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A capa da primeira edição da Baiacu

Você provavelmente já esbarrou com a capa da primeira edição da Baiacu por aí. Compartilho pra também ter o registro aqui no blog. É provavelmente o projeto editorial mais promissor dos quadrinhos brasileiros em 2017 e desde sua concepção uma publicação histórica por envolver a dupla Angeli e Laerte com alguns dos talentos mais vanguardistas das HQs nacionais. Aguardo ansiosamente por essa edição, prevista pra novembro. Arte da capa assinada pelo Zed Nesti.

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## Retrospectiva Vitralizado 2016 ## Deusa e Século XXI, por Laerte

No início de 2016 a quadrinista Laerte publicou dois épicos em suas tiras diárias na Ilustrada. Primeiro ela narrou na Folha de São Paulo sua retrospectiva para o Século XXI. Depois foi a vez dos 24 capítulos da série Deusa. Já disse mais de uma vez por aqui: é um tremendo privilégio podermos acompanhar ao vivo o que talvez seja a fase mais inspirada de uma das maiores mentes dos quadrinhos de todos os tempos.

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## Retrospectiva Vitralizado 2016 ## Modelo Vivo (Boitempo), por Laerte

Um dos principais méritos de Modelo Vivo está em contrapor fases antigas da quadrinista Laerte, republicando vários trabalhos clássicos de sua autoria, com tiras e ilustrações produzidas mais recentemente, durante seus estudos sobre nús artísticos. O ótimo trabalho de organização e edição de Toninho Mendes resgata obras excelentes do início da carreira da artista e apresenta um recorte de uma das facetas atuais da maior quadrinista brasileira viva.

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## Retrospectiva Vitralizado 2016 ## Olhos de Bicho (Ugra Press), por DW Ribatski e Laerte

Olhos de Bicho nasce de uma ideia do quadrinista DW Ribatski de uma série na qual autores trocam roteiros para que um ilustre o texto do outro. No primeiro número, o idealizador do projeto convidou Laerte para participar. A publicação é um breve reunião de devaneios envolvendo os dois artistas que resulta numa mescla bastante interessante de estilos e traços. A promessa é de uma próxima edição envolvendo Pedro Franz e Diego Gerlach. Promissor, hein?

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DW Ribatski fala sobre a parceria com Laerte em Olhos de Bicho e o futuro da série Fixação por Insetos

Já estamos próximos dos 45 do segundo tempo em 2016, mas o ano ainda guarda algumas boas surpresas para leitores de quadrinhos. Duas delas são de autoria do DW Ribatski. Além da abertura da exposição do Rafael Roncato, sábado (26/11) na Ugra será lançado Olhos de Bicho, parceria do autor com a quadrinista Laerte na qual um ilustra o roteiro do outro. São três histórias curtas, duas com texto de Laerte e uma escrita por seu parceiro no projeto, em uma revista de 32 páginas custando 14 temeres. Segundo Ribatski, a ideia é que a iniciativa (chamada por ele de coleção Troca-Troca) ganhe outros números, com diferentes duplas de autores trabalhando em conjunto – uma possível próxima edição poderá envolver os artistas Pedro Franz e Diego Gerlach.

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O outro trabalho incrível recém-lançado por Ribatski foi o primeiro número de Fixação por Insetos, obra publicada durante a Des.Gráfica como um dos título do selo da feira. Primeiro número de um projeto longo, reúne algumas histórias no formato de conto com histórias sobre relações humanas, sexo e insetos. Com um tremendo preto e branco e belíssimos designs de páginas, é mais um ótimo gibi da leva de 2016. Mandei algumas perguntas por email pro quadrinista e ele falou sobre a produção de Olhos de Bicho, a experiência de ilustrar um texto da Laerte – e ter um roteiro seu desenhado por ela – e o futuro de Fixação por Insetos. Papo massa. Ó:

“O traço da Laerte é muito expressivo então é muito gostoso ver o lápis duro e incerto por baixo de um canetão completamente solto e à vontade”

Como surgiu a ideia do Olhos de Bicho? Você pode contar um pouco como foi a dinâmica entre você e a Laerte durante a produção do quadrinho? Aliás, ela sempre foi a pessoa que você tinha em mente pra dividir as páginas do quadrinho?

