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## Retrospectiva Vitralizado 2016 ## Finório (Zarabatana), por Marco Oliveira

O Marco Oliveira é desses autores que vai ter minha atenção a todo e qualquer novo trabalho que produzir. Principalmente pelo fato de cada novo projeto do quadrinista parecer de um artista completamente diferente e com a mesma consistência. Finório é o quadrinho mais longo do autor como roteirista e ilustrador e um de seus mais interessantes. Como escrevi na quarta capa do livro, é uma aula de construção de personagem.

Entrevistas / HQ

Papo com Marco Oliveira, o autor de Finório: “Me agrada acreditar que a versatilidade é algo tangível”

Finório é o primeiro trabalho do quadrinista Marco Oliveira atuando tanto como roteirista quanto ilustrador em um projeto longo. Ele começou sua carreira produzindo HQs nas tiras da série Overdose Homeopática, depois foi o desenhista do excelente Aos Cuidados de Rafaela em parceria com Marcelo Saravá e, mas recentemente, brincou com várias das possibilidades da linguagem dos quadrinhos no ótimo Mute. O novo trabalho de Oliveira estará a venda a partir de 5a, na mesa C31 do beco dos artistas da Comic Con Experience.

Já tive a oportunidade de ler o quadrinho em formato de pdf e gostei bastante – inclusive assino o texto da contracapa da HQ. O álbum é protagonizado por Francisco, um jovem alvo de atos de violência e injustiça ao longo de toda sua juventude, o que faz com que ele desenvolva uma mente ardilosa e uma postura bastante vingativa quando adulto. Apesar do belíssimo preto e branco e da narrativa objetiva e eficaz, chamo atenção principalmente para o excelente trabalho do quadrinista na construção de seus personagens. Tudo isso faz de Finório um grande quadrinho.

Bati um papo por email com o Marco Oliveira. Ele me falou sobre suas aspirações com a HQ, tratou das origens do projeto e comentou sua primeira experiência como roteirista e ilustrador em um quadrinho longo. Abri a conversa falando das páginas iniciais do livro, uma cena tensa com duas crianças sendo agredidas e amedrontadas por um indivíduo desequilibrado, experiência que o autor diz ter vivido durante a infância. Conversa muito boa – assim como a que tivemos na época do lançamento de Mute. Ó:

“Queria um personagem que se preocupasse com os seus, do tipo que até se compadece com o sofrimento alheio, mas que nunca toma as rédeas de situações que não lhe dizem respeito (quiçá as que lhe dizem)”

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Eu queria que você falasse um pouco sobre a origem de Finório. Você me contou que as páginas iniciais do livro foram inspiradas em uma história que você viveu na infância. O que foi que aconteceu?

Acho que o ano era o de 1992. Meu primo Zé e eu (ele com 11 e eu com 9 anos) estávamos vadiando em cima de um viaduto olhando os carros que passavam lá embaixo na rodovia. Começamos a disputar quem conseguia acertar a carroceria dos caminhões com cuspe, aquela coisa de calcular o tempo da queda e tal. Aí acho que acabou o cuspe e começamos a jogar pedrinhas nas carrocerias. Vendo que estava fácil, resolvi arriscar a carroceria de uma Pampa (nem se vê mais Pampas nas ruas). Joguei a pedra e acertei, só que no para-brisa. Por um milésimo de segundo cheguei a ver o vidro se espatifando, mas a palavra “consequência” ainda não constava do meu dicionário e continuamos com as pedras. Só me lembro de ouvir meu primo berrando e ver um cara arrastando ele pelos cabelos e o enchendo de porrada. Fiquei paralisado. Nem imaginei do que se tratava. Só segui eles quando o sujeito disse que, ou eu ia ou ele matava meu primo. Aí dei conta de que estavam indo para a Pampa lá embaixo, com o vidro todo fudido. Enfim, meu primo apanhou feito condenado e eu levei um chute no melhor estilo Anderson Silva. Fomos pra delegacia e nossas mães chamadas. Tiveram que pagar o vidro do cara. Relatamos a violência aos policiais e delegado, mas fingiram que nem ouviram. Nunca mais vimos o cara, era de outra cidade. Criança apanhar como adulto, sofrer ameaças de morte é um evento bem traumático.

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HQ

A capa de Finório, a próxima HQ de Marco Oliveira

O Marco Oliveira divulgou a capa de seu próximo quadrinho. Batizado de Finório, o álbum será lançado pela Zarabatana Books na Comic Con Experience 2016. Li uma versão em pdf do livro e gostei pra caramba. Não quero revelar a trama por aqui, pelo Facebook o autor da obra avisou: “nos próximos dias solto uma sinopse, mas adianto que o foco da história é: VIOLÊNCIA”. Finório é o quarto trabalho impresso do quadrinista, os outros três foram Overdose Homeopática, Aos Cuidados de Rafaela e Mute. Tanto pelo traço quanto pela história do gibi, ele ressalta o tanto que o Marco é um dos artistas mais versáteis da cena brasileira de HQs. Deixa passar esse não, viu? E ó, dá uma relida aqui na entrevista que fiz com o Marco Oliveira na época do lançamento do Mute.

Entrevistas / HQ

Mute: Marco Oliveira investe nas possibilidades da linguagem dos quadrinhos em álbum experimental

O quadrinista Marco Oliveira surpreendeu seus leitores em 2014 quando publicou o álbum Aos Cuidados de Rafaela. Apesar do mesmo traço sujo de sua série Overdose Homeopática, o autor apresentou no quadrinho um estilo muito distinto do trabalho que fez sua fama na internet. Enquanto suas tiras reúnem várias piadas rápidas e agressivas, o enredo tragicômico do livro lançado no ano passado mostrou o domínio que Oliveira possui da narrativa sequencial. Pouco mais de um ano depois, o artista volta a investir em uma obra bastante distinta de suas produções prévias.

O recém-lançado Mute (R$34, Zarabatana) mostra o autor explorando várias possibilidades da linguagem das HQs em uma coletânea de painéis em preto e branco. Ao longo de suas 88 páginas, o livro reúne várias esquetes e enredos conceituais somente possíveis de serem contados no formato de quadrinho. Se na série Overdose Homeopática Oliveira dialoga com a podridão social também expressa por autores como André Dahmer, Ricardo Coimbra, Bruno Maron, Mute possui conexões explícitas com o experimentalismo poético de Rafael Sica – inspiração assumida pelo autor na entrevista abaixo.

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