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Traduzir de pé: Érico Assis e a tradução de Intrusos, o primeiro álbum solo de Adrian Tomine publicado no Brasil

Intrusos é o primeiro álbum solo do quadrinista Adrian Tomine publicado no Brasil. O quadrinho lançado por aqui pela Nemo saiu originalmente em 2015, pela editora canadense Drawn & Quarterly, com o título Killing and Dying. Eu convidei o tradutor, pesquisador, jornalista e crítico Érico Assis, responsável pela tradução de Intrusos, para falar um pouco sobre a escolha do título nacional da HQ. Com vocês, Érico Assis:

Traduzir de pé, por Érico Assis

KILLING AND DYING.


MATAR E MORRER.

Ou MATANDO E MORRENDO.

Fácil de traduzir, né. Então, por que INTRUSOS?

Tem muita coisa em tradução que é fácil. Aqui não foi um caso.

A capa da edição brasileira de Killing and Dying, do quadrinista Adrian Tomine, publicada pela editora Nemo com o título Intrusos

Estou tão ou mais feliz que você que um álbum solo do Adrian Tomine vai sair no Brasil. Começaram pelo último, ok, mas sua missão é comprar dez exemplares e dar de presente. É assim que você convence a Nemo de que Shortcomings, Summer Blonde, Sleepwalk e outros valem a pena.

Mas por que este título? Porque tradução, às vezes, não é fácil. E por que é o título de um outro conto do mesmo álbum. Que é uma coleção de contos.

“Killing and Dying” também é o título de um dos contos de Intrusos. O conto trata de uma família – pai, mãe e filha – em que a filha quer ser comediante. Stand-up comedian, gente que faz “comédia de pé”. E como comediante a filha é, digamos, fraquinha.

Killing, na gíria do stand-up, tem sentido positivo: é quando a pessoa no palco está mandando bem, arrasando. “Matando” a plateia (de rir).

Dying, na gíria do stand-up, é o inverso: o ou a comediante é um fracasso. Vacilou, flopou. “Morreu” no palco.

Para complicar, o Tomine encaixou um duplo sentido em cima de dying: tem uma morte no conto. Ninguém mata (killing) ninguém, mas tem uma morte.

Então: Arrasos e Fiascos? Arrasou e Vacilou? Fulminadas e Mancadas?  E Tropeços? E Encalhadas? E Flopou?

Não gostei de nenhum. Nem os editores. Confesso que teve um momento em que eu defendi Matar e Morrer, e que o leitor juntasse os pontinhos com “matar de rir” e com a morte na trama. Não me convenci e também não convenci os editores, a Carol Christo e o Eduardo Soares. (O problema de trabalhar com editores bons é que eles são bons.)

Killing and Dying já tinha sido publicado em outros países, então fui atrás das soluções dos coleguinhas tradutores. Não é um recurso que eu uso muito – por falta de tempo e por falta de existência de edições estrangeiras – mas, neste caso, podia.

Vincenzo Filosa foi de Morire in Piedi na edição italiana. “Morrer de pé”. Parece boa jogada com “Comédia de Pé”… se uma parte significativa do leitorado brasileiro entendesse o termo “comédia de pé”, ou não falasse (como eu falo) “comédia de pé” com ironia escorrendo no cantinho da boca. Não rola.

A capa da edição italiana de Killing and Dying, do quadrinista Adrian Tomine

Aí descobri que os franceses – ou o tradutor Eric Moreau, no caso – foram de Les Intrus. “Os Intrusos”. É o título do último conto do álbum, “Intruders”. Quer dizer então que os franceses jogaram a toalha e resolveram batizar a coleção com o título de um conto diferente? Que espertinhos.

A capa da edição francesa de Killing and Dying, do quadrinista Adrian Tomine

Não foram os únicos. Raúl Sastre foi de Intrusos na Espanha. Björn Laser foi de Eindringlinge (Intrusos) na Alemanha. Parece que os franceses, que publicaram quase simultâneos com o original canadense/americano, lançaram moda.

A capa da edição espanhola de Killing and Dying, do quadrinista Adrian Tomine
A capa da edição alemã de Killing and Dying, do quadrinista Adrian Tomine

(Cabe aqui o comentário de que mudanças no título “fortes” como esta geralmente têm que passar por aprovação do autor ou da editora de origem. Não sei como foi neste caso e não me meti nessas negociações. [E nunca conversei com o Adrian Tomine.] Mas o fato de uma editora estrangeira ter conseguido mudar o título – ou três editoras, no caso – é sinal de que autor/editora original topam alterar o título.)

(Segundo a Drawn & Quarterly, a editora original, há também edições polonesa, chinesa e japonesa. Mas, destas, só consegui encontrar a capa da japonesa, que diz… Killing and Dying, em inglês.)

