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## Retrospectiva Vitralizado 2015: a coletânea O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015 ##

Ainda falarei mais sobre O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015 por aqui. Por enquanto, deixo apenas um registro para a importância da obra. Dentre diversos aspectos negativos e positivos, o melhor dessa coletânea foram as várias reflexões que ela gerou (e ainda pode gerar). Como item de colecionador e registro histórico de um momento ímpar da produção brasileira de quadrinhos, o livro deve ser aclamado como uma obra sem igual na história das HQs nacionais. Mas, como disse, em breve volto a comentar sobre o livro por aqui.

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A capa da coletânea O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015

Poucos projetos de quadrinhos instigaram tanto a minha curiosidade nos últimos meses quanto O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015, uma coletânea com o alguns dos melhores trabalhos publicados no país no último ano. Organizado pelo Rafael Coutinho e pela Clarice Reichstul, o álbum foi anunciado no início do ano, será lançado no FIQ e terá como editor convidado pra esse primeiro volume o Érico Assis. O projeto é interessante não só por ser um registro de uma época de agitação inédita na história das HQs nacionais, mas mais ainda por ter o Érico Assis como curador. Não sei de ninguém no Brasil com o olhar crítico e vasto em relação a gibis como o dele. Conversei com os três responsáveis pela publicação e transformei em matéria para a Rolling Stone. A capa, essa beleza aqui em cima, é assinada pelo Luciano Drehmer. A matéria tá aqui.

HQ / Matérias

Literatura gráfica // Graphic literature

Graphic literature

MAJOR WORKS OF BRAZILIAN LITERATURE ARE ISSUED IN GRAPHIC NOVEL VERSIONS AT THE HANDS OF SOME OF THE COUNTRY’S MOST SKILLED ILLUSTRATORS

(originally published at Azul Magazine)

MatériaAzul

Fábio Moon and Gabriel Bá choose to escape the commonplace. Instead of superheroes, the duo depicts the life of ordinary people in their comic books and graphic novels. A sure bet, which even earned them the Eisner award – the comic book industry’s top award in the US – for the dreamy novel Daytripper, in 2011. Now the twin brothers return to bookstores within the most teeming genre of the Brazilian comic book market: literary adaptations. In Dois Irmãos (Cia. das Letras, R$ 39.90), they turned the eponymous book by Manaus-based writer Milton Hatoum, published in 2000, into a graphic novel.

According to them, the work to adapt the saga of characters Yaqub and Omar was hard. “The challenge is to use elements of comics in favor of the story. To find out which layers, feelings and dramas we can strengthen. Besides choosing which descriptions we turn into images,” explains Bá.

The brothers are not the only Brazilian artists facing such hurdles. The Federal Government’s willingness to purchase comic books in this genre for public schools has helped to boost the recent wave of this type of work in Brazil. “There’s a clear-cut trend, on the part of educational authorities, of seeing these graphic novel versions of literary classics as a bridge to reading,” says Paulo Ramos, journalist and professor in the Department of Literature of the Federal University of São Paulo.

Responsible for the artwork of a deluxe graphic novel edition of Grande Sertão: Veredas, illustrator Rodrigo Rosa is a master in this subject. In addition to the masterpiece by Guimarães Rosa, he has already adapted the likes of Machado de Assis (Dom Casmurro) and Aluísio Azevedo (O Cortiço), among others. “The hardest thing is to get an amalgam of the two languages, in order to give rise to a new, original work. One that serves as a reference to the adapted book, but is never just a simplified version of the book,” he says.

The boom of adaptations ended up involving the very authors of the original stories. Moon and Bá met with Milton Hatoum four times during the production of Dois Irmãos. Moon believes that the meetings gave more depth to the graphic novel. “Even though we spoke little with Milton in these four years, it was more than we could speak to Machado de Assis,” he jokes, remembering the adaptation that he did with his brother of the short story O Alienista, released in 2007.

Rodrigo Rosa, in turn, is in the final phase of a project in partnership with Rubem Fonseca, which will yield the graphic novel version of O Seminarista. “At first I felt a bit awkward suggesting changes to a figure such as Rubem. But he was nicely humble throughout the process.” The work is expected to be launched in May, during the celebrations of the Minas Gerais-based writer’s 90th birthday.

