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Literatura / Matérias

The Martian: um relato de sobrevivência em Marte

Nos meus primeiros dias em Londres vi no metrô uma propaganda sobre o livro The Martian, recém-lançado e de autoria do engenheiro de software norte-americano Andy Weir. Terminei de ler a obra em alguns poucos dias e entrevistei o autor. Descobri que o livro será lançado no Brasil em breve e que a Fox comprou os direitos de adaptação para cinema ou televisão. Transformei isso tudo em uma matéria publicada hoje no Estadão:

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Um relato de sobrevivência em Marte

Ficção científica criada por engenheiro de software faz sucesso na Nasa e deve virar filme pelos estúdios Fox

Ramon Vitral – Londres – Especial para O Estado de S.Paulo

O 17.º astronauta a pisar em Marte não poderia imaginar seu destino fatídico. Tido como morto por seus companheiros de missão, ele foi deixado no planeta vermelho com estoque limitado de alimento e sem qualquer forma de comunicação com a Terra. O engenheiro de software norte-americano Andy Weir também não imaginava que seu conto de ficção científica publicado em um site pessoal ganharia uma versão impressa por um dos maiores grupos editorias dos Estados Unidos e teria seus direitos para o cinema comprados pela 20th Century Fox.

The Martian (O Marciano, 385 páginas, US$15) chegou às livrarias dos Estados Unidos e da Inglaterra no início de fevereiro, pela Crown, um dos selos da Random House. O livro tem previsão de lançamento no Brasil no segundo semestre de 2014, pela Editora Arqueiro, sem nome e preços definidos.

Os primeiros boatos sobre o filme ligam o roteirista de Guerra Mundial Z, Cloverfield e do seriado Lost, Drew Gorddard, à direção. Mais recentemente, sites norte-americanos especializados em bastidores de Hollywood cogitaram que o ator Matt Damon poderia protagonizar a produção.

“Eu postava cada um dos capítulos no meu site. Então resolvi publicar na Amazon para as pessoas lerem mais facilmente em seus e-readers. Vendeu muito bem e isso chamou a atenção da editora”, explica Andy Weir em entrevista por e-mail.

Ainda trabalhando em tempo integral como engenheiro, Weir tem recebido críticas bastante positivas por seu primeiro romance. “Essa é uma ficção científica em um nível que nem mesmo Arthur C. Clarke chegou”, exaltou o diário nova-iorquino The Wall Street Journal em referência a um dos cânones do gênero, o autor de 2001: Uma Odisseia no Espaço, morto em 2008.

Em seguida à entrevista ao Estado, Weir publicou em sua página no Facebook que as próximas semanas seriam as últimas nas empresa de computação na qual trabalhou nos últimos anos. “Tenho uma oportunidade para trabalhar com o emprego dos meus sonhos e preciso arriscar. Caso contrário, eu me arrependeria pelo resto da minha vida”, avisou na rede social.

Estratégia. O livro de Andy Weir é contado a partir dos registros do protagonista em seu computador pessoal. Já consciente após ser atingido por uma tempestade de areia, o engenheiro mecânico Mark Watney retorna ao acampamento da segunda missão tripulada da Nasa a Marte. Com ração para apenas 50 dias e 300 litros de água, o herói passa a pensar uma estratégia para sobreviver até a próxima viagem da Nasa ao planeta, em aproximadamente quatro anos.

As soluções mirabolantes criadas pelo engenheiro Mark Watney para tentar resistir até o retorno de uma nave terrestre são um dos pontos altos do livro.

Na internet, Andy Weir foi celebrado pelo bom uso de seus conhecimentos científicos no romance e foi respaldado por empregados da própria agência espacial americana. “Recebi vários e-mails de funcionários da Nasa que gostaram bastante”, conta o engenheiro de software.

Na entrevista abaixo, o autor contou ter criado um programa de computador para simular a rota mais precisa entre a Terra e Marte presente em sua obra.

Entrevista. Andy Weir, engenheiro de software e escritor independente.

‘Sempre fui fã de viagens espaciais’

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Como surgiu a ideia do livro?

Estava imaginando como seria uma missão tripulada a Marte. Passei a considerar todas as formas possíveis de tudo dar errado e como a tripulação agiria. Percebi como essas vá- rias falhas poderiam resultar em uma história bastante inte- ressante. Depois levei três anos para escrever.

Sua formação como engenheiro ajudou na produção do livro?

Sempre fui grande fã de viagens espaciais tripuladas, en- tão comecei a escrever já com um enorme conhecimento da área. A partir daí fiz uma pesquisa enorme. Minha profissão também fez muita diferença. Eu precisei criar alguns programas de computação que simulassem a órbita do percurso que os astronautas fazem entre a Terra e Marte e depois o caminho de volta.

Como o livro acabou sendo publicado por uma grande editora?

Inicialmente eu postava cada um dos capítulos no meu site. Então resolvi publicar na Amazon para as pessoas lerem mais facilmente em seus e-readers. Vendeu muito bem e isso chamou a atenção dos editores da Crown, uma divisão da Random House.

E o quanto você precisou pesquisar além dos seus conhecimentos?

Gastei um tempo enorme fazendo pesquisas e toda a matemática do livro, mas eu gosto desse tipo de coisa, então não foi um problema pra mim. Para cada novo problema que o Mark enfrentava eu tentava encontrar a solução.

Depois que o livro foi lançado você parou de trabalhar como engenheiro?

Ainda estou trabalhando em tempo integral como engenheiro. Caso consiga um adiantamento para o próximo livro, pretendo largar o emprego e viver apenas como escritor.

Sobre o que será esse segundo livro?

Será uma ficção científica intensa, como The Martian.

Você soube de alguém da Nasa que tenha lido o livro?

Não soube de qualquer comentário oficial da Nasa sobre o livro, mas recebi vários e-mails de funcionários.

Entrevistas / HQ / Matérias

Amazon/ComiXology, David Lloyd e webcomics brasileiros

AcesWeekly

Entrevistei o David Lloyd, co-autor de V de Vingança, e alguns quadrinistas e editores brasileiros pra falar sobre o mercado de webcomics e da compra da ComiXology pela Amazon. A matéria  e a entrevista foram publicadas no Link do Estadão de hoje:

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Chegada da Amazon no mercado de quadrinhos digitais empolga autores

Novo capítulo. Comprada pela gigante do comércio eletrônico, loja virtual ComiXology vendeu 4 bilhões de páginas de HQs em 2013; para os profissionais do meio, negócio é o mais recente e categórico indício do potencial de um mercado virtual de gibis

Ramon Vitral
Especial para O Estado

Há algo em curso no mundo dos quadrinhos virtuais. O consumo gratuito de gibis na internet reina soberano, mas autores e editores de HQs digitais operam em várias frentes para passar a lucrar com seus conteúdos. A compra da loja digital de quadrinhos ComiXology pela Amazon na primeira semana de abril foi o mais recente e categórico indício do potencial de um mercado virtual de gibis.

“Quadrinhos digitais ainda não são rentáveis, pois a internet está cheia de coisa anteriormente impressa disponível de graça”, afirma ao Link o desenhista britânico David Lloyd. Ilustrador do clássico V de Vingança, o artista lançou no final de 2012 o projeto Aces Weekly, um portal dedicado à venda de obras exclusivamente digitais.

