos das redes sociais. Esse é o principal foco”.

Algoritmos falhos

“Os algoritmos que pensam a estrutura do Facebook e determinam o que irá chegar pra quem, qual conteúdo é mais interessante para cada pessoa, o que pode ser falado e mostrado ou não. A ideia é representar isso tudo como máquinas de combate que atuam dentro dessa cidade dos superseres. Na sinopse já apresentamos essa ideia, da existência de uma máquina de combate que existe para coordenar esse clube ilegal de batalhas.

Não acho que é spoiler falar que essas máquinas não funcionam tão bem, assim como o algoritmo do Facebook. Isso tudo vai gerar algumas circunstâncias na história que vão demonstrar essa falha e as consequências disso.

Li algumas matérias interessantes sobre esses temas nas revistas Piauí e Rolling Stone, falando sobre esses mecanismos e a dinâmica do Facebook. É algo que tenho estudado e sobre o que acho que vale discutirmos até por conta do próprio momento do país. O álbum será lançado depois das eleições, mas não deixará de ser uma forma de avaliação de como as redes sociais influenciaram esse cenário. Eu quero pesquisar isso e tentar fazer esses conceitos estarem presentes no álbum quando ele for lançado”.

Decadência cabulosa

“Vendo o que as redes sociais geraram e fomentaram, como a eleição do Trump e o Brexit, dá pra dizer que os principais frutos dela não acrescentaram para a sociedade. Nós continuamos usando as redes e, inclusive, falamos mal delas nelas mesmas, mas hoje em dia ela não fazem bem. Há muita coisa que deu errado, principalmente a propagação de fake news e a difusão de absurdos, como os discursos de ódio do Trump e do Bolsonaro e de pensamos nazistas e de extrema direita.

Eu sempre lembro daquela história da inteligência artificial criada pela Microsoft, que acompanhava o Twitter e acabou construindo discursos nazistas. Não demoraram pra desligar. Isso tudo é reflexo da forma como o mundo vem funcionado. Me parece muito que caminhamos para uma desilusão profunda e uma decadência cabulosa em decorrência desses tipos de discursos extremistas. É  fundamental que o mundo não seja guiado por esse tipo de pensamento, ainda assim as redes sociais fazem o contrário: elas legitimam e tornam viáveis esses discursos.

Esse universo de superseres foi construído em torno dessas questões relacionadas às redes sociais. Eu não sei se teria chegado a essas ideias se o Facebook não existisse e todas essas bizarrices relacionadas a ele não estivessem acontecendo. Eu relaciono muito o conceito de super-heróis e de superpoderes à voz que o Facebook dá às pessoas”.

BÔNUS:

CONTINUA…

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>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #8: Viabilidade, encontros e trocas];
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>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #6: Akira, Wally e paralelismos distópicos];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #5: Proporções extremas e a insignificância humana no Universo];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #4: A origem do ‘Formato Jão’];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #3: Um sonho com Moebius];
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>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #1: origens, restrições e OuBaPo].

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PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #8: Viabilidade, encontros e trocas]

Faltam 25 dias para o término da campanha de financiamento coletivo do álbum PARAFUSO ZERO – Expansão, projeto de autoria do quadrinista Jão no qual estou trabalhando como editor. Da meta de R$ 28.500 estabelecida para a impressão do livro, foram reunidos R$ 7.779 até o momento, pouco mais de 27% do objetivo final. A produção do livro e a divulgação da campanha continuam a mil, mas o quadrinho só será impresso caso o montante pedido seja alcançado, então chegou a hora de você apoiar.

Ao longo das últimas semanas, na série PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores, Jão tem falado sobre o desenvolvimento de seu próximo projeto, suas inspirações, as técnicas utilizadas por ele e seus planos para o quadrinho. No post de hoje, ele comenta a decisão de optar por uma campanha de financiamento coletivo, fala da origem da editora Pulo (empresa do autor com a jornalista Helen Murta), trata da equipe com a qual está trabalhando e enfatiza as parcerias e encontros que pretende desenvolver com seu trabalho. Ó:

PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #8: Viabilidade, encontros e trocas]

Viabilidade e equipe

“Eu optei pelo financiamento coletivo para tornar a publicação viável. Algumas peculiaridades da PARAFUSO ZERO – Expansão a fazem difícil de ser publicada por uma outra editora. Como eu não tenho os recursos pra bancar a impressão, caso o projeto não seja financiado, ele não será realizado. Eu não vejo outra forma de fazê-lo.

