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Posts com a tag Miracleman

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As capas de Miracleman #3 e #4 assinadas por Mark Buckingham

Já falei por aqui: quero muito uma coletânea das capas de Miracleman. As minhas preferidas continuam sendo as originais e as mais recentes produzidas pelos desenhistas regulares da série, como essas duas por aqui do Mark Buckingham. Ainda assim, a Marvel tá matando a pau com os trabalhos publicados nas capas variantes. Pro número 3 teve Mike Allred e Tony Harris em desenhos incríveis. E o Charles Paul Wilson III e o Chris Samnee criaram artes fenomenais pra quarta edição. Ei Marvel, lança logo esse encadernado só com as capas, vai.

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As capas de Miracleman

Como eu piro nas capas de Miracleman. Quando a Marvel começou a republicar a série, o trabalho era fácil. As artes eram de autoria de gente como Garry Leach, Alan Davis, Rick Veitch, John Totleben e Mark Buckingham (nomes que lembrei de cabeça, certeza que esqueci de outros fodas). Daí que convidaram mais um monte de gente boa pra criar capas variantes para as reedições – com uma ou outra besteira no meio, como uma do Frank Cho e outra do Alex Ross. Sou conservador e sempre a favor das capas originais, coisa que acho que a Panini nem sempre ofereceu por aqui. Mesmo assim, queria muito uma coletânea com todas as capas da série. Gastei um tempão vendo todas e mais um monte de coisa linda aqui, um tumblr dedicado apenas às artes de Miracleman. Só coisa bonita.

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Miracleman #16, por Mark Buckingham

Tô passando por aqui só pra deixar o blog mais bonito, com esse pôster do Mark Buckingham aqui em cima que acabou virando a capa no número #16 de Miracleman. Aliás, em que pé da série vocês estão? Apesar de estar em dia com as edições estrangeiras, também tô de olho nas edições nacionais, que não devem em nada ao que está sendo feito lá fora pela Marvel. Assim, sou sempre a favor das capas originais e acho meio carnaval esse monte de capa variante que ganham destaque nas edições nacionais, mas tudo bem, aí é gosto e nem é problema. Só achei engraçado: acho que todas as edições nacionais vieram dentro de saco plástico lacrado, e exatamente a 9ª, que saiu lacrada lá fora por conta da polêmica cena do parto da Liz, chegou às bancas fora do plástico – mas cá entre nós, isso é ponto positivo pra mim.

HQ / Marvel / Retrospectiva 2014

Top 10 Vitralizado 2014: a volta de Miracleman

Como bom leitor de quadrinho sempre soube das polêmicas envolvendo Miracleman. O personagem é uma versão alternativa britânica para o Capitão Marvel batizada de Marvelman, nos anos 80 ele  foi modernizado pela mente de um então jovem Alan Moore, a revista na qual o personagem era publicado faliu, uma editora americana comprou os direitos da série e também não demorou pra fechar as portas e os direitos do herói passaram anos em uma disputa judicial envolvendo a editora Image e Neil Gaiman. Quando essa confusão toda chegou ao fim, Miracleman foi parar na Marvel que passou a republicar suas edições originais no início de 2014. Expliquei essa história toda em fevereiro logo que as revistas do herói retornaram às lojas de quadrinhos.

Para escrever minha matéria sobre a saga do personagem conversei com alguns especialistas sobre a história do herói e a obra de Alan Moore. Minhas três principais fontes foram Lance Parkin, biógrafo de Moore, o editor do Bleeding Cool, Rich Johnston, e um dos jornalistas mais próximos do escritor inglês, Pádraig Ó Méalóid – em uma das mais recentes entrevistas feitas por ele, Moore declarou ter sido sua última. Ficou claro pra mim a grandiosidade e a importância de Miracleman para os quadrinhos de super-heróis, Johnston chegou ao ponto de dizer que é a maior obra desse gênero em todos os tempos. Mas a verdade é que só fui compreender o que representava Miracleman ao chegar em Londres e comprar minhas primeiras cópias da série.

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Estão lá todos os elementos que mais a frente fariam de Moore talvez o grande autor de quadrinhos de super-heróis de todos os tempos. Temas que ele voltaria a tratar em Watchmen, V de Vingança e Promethea já dão as caras com força nas doze primeiras edições do gibi. Talvez faltasse na época o domínio da linguagem sequêncial que é um dos principais atributos de seus trabalhos mais maduros, ainda assim pode ser realmente a obra-prima do escritor.