Bom, tempo ocioso pra mim é momento de bolar idéias, tento realizar no mundo concreto pelo menos a maioria das que tenho. Essa surgiu no período no hospital esperando meu filho nascer. Pensei, mandei uma mensagem pra Laerte e ela topou, apesar dela ser quem é e representar tanto pra gente, ela continua sendo uma pessoa muito aberta e afim de idéias inusitadas como se fosse um(a) garot(a) começando. Curto muito o lance de trabalhos conjuntos, tanto que essa idéia acabou virando essa coleção Troca-Troca (espera que em breve vem outros encontros, ALERTA SPOILER: se tudo der certo veremos Gerlach desenhando HQ do Pedro Franz e vice-versa). Nos últimos tempos fiz várias parcerias e quero continuar fazendo outras, fiz o Bastião da Justiça com o Góes, a Sirlanney e a LoveLove6 fizeram participações nas minhas HQs no blog da Companhia das Letras, teve aquela HQ que fiz com o Zimbres pro Instituto Moreira Sales

Imagino que sejam meio imprevisíveis os resultados finais de projetos como esses. Você já fez algum balanço do quão distante ou próximo ficou o resultado final de Olhos de Bicho em comparação com o instante que você teve a concepção da ideia?

Completamente! Não sabia que ficaria tão psicodélico! Pois é, a idéia inicial era contar umas historinhas, acho que nos permitirmos alterar algumas questões do roteiro um do outro levou ao ponto que chegamos.

Eu fiz uma entrevista com o Pedro Franz no início do ano em que ele falou sobre como acha interessante trabalhar tendo consciência das limitações/restrições de cada projeto. No Olhos de Bicho, além de um ilustrar o texto do outro, vocês trabalharam dentro de um formato bem pequeno. Como foi pra você essa experiência de trabalhar dentro de formatações tão ‘claustrofóbicas’? Aliás, não muito diferentes do desafio de fazer o Ugrito, certo?

Pois é, eu gosto disso também, não tenho problemas com formatos pequenos, é como o trabalho com pincel, se não dá pra fazer é porquê não cabe no projeto.

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Adágio: a exposição com os nus de Laerte chega a São Paulo no sábado (26/11)

A exposição Adágio do Rafael Roncato com as fotos do ensaio nu protagonizado pela quadrinista Laerte chega a São Paulo no próximo sábado, dia 26 de novembro. As 14 imagens ficarão expostas na loja da Ugra até o dia 10 de dezembro. Já falei sobre a Adágio por aqui quando ela rolou na Galeria Hipotética, em Porto Alegre: a série foi produzida em 2013 e publicada parcialmente no mesmo ano na revista Rolling Stone. O evento também apresenta ilustrações exclusivas feitas por Laerte durante o processo de criação do ensaio.

Fui convidado pra bater um papo com o Roncato no dia da abertura da Adágio lá na Ugra, a partir da 16h. Acompanho os trabalhos do fotógrafo desde os tempos do projeto .nankeen. e tenho certeza que a conversa rende. A rota e as instruções pra abertura do evento tão na página da exposição no Facebook. Vamos? Adiantei com o Roncato alguns dos temas que devemos tratar no sábado em uma troca rápida de emails. Dá uma lida:

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A exposição tá vindo pra São Paulo depois de ter passado um período na Galeria Hipotética. Como foi a experiência em Porto Alegre?

Não poderia ter sido melhor, para falar a verdade. Algumas imagens já haviam rodado individualmente por exposições coletivas – como no 6º Festival de Fotografia de Tiradentes e a 6ª Mostra SP de Fotografia São Paulo, além da publicação chilena Guerrilla – e Porto Alegre acabou virando um teste para o ensaio como um todo por ser a primeira cidade a receber todas as imagens. Eu não sabia o que poderia acontecer, como seria a recepção, se a exposição seria bem visitada ou um fracasso. E no final deu tudo certo. Fiquei muito feliz pelo convite do Fabiano e da Iriz, da Galeria Hipotética, e toda a garra que eles colocaram para montar a exposição da melhor maneira possível, dentro do jeito que eu havia imaginado. Tive a oportunidade de conhecer muita gente bacana, desde fotógrafos até quadrinistas que só conhecia pela internet ou nos livros. Foi uma festa das boas e ainda consegui produzir novos retratos dos quadrinistas de lá para o .nankeen..

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Adágio: as fotos de Rafael Roncato com os nus de Laerte em exposição na Galeria Hipotética de Porto Alegre

O Rafael Roncato expõe a partir do dia 13 de agosto na Galeria Hipotética de Porto Alegre a série Adágio, composta por uma coleção de 10 fotografias da quadrinista Laerte nua. Produzida em 2013 e publicada parcialmente no mesmo ano na revista Rolling Stone, a série também apresentará ilustrações exclusivas feitas por Laerte durante o processo de criação do ensaio. Adágio não é o primeiro trabalho de Roncato com autores de HQs: ele leva há alguns anos a produção da .nankeen., com retratos em preto e branco de vários artistas brasileiros. No entanto, as imagens que estarão em exposição no Rio Grande do Sul são protagonizadas por aquela que talvez seja a mais importante representante das HQs nacionais. Bati um papo com o fotógrafo sobre a produção e as origens desse projeto e o trabalho de criação em parceria com Lerte. Ó:

Ad‡gio

Como foi a produção dessas fotos? O quanto vocês já tinham definido do que seria o ensaio quando começaram? O resultado final foi muito diferente do que você tinha em mente quando teve a ideia da série?