“Vendemos quadrinhos de qualidade feitos por autores de qualidade, e esperamos dar a eles algum retorno constante. Se acontecer, podemos tornar a publicação de quadrinhos digitais tão bem sucedida quanto a impressa e os autores seriam os principais beneficiários”, explica Lloyd. A assinatura de sete semanas do projeto custa US$9,99 e ao final do período o leitor terá uma coletânea de 210 páginas de diferentes histórias. Até o momento estão disponíveis 10 volumes de quadrinhos.

Após quase dois anos de experiência com o Aces Weekly, Lloyd conta que o projeto demanda mais envolvimento do que ele previa. “Estamos conseguindo manter e tentando crescer o mais rápido possível. Mas não é fácil de administrar pessoalmente como eu imaginei que fosse. É um trabalho em tempo integral.”

No Brasil, Lloyd tem a companhia de outras iniciativas semelhantes. No ar desde janeiro de 2014, o Mais Gibis vende quadrinhos nacionais e estrangeiros em formato semelhante ao da ComiXology, em arquivos PDF, CBR ou CBZ. Os preços variam entre R$ 6,90 e R$ 1. “Estamos falando de um mercado muito recente, que vai das dezenas a, no máximo, (poucas) centenas de “compras”, mesmo de títulos gratuitos”, conta o fundador e editor do site, Fabiano Denardin. No catálogo do Mais Gibis constam títulos ingleses publicados pela editora britânica 2000 AD e editados em português pela Mythos Editora, como Juiz Dredd.

O site de Denardin está dividido em cinco segmentos, separados entre editoras e publicações independentes. “Até agora, nos três primeiros meses de operação, já foram baixadas mais de mil HQs do site. A esmagadora maioria dos downloads ainda é gratuita. As HQs pagas são uma porcentagem bem menor, mas a tendência é de crescimento”, diz o editor.

Bônus. Sócio da Balão Editorial e editor de títulos disponíveis para compra online, Guilherme Kroll ressalta que o gosto dos quadrinistas pelo formato é um incentivo. “Muitos já publicavam parcialmente versões gratuitas das HQs que editamos em seus blogs e sites.”

Segundo ele, a compra feita pela Amazon no início do mês é reveladora em relação ao potencial do mercado. “A Amazon tem um perfil de comprar e assimilar, então acho que a ComiXology se tornará uma parte integrante da corporação. Isso implica que o modelo de venda de quadrinhos que a ComiXology tinha era bom, rentável o bastante para interessar a Amazon. Resumindo, significa que há dinheiro para ser ganho nesse mercado”, diz.

No entanto, Kroll ressalta que os ganhos com as versões digitais ainda são pequenos. “Essencialmente, o projeto é rentável, especialmente porque os livros tiveram um custo de produção para o impresso que deve ser pago pelas suas versões impressas. As vendas de digital acabam sendo um bônus muito bem-vindo.”

Entusiasta da produção e do consumo de webcomics, o quadrinista carioca André Diniz levanta outras questões sobre a mais recente aquisição da empresa de Jeff Bezos. “Imagino como resultado disso uma facilidade maior de autores independentes publicarem na ComiXology. E, talvez, haja um investimento maior no formato de produção, leitura e vendas de HQs digitais. Mas é sempre preocupante ver os mercados se concentrando cada vez mais nas mãos das mesmas empresas”, pondera.

Formação de público. Assim como David Lloyd, Diniz acredita que um dos pontos positivos da venda de gibis digitais está na mudança da relação entre o autor e sua obra. “Ao criar o meu site tive as seguintes questões: como tornar a leitura perfeita em telas de diferentes tamanhos, desde o monitor tradicional, passando pelos tablets de diferentes tamanhos e chegando aos celulares pequenos? Como fazer algo contínuo, mas ao mesmo tempo acessível aos leitores que tomarem conhecimento das HQs lá pelo capítulo 50? Como fidelizar esse leitor e levá-lo a buscar outras obras minhas? Como conciliar qualidade e rapidez de produção? E por aí vai.”

Para o autor, o momento atual do mercado de gibis digitais é de formação de leitores. “O público é pequeno ainda. É uma nova cultura que está se formando. Mas veio pra ficar, não como algo que vá substituir o modelo antigo, mas como mais uma opção”, aposta.

Indicado ao prêmio HQMIX 2014 nas categorias “Novo Talento – Roteirista” e “Publicação Independente”, o pesquisador Liber Paz lançou seu As Coisas que Cecília Fez em versão impressa e depois colocou à disposição para compra pela internet no Mais Gibis. Ele lembra o único aspecto no qual os gibis à venda online não podem suprir: “Embora o formato digital tenha muitas vantagens, entre elas o custo de produção gráfica, penso que o impresso ainda tem um aspecto único de permanência, de materialidade”.

‘O futuro é digital e oferece boas perspectivas’

Criador de plataforma para venda de HQs digitais, David Lloyd vê ‘desperdício’ na impressão e quer controle na mão dos quadrinistas

Ilustrado por David Lloyd e roteirizado por Alan Moore, V de Vingança foi lançado em 1982 e a máscara de seu protagonista virou símbolo de resistência e luta. Hoje, o objetivo de Lloyd com seu Aces Weekly é oferecer uma alternativa ao mercado de quadrinhos impresso dominado por super-heróis e pela falta de empreendedorismo dos autores. O Link falou com ele por e-mail.

Como surgiu o Aces Weekly?

Era uma forma fácil de publicar e também de vender quadrinhos. Há tanto desperdício e custos desnecessários em impressão. Estamos no século 21, não precisamos imprimir porque temos computadores. Deveria significar uma revolução o fato do artista ser livre para publicar material e usar plataformas simples para chegar à sua audiência sem obstáculos.

Há muitos quadrinhos digitais publicados de graça. Por que as pessoas pagariam para ler?

Essa é a falha principal. Quadrinhos digitais ainda não são rentáveis pois a internet está cheia de coisa anteriormente impressa disponível de graça. Ou então por webcomics gratuitos, pois seus criadores estão preocupados em exposição. Esperamos dar aos autores algum retorno constante. Se acontecer, podemos tornar a publicação de HQs digitais tão bem sucedida quanto a impressa. Assim, os criadores seriam os principais beneficiados.

A internet é a principal diferença do seus primeiros anos como quadrinistas e hoje?

Sim. A posse, o controle da distribuição e da apresentação e a ausência de problemas da impressão tornam o formato muito atraente. O futuro é digital – e ele oferece boas perspectivas para os autores, só depende deles quererem.

Cinema / HQ / Marvel / Matérias

A Arte dos Super-heróis Marvel

Fui a Paris para a abertura da exposição A Arte dos Super-heróis Marvel, no museu Art Ludique. A mostra reúne artes originais de várias épocas da editora, assinadas por gênios como Jack Kirby e Steve Ditko, e também artefatos e peças dos filmes da Marvel Studios. Escrevi sobre a minha visita pro Estadão e adiantei um pouco do que podemos esperar nos próximos filmes do estúdio. Segue a matéria:

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Figuras de museu

Personagens dos quadrinhos criados pelo americano Stan Lee são tema de exposição na França

Ramon Vitral – Paris – Especial para O Estado de S. Paulo

Aos 91 anos, Stan Lee tem um sonho. Criador do Homem-Aranha, X-Men, Vingadores e a maioria dos demais coprotagonistas do Universo Marvel, o quadrinista norte-americano já viu seus personagens ganharem versões animadas, virarem brinquedos e games e dominarem as principais bilheterias do mundo com uma série aparentemente inesgotável de adaptações para os cinemas. O sonho de Stan Lee, agora, é ver suas criações ocuparem um museu e ele poderá ser realizado caso o autor visite Paris até o dia 31 de agosto, data de encerramento da exposição L’Art des Super-Héros Marvel (A Arte dos Super-heróis Marvel), em cartaz no museu Art Ludique e visitada pelo Estado na véspera da abertura para o público.