A capa da edição japonesa de Killing and Dying, do quadrinista Adrian Tomine

Resolvi seguir a moda. Mas não só pela moda. Em mais de uma resenha que eu li, “Intrusos” é considerado o ponto alto da coleção de contos, talvez o ponto alto da carreira de Tomine como contista, ou sua consagração como herdeiro do gekigá. O Douglas Wolk – não é qualquer crítico, é o Douglas Wolk – diz na resenha da Artforum que “Intrusos” podia ser o título da coleção porque todos os contos tratam, de certo modo, de homens de merda que atrapalham a vida de mulheres. Os intrometidos, os intrusos. Obrigado, Douglas Wolk.

Sim, Intruders podia ter sido o título original, só que Intruders é o nome de outros 142 livros, de um filme de terror recente com o Clive Owen e provavelmente de 7 pornôs. Killing and Dying é mais potente, sonoro, bonito e muito bem sacado para o conto que nomeia – mas só funciona com todos estes sentidos em inglês. Matar e Morrer seria potente, sonoro e bonito, mas não teria nada a ver com o conto.

Aliás, o conto segue na coleção e ganhou um título que veio de um dos editores, o Eduardo Soares (também tradutor experiente). Deixo para você mesmo descobrir quando comprar seus dez exemplares.

Trocar o título para Intrusos foi a melhor solução até onde minha capacidade como tradutor permite. Nada impede que você deixe um comentário logo abaixo com uma tradução genial de Killing and Dying, sonora, potente e com duplos ou triplos sentidos geniais que se encaixam no conto. Se for mesmo, você vai ouvir um TUNC: minha testa batendo na mesa.

Quadro de Intrusos, o primeiro álbum solo do quadrinista Adrian Tomine publicado no Brasil
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## Retrospectiva Vitralizado 2015: Adrian Tomine e Killing and Dying ##

Killing and Dying é a grande HQ impressa lançada nos Estados Unidos em 2015. Não consigo me conformar que o Adrian Tomine continue inédito no Brasil e seu mais recente lançamento torna essa situação ainda mais insólita. O álbum reúne algumas HQs previamente publicadas por Tomine em sua série Optic Nerve e outras inéditas. A história que dá título ao livro tem apenas 22 páginas, mostra uma adolescente tímida e com problemas de dicção que resolve iniciar uma carreira de comediante. O CHRIS WARE fez uma resenha da obra pro Guardian e resumiu: “Poucos trabalhos de arte em qualquer linguagem me fizeram chorar, mas os últimos quatro painéis de Killing and Dying conseguiram. É uma história que vai tão no cerne do lugar de onde as histórias surgem que é impossível que ela saia de lá sem deixar algumas marcas”. Leia logo, cara.

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Killing and Dying: a HQ do Adrian Tomine ganhou uma resenha do Chris Ware

O Guardian convidou o Chris Ware pra fazer uma resenha do Killing and Dying, livro novo do Adrian Tomine. Isso aí: o Guardian convidou o Chris Ware pra fazer uma resenha do Killing and Dying, livro novo do Adrian Tomine. Não vou repetir outra vez, beleza? Se eu fosse você, iria correndo lá pro site do jornal ler e reler o texto. Deixo uma previazinha traduzida só pra você sacar o tanto que o criador do Jimmy Corrigan gostou do trabalho mais recente do autor de Optic Nerve: “a quinta história, Killing and Dying, é provavelmente a melhor da coletânea e talvez a melhor história curta já escrita/desenhada em formato de quadrinho”. Ó o resto aqui.

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Adrian Tomine e os estudos de personagens de Killing and Dying

Acabei esquecendo de falar disso por aqui: o Adrian Tomine andou postando alguns sketches de seu próximo livro no Instagram, chegou a ver? Não entrega nada da história, mostra apenas alguns estudos de personagens. Besteira, mas que não é pouca coisa vindo de quem vem. Foram três dessa série até agora, esse aqui em cima e os dois a seguir. Killing and Dying chega às livrarias norte-americanas no início de outubro.

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Uma prévia de Killing and Dying, a nova HQ de Adrian Tomine

O próximo trabalho do Adrian Tomine chega às livrarias da América do Norte em outubro – já tinha postado a capa por aqui, lembra? A Drawn & Quarterly disponibilizou três páginas de Killing and Dying, vi lá no blog da Forbidden Planet. A HQ será lançada já com o aval da Publishers Weekly, que bancou o gibi como uma obra-prima. Cara, volto a perguntar: como o Tomine continua inédito no Brasil? Saca um pouco do que podemos esperar de Killing and Dying:

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Killing and Dying.: o novo quadrinho de Adrian Tomine

E ficou sabendo que a Drawn & Quarterly vai lançar em outubro um novo quadrinho do Adrian Tomine? O Victor que me avisou, depois que viu o post sobre as capas do Tomine pra In The City. Lá no site da New Yorker tem uma entrevistona com o Tomine, com ele falando sobre o conteúdo da obra, batizada de Killing and Dying., com direito a um preview do gibi. E no site da Drawn & Quarterly também tem um pouco mais sobre o quadrinho. Não entra na minha cabeça como o Tomine continua inédito em português. Sério que nenhuma editora brasileira vê potencial nos trabalhos dele por aqui? Ó a primeira página de Killing and Dying.:

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