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HQ

Três Buracos: o quadrinista Shiko fala sobre as origens, influências, técnicas e inspirações de sua próxima HQ

O primeiro trabalho longo do quadrinista Shiko desde o lançamento de Lavagem, em 2015, tem lançamento previsto para agosto de 2018. O álbum foi batizado de Três Buracos, será publicado pela Editora Mino e terá arte em preto e branco e cerca de 100 páginas. A HQ é ambientada em um garimpo no interior da Paraíba e é protagonizada por uma mulher chamada Tânia. Três Buracos também é o nome da cidade fantasma na qual a personagem principal vive, assombrada por uma maldição deixada por seu pai. “Como gênero, é um quadrinho que fica entre o faroeste e o terror, mas em um ambiente contemporâneo”, conta Shiko em conversa com o blog.

De acordo com o autor, Três Buracos é o primeiro quadrinho dele ambientado na região na qual foi criado, no sertão da Paraíba. “É uma paisagem absolutamente familiar para mim, então facilita. O tipo físico, o modo como as pessoas se vestem, as paisagens, os objetos…”, lista o quadrinista. No depoimento abaixo, Shiko fala sobre as origens do projeto, as influências dos filmes do italiano Sergio Leone e a estética e suas inspirações pro gibi. Confira aspas de Shiko junto com o booktrailer de seu próximo trabalho:

Novo Faroeste

“A história se passa em um garimpo no interior da Paraíba. É o único lugar do mundo em que existe o garimpo da Turmalina Azul, por isso também conhecida como Turmalina Paraíba. É uma pedra muito valiosa, alguns dizem ser a mais preciosa do mundo. Aí, em algum momento, a maldição de um morto faz com que esse garimpo venha a ser abandonado e a cidade ao redor dele se torne uma cidade fantasma, restando apenas uma mulher, chamada Tânia.”

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“Quando o pai da Tânia é morto, o garimpo acaba, o irmão dela vai embora e vira um ladrão. Ela não consegue sair de Três Buracos por ser assombrada pelo espírito do pai. É uma história de botija, um mito sertanejo de tesouro escondido. O tesouro tá enterrado, escondido, e a alma da pessoa que escondeu não consegue partir, fica presa na terra até que alguém desenterre esse tesouro. Aí essa filha é assombrada pelo espírito do pai e não consegue abandonar esse lugar.”

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“A personagem vive num limiar onírico. O bonito de botija, é que o morto aparece sempre nos seus sonhos, para pedir que você desenterre aquele tesouro que prende ele à terra. Então como ela tá sempre nessa fronteira entre o que é sonho e o que é vigília, tem hora hora que os meus quadros estão mais livres, até por esses elementos oníricos da narrativa.”

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“A história é um faroeste por ter esses vários elementos do gênero: enforcamento, garimpo e assalto a banco. Aqui no nordeste, no sertão, é o que estamos chamando de Novo Faroeste, com assalto a caixas eletrônicos e tal. Então, como gênero é um quadrinho que fica entre o faroeste e o terror, mas em um ambiente contemporâneo.”

Aguadas de cinza

“É preto e branco, mas diferente do Lavagem, que tem aquele preto e branco duro, meio Mozart Couto, esse agora tem aguadas de cinza, mais parecido com o Azul Indiferente do Céu.”

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“Os enquadramentos são mais soltos, talvez mais Cinemascope, muitas vezes mais horizontais. Foi uma influência mesmo dessa fotografia do cinema italiano de faroeste. Os quadros tem um formato mais horizontal, mais Cinemascope mesmo.”

Sergio Leone

“Eu não consigo escapar do faroeste italiano, né? Mesmo tentando escapar, chegou uma hora que eu desisti. É uma referência muito presente, não vou ficar brigando com isso. É uma referência mesmo, nos quadros, nos planos abertos sem texto, nos silêncios, nas esperas, na contemplação e até no ritmo de algumas coisas. Tanto que no final, em uma das últimas cenas, eu faço uma referência aberta mesmo ao Sérgio Leone.”