No primeiro momento, Laerte me procurou para fazermos algumas fotos de divulgação que ela estava precisando na época. Boa parte da nossa conversa foi pensando nessas imagens que seriam para ela, com trocas de roupas, maquiagem, fundos diversos e em estúdio. Ficamos numa longa troca de e-mails: ela havia me procurado no final de 2012, mas fomos começar a pensar no que fazer no começo de 2013, e as fotos foram produzidas de fato apenas em julho de 2013. A ideia do nu surgiu no meio das nossas conversas por e-mail, foi uma sugestão lançada que nos fez pensar, principalmente a Laerte, que ficou interessado, apesar de uma certa dúvida. As conversas foram rolando até que um dia tive a ideia das tintas – a preta em fundo preto e a branca em fundo branco. Para minha surpresa, as tintas a instigaram e até animaram, ou deram confiança, para o nu. Laerte fez um lindo esboço (esta imagem estará na exposição como um primeiro estudo) com algumas poses e a tinta caindo sobre o corpo; hoje, noto como uma ou outra posição das fotos até se parecem com o estudo.

O resultado final foi próximo ao que havia pensado, claro que com algumas surpresas muito importantes. Como são fotos que dependem de outra pessoa, é impossível ter o controle completo da situação. Estar no estúdio já dava certo controle sobre o ambiente e algumas decisões ali dentro. A felicidade do ensaio foi realmente a Laerte ter se doado por completo, dando a liberdade que eu precisava para fazer as imagens que eu bem quisesse e acrescentando algumas ideias dela que surgissem na hora. Foi muito fluido e acredito que a confiança foi um fator importante, uma confiança mútua.

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Quais as grandes HQs publicadas no Brasil em 2016 até agora?

Já esbarrei por aí com várias listas de sites estrangeiros apresentando uma primeira leva dos grandes quadrinhos publicados lá fora em 2016. Aliás, muita coisa de site americano, né? Patience tá sobrando, Paper Girls tá muito bem também, tem o Big Kids do Michael Deforge e o Panther do Brecht Evans é sempre citado. Daí tava aqui maquinando quais as grandes HQs publicadas no Brasil em 2016 até o momento. Não só os grandes quadrinhos brasileiros, mas tudo que saiu. Tô com uma impressão imensa que estamos numa ligeira ressaca de um 2015 com o combo FIQ+CCXP somada a uma crise econômica que não tá ajudando ninguém. E, caramba, como a Nébula faz falta.

Topografias

Acho que tá cedo pra colocar qualquer coisa num ranking, mas passada a metade do ano começo a já cogitar algumas coisas grandes lançadas em 2016. De quadrinho nacional, por enquanto, meus preferidos são as séries Deusa e Século XXI da Laerte, o Bulldogma do Wagner Willian, a Topografias publicada pela Piqui e o Matadouro de Unicórnios do Juscelino Neco. Gosto bastante do Hinário Nacional do Marcello Quintanilha, mas é um trabalho que me soa mais como um caderno de experimentação, um entreato em seguida a Talco de Vidro e algo grande que ele provavelmente deixou pra 2017. Também destaco a coletênea Quadrinhos Insones, talvez o trabalho mais consistente do Diego Sanchez até o momento.

BulldogmaDupla

O Felipe Portugal também matou a pau com o quadrinho dele sobre suicídio e me deixou na seca por mais coisa nova do Eremita (a sério parou?). Os Quadrinhos dos Anos 10 do André Dhamer são excelentes. Dos que saíram, não li e tô bem curioso: O Mundo Segundo Jouralbo do Jouralbo Sieber com o Allan Sieber e mais um monte de gente foda, o Quadradinhas do Lucas Gehre e a Estranhos da Fefê Torquarto (dois que investi no Catarse e ainda não recebi minhas edições), e também a Hitomi que a Balão Editorial lança ainda nos próximos dias.