“Já vi estátuas de Apolo, Sansão e Júpiter em museus, então imagino que um dia também possa haver do Thor, Capitão América, Homem de Ferro, Tocha Humana, Hulk…”, diz o artista no vídeo de abertura da exposição. Ele é exibido na primeira das sete salas da exposição, dedicada à mais recente produção do braço cinematográfico da Marvel Comics, Capitão América 2: O Soldado Invernal. Além do depoimento de Lee, o espaço é ocupado por artes originais datadas de 1941, ano da criação do personagem por Jack Kirby (1917-1994) e Joe Simon (1913-2011), artes mais recentes de edições protagonizadas pelo herói, storyboards e estudos de cenas para o cinema e objetos das produções. Além de uma arma usada pelo exército do Caveira Vermelha no filme de 2011, está exposta a moto do Capitão e um dos objetos mais concorridos do evento: um dos escudos utilizados no segundo filme.

Os outros espaços seguem o mesmo padrão, contrapondo ilustrações originais em preto e branco de histórias em quadrinhos da Marvel com grandes impressões coloridas de alguns clássicos e outros artefatos dos filmes. A segunda sala é dividida entre os Vingadores e o Quarteto Fantástico. É o ambiente com maior destaque dado às artes originais, com várias páginas de obras ilustradas por Kirby. O desenhista deu forma à maioria das concepções de Stan Lee e virou a referência para a estética dos quadrinhos da Marvel desde então. Também estão expostos o primeiro molde da máscara do Capitão América para o filme dirigido por Joe Johnston, um dos capacetes utilizados por Robert Downey Jr. na trilogia do Homem de Ferro e um primeiro modelo para o uniforme de Thor no cinema.

Na outra sala, os X-Men dividem espaço com o Homem de Ferro. As páginas expostas apresentam os traços inacabados de outros artistas que ajudaram a conceber alguns dos enredos levados para os cinemas. Responsável pela arte de uma das fases mais aclamadas dos heróis mutantes, inclusive o arco de histórias que deu origem ao próximo filme dos personagens (X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido), o ilustrador inglês John Byrne tem vários de seus trabalhos emoldurados nas paredes. No espaço do alter ego de Tony Stark, uma versão em três dimensões do Homem de Ferro apresenta um dos primeiros testes do visual que seria levado aos cinemas a partir de 2008.

Na sala dedicada ao Deus do Trovão estão algumas armas utilizadas pelos vilões de Thor: O Mundo Sombrio e uma miniatura dos primeiros testes para o trono de Odin. Em seguida, há uma galeria com ilustrações clássicas de heróis urbanos, como Homem-Aranha, Demolidor, Punho de Ferro e Justiceiro. São apresentadas ilustrações originais de artistas importantes nas histórias dos personagens ao longo de várias décadas. Nomes conhecidos por fãs, como John Romita, Steve Ditko, Todd McFarlane, Sal Buscema e Frank Miller.

O sexto ambiente é reservado quase exclusivamente aos filmes da Marvel Studios. Além da reprodução do storyboard que deu origem à cena do ataque à mansão de Tony Stark em Homem de Ferro 3, há uma homenagem aos três principais artistas responsáveis pelos estudos que dão origem ao visual das versões cinematográficas da Marvel, Ryan Meinerding, Ady Granov e Charlie Wen. No mesmo espaço estão expostos o martelo de Thor e uma estrutura idêntica a uma presente em uma cena de Capitão América 2, com o uniforme do herói acompanhado das vestimentas de sua equipe na 2ª Guerra Mundial, o Comando Selvagem.

Mostra aponta o futuro das franquias no cinema

A última sala da exposição no museu Art Ludique é reservada a alguns dos heróis menos populares da editora, mas protagonistas da investida mais ousada da Marvel Studios nos cinemas. Os Guardiões da Galáxia foram criados por Dan Abnett e Andy Lanning em 1969 e a equipe é composta apenas por personagens desconhecidos: Star-Lord, um terráqueo filho de um Rei alienígena; Gamora, filha de Thanos (o vilão que aparece sorrindo no final de Os Vingadores); Groot, uma árvore com vocabulário limitado a apenas “Eu sou Groot”; Drax, O Destruidor, um guerreiro capaz de fazer frente ao Hulk; e Rocket Racoon, um guaxinim super inteligente e com tendências homicidas.

O primeiro encadernado da série mais recente do grupo foi impresso com seu título acompanhado da frase: “Os Vingadores cósmicos”. Agendado para estrear em julho de 2014 no Brasil, o filme é dirigido por James Gunn e protagonizado por Chris Pratt (Star-Lord), Bradley Cooper (a voz de Rocket Racoon) e Vin Diesel (dublando o pouco articulado Groot). O filme será o último antes da estreia da Os Vingadores 2 – A Era de Ultron, capítulo final da segunda fase da Marvel Studios no cinema. A primeira foi iniciada em 2008, com o primeiro Homem de Ferro e terminou em Os Vingadores e, para a terceira, estão previstos um novo Thor, outro Capitão América, mais Guardiões da Galáxia, um terceiro Vingadores e a estreia do Homem-Formiga no cinema – com Michael Douglas e Paul Rudd vestindo o uniforme do herói.

Além de artes conceituais da pré-produção de Guardiões da Galáxia, a sala do personagem era composta por artes das mais recentes edições da equipe, com formação completamente diferente dos primeiros gibis do grupo. No meio do espaço e encerrando a exposição, um impressionante busto do personagem Groot. 

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Entrevistas / HQ / Matérias

Papo com Jeffrey Brown

Entrevistei o quadrinista Jeffrey Brown e nossa conversa foi publicada hoje no Caderno 2 do Estadão. Ele acabou de lançar seu mais recente trabalho, Kids Are Weird, sobre as várias perguntas estranhas e hábitos pouco usuais de seu filho pequeno. É dele o álbum Darth Vader & Son, ainda inédito no Brasil, um dos maiores blockbusters de quadrinhos de 2012. Apesar do sucesso com os trabalhos ambientados no universo Star Wars, ele continua produzindo outras obras sensacionais sobre relacionamentos, vida, morte, paternidade, religião e sexo. Só clicar na imagem pra ver o pdf da matéria:

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A força está com o cartunista Jeffrey Brown
O autor norte-americano lança gibi autobiográfico após sucesso com a famosa série ‘Star Wars’

Ramon Vitral – Londres – Especial para O Estado de S.Paulo

O quadrinista norte-americano Jeffrey Brown nunca escreveu sobre aventuras cósmicas de super-heróis, mas cruzar entre universos tem sido uma constante em sua carreira recente. Autor independente de histórias autobiográficas sobre relacionamentos, religião, emprego e dramas existenciais, ele virou artista best-seller em 2012 ao lançar o quadrinho Darth Vader and Son (Darth Vader e Filho). Protagonizado pelo capanga-mor do Império Galáctico e seu filho Luke Skywalker, o álbum é baseado na rotina de Brown com seus dois filhos pequenos e mostra uma versão infantil do herói Jedi acompanhando seu pai em passeios pelo zoológico ou em uma loja de brinquedos.