O pessoal da Azul Magazine me pediu uma matéria sobre a mais recente leva de adaptações de clássicos da literatura nacional para histórias em quadrinhos. Aproveitei o lançamento do Dois Irmãos e conversei com os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá sobre o trabalho de transformar o livro de Milton Hatoum em gibi. Também falei com o Rodrigo Rosa, um dos artistas nacionais que mais trabalhou nesse gênero e responsável por trabalhos memoráveis, como a bela edição de Grandes Sertões: Veredas, publicado pela editora Globo. Completei o texto com alguns comentários do Paulo Ramos e do Érico Assis. Um monte de gente bem legal de entrevistar. Segue o texto:

Literatura gráfica

Importantes obras brasileiras ganham versões em quadrinhos pelas mãos dos mais habilidosos ilustradores do país

Fábio Moon e Gabriel Bá escolheram fugir do lugar-comum. Em vez dos super-heróis, a dupla retrata a vida de gente normal em seus gibis. Uma aposta certeira que lhes rendeu até o prêmio Eisner – o principal da indústria de quadrinhos dos Estados Unidos –, em 2011, pelo romance onírico Daytripper. Agora os gêmeos retornam às livrarias dentro do gênero mais concorrido do mercado brasileiro de HQs: o de adaptações literárias. Em Dois Irmãos (Cia. das Letras, R$39,90), eles transformaram em graphic novel o livro homônimo do escritor manauense Milton Hatoum, publicado em 2000 e ganhador do prêmio Jabuti.

Segundo eles, a empreitada de adaptar a saga dos personagens Yaqub e Omar foi dura. “O desafio é conseguir usar elementos dos quadrinhos a favor da história. Descobrir quais camadas, sentimentos e dramas podemos reforçar. Além de escolher quais descrições vamos transformar em imagens”, explica Bá.

Os irmãos não são os únicos artistas brasileiros enfrentando tais questões. A simpatia do Governo Federal pela compra de HQs do gênero para escolas públicas impulsiona a leva recente desse tipo de obra no País. “Há uma tendência explícita das autoridades de ensino em enxergar nas versões quadrinizadas de clássicos uma ponte para a leitura”, analisa Paulo Ramos, jornalista e professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo.

Responsável pela arte de uma luxuosa edição em quadrinhos de Grande Sertão: Veredas, o ilustrador Rodrigo Rosa é mestre no assunto. Além da obra-prima de Guimarães Rosa, já adaptou Machado de Assis (Dom Casmurro) e Aluísio Azevedo (O Cortiço), entre outros. “O mais difícil é conseguir um amálgama das duas linguagens, de forma a dar origem a uma obra original, nova. Que sirva de referência ao livro adaptado, mas que jamais seja só uma versão simplificada dele”, opina.

“Há pelo menos dois eixos para tratar de uma adaptação de literatura para quadrinhos: em relação ao original, vai do respeito ao desapego; em relação à estética ou à linguagem, vai do literário ao quadrinesco. Tudo depende do objetivo da sua adaptação”, resume o tradutor de quadrinhos e crítico do site especializado A Pilha, Érico Assis.

O boom de adaptações acabou envolvendo os próprios autores das histórias originais. Moon e Bá estiveram quatro vezes com Milton Hatoum durante a produção de Dois Irmãos. Moon acredita que os encontros deram maior profundidade ao gibi. “Mesmo falando pouco com Milton nesses quatro anos, já foi mais do que a gente pôde falar com Machado de Assis”, brinca, lembrando a adaptação que fez junto com o irmão do conto O Alienista, lançada em 2007.

Rodrigo Rosa, por sua vez, está na fase final de um projeto em parceria com Rubem Fonseca, que renderá a versão em HQ de O Seminarista. “No início fiquei um tanto constrangido de sugerir mudanças para uma figura como o Rubem. Mas ele foi de uma humildade muito bacana em todo o processo.” A obra está prevista para ser lançada em maio, durante as comemorações dos 90 anos do escritor mineiro.

Um extra que acabou ficando de fora da versão impressa da matéria. Pedi para o Érico Assis e para o Paulo Ramos comentarem brevemente algumas da suas adaptações preferidas da literatura para HQs.

Érico Assis:

“Pobre Marinheiro, de Sammy Harkham, baseada em um conto de Guy de Maupassant, é uma das minhas adaptações prediletas. A história é excelente e a narrativa é muito bem calculada, muito bem projetada para funcionar em HQ.

De brasileiros, achei muito interessante o Kaputt de Eloar Guazzelli, que saiu no ano passado. Não conheço o original, mas gostei das histórias e da narrativa.

Acho que vale menção ao Cânone Gráfico que saiu recentemente aqui. Ali o tipo de adaptação é variada, mas tende a privilegiar as que são primeiro quadrinho, depois a literatura original”.