Além de ler os quadrinhos também estive presente em palestras e debates com pessoas ligadas à obra. Ouvi de Alan Davis, por exemplo, que sua carreira teria sido outra não fosse Miracleman – a obra também teria sido o motivo do final da amizade entre ele e Moore, me contou Pádraig Ó Méalóid. Não fosse Miracleman, não dá pra ter certeza se teríamos Watchmen e V de Vingança, obras fundamentais para uma imensa mudança no tom dos quadrinhos norte-americanos nos anos 80 que hoje influenciam extremamente os filmes inspiradas nessas hqs. Isso pra ficar só nas consequências mais óbvias.

A fase de Moore chega ao fim no número 16, em seguida começa o arco escrito por Neil Gaiman, inédito a partir do número 24. Durante uma palestra com Mark Buckingham, responsável pela arte das edições roteirizadas por Gaiman, o artista disse que já estava trabalhando nos textos nunca publicados do escritor. Minha curiosidade é saber o que será do personagem dentro da Marvel quando Gaiman colocar o ponto final na saga do herói. Descobriremos em 2015.

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HQ / Melhor HQ

“A melhor HQ de todos os tempos, hoje, para mim” – Dez Skinn

Dessa vez vou precisar de uma introdução um pouco maior pra explicar o post. Não sei se todo mundo sabe quem é Dez Skinn, mas só pra resumir a conversa: caso ele não existisse, não teríamos lido V de Vingança e Miracleman, o Alan Moore provavelmente não seria o que é hoje e o mundo dos quadrinhos não seria o mesmo. No meio da década de 70, Skinn já tinha uma carreira consolidada como editor quando foi contratado pelo próprio Stan Lee pra administrar todo o conteúdo produzido pela Marvel no Reino Unido. Durante pouco mais de um ano ele editou os principais títulos da Casa das Ideias lançados em solo britânico e lançou a versão em quadrinho para Doctor Who. No entanto, os grandes feitos dele vieram em seguida à sua saída da Marvel, em 1980.

Antes de ir pra Londres eu já havia ouvido falar da revista Warrior e de sua importância para os quadrinhos britânicos. No entanto, apenas em Londres, nas convenções e exposições de hqs em que estive presente, consegui entender a real dimensão da admiração dos artistas e leitores pela revista e por seu editor. Ao sair da Marvel, Skinn fundou a Warrior, uma revista que durou apenas 26 números, publicada entre março de 1982 e janeiro de 1985. Ao criar a publicação, Skinn convidou escritores e desenhistas britânicos com quem já havia trabalhado na Marvel – como Steve Moore, John Bolton, Steve Parkhouse e David Lloyd. Depois vieram nomes também já estabelecidos no cenário, como Brian Bolland e Dave Gibbons. No entanto, o grande feito de Skin foi abrir as portas para jovens talentos, como Garry Leach, Alan Davis, Steve Dillon e um então desconhecido e jovem escritor e desenhista chamado Alan Moore.

Foi na Warrior que Moore começou a publicação de V de Vingança junto com David Lloyd e também onde saíram os primeiros número de Miracleman. Aliás, partiu de Skinn a ideia de dar uma nova vida ao clássico herói inglês – e, muito dizem, é dele a culpa pelo início de toda confusão envolvendo o personagem. Quando a Warrior chegou ao fim, Moore cortou relações com seu editor e disse não poder mais confiar em Skinn. Enfim, meu ponto é: apesar de todos os pesares, Dez Skinn tem importância incontestável na história dos quadrinhos. Seu trabalho como editor ajudou a moldar em definitivo os rumos da indústria de quadrinhos (e talvez também na cinematográfica, certo?). Escrevi pra ele pedindo um parágrafo para a seção “A melhor HQ de todos os tempos, hoje, para mim“. Bastante educado, ele me mandou uma resposta que eu não esperava:

Olá Ramon,

Obrigado pelo email. O seu projeto me parece fascinante.

Infelizmente eu não coloco os olhos em uma história em quadrinho há pelo menos dez anos e hoje trabalho apenas com revistas sobre filmes. Então não sou o melhor candidato pra escrever pra você.