Após mais dois gibis ambientados no universo criado pelo cineasta George Lucas, Brown está de volta às suas origens em Children Are Weird (Crianças São Estranhas, 108 páginas, Chronicle Books, US$11,53). Recém-lançado nos Estados Unidos e na Inglaterra, o quadrinho retoma os enredos autobiográficos do autor, mas dessa vez com histórias protagonizadas por seu filho mais velho, Oscar.

“Por mais verdadeiras que as histórias sejam, ainda há partes delas que permanecem comigo, que eu não preciso compartilhar”, explica o ilustrador e escritor de 39 anos sobre a veracidade de suas tramas, em entrevista ao Estado. Segundo ele, 2014 promete ser um dos anos mais agitados de sua vida, com mais dois lançamentos dedicados a Star Wars e outro sobre seus filhos, além de seu emprego como professor de pintura e ilustração no Instituto de Artes de Chicago, sua cidade natal.

Mesmo fã das aventuras do clã Skywalker, Brown conta não ter esperado a tamanha repercussão que seu trabalho com a série de filmes ganhou. O sucesso das vendas de Darth Vader and Son contribuiu para o lançamento de outros dois trabalhos. Vader’s Little Princess (A princesinha de Darth Vader) é sobre o relacionamento do vilão com sua passional filha Leia. Já Jedi Academy (Academia Jedi) mostra um jovem aspirante a cavaleiro Jedi em sua rotina com mestres como Yoda. Em julho, ele lança Jedi Academy 2 e Good Night Darth Vader, com as histórias que Darth Vader conta para Luke e Leia dormirem.

Também diretor do clipe da música Your Heart is an Empty Room, da banda indie Death Cab for Cutie e ainda inédito no Brasil, Brown falou sobre as origens de seu trabalho com os personagens de George Lucas, os vários gêneros de suas obras e a produção de outros artistas independentes de sua geração.

As prateleiras dedicadas aos seus trabalhos nas lojas de quadrinhos reúnem seus gibis independentes com os trabalhos de Guerra nas Estrelas. São universos muito extremos?

Não acho, para mim há muitas semelhanças no que diz respeito à audiência e aos temas. São ambos muitos pessoais, mesmo nos livros de Star Wars, acabo desenhando minhas próprias experiências. Sinto que todo trabalho que faço reflete minha personalidade e meus sentimentos, tenham eles um tom mais sério ou então mais cômico e divertido.

Seu trabalho autobiográfico expõe muito de sua história. O que você sente quando vê outras pessoas lendo seus quadrinhos?

Tento não pensar no que elas estão lendo, quais detalhes íntimos estão descobrindo. Ao mesmo tempo, não é algo que me preocupa ou me deixa desconfortável, já que o mesmo processo de usar essas histórias reais para expressar ideias, de adaptar as memórias para o formato dos quadrinhos, é aquele que também transforma essas histórias em outra coisa. E, por mais verdadeiras que as histórias sejam, ainda há partes delas que permanecem comigo, que não preciso compartilhar.

E o que as pessoas retratadas nos seus livros acham de estarem lá? Alguém já não gostou de virar um personagem?

Na verdade, não. Até aconteceu, mas era mais uma questão de como elas acharam que estavam sendo retratadas, mas sempre em aparições menores, com nada pessoal ou embaraçoso sendo exposto. A maioria das pessoas que compõem minhas histórias entende, acho, que não estou tentando escrever sobre elas, mas sobre emoções, eventos e coisas que vivenciamos.

Lendo os seus trabalhos em ordem cronológica, é possível acompanhar as várias mudanças pelas quais sua vida passou. Quais as principais transformações seu trabalho até hoje?

Acho que a principal mudança foi eu mudar meu foco adolescente, em amor romântico em juvenil, para família e realizações pessoas. Me tornei mais interessado em dar aula e acabo pensando num cenário maior que as emoções imediatas relacionadas a um determinado evento. Espero que as histórias que conto hoje façam sentido em um contexto mais amplo, relacionado com mais do mundo.

Como começou seu trabalho com a série Star Wars?

Fui procurado pelo Ryan Germick, chefe da equipe responsável pelas ilustrações da homepage do Google. Ele me perguntou se eu poderia fazer uns rascunhos para uma possível ilustração do Dia dos Pais, eles queriam alguma coisa mostrando como seria esquisito um momento cotidiano entre pai e filho vivenciado por Darth Vader e Luke Skywalker. O Google acabou usando uma ideia diferente, mas fiquei com as ilustrações e transformei em Darth Vader and Son.

Esperava tal repercussão?

Agora já lancei três livros de Star Wars, com mais três a caminho e alguns itens extras, como cartões postais e diários. Eu achava que o primeiro livro venderia bem por ser Star Wars, mas não imaginava que teria a resposta positiva que teve. Não esperava especialmente as reações das crianças e o tanto que elas amam os livros.

É famoso o controle que os donos da marca Star Wars tem em relação aos produtos relacionados a ela. Como foi trabalhar com esses personagens e até onde ia sua liberdade criativa?

De certa forma, tive muito pouco controle, pois a LucasFilm tem a palavra final em tudo e eles são muito envolvidos em todas as etapas, do conceito à versão final. Felizmente, eu e meus editores sempre estivemos na mesma sintonia, e sinto que eles confiaram na forma como eu queria escrever e desenhar os livros. No final, os livros acabam melhores com o retorno que recebo da LucasFilm e o nosso relacionamento tem sido bastante tranquilo para mim.

Mas os livros de Star Wars também têm aspectos autobiográficos?

Darth Vader and Son é, de alguma forma, bastante autobiográfico. Estou apenas pegando as minhas histórias como pai e substituindo pelo Luke e o Darth Vader Acredito que essa é uma das razões para o sucesso dos livros. Eles são tanto sobre encontrar humor nos desafios diários dos pais quanto sobre Star Wars.

E os próximos trabalhos?

2014 vai ser um ano bastante agitado. Meu primeiro trabalho vai ser Kids Are Weird, com lançamento em março. Depois vem Goodnight Darth Vader e Jedi Academy 2, no final de julho. Então são vários Star Wars mais uma vez, mas estou tentando produzir mais um autobiográfico, dessa vez sobre as coisas estranhas e engraçadas que o meu filho mais velho diz.