Paulo Ramos:

“Recentemente, diria que a adaptação que mais me chamou a atenção foi a de “Grande Sertão Veredas”, feita por Eloar Guazzelli e Rodrigo Rosa. A dupla já produziu outras adaptações e sabe bem o que está fazendo. Mas os diferenciais da obra foram o tratamento editorial e a proposta de produzir uma versão do romance sem a obrigação de incluir o livro em listas governamentais. Isso deu a necessária liberdade aos autores para criarem a versão do modo como queriam”.

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A Pilha do Érico

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Viu o site novo do Érico Assis? A Pilha entrou no ar semana passada e já tá a mil. Segundo o  dono do site, é um espaço onde ele vai escrever sobre histórias em quadrinhos, simples assim. Já tem fala exclusiva do Brian Bendis, depoimento do Eduardo Damasceno e do Luís Felipe Garrocho sobre a graphic novel do Bidu e mais um monte de coisa legal. Taca aí nos favoritos, assina o rss ou coloca no feedly,  não deixa passar. Não bastasse a coluna de quadrinhos mais legal da internet brasileira, lá no blog da Companhia das Letras, também não tarda pra Pilha ser um dos melhores sites sobre o assunto.

Entrevistas / HQ / Matérias

Outros Quadrinhos

Escrevi pro Estadão sobre o Outros Quadrinhos, projeto sensacional do Érico Assis e do Fabiano Denardin. De quebra, ainda entrevistei o norte-americano Eddie Pittman, do ótimo Planeta Ruiva, e o australiano GavinAung Than, responsável pelo espetacular Zen Pencils. Segue a matéria:

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Democracia quadrinista

Outros Quadrinhos assume missão de adaptar e divulgar de graça na web títulos inéditos

As alternativas propostas pelo site Outros Quadrinhos (outrosquadrinhos.com.br) não dizem respeito apenas à oferta grátis, em português, de obras estrangeiras independentes produzidas para a internet. Também são uma referência ao catálogo da página, uma reunião de títulos dos mais diferentes tipos, mas de origens antagônicas aos badalados comics e mangás que ocupam as bancas nacionais.

“Mesmo que seja um site que não dê retorno financeiro, tudo o que fazemos nele é com profissionalismo em mente. O serviço é feito por quatro fãs, mas mantendo o nível de qualidade que qualquer um de nós teria em um trabalho regular”, conta um dos editores, Fabiano Denardin. No ar desde junho, a página já reúne dez séries produzidas por autores de quatro nacionalidades. Todas disponíveis sem custos.

Com experiência em tradução e edição de gibis, os responsáveis pelo projeto justificam a empreitada pelo prazer de trabalhar com o gênero. “Gostamos de quadrinhos. ‘Desses’ quadrinhos. Sei que é bobo responder assim, mas, no fim, é isso”, diz Érico Assis, também responsável pela página.

Apesar da presença de anúncios publicitários no site, a dupla explica que o foco é a divulgação de materiais inéditos: “Dividimos qualquer lucro com os autores. O grande ganho tem que ser deles, em termos de públicos diferentes que vão atingir. Eles já publicam o material de forma gratuita. Só damos uma forcinha para chegar a mais gente”, explica Assis.

Um dos hits do site é a série Lápis Zen, do australiano Gavin Aung Than. Uma das mais curtidas e compartilhadas do universo dos quadrinhos virtuais, ela adapta discursos e textos famosos e históricos. Falas célebres de Steve Jobs, Albert Einstein e Dalai Lama ganharam versões coloridas com personagens cartunescos.

“Já pensava em traduzir meus quadrinhos para outras línguas, então eles me procuraram no momento certo. Fiquei empolgado, pois sabia que iria ajudar a divulgar meu trabalho no Brasil, e, como eles trabalham com quadrinhos, sabia que ia ficar ótimo”, conta Than em entrevista por e-mail ao Estado. Seu mais recente sucesso já está disponível em português: uma versão ilustrada de um discurso clássico de Bill Watterson, criador da série Calvin e Haroldo, feito em 1992 para uma turma de formandos de uma universidade dos EUA.

Por enquanto, além das obras do australiano, também podem ser lidas: a ficção científica juvenil Planeta Ruiva, a infantil Tenebrosas Fofuras, a existencial chilena Os Nós Ocultos, o terror Lovecraft Desaparecido, as fantasias Falso Positivo e Serena Rosa e a policial Murder Book. Também traduzida e adaptada pelo Outros Quadrinhos, o blockbuster The Private Eye, de Brian K. Vaughan e Marcos Marin, pode ser adquirida em panelsyndicate.com

Animador e roteirista da série Phineas e Ferb, da Disney, e autor de Planeta Ruiva, o norte-americano Eddie Pittman conta nunca ter esperado ver seus trabalho em outra língua. “Meu objetivo foi criar uma história atraente e torcer para que as pessoas chegassem a ela. Presumi que a audiência seria de pessoas que falam inglês”, conta o autor também por e-mail. Segundo Pittman, por enquanto, a edição de sua série no Outros Quadrinhos é a única disponível no mundo além da original.