Paisagem real

“Existe aqui na Paraíba uma cidade chamada São José da Batalha, no Sertão da Paraíba, com um garimpo de Turmalina. Chegou a passar no Fantástico uma história bem louca quando descobriram que essas pedras eram negociadas pra uma galera do Qatar que financiava o Estado Islâmico (risos). Enfim, isso existe aqui no interior da Paraíba, mas o meu quadrinho não tem nenhuma obrigação com essa realidade, é uma ficção sobre uma realidade que existe. O nome da cidade não é esse, eu parto de uma paisagem real para criar uma ficção completamente livre.”

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“Talvez esse seja o meu primeiro quadrinho que se passa na região de onde eu sou, do sertão da Paraíba. Nunca fiz um quadrinho que se passasse no local em que eu vivi até os 20 anos, quando comecei a fazer quadrinho e tal. É uma paisagem absolutamente familiar para mim, então facilita. O tipo físico, o modo como as pessoas se vestem, as paisagens, os objetos…”

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“O meu avô foi garimpeiro. Então sempre passava na casa dele algum amigo de viagem, de um garimpo pro outro. Na casa do meu avô, onde passei grande parte da minha vida, sempre tinham calhas e ferramentas de garimpo que as pessoas deixavam por lá enquanto iam resolver outras coisas. É uma realidade muito presente essa vida no sertão, então tenho um compromisso com essa realidade na hora de fazer o quadrinho, são coisas que conheço há muito tempo.”

HQ

4ª (28/3) é dia de bate-papo com Janaína de Luna, editora da Mino, em São Paulo

Ei, anima dar um pulo na loja da Ugra, aqui em São Paulo, amanhã (28/3), no fim da tarde? Eu estarei por lá a partir das 18h30 pra um papo com a Janaína de Luna, editora da Mino, para saber um pouco mais sobre os lançamentos mais recentes do selo, publicações previstas para os próximos meses – como a aguardadíssima A Vida É Boa, Se Você Não Fraquejar do canadense Seth -, e projetos futuros envolvendo novos autores. Promessa de papo bom, viu? Lembrando: amanhã, 28 de março, a partir das 18h30, na loja da Ugra (Rua Augusta, 1371, loja 116). Você confere outras informações do bate-papo lá na página do evento no Facebook.

Ah, aproveitando que o assunto é Mino, deixo o aviso: dê um pulo aqui no blog amanhã de manhã, lá pelas 11h. Terei novidades quentíssimas sobre um dos próximos projeto da editora. Coisa grande, bem massa e sobre a qual pretendo tratar bastante no bate-papo na Ugra. Apareça!

Entrevistas / HQ

Papo com Michael DeForge, o autor de Formigueiro [por Diego Gerlach]

Fiz o meio de campo para uma entrevista envolvendo dois dos meus quadrinistas preferidos: o canadense Michael DeForge, autor de Formigueiro, publicado no final do ano passado no Brasil pela editora Mino, e o brasileiro Diego Gerlach – tradutor de Formigueiro, editor da Vibe Tronxa Comix, responsável pela série Know-Haole e autor do zine Pirarucu (encartado no primeiro número da revista Baiacu). O texto a seguir, assim como as perguntas respondidas por DeForge, são de autoria de Gerlach:

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por Diego Gerlach

Em pouco mais de 10 anos de atividade, o quadrinista canadense Michael DeForge já conta com uma extensa lista de publicações e prêmios em seu currículo. Ele é um dos principais nomes de uma nova geração de quadrinistas autorais norte-americanos que passaram a ser conhecidos amplamente após o advento da internet e das redes sociais. Ainda não tão conhecido no Brasil, no final de 2017 a Editora Mino publicou Formigueiro, talvez seu trabalho mais conhecido e aclamado (originalmente serializado online). (Disclaimer: Coube a mim fazer a tradução.)

É uma história repleta de revelações tão hilárias quanto desconcertantes. DeForge utiliza as interações de uma colônia de formigas vagamente antromorfizadas como trampolim para elaborar sobre questões existenciais profundas, sempre ameaçadas pela implacável sombra do determinismo biológico. A arte é minimalista e expressiva, com um estilo orgulhosamente bidimensional, preenchido por um tornado de cores cítricas. O emprego de um tipo de desenho que parece mais adequado a um livro infantil numa trama pontuada por relações disfuncionais, guerra interespécies e atos de mesquinhez de toda sorte, é grande parte do atrativo.