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Cinema / Matérias

As fotografias de fábricas de David Lynch

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Escrevi pro Estadão de hoje sobre a exposição de fotografia do David Lynch na Photographer’s Gallery aqui de Londres. São apenas imagens em preto e branco dedicadas a fábricas abandonadas, uma das paixões do diretor. Conversei com a curadora da exposição e ela me contou sobre a semana que passou no estúdio do David Lynch, em Los Angeles, selecionando as fotografias. Só clicar na imagem pra ver o pdf da página. Segue a matéria:

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As ruínas de David Lynch

Exposição em Londres reúne 90 fotografias feitas pelo cineasta ao longo dos últimos 30 anos

Ramon Vitral – Londres – Especial para O Estado de S.Paulo

Uma série de noventa fotografias em preto e branco de fábricas antigas e decadentes ocupa o quinto andar da The Photographer’s Gallery de Londres até o dia 30 de março. O ambiente lembra a abertura do seriado Twin Peaks, com as imagens das estruturas em ruínas acompanhadas por uma trilha sonora tão macabra quanto a assinada pelo compositor Angelo Badalamente para o programa sobre a investigação da morte de Laura Palmer. As semelhanças são consequência do autor das imagens e da música da exposição, o cineasta David Lynch, responsável por Twin Peaks e por filmes como Cidade dos Sonhos (2001), Veludo Azul (1986) e O Homem Elefante (1980).

“Terminei a seleção após passar uma semana no estúdio do David Lynch”, conta em entrevista ao Estado a curadora da mostra David Lynch: The Factory Photographs, a alemã Petra Giloy-Hirtz. Além das 90 imagens em exibição, outras 60 compõe o livro de mesmo título lançado em janeiro pela editora alemã Prestel. “Eu acho que ele gostou das minhas escolhas, mas depois separou algumas das imagens favoritas dele e pediu que eu as incluísse no material que formaria a exposição”, explica. Já a música ambiente é a canção Station. Com quase 13 minutos, ela foi composta pelo próprio Lynch para uma retrospectiva francesa de suas pinturas, realizada em 2007, e é tocada em looping na galeria londrina.

Viagem. As fotografias de Lynch apresentam fábricas inglesas, americanas, polonesas e alemãs, fechadas ou funcionando parcialmente, mas todas bastante distantes de suas épocas de glórias. Sem qualquer presença de homens ou animais, as imagens focam em espelhos quebrados, máquinas desligadas e na grandiosidade das estruturas. Segundo Giloy-Hirtz, a coleção das imagens começou no início da década de 80, quando o diretor foi ao norte do Reino Unido para estudar o ambiente industrial da Inglaterra Vitoriana durante a pré-produção do filme O Homem Elefante, narrado durante o período.

No entanto, como lembra o próprio diretor em depoimento na abertura do livro, sua paixão por máquinas já existia antes e pode ser percebida nos cenários de diversos de seus filmesdo inícioda carreira, como o surreal Eraserhead, de 1977. Em seguida veio O Homem Elefante, Duna e Twin Peaks, todos repletos de ambientes industriais decadentes. O tema também está presente em algumas das pinturas e ilustrações do cineasta, assim como em seu musical de 1990, Industrial Symphony nº1, protagonizado por Nicolas Cage e Laura Dern.

De acordo com a curadora, as imagens expostas também evocam um outro elemento bastante comum na filmografia de Lynch, presente em filmes como Veludo Azul (1986), Cidade dos Sonhos (2001) e Império dos Sonhos (2006), além de Twin Peaks.“Os fãs em especial vão reconhecer uma assinatura dele: as imagens surreais com conteúdo, sombras e clima lembrando partes de sonhos.” A curadora explica que ainda não há planos para levar as fotos para o Brasil, mas ela não descarta a possibilidade: “É uma ideia fantástica”.

Entrevista. Petra Giloy-Hirtz, curadora alemã

‘Ele captura uma época em extinção’, diz curadora

Para ela, ao retratar histórias de destruição, desaparecimento e perda, cineasta também está em busca de certa magia

Quando ficou sabendo da existência da coleção de fotos de fábrica de David Lynch, Petra Giloy-Hirtz entrou em contato com o diretor para saber mais sobre os registros.

A partir do primeiro contato, veio o convite para a curadora visitar o estúdio do diretor e pesquisar as imagens presentes em seu arquivo. A viagem aos Estados Unidos resultou na exposição e no livro David Lynch: The Factory Photographs, projetos sobre os quais ela fala na entrevista a seguir.

Como você ficou sabendo das fotos? O David Lynch não gosta de falar muito sobre elas.
O David Lynch ama essas fotos e tem se dedicado ao tema “fábricas” nas últimas três décadas. No entanto, sim, ele não gosta de falar sobre isso, apesar de convidar as pessoas a escutar: “Todos os trabalhos ‘falam’ com você”, ele costuma dizer, “e se você escutar, ele vai te levar para lugares que você nunca sonhou”. Eu fiquei impressionada com algumas das imagens que tinha visto e quis descobrir se existiam outras. Tive a oportunidade de visitar o David Lynch no estúdio dele em Hollywood e, sim, existiam várias.

Quanto tempo levou a seleção dessas imagens?
Terminei o trabalho após passar uma semana no estúdio dele, selecionando as 150 fotografias do livro, incluindo na conta as 90 que fariam parte da exposição. Eu acho que o David gostou das minhas escolhas, mas depois ele acrescentou algumas favoritas dele. Mais tarde, quando dei o livro de presente, tive a sensação de que ele ficou bastante feliz.

Como você interpreta essa relação dele com as fábricas em ruínas?
Há muitas facetas e camadas de significados nessas lindas fotografias. O que você sente é que ele ama fábricas: “Sou surtado com indústrias e fábricas”, ele diz quando perguntamos sobre o seu fascínio por elas. Como um poeta fotográfico, ele está capturando uma época em extinção, está contando histórias de destruição, de desaparecimento e perda. Mas quando ele volta o olhar para os resquícios desse mundo perdido e desabitado de terra desolada, ele também está procurando a mágica. Ele está em constante busca por um estado de espírito.

Quais detalhes e aspectos dessas fotos você acha mais interessantes?
A tamanha percepção estética, a paixão pelo belo, pelo sombrio, por algo que é mágico e misterioso. Os fãs em especial vão reconhecer uma assinatura dele: as imagens surreais com conteúdo, sombras e climas lembrando pedaços de sonhos. Os ambientes sobrenaturais,as metamorfoses desses lugares e a obsessão com máquinas: tudo isso me lembra dos aspectos labirínticos, enigmáticos e ameaçadores de alguns dos filmes dele. De certa forma, estes são os cenários perfeitos para você criar sua própria história.

Há algum plano de levar a exposição para o Brasil?
Ainda não. Mas é uma ideia fantástica levar as fotografias para o Brasil.

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A saga de Miracleman

Entrevistei o editor do Bleeding Cool, Rich Johnston, o autor da biografia não autorizada do Alan Moore, Lance Parkin, o responsável pela provável última entrevista do autor de Watchmen, Pádraig Ó Méalóid, e um dos editores da Marvel no Brasil, Levi Trindade, pra falar do relançamento de Miracleman. A matéria saiu hoje, no Caderno 2 do Estadão. Só clicar na imagem pra ver a página do jornal. A íntegra da matéria tá logo em seguida.

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A saga de Miracleman

Obra-prima de Alan Moore retorna às bancas após 25 anos sem ser impressa.

Ramon Vitral – Londres – Especial para O Estado de S.Paulo

“Kimota!” – grita um jovem jornalista ao descobrir que o mundo é invadido por vilões do futuro. Um raio atinge o rapaz, ele vira o herói conhecido como Miracleman e parte em defesa da humanidade. Opa. O grito não era “Shazam!” e o herói, o Capitão Marvel? A versão britânica do personagem da DC Comics era apenas um plágio até passar a ser roteirizada pelo escritor mais celebrado dos quadrinhos mundiais, Alan Moore, em 1981. O personagem ganhou personalidade própria, estrelou uma das obras-primas do gênero de super-heróis e suas aventuras estiveram inéditas nos últimos 25 anos. Mas as histórias ganharam novas versões impressas no final de 2013 e é prometida para chegar às bancas brasileiras “o mais breve possível”, segundo os editores nacionais.