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Autores comemoram maior alcance de obras e diálogo com leitores

-Desde fevereiro de 2012, o australiano Gavin Aung Than publica pelo menos um quadrinho por semana em seu site Zen Pencil (zenpencils.com). Com suas adaptações de citações de pessoas famosas, ele conseguiu audiência e virou notícia em jornais como o Washington Post. Sempre aberto a sugestões de leitores, diz estar no aguardo de e-mails de brasileiros com dicas de falas famosas em português.

Por que investir tanto tempo em uma obra e não ter nenhum retorno financeiro?

O modelo de quadrinhos online sempre foi compartilhar de graça, criar audiência e torcer por retorno financeiro no futuro. É assim que as coisas funcionam agora. Antes de tudo, é realmente necessário criar um público leitor e, para isso, é preciso conteúdo gratuito.

Como seleciona os textos que adapta?

A maioria das falas são enviadas pelos leitores. Não há qualquer método científico, pego uma que gosto ou que me faça pensar, rir ou chorar.

Você já adaptou algum texto vindo do Brasil?

Não, mas terei de fazer isso em breve! Preciso agradecer aos leitores brasileiros escolhendo a fala de um de seus famosos escritores e poetas para adaptar, sei que vocês têm vários.

Tem planos de transformar os quadrinhos em livro impresso?

Eu iria amar fazer uma coletânea um dia. Algumas editoras já demonstraram interesse, então vou manter os dedos cruzados.

Qual o diferencial de produzir algo exclusivamente para a web?

Tive algumas tiras publicadas em jornais e a única diferença é que eu precisava trabalhar com cores brilhantes para que elas saíssem ‘ok’ no papel barato de jornal. Na web, não há restrições de cores!

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-Com mais de 30 páginas disponíveis no Outros Quadrinhos, Planeta Ruiva é a primeira incursão de Eddie Pittman no mundo dos gibis virtuais. Além do trabalho na série Phineas e Ferb, ele possui sucessos da Disney no currículo, como Mulan (1998), Tarzan (1999) e Lilo & Stitch (2002). Segundo ele, a série disponível em português deve ganhar versão impressa nos EUA em 2014.

O que pensou quando foi convidado pelo Outros Quadrinhos?

Sou sempre cauteloso quando recebo e-mails com ideias e propostas de qualquer tipo. Na maioria das vezes, elas não têm a capacidade de levar adiante esses projetos. Mas, quando vi a lista de realizações dos dois e o lindo trabalho que haviam feito em algumas páginas de Planeta Ruiva, tive certeza de que era uma boa oportunidade.

Por que investir tanto tempo em uma obra e não ter nenhum retorno financeiro?

É muito barato publicar na internet. Poderia ter feito à moda antiga: gastar anos escrevendo e desenhando depois do trabalho e nos finais de semana e arriscar a procura por uma editora disposta a publicar. Com a internet, tive audiência a partir do primeiro dia. Claro, não era grande, mas, com o tempo, alcançou 2 milhões de page views. Não acho que teria um público tão grande como um estreante.

Qual o diferencial de produzir algo exclusivamente para a web?

A diferença maior que encontrei foi a influência de uma “audiência ao vivo”. Em mídias impressas e animações, há um enorme distanciamento entre o conceito e a versão final do trabalho. Em Phineas e Ferb, da ideia inicial ao episódio pode levar até um ano. A cada página que publico de Planeta Ruiva, já tenho resposta de leitores. Acho que é o mais próximo que um quadrinista pode ter de uma performance ao vivo.

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Xkcd e o tempo #5

E aí, acabou mesmo? Depois de 35 dias e 775 frames, a tira Tempo do Xkcd aparentemente chegou ao fim. A última atualização foi com a garota do quadrinho aparecendo pra despedir, deu um “bye” e o quadro foi perdendo a cor escura até ficar cinza como tá aí em cima. Enfim, mais uma brincadeira fenomenal do Randal Munroe. O Érico escreveu sobre esse post do Xkcd na coluna dele no blog da Companhia das Letras. E ó, de qualquer forma, acho que continuarei acessando a página com a tira nos próximos dias. Só por precaução, não custa nada.