A decisão de buscar o financiamento coletivo também diz respeito à minha equipe. Se eu fosse publicar o livro por uma outra editora, eu teria um outro editor e eu queria que o livro fosse editado pelo Ramon Vitral. E há toda uma equipe que eu preciso para poder administrar essa produção comigo.

A Helen, minha sócia na editora Pulo, dirige a campanha e a comunicação do projeto. Ela está fazendo esse trabalho durante a campanha, mas continuará nessa função quando o livro sair. Já existe toda uma estratégia de comunicação desenvolvida por ela. Também tem o Matheus Ferreira, autor do design do logotipo. Ele é uma pessoa muito próxima e já explicou nessa mesma série de bastidores o ponto de vista dele em relação ao projeto.

Há todas essas pessoas ao meu redor. Seria muito difícil que uma editora me desse essas condições e bancasse toda essa equipe. Não se trata apenas de pegar uma história em quadrinhos minha, levar em uma editora e um possível editor gostar e imprimir. Não é só isso. Esse livro não existirá de outra forma além da forma em que eu estou trabalhando agora. Aliás, em que todos nós estamos trabalhando agora. Essa é a principal motivação pelo financiamento coletivo e também a grande diferença de optar por publicar por uma editora tradicional.

Sem contar alguns aspectos relacionados a liberdade criativa. A ideia é que essa ‘expansão’ mencionada no livro continue a acontecer mesmo depois do lançamento. Seja em forma de zine ou em outros formatos de publicação. Por uma editora eu não sei se teria tanta liberdade para desenvolver esse projeto da forma como eu gostaria”. 

Pulo e parcerias

“A Pulo foi criada em 2014, pela Helen Murta, minha sócia. A Pulo surge como uma empresa de comunicação e assessoria de imprensa. Depois o projeto começou a dar uma guinada pra área de produção cultural. Por ela criamos o festival Traço – Música e Desenhos Ao Vivo e a feira Faísca, sempre mantendo esse foco na comunicação e nas artes gráficas. Em 2016, quando eu lancei a PARAFUSO 0, a Pulo se torna também uma editora. Eu queria montar uma editora independente que pudesse me dar pequenas liberdades, para publicar as coisas em que eu piro, da forma como eu piro, sem ficar muito preso a regras de mercado.

Na editora somos eu e a Helen e estamos com o plano de ampliar o catálogo. O foco atual é no álbum novo, PARAFUSO ZERO – Expansão, mas a Helen também tem planos de escrever e publicar algumas coisas. Também queremos fazer convites para publicar outros autores. Recentemente, na Bienal de Quadrinhos de Curitiba, fizemos uma parceria com a Entrecampo, uma outra editora aqui de Belo Horizonte que também é um escritório de design e uma oficina gráfica. Eles imprimiram o meu zine mais recente, Hora H. Ele foi uma nova parceria da Pulo com a Entrecampo.

Então a ideia é essa: sempre juntar forças com parceiros para poder ir publicando e viabilizando os trabalhos, algo muito parecido com o financiamento coletivo. A ideia é sempre ir fazendo com outras pessoas, pessoas que acreditam nos projetos”.

Proximidade e encontros

“Eu acredito muito na relação entre autores e leitores. Acho que é isso que o financiamento coletivo acrescenta e é o que eu tento fazer no meu trabalho. Grandes lojas, estabelecimentos de rede distanciam essa mesma relação, é uma intermediação institucionalizada. Por exemplo, eu vendendo o meu quadrinho para um leitor: vou pegar o exemplar, vou assinar, vou levar ao correio e vou enviar pra ele. Depois eu tenho um retorno direto e muito próximo. No caso dessas lojas, não existe isso.

Por meio dessas grandes redes, de modo geral, o autor nem fica sabendo quem tá comprando o livro e porque tá comprando o livro. Acho que isso distancia as pessoas. O financiamento coletivo é o contrário disso. As pessoas vão comprar como se fosse uma pré-venda, eu vou pegar livro por livro e assinarei cada um. Se alguém quiser dar de presente, é só me avisar e eu vou mandar com a assinatura pra pessoa que ela quiser. Os bookplates, por exemplo, serão numerados e assinados por mim. É uma outra relação, não apenas uma compra, mas uma troca que essas grandes instituições não conseguem promover.