“É um clássico que transformou o gênero”, explica ao Estado o editor do principal site de notícias de quadrinhos do mundo, Bleeding Cool, o jornalista inglês Rich Johnston. Segundo ele, as edições de Miracleman assinadas por Moore são ainda mais impressionantes que seu trabalho em Watchmen: “Miracleman é provavelmente sua melhor história de super-heróis”.

O retorno do personagem às lojas especializadas marca o fim de uma batalha jurídica de duas décadas de duração vencida pela Marvel Comics e o escritor de Sandman, Neil Gaiman. No entanto, as origens do personagem em 1954 surgem de outra disputa: considerado plágio do Super-homem, o Capitão Marvel teve sua revista cancelada nos Estados Unidos e na Inglaterra. Insatisfeitos, os britânicos deram novos nomes, uniformes e uma continuidade própria ao personagem. “Shazam!” virou “Kimota!”, Billy Batson passou a ser Micky Moran e os coadjuvantes também foram rebatizados.

Em 1981, Moore assumiu o roteiro da fase hoje sendo republicada. “Foi a primeira tentativa de imaginar o que realmente aconteceria caso heróis existissem no mundo real e provavelmente ainda é o melhor exemplo desse conceito”, conta o jornalista irlandês Pádraig Ó Méalóid, especialista na obra do escritor.

O enredo das histórias de Moore mostram o protagonista já adulto, sonhando com um passado no qual podia voar e tinha superpoderes. Aos poucos, o sonho começa a parecer realidade e suas habilidades retornam.

Após a editora que publicava a série na Inglaterra falir, Moore pôde encerrar suas histórias em uma editora dos Estados Unidos. A fase foi sucedida por Neil Gaiman, que não conseguiu concluir seu trabalho após a nova empresa também fechar as portas. Desde então, o final está em aberto após anos de disputas sobre os direitos do herói contra a Image Comics, que comprou o personagem da detentora anterior dos direitos.

“É a fase mais aguardada pelos fãs, escrita pelos dois maiores autores britânicos. Tudo será recolorizado e reletreirado. E é com grande entusiasmo que o público recebeu a notícia de que Neil Gaiman concluirá a história que deixou incompleta”, conta o futuro editor do título no Brasil, Levi Trindade.

Créditos incompletos. No expediente das duas edições de Miracleman publicadas até o momento pela Marvel, ao lado do nome do ilustrador Garry Leach, é creditado como autor da história “o escritor original”. Alan Moore exigiu que seu nome não constasse na revista. “Se alguém pode exigir o direito de ser creditado como autor, com certeza uma pessoa também pode exigir o contrário, certo?”, brinca o jornalista Rich Johnston.

Em 1985, quando o personagem chegou aos Estados Unidos, a Marvel proibiu que o personagem usasse seu nome original, Marvelman então Moore avisou que jamais trabalharia para a editora. “Ele não gosta da Marvel e não quer ela vendendo quadrinhos com o nome dele”, explica o biógrafo de Moore, o jornalista americano Lance Parkin.

Nas edições digitais vendidas pela Marvel, outra polêmica: uma arte da segunda edição foi modificada para esconder o corpo da esposa do protagonista, que aparecia nua de costas. “Acho meio bobo e não é a primeira vez que acontece na Marvel. Não faço ideia como vão fazer na edição em que o herói faz um parto”, diz o editor do site Bleeding Cool.

Amigo de Moore e autor de uma entrevista recente que o quadrinista afirmou provavelmente ser sua última, Pádraig Ó Méalóid defende a postura do escritor, mas recomenda a leitura de Miracleman: “Pois ele é um gênio e tem coisas importantes a dizer para todos nós, não importa o meio para o qual ele escreva. Simples assim”.

Entrevista. Lance Parkin, jornalista, biógrafo de Alan Moore

‘As pessoas vão ficar surpresas, o quadrinho ainda é chocante’

O jornalista norte-americano Lance Parkin lançou em dezembro uma biografia não autorizada do autor de Miracleman, Magic Words: The Extraordinary Life of Alan Moore (Palavras Mágicas: A Vida Extraordinária de Alan Moore, Aurum Press, US$21,35). Em entrevista ao Estado, ele falou sobre o passado do super-herói e de como Moore aprovou seu livro logo em seguida à publicação.

O que significa Miracleman para a carreira de Alan Moore?
Miracleman foi o trabalho que o projetou, a primeira vez que Alan Moore escreveu uma série de longa duração. Não é exagero dizer que a primeira edição da série foi o quadrinho de super-herói mais importante desde que a Marvel lançou a primeira edição do Quarteto Fantástico, de Stan Lee e Jack Kirby. Muitos fãs ouviram falar mas nunca leram. Acho que as pessoas vão ficar surpresas, Miraclemen ainda é chocante e nunca perde o fôlego. Acho que as pessoas vão perguntar: “Isso é realmente de 30 anos atrás?”.

Como foi a produção da biografia?
O Alan Moore deixou claro que não queria ter qualquer relação com o livro. Tentei contar o máximo de histórias e ser o mais honesto possível. Conversei com várias pessoas e levei três anos pra escrever. Quando foi publicado, meu editor mandou uma cópia pro Alan Moore e alguns dias depois ele me ligou dizendo que adorou. Ele ajudou a divulgar e participou do lançamento, foi bastante generoso. É um pouco estranho… Escrevi uma biografia não autorizada e ele gostou do resultado. Só encontrei ele uma vez e sei que ele se afastou do meio dos quadrinhos, deu algumas declarações polêmicas e magoou pessoas. Mas ele não é maluco, ele apenas briga com pessoas que abusam da confiança dele. Não é verdade que ele odeia os fãs. No lançamento do livro, ele gastou horas conversando e distribuindo autógrafos por vontade própria.

O que você acha dele não deixar o nome estar presente nos créditos?
Miracleman resultou em muitos problemas. Ele brigou com o editor e um dos desenhistas que era seu amigo. A Marvel proibiu o uso do nome original e, em 1985, o Alan Moore disse que jamais trabalharia pra eles. Ele passou os direitos do personagem pro Neil Gaiman, anos antes dele escrever Sandman, a editora que publicava faliu e os direitos do personagem passaram anos em disputa. A verdade é que ele guarda más memórias. Ele não gosta da Marvel e não quer ela vendendo quadrinhos com o nome dele.