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De nacional ainda vale mencionar a coleção Ugritos da Ugra, dos projetos editoriais mais simples e bem sacados dos quadrinhos brasileiros entre 2015 e 2016. O Paulo Crumbim e a Cristina Eiko também publicaram o quarto Quadrinhos A2, o Davi Calil finalmente lançou o aguardado Uma Noite Em L’Enfer, o pessoal da Beleléu publicou o Mini-infartos do Caio Gomez, o Guilherme Petreca publicou o lindo Ye e é digno de nota o trabalho de pesquisa do João Pinheiro e da Sirlene Barbosa em Carolina. De nacional, acho, esses foram os lançamentos que mais me chamaram atenção e que logo vieram à minha cabeça – certeza que esqueci de muita coisa e posso ser lembrado ali nos comentários.

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Me parece que a tendência é que 2016 seja lembrado principalmente por muitas obras vindas de fora e relançamentos. A Veneta investiu em Coltrane, Ghetto Brother, Giovaníssima e Vida no Inferno. A editora ainda está republicando o Sopa de Lágrimas do Gilbert Hernandez – que tende a ser um dos meus preferidos no ano. A Mino investiu em Zonzo do Joan Cornellà, Fungos do James Kochalka e Shaolin Cowboy do Geof Darrow e republicou o Diabo e Eu do Alcimar Frazão. A Figura entrou no mercado com o Sheraz-De do Sérgio Toppi – um puta livro, hein? A Martins Fontes lançou o segundo volume de Uma Vida Chinesa e o belíssimo Jane, a Raposa e Eu. A Intrínseca publicou a continuação de Um Árabe do Futuro. Dizem que a Companha das Letras lançou o Reportagens do Joe Sacco – alguém aí já viu?

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O trabalho da editora do Sesi – SP também está lindo, principalmente por suas publicações de obras européias. Ainda estou no aguardo de algo grande vindo da Nemo. Placas Tectônicas é legal e não gostei tanto assim de Uma Morte Horrível. Entre Umas e Outras é a publicação mais forte da editora pra mim até o momento. Ainda tô no aguardo dos trabalhos da Lucy Knisley e o GIGANTE Becoming/Unbecoming da Una, que tem tudo pra ser um dos grandes do ano caso realmente saia como foi prometido no final de 2015. Ah! Um que não li e é bem promissor: a Devir publicou o Agências de Viagens Lemming do José Carlos Fernandes – o cara é autor de A Pior Banda do Mundo e acho que merecia uma divulgação mais à altura do trabalho dele, não?

Patience

Quero saber de Patience por aqui. Sério que as editoras nacionais vão perder o timing do lançamento internacional do livro do Daniel Clowes? Não seria novidade: Here pode ser ‘o grande quadrinho publicado no Brasil em 2016′ caso a Companhia das Letras resolva lançar. O descaso com o Seconds do Bryan Lee O’Malley também é difícil de entender – será que ainda tá valendo aquela promessa dos editores pro autor de que o livro sairia por aqui em outubro?

 

panel from "Seconds" by Bryan Lee O'Malley.

E de super-heróis, o que tô perdendo? O Cavaleiro das Trevas 3 tá indo bem, tô na terceira edição e me divertindo, mas tá longe, muito longe, de chegar perto do primeiro e do segundo (eu gosto hehe). Tem muita coisa legal da Vertigo sendo republicada, principalmente Patrulha do Destino, Invisíveis e Tom Strong. Tô bem feliz com as edições da Panini pra Miracleman, mas queria saber o que será da série agora que terminou a fase do Alan Moore e chegou a do Neil Gaiman. De mangá tô curtindo o relançamento de Vagabond e aguardo 21st Century Boys pra ver como termina a saga escrita pelo Naoki Urasawa. E só tô falando de coisa boa por aqui, mas fica o registro: sério que vocês gostaram de One Punch-Man?

Mônica Bianca Pinheiro

Há também algumas coisas que acho que estão pra sair e outras que torço pra que saiam, todas com grande potencial. Sei que o L.M. Melite publica a Tablóide ainda em 2016. Acho que a Julia Bax tem um livro do Proac pra entregar. O pessoal da Xula promete a segunda edição da revista desde o lançamento da primeira. O Pedro Cobiaco parou de vez a Bugalú? O Shiko lança mais um volume de A Boca Quente? O Felipe Nunes tem um trabalho previsto pra breve pelo Stout Club. Há novas Graphic MSP pra sair – não gostei muito do álbum do Papa-Capim, mas estou curioso com as próximas três (Bidu 2, Astronauta 3 e Mônica da Bianca Pinheiro). Tenho altas expectativas em relação ao quadrinho novo do Alexandre Sousa Lourenço (autor do sensacional Robô Esmaga) e também com o Mensur do Rafael Coutinho.

Putz, de cabeça é isso. Repito: certeza que esqueci muita coisa. Daí minha pergunta pra você: quais as grandes HQs publicadas no Brasil em 2016 até o momento?

MensurRafaelCoutinho