(DeForge já havia sido publicado no Brasil anteriormente: algumas ilustrações originais contidas na antologia independente Gibi Gibi # 2, editada e publicada em 2013 por Mateus Acioli, Heitor Yida e Luiz Berger.)

Com a ajuda de Ramon Vitral na intermediação, fiz algumas perguntas a DeForge, que nos mandou respostas tão concisas e discretas quanto seu estilo de desenho.

Lembro de ter visto seu trabalho por volta de 2008, ainda através do Flickr, quando você costumava assinar como KING TRASH. Se não estou enganado, os trabalhos eram em sua maioria posters, flyers e experimentos em ilustração, com texto aparecendo apenas em alguns casos. Não eram bem quadrinhos, mas lembro de ficar impressionado com o design agressivo, às vezes beirando a ilegibilidade – aquilo me inspirou um bocado, pois estava experimentando com o mesmo tipo de coisa na época. Em seguida, comecei a tentar fazer quadrinhos, e logo um monte de blogs falavam desse sujeito, Michael DeForge, que fazia quadrinhos fantásticos, e quando finalmente descobri que ‘vocês’ eram a mesma pessoa, fiquei bastante surpreso. Nessa época (em que assinava com pseudônimo), você já produzia ou tentava produzir quadrinhos?

Estava sempre fazendo quadrinhos, histórias curtas, experimentos, esse tipo de coisa. Mas foi só em Lose # 1 que realmente comecei a esboçar a direção que queria seguir. Desenhar para quadrinhos é muito diferente de fazer desenhos ‘normais’, e levou um bocado de tempo e várias tentativas frustradas para me dar conta disso.

Creio que foi num texto escrito por Nick Gazin em que li pela primeira vez que você desenha suas digitalmente, de modo que no fim não tem um original ‘físico’ da página concluída. Gostaria de saber se esse ainda é seu processo, e o que o fez sentir que esse era o caminho a seguir?

Sim, a maioria dos meus quadrinhos são desenhados digitalmente hoje em dia. É simplesmente mais rápido para mim, e isso é tudo que importa. Sempre pendi para um estilo bastante limpo, de linhas estéreis, de modo que a transição não foi muito difícil.

Na introdução para A Body Beneath (compilação com histórias curtas do autor pinçadas da série Lose, publicada em 2014 pela editora canadense Koyama Press), você expressou certo senso de desconforto quanto à qualidade de alguns de seus quadrinhos mais antigos. Agora que algum tempo se passou desde a publicação inicial de Formigueiro, como se sente em relação a esse trabalho?

Creio que é natural sentir ao menos algum senso de ambivalência a respeito do trabalho, conforme ele envelhece. Sinto que sou uma pessoa totalmente diferente daquela que criou Formigueiro e, de certa forma, é verdade. Não sinto vergonha de Formigueiro. Fico feliz de tê-lo desenhado, tendo em vista que aprendi tanto enquanto fazia isso. Definitivamente, há alguns quadrinhos que desenhei na vida que faria sumir se pudesse, e Formigueiro não é uma deles (ainda).

Você costuma reler seu material para aprender com erros passados, ou é algo que só acontece de fato quando você tem que preparar uma nova compilação do seu trabalho?

Tento não reler com muita frequência, mas às vezes é útil. Eu me repito um bocado. É inevitável, a maioria dos autores acaba retornando a certos temas, ou certos eventos, e acho que na verdade é bom reexaminá-los de diferentes perspectivas. Às vezes tenho medo de estar reescrevendo alguma de minhas histórias antigas palavra por palavra, então preciso dar uma folheada pra me certificar de que isso não está acontecendo.

Você é um autor bastante produtivo e ainda tem um emprego ‘oficial’ a gerenciar (DeForge trabalha na equipe de criação do desenho Hora de Aventura, exibido pela Cartoon Network). Ainda encontra tempo para ler tanto quadrinhos quanto gostaria?