HQ / Matérias

Os novos títulos do projeto Graphic MSP

Escrevi pro Estadão sobre a segunda leva de álbuns do projeto Graphic MSP. Conversei com o Maurício de Sousa e o Sidney Gusman, editor da MSP, sobre os títulos de 2014 e 2015 e adiantei os protagonistas dos próximos álbuns e os artistas responsáveis por cada um. As Graphics lançadas em 2013 foram algumas das novidades mais legais dos gibis nacionais no ano e unem como nunca o submundo dos quadrinhos alternativos brasileiros e a marca nacional mais poderosa no meio. Segue a matéria:

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Turminha em voo alto

Seis álbuns da coleção Graphic MSP reinterpretam personagens criados pelo quadrinista

Que o mundo esteja preparado para as novas aspirações da “dona da rua” do Bairro do Limoeiro. Os planos infalíveis de crescimento global de Mônica e sua turma não são novos, mas nunca estiveram tão explícitos e fizeram uso de estratégia tão pouco usual. Com mais de 80% do mercado infantojuvenil de bancas, a Maurício de Sousa Produções voltará em 2014 a fazer uso de quadrinistas independentes brasileiros para a segunda fase de seu projeto de maior sucesso em 2013, as Graphic MSP. “Um amigo brincou comigo, disse que transformei a Maurício de Sousa na maior editora indie do Brasil”, brinca o idealizador da série e editor da Maurício de Sousa Produções, Sidney Gusman.

Na tarde de sexta, em apresentação no Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, Gusman anunciou os próximos seis álbuns da coleção, que reinterpreta personagens criados por Maurício de Sousa. O cãozinho Bidu, o índio Papa-Capim, a Turma da Mata, o fantasma Penadinho, o Astronauta e a Turma da Mônica serão os protagonistas das edições. As graphic novels da turminha e do personagem de ficção científica serão continuações das duas primeiras obras da leva inicial do projeto:Magnetar, de Danilo Beyruth, e Laços, dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi.

“Ainda não sabemos a ordem, serão três em 2014 e as outras no ano seguinte”, explica o editor. “E em 2015 anuncio outras duas na Gibicon de Curitiba. A ideia é que a gente não pare e tenha de três a quatro graphics por ano.” Pai dos personagens, Maurício de Sousa ressalta a magnitude da iniciativa: “Esse projeto é de fôlego e a longo prazo, estamos nos primeiros passos, faz parte de uma estratégia. Não podemos ficar parados, precisamos que nosso sucesso seja renovável”. Primeiro gibi com o selo Graphic MSP, Astronauta – Magnetar já foi publicado na Alemanha, Espanha, Itália e França. Lançado durante o FIQ, o quarto álbum do selo, Piteco: Ingá era objeto de desejo de editoras internacionais antes mesmo da impressão.

Recém-saído da norte-americana DC Comics, Renato Guedes será o ilustrador do texto da roteirista Marcela Godoy para Papa Capim. Vencedores do prêmio HQ Mix 2013 na categoria Publicação Independente pela séria Quadrinhos A2 (www.quadrinhosa2.com), o casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko ficarão responsáveis pelo Penadinho. Os mineiros Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, da webcomic Quadrinhos Rasos (www.quadrinhosrasos.com) assinam a história do Bidu. E a Turma da Mata (de Jotalhão, Tarugo, Coelho Caolho e Raposão) é do trio Greg Tocchini, Artur Fujita e Davi Calil, do coletivo de artistas Dead Hamster (www.facebook.com/DeadHamsterComics).

Segundo Gusman, os critérios de escolha dos artistas e dos personagens são baseados nos estilos de cada um. “Sempre planejamos apontar para todas as direções, os personagens do Maurício permitem isso, produzir histórias de aventuras, humor, terror e algumas mais fofas”, explica, sem revelar os gêneros, enredos e títulos dos próximos lançamentos. Depois da edição das quatro primeiras publicações da série, Gusman revela ter sido procurado por mais de 40 artistas se candidatando e até propondo ideias para possíveis novas edições.

“O projeto é vivo, não imaginávamos já lançar as continuações do Astronauta e da Turma da Mônica, e todos os livros são desenhos e até filmes em potencial”, avisa o editor. “Do jeito que estão, podem já ser animadas e ganhar versões com atores. Estamos à procura de parceiros”, complementa Maurício de Sousa. A empolgação da dupla reverbera nos seus autores. Para Danilo Beyruth, a referência mais lógica é com a fase áurea da Marvel Comics na década de 60, anos de criação de personagens como Homem-Aranha, Quarteto Fantástico e X-Men. “A MSP virou uma casa de ideais, como a Marvel era.”

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‘O Brasil tende a se tornar referência nos quadrinhos’, diz Mauricio de Sousa

Como avalia o ano de 2013 para os quadrinhos nacionais?
Foi sensacional, mas 2014 será ainda melhor e o seguinte ainda mais. O Brasil está se transformando e o mundo é outro, está na mãos dos criativos. Tá cheio de gente boa por aí, são novos valores e desenhistas e o País tende a se tornar referência para quadrinhos.

Já ocorreram releituras do trabalho do senhor, mas não nas proporções das Graphics e com tamanha liberdade, certo?
É uma estratégia de marketing. Se não fizermos isso, ficamos parados. Precisamos de sucessos renováveis e recicláveis. Fazer releituras faz parte da jogada e com elas você pode encontrar novos veios.

Quais as expectativas do senhor para essa segunda leva?
Não faz sentido existir “desexpectativa”. A gente já fareja o que pode ou não ser feito. O nosso público tem que ser internacional e de caráter familiar. E o trabalho, chocante e surpreendente. Ou então não é nosso.

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Grupo estuda criar revista mensal de graphics

“O mundo é muito grande e não estou sabendo administrar a demanda”, conta Maurício de Sousa. Com mais de 400 personagens, divididos em pelo menos 10 famílias, e 200 artistas trabalhando em seus estúdios, o quadrinista revela ainda estar descobrindo como administrar suas criações em um mercado cada vez mais internacional. Da China, por exemplo, ele diz receber pedidos crescentes de material do Chico Bento, tanto revistas quanto animações.

No entanto, uma das ideias que ele cogita junto com Sidney Gusman daria ainda mais espaço para os artistas independentes nacionais: uma revista mensal, composta por histórias de vários autores. Sem mais informações sobre o projeto, eles continuam abrindo espaço para criadores ainda sem acesso às massas. E também impressionando os seus convidados.

Morando na Itália desde 2011, o artista paraibano Shiko, autor da graphic novel com o Piteco, diz ter percebido interesse sobre a produção brasileira na Europa: “Tenho frequentado algumas feiras por aqui e conversado com alguns editores e existe uma curiosidade sobre o que está sendo feito no Brasil. Mês passado eu vi o Astronauta em destaque em uma loja de quadrinhos em Pisa. Não é fácil conseguir esse espaço, o mercado aqui é muito diversificado e são muitos títulos buscando um pedacinho.”

Um dos dois autores da HQ do Bidu, Eduardo Damasceno expõe o estado de choque em que ficou após receber o convite para produzir o material, um padrão entre os realizadores participantes. “Antes de terminar a ligação com o Sidney eu já estava pensando nos prazos, em como faríamos pra entregar as coisas, se daria tempo. Eu fiquei em silêncio um bom tempo depois do convite, pensando ao mesmo tempo: ‘isso tá acontecendo de verdade’ e ‘eu tô frito’.”

Coautora da continuação do álbum da Turma da Mônica, Lu Cafaggi conta que o choque não foi menor, mesmo participando pela segunda vez. “A gente tinha acabado de sair de uma sessão de autógrafos incrível e estávamos muito cansados e deslumbrados com tudo. Quando veio o convite, eu e meu irmão olhamos um pra cara do outro sem saber como reagir, pensamos que ele estivesse brincando. Acho que só fui me dar conta de que a coisa era séria no dia seguinte.”