Peço desculpas por não poder ajudar, mas desejo boa sorte.

Atenciosamente,

Dez Skinn

HQ / Marvel

Vitralizado na London Super Comic Convention 2014 – Dia 2

A London Super Comic Convention 2014 estava bem mais tranquila em seu segundo dia. Enquanto no sábado o Excel Centre estava lotado de fãs fantasiados e filas enormes em busca de autógrafos dos convidados, o domingo foi bem menos agitado. Os quadrinhos e muitos dos outros produtos a venda já estavam com preços mais baratos do que na véspera. Consegui andar com mais calma no espaço chamado de Beco dos Artista, com vários quadrinistas, coletivos e editoras independentes. Muitas publicações europeias, todas bastante coloridas e principalmente de super-heróis e aventuras. Como não havia muitas novidades nas outras mesas, visitei as salas de painéis. A próxima foto mostra a apresentação do atual escritor de Homem-Aranha, Dan Slott. Não leio a atual fase do personagem, mas acho o conceito meio bizarro (o Dr. Octopus tomou conta da mente de Peter Parker e agora controla o herói), mas parece que há muitos fãs. Deve ter sido mais interessante para esses leitores. Pra mim, foi legal quando ele comentou sobre os filmes da Marvel. Sobre como as decisões editoriais da empresa hoje são pensadas em função dos filmes. “Guardiões da Galáxia vai ser lançado? Um ano antes vamos colocar a melhor equipe possível para produzir uma nova série, quando o filme sair teremos vários encadernados para quem gostou do filme”, ele disse.

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Logo em seguida começou um dos melhores eventos da convenção, um painel com os principais artistas de Miracleman sobre o retorno do personagem. Os convidados eram Garry Leach, Alan Davis e Mark Buckingham. O Alan Davis não parecia muito feliz de estar por ali, apesar de simpático e sorridente, suas respostas eram quase sempre monossilábicas. Lembrei da minha entrevista com o Lance Parkin, biógrafo do Alan Moore. Ele me disse que os dois brigaram por conta da série e talvez seja esse o motivo. Aliás, no começo da conversa o Mark Buckingham fez piada perguntando se eles estavam autorizados a mencionar o nome do Moore. Os três estavam bem felizes pelo retorno de série e satisfeitos com as edições publicadas pela Marvel. O Garry Leach disse que é a melhor colorização que o título já teve. Gravei um trecho da apresentação no qual eles comentam sobre o futuro do título. Eles comentaram que as edições antigas devem ser encerradas até o meio do ano que vem e depois vem o arco final inédito, roteirizado pelo Neil Gaiman com as ilustrações do Mark Buckinham. Questionados sobre o que aconteceria depois, os três riram. Segundo o Garry Leach, provavelmente a Marvel vai passar o personagem para o a equipe criativa mais famosa na época, “e não necessariamente a melhor e nem britânica”. [O Bleeding Cool fez uma cobertura ao vivo da mesa e depois atualizou o post com os vídeos aqui do Vitralizado, vale dar uma lida no texto do jornalista Rich Johnston]

Um tópico que eles comentaram bastante foi a importância da revista Warrior pros artistas e todo o meio dos quadrinhos britânicos. Era uma coletânea mensal lançadas entre março de 1982 e janeiro de 1985. Durou apenas 26 números e publicou os primeiros números de V de Vingança e Miracleman. Também foi lá que vários artistas britânicos tiveram suas primeiras oportunidades de trabalho, como Alan Moore, David Lloyd, Dave Gibbons e os próprios Garry Leach e Alan Davis. Também filmei os três falando da revista. Mais novo dos três, o Mark Buckingham não chegou a trabalhar na Warrior, mas disse que ficou no prejuízo quando a revista fechou e ele não recebeu o dinheiro da assinatura de volta:

Com um público menor, estava mais tranquilo de conversar com os artistas e pedir alguns desenhos mais complicados. Nomes mais famosos, como o Alan Daves e o Mike Grell estavam cobrando cerca de 50 £ por uma arte exclusiva em A4. A tarde foi passando e várias lojas passaram a baratear suas revistas e encadernados. Fiz mais uma seleção de algumas fotos do último dia:

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Alan Davis assina a revista de um fã.

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O desenhista Arthur Adams (X-Men, Authority e Tom Strong).

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