Não me mantenho tão atualizado quando costumava, mas ainda me divirto lendo quadrinhos novos. Acabei de ler Pretending is Lying, da Dominique Goblet, que foi traduzido para o inglês ano passado, e amei.

Qual foi a melhor coisa que alguém já disse a você sobre um dos seus quadrinhos?

Estou desenhando uma tira diária, e gosto de ouvir o que as pessoas que acompanham dizem todos os dias. Costumava ler tiras assim quando era criança, e fico feliz de saber que um punhado de pessoas tem esse tipo de relação com meu trabalho.

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It’s a Good Life, If You Don’t Weaken, do canadense Seth, será lançado no Brasil pela editora Mino

A editora Mino vai publicar no Brasil o álbum It’s A Good Life, If You Don’t Weaken, do canadense Seth. O quadrinho foi rebatizado em português com o título A Vida É Boa Se Você Não Fraquejar, a tradução será de Dandara Palankof e o letreiramento ficará a cargo de Beeau Goméz. O preço da publicação ainda não foi definido, mas a expectativa é que o livro chegue às lojas especializadas até o final do mês de março. Segundo a editora e proprietária da Mino, Janaína de Luna, a ideia é que A Vida É Boa Se Você Não Fraquejar seja apenas o primeiro título de Seth no catálogo da editora. “Pretendemos publicar outras obras dele, uma figura fundamental para os quadrinhos modernos”, contou a editora em conversa com o blog.

It’s A Good Life, If You Don’t Weaken foi publicado originalmente entre 1993 e 1996, entre as edições 4 e 9 da revista de Seth, Palookaville. A HQ é protagonizada pelo próprio quadrinista e mostra a jornada do autor em busca de informações sobre o cartunista Whitney Darrow, Jr. – lendário autor de tiras, quadrinhos e charges publicadas na revista New Yorker. O álbum ocupa o 52º lugar na lista de 100 Melhores Quadrinhos do Século 20 do Comics Journal.

O ano de 2018 fica bem mais interessante para os leitores de quadrinhos brasileiros com a chegada de um novo trabalho do Seth no país. O autor já havia sido publicado por aqui, em 2014, pela A Bolha Editora, em uma versão nacional do excelente Wimbledon Green – O Maior Colecionador de Quadrinhos do Mundo. Aguardo ansiosamente por essa edição da Mino e acho que você já deveria incluir o título, assim que possível, na sua lista de leituras para os próximos meses.

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Sábado (2/12) é dia de lançamento de Labirinto, Porco Pirata e Market Garden em São Paulo

Os três mais recentes quadrinhos publicados pela editora Mino serão lançados no próximo sábado (2/12), na loja da Ugra, em São Paulo. São eles: Labirinto, de Thiago Souto; Porco Pirata, de João Azeitona; e Market Garden, de Bruno Seelig. Tenho bastante curiosidade em relação a esses dois últimos, que com certeza farão parte da minha pilha de leitura de final de ano. Em relação a Labirinto, posso adiantar que o Thiago Souto fez um trabalho belíssimo. Escrevi o texto da 4ª capa da obra, chamo atenção para o traço e as cores do álbum e também para a forma como o quadrinista administra a jornada de seus dois protagonistas. Deixa passar não, viu?

A Ugra fica no número 1371 da Rua Augusta e o lançamento tá marcado pra começar às 15h. Mais instruções, lá na página do evento no Facebook.

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A capa de Labirinto, o novo álbum do quadrinista Thiago Souto

O quadrinista Thiago Souto divulgou a capa da HQ Labirinto. O álbum foi bancado via financiamento coletivo no Catarse e será publicado pela Mino. O livro será lançado dia 2 de dezembro em uma festa na Ugra em São Paulo e também na Comic Con Experience 2017, a partir do dia 7 de dezembro. O miolo da obra tem 216 páginas e o preço ainda será anunciado. Gosto muito dos trabalhos do Thiago, passando por Mikrokosmos, lançado em 2014, e o quinto Ugrito, Time Lapse, de 2016, daí fiquei muito feliz de ser convidado por ele pra escrever o texto da 4ª capa do livro, que você confere aqui embaixo. Saca só:

capa_labirinto