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Entrevistas / HQ / Matérias

Outros Quadrinhos

Escrevi pro Estadão sobre o Outros Quadrinhos, projeto sensacional do Érico Assis e do Fabiano Denardin. De quebra, ainda entrevistei o norte-americano Eddie Pittman, do ótimo Planeta Ruiva, e o australiano GavinAung Than, responsável pelo espetacular Zen Pencils. Segue a matéria:

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Democracia quadrinista

Outros Quadrinhos assume missão de adaptar e divulgar de graça na web títulos inéditos

As alternativas propostas pelo site Outros Quadrinhos (outrosquadrinhos.com.br) não dizem respeito apenas à oferta grátis, em português, de obras estrangeiras independentes produzidas para a internet. Também são uma referência ao catálogo da página, uma reunião de títulos dos mais diferentes tipos, mas de origens antagônicas aos badalados comics e mangás que ocupam as bancas nacionais.

“Mesmo que seja um site que não dê retorno financeiro, tudo o que fazemos nele é com profissionalismo em mente. O serviço é feito por quatro fãs, mas mantendo o nível de qualidade que qualquer um de nós teria em um trabalho regular”, conta um dos editores, Fabiano Denardin. No ar desde junho, a página já reúne dez séries produzidas por autores de quatro nacionalidades. Todas disponíveis sem custos.

Com experiência em tradução e edição de gibis, os responsáveis pelo projeto justificam a empreitada pelo prazer de trabalhar com o gênero. “Gostamos de quadrinhos. ‘Desses’ quadrinhos. Sei que é bobo responder assim, mas, no fim, é isso”, diz Érico Assis, também responsável pela página.

Apesar da presença de anúncios publicitários no site, a dupla explica que o foco é a divulgação de materiais inéditos: “Dividimos qualquer lucro com os autores. O grande ganho tem que ser deles, em termos de públicos diferentes que vão atingir. Eles já publicam o material de forma gratuita. Só damos uma forcinha para chegar a mais gente”, explica Assis.

Um dos hits do site é a série Lápis Zen, do australiano Gavin Aung Than. Uma das mais curtidas e compartilhadas do universo dos quadrinhos virtuais, ela adapta discursos e textos famosos e históricos. Falas célebres de Steve Jobs, Albert Einstein e Dalai Lama ganharam versões coloridas com personagens cartunescos.

“Já pensava em traduzir meus quadrinhos para outras línguas, então eles me procuraram no momento certo. Fiquei empolgado, pois sabia que iria ajudar a divulgar meu trabalho no Brasil, e, como eles trabalham com quadrinhos, sabia que ia ficar ótimo”, conta Than em entrevista por e-mail ao Estado. Seu mais recente sucesso já está disponível em português: uma versão ilustrada de um discurso clássico de Bill Watterson, criador da série Calvin e Haroldo, feito em 1992 para uma turma de formandos de uma universidade dos EUA.

Por enquanto, além das obras do australiano, também podem ser lidas: a ficção científica juvenil Planeta Ruiva, a infantil Tenebrosas Fofuras, a existencial chilena Os Nós Ocultos, o terror Lovecraft Desaparecido, as fantasias Falso Positivo e Serena Rosa e a policial Murder Book. Também traduzida e adaptada pelo Outros Quadrinhos, o blockbuster The Private Eye, de Brian K. Vaughan e Marcos Marin, pode ser adquirida em panelsyndicate.com

Animador e roteirista da série Phineas e Ferb, da Disney, e autor de Planeta Ruiva, o norte-americano Eddie Pittman conta nunca ter esperado ver seus trabalho em outra língua. “Meu objetivo foi criar uma história atraente e torcer para que as pessoas chegassem a ela. Presumi que a audiência seria de pessoas que falam inglês”, conta o autor também por e-mail. Segundo Pittman, por enquanto, a edição de sua série no Outros Quadrinhos é a única disponível no mundo além da original.

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Autores comemoram maior alcance de obras e diálogo com leitores

-Desde fevereiro de 2012, o australiano Gavin Aung Than publica pelo menos um quadrinho por semana em seu site Zen Pencil (zenpencils.com). Com suas adaptações de citações de pessoas famosas, ele conseguiu audiência e virou notícia em jornais como o Washington Post. Sempre aberto a sugestões de leitores, diz estar no aguardo de e-mails de brasileiros com dicas de falas famosas em português.

Por que investir tanto tempo em uma obra e não ter nenhum retorno financeiro?

O modelo de quadrinhos online sempre foi compartilhar de graça, criar audiência e torcer por retorno financeiro no futuro. É assim que as coisas funcionam agora. Antes de tudo, é realmente necessário criar um público leitor e, para isso, é preciso conteúdo gratuito.

Como seleciona os textos que adapta?

A maioria das falas são enviadas pelos leitores. Não há qualquer método científico, pego uma que gosto ou que me faça pensar, rir ou chorar.

Você já adaptou algum texto vindo do Brasil?

Não, mas terei de fazer isso em breve! Preciso agradecer aos leitores brasileiros escolhendo a fala de um de seus famosos escritores e poetas para adaptar, sei que vocês têm vários.

Tem planos de transformar os quadrinhos em livro impresso?

Eu iria amar fazer uma coletânea um dia. Algumas editoras já demonstraram interesse, então vou manter os dedos cruzados.

Qual o diferencial de produzir algo exclusivamente para a web?

Tive algumas tiras publicadas em jornais e a única diferença é que eu precisava trabalhar com cores brilhantes para que elas saíssem ‘ok’ no papel barato de jornal. Na web, não há restrições de cores!

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-Com mais de 30 páginas disponíveis no Outros Quadrinhos, Planeta Ruiva é a primeira incursão de Eddie Pittman no mundo dos gibis virtuais. Além do trabalho na série Phineas e Ferb, ele possui sucessos da Disney no currículo, como Mulan (1998), Tarzan (1999) e Lilo & Stitch (2002). Segundo ele, a série disponível em português deve ganhar versão impressa nos EUA em 2014.

O que pensou quando foi convidado pelo Outros Quadrinhos?

Sou sempre cauteloso quando recebo e-mails com ideias e propostas de qualquer tipo. Na maioria das vezes, elas não têm a capacidade de levar adiante esses projetos. Mas, quando vi a lista de realizações dos dois e o lindo trabalho que haviam feito em algumas páginas de Planeta Ruiva, tive certeza de que era uma boa oportunidade.

Por que investir tanto tempo em uma obra e não ter nenhum retorno financeiro?

É muito barato publicar na internet. Poderia ter feito à moda antiga: gastar anos escrevendo e desenhando depois do trabalho e nos finais de semana e arriscar a procura por uma editora disposta a publicar. Com a internet, tive audiência a partir do primeiro dia. Claro, não era grande, mas, com o tempo, alcançou 2 milhões de page views. Não acho que teria um público tão grande como um estreante.

Qual o diferencial de produzir algo exclusivamente para a web?

A diferença maior que encontrei foi a influência de uma “audiência ao vivo”. Em mídias impressas e animações, há um enorme distanciamento entre o conceito e a versão final do trabalho. Em Phineas e Ferb, da ideia inicial ao episódio pode levar até um ano. A cada página que publico de Planeta Ruiva, já tenho resposta de leitores. Acho que é o mais próximo que um quadrinista pode ter de uma performance ao vivo.