Eu tenho uma outra questão que é a minha relação com os lojistas. Eu gosto, por exemplo, de estar em um evento, promover um lançamento, e estar ali pra conversar com o público, com as pessoas que gostam do meu trabalho. Eu nunca cobro pra assinar um trabalho ou pra fazer um desenho em um livro meu. Eu sou desenhista, é a principal coisa que eu faço e eu acredito que é o mínimo que eu posso fazer para os meus leitores, para as pessoas que se interessam pelo meu trabalho, fazer um desenho ali na hora pra elas. Eu tô aqui pra isso. Eu gosto do retorno que vem disso. A minha forma de pensar o mercado, dentro do que temos vivido e visto hoje em dia, é tentar promover a relação e o encontro entre as pessoas”.

Pontos de encontro

“Lojas independentes e especializadas, livrarias de ruas, estabelecimentos fora das grandes redes não são simplesmente um lugar de compra e venda. As lojas muitas vezes estão promovendo diversas ações benéficas pro mercado como um todo. São pontos de encontro, de conversas e interação. Você chega num lugar, encontra com outros autores e troca ideia. Mesmo encontros casuais podem resultar em outros projetos. Uma conversa e uma oficina abrem portas dentro da cabeça dos artistas ou dos leitores, em relação ao mercado ou do próprio ato de fazer um quadrinho. As lojas promovem principalmente isso, o encontro, o ambiente e o local de discussão.

Eu acredito que a PARAFUSO ZERO – Expansão, quando impressa, não será encontrada em grandes redes de livraria. Uma coisa que estabeleci pra esse álbum e pensando também como uma editora independente é que eu gostaria de criar uma relação com lojas em que as pessoas pegam os livros comigo, compram com um desconto legal e são revendedoras. Dentro das burocracias que existem nas grandes redes, não existe isso. Elas pegam esses trabalhos consignados e apenas revendem. Eu gosto muito da ideia do lojista ser um parceiro meu. Não gosto de distanciamento, gosto de do lojista poder me dizer como estão as vendas e quais pessoas compraram.

Dessa forma, eu posso, por exemplo, pensar uma ação junto com o lojista que acredita ser possível melhorar as vendas dele. Eu quero estar por dentro pra pensar essas estratégias, algo que as grandes redes não permitem. Eu quero que os lojistas que recebem os títulos do catálogo da Pulo sejam realmente parceiros e ajudem a coisa a acontecer em troca do que nós pudermos oferecer para a promoção da venda e de um maior alcance de público”.

CONTINUA…

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>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #7: Chris Ware, Elza Soares, Emicida e uma teia paranóica de referências];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #6: Akira, Wally e paralelismos distópicos];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #5: Proporções extremas e a insignificância humana no Universo];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #4: A origem do ‘Formato Jão’];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #3: Um sonho com Moebius];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #2: Baixo Centro, Flores e texto];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #1: origens, restrições e OuBaPo].

HQ

PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #7: Chris Ware, Elza Soares, Emicida e uma teia paranóica de referências]

A arte aqui em cima foi produzida pelo quadrinista Jão como uma apresentação aos seus leitores das principais influências e referências que culminaram na criação do universo de PARAFUSO ZERO – Expansão. O álbum é o próximo projeto do autor, conta com a minha participação no papel de editor e está em campanha de financiamento coletivo no Catarse. Para o post de hoje da série PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores, pedi que Jão comentasse como os personagens e as personalidades desenhadas por ele nesse pôster de referências influenciaram o desenvolvimento desse próximo quadrinho.

Em seguida às falas de Jão estão listados todas as aparições presentes na arte, ambientada na mesma cidade de superseres de PARAFUSO ZERO – Expansão. Daí deixo o desafio: quantos personagens e personalidades você consegue identificar antes de ver a lista final?

PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #7: Chris Ware, Elza Soares, Emicida e uma teia paranóica de referências]

Teia paranóica

“Eu tentei incluir no desenho muitos personagens e artistas que me influenciaram ao longo de toda a minha trajetória. O Arzach, do Moebius, por exemplo, é a obra que abro sempre antes de começar qualquer novo trabalho, como uma forma de energizar. É, possivelmente, o quadrinho que mais gosto entre todos os que já li. O Hellboy, do Mike Mignola, também tem uma função parecida, apesar de ser mais aparente no preto e branco do Baixo Centro, mas eu me inspiro muito nas histórias curtas dele, do ponto de vista de roteiro e dos contos mesmo, além do desenho, claro. Akira, do Katsuhiro Otomo, é outra história que serve como uma aula pra mim, assim como o Tekkon Kinkreet, do Taiyo Matsumoto”.

“Acho que cada um dos personagens e dos artistas presentes ali na esquina tiveram grande importância em diversos momentos de minha carreira: seja numa passagem relativamente rápida, mas que abriu minha cabeça para possibilidades que ainda não tinha pensado, como o canadense Jesse Moynihan (que, no caso, fez com que eu percebesse que poderia retomar um período anterior de minha trajetória, dos quadrinhos de ficção científica e de fantasia, e, assim, criar o que seria a PARAFUSO); seja no sentido de causar uma explosão atômica em mim que, depois de muito tempo, ainda reverbera dentro do que quero fazer como autor, como é o caso do Chico Science ou da Elza Soares, que chacoalharam todos os meus pensamento e que ainda estou em processo de aprendizagem ao ter contato com o que fizeram (e, no caso da Elza, que ainda está fazendo)”.

“Também gosto muito de acompanhar e pensar sobre a carreira de artistas que admiro. Em meio a uma espécie de teia paranóica que costumo construir em minha cabeça, existe uma teoria da conspiração (criada por mim, claro) em que percebo algumas similaridades nessas trajetórias individuais de pessoas que gosto dos trabalhos. É engraçado porque, para além das obras, esses caminhos, da mesma forma, me servem de inspiração”.

Infografismo e poderes telecinéticos

“Falando especificamente do novo álbum, PARAFUSO ZERO – Expansão, as referências aparecem em diversos momentos do desenvolvimento do trabalho: ali tem um clube da luta; uma proposta de infografismo que veio do Chris Ware; personagens com poderes telecinéticos e destruição de edificações a lá Akira, uma conversa sobre superseres e o momento em que vivemos baseado nas discussões propostas por Alan Moore em Watchmen; uma espécie de minimalismo ultra-detalhado que veio do clipe This is America, do Childish Gambino, que já era algo que já vinha fazendo desde a PARAFUSO 0, mas que, a partir de ter assistido ao vídeo abriu possibilidades que não tinha pensado ainda; o que o Gabriel Góes está fazendo com seu personagem Billy Soco em termos de construção de universo. São muitas coisas e acho que o que mencionei por aqui é somente a ponta do iceberg para todos os elementos que vêm de outros lugares hahaha”.

Lista de personagens:

– Batman e Robin, o Cavaleiro das Trevas, Frank Miller;
– Tyler Durden, Clube da Luta;
– Neo, Matrix;
– Manly, Jesse Moynihan;
– Starman, James Robinson e Tony Harris;
– Arzach, Moebius;
– Hellboy, Mike Mignola;
– Rincon Sapiência;
– Childish Gambino;
– Demolidor;
– Dr. Manhattan, Watchmen, Alan Moore e Dave Gibbons;
– Walter White e Jesse Pinkman, Breaking Bad;
– A Mulher Enigma, Enki Bilal;
– Diomedes, Lourenço Mutarelli;
– Billy Soco, Gabriel Góes;
– BNegão;
– Formiga, Formigueiro, Michael DeForge;
– Goku, Dragon Ball, Akira Toriyama;
– Jules Winnfield e Vincent Vega, Pulp Fiction, Quentin Tarantino;
– Kaneda e Tetsuo, Akira, Katsuhiro Otomo;
– Elliot Alderson e Mr. Robot, Mr. Robot;
– Yuri, Daniel Og;
– Raoul Duke, Medo e Delírio em Las Vegas;
– Jimmy Corrigan, Chris Ware;
– Elza Soares;
– Jake e Finn, Hora de Aventura;
– Tulipa Ruiz;
– Cachorro do Vida Boa, do Fabio Zimbres;
– Emicida;
– Chico Science;
– Piratas do Tietê, Laerte;
– Preto e Branco, Tekkon Kinkreet, Taiyo Matsumoto.

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