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PARAFUSO #1: confira a capa e uma prévia da antologia de HQs experimentais editada por Jão

A PARAFUSO #1 terá a sua data de lançamento anunciada em breve. A promessa é do quadrinista Jão, idealizador do projeto, uma coletânea de HQs experimentais. Também editor da revista, Jão adiantou para o blog a capa da publicação e uma prévia com alguns dos quadrinhos impressos nesse número 1. As páginas a seguir são assinadas por Aline Lemos, Batista, Bruno Pirata, Faw Carvalho, Ing Lee, João Belo e Estevam.

Ah! Quer saber mais sobre a PARAFUSO #1? Vale uma conferida nos dois textos assinados por Jão publicados aqui no Vitralizado relatando os bastidores da produção da revista. Primeiro ele escreveu sobre a origem do projeto e, em seguida, tratou dos temas e das restrições que ele impôs aos artistas envolvidos no álbum. Confira a prévia da PARAFUSO #1:

-Aline Lemos:

-Batista:

-Bruno Pirata:

-Estevam:

-Faw Carvalho:

-Ing Lee:

-João Belo:

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Bastidores PARAFUSO #1 – Parte II: Temas e Restrições

Começa amanhã (10/1) o Laboratório de Quadrinhos Potenciais organizado e coordenado pelo quadrinista Jão em Belo Horizonte. As HQs produzidas ao longo dos três encontros da oficina serão editadas e publicadas na revista PARAFUSO #1, com foco integral em narrativas gráficas experimentais. A lista com os nomes dos artistas selecionados para a oficina foi divulgada ontem: Aline Lemos, Bruno Pirata, Daniel Pizani, Estevam, Faw Carvalho, FRM, Gabriel Nascimento, Ing Lee, João Belo, Julhelena, Marcos Batista e Priscapaes.

As atividades do Laboratório são abertas ao público, que poderá acompanhar o desenvolvimento das HQs ao vivo, na Livraria da Rua (R. Antônio de Albuquerque, 913, Savassi, BH), nos dias 10, 11 e 12 de janeiro, das 14h às 21h.

Na semana passada foi publicada aqui no Vitralizado a primeira parte da série Bastidores PARAFUSO #1 (leia aqui), com um texto no qual Jão falou sobre suas inspirações e objetivos com o projeto. Agora, na segunda parte, o quadrinista escreve sobre os temas que serão abordados nos quadrinhos da revista e as restrições impostas por ele aos participantes do Laboratório. Saca só:

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Bastidores PARAFUSO #1 – Parte II: Temas e Restrições

por Jão

Editar trabalhos coletivos, muitas vezes, é um desafio. Para não ficar parecendo uma colcha de retalhos, é necessário criar alguma forma de unidade e conversa entre as artes. Seja pela abordagem, seja pelo estilo, seja pela técnica de impressão. Não pensar nisso antes pode gerar diversos problemas futuros. Assim, para a PARAFUSO #1, como organizador da antologia, após alguns dias de brainstorming e alguns tiros no escuro, planejei – com a colaboração da minha sócia Helen Murta – uma espécie de tema que permeia toda a edição. Caso fosse um dos meus trabalhos individuais, dificilmente esta seria a proposta, mas achei que seria interessante observar como outros artistas elaboram suas obras a partir de um conceito muito utilizado por mim em outros momentos. O tema em questão é “a cidade”. Achei que poderia gerar uma discussão interessante, pois existem muitas abordagens possíveis do espectro urbano. O próprio fato de ter uma quantidade relativamente grande de criadores e criadoras participando do processo junto comigo também influenciou a escolha.

A partir do tema base, pensei que queria contar uma história por meio da edição. Criar uma espécie de narrativa em segundo plano, mas que seria importante para a experiência de leitura da obra como um todo. Assim, enviei para cada artista um subtema que pode ser, por exemplo, “estradas”, “casa” ou “mesa de jantar”; e as restrições que guiariam a produção das páginas, como, por exemplo, “sem protagonista”, “sem texto”, “todos os quadros com closes em rostos” e, em muitos casos, foram mais de duas restrições para cada. Esta etapa foi elaborada para que os artistas produzissem fora do Laboratório de Quadrinhos Potenciais, em seus estúdios e locais de trabalho cotidianos. Cada um pode fazer duas, quatro ou seis páginas.

Gosto de ver o OuBaPo como uma forma lúdica de criação e, para os encontros presenciais, programei a confecção de três zines, que serão feitos um em cada dia. Cada um deles tem restrições criativas para o coletivo de participantes, que desenvolvem ensaios em quadrinhos baseados em temas preestabelecidos. São eles: Carteira de Trabalho, uma série de ilustrações sobre profissões inexistentes, em que cada autor terá, como restrição, uma única cena para desenvolver um personagem; Arqueologia Urbana, que abordará objetos incomuns encontrados na cidade, tendo como limitações a repetição de cenários e um grid de quatro quadros por página; e Comércio Informal, que será composto por ilustrações sobrepostas dentro de quadrinhos, como uma forma de trabalhar layouts e design das páginas, e os artistas não poderão utilizar textos em línguas existentes, passando todos os seus conceitos por meio dos desenhos.

A proposta com os exercícios realizados dentro do Laboratório de Quadrinhos Potenciais é que, para além dos zines produzidos, seja feita uma seleção de ensaios que entrarão na PARAFUSO #1, que ajudarão a contar a narrativa editorial necessária para a antologia.

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Bastidores PARAFUSO #1 – Parte I: Laboratório de Quadrinhos Potenciais

Hoje (5/1) é o último dia para inscrição no Laboratório de Quadrinhos Potenciais organizado e coordenado pelo quadrinista Jão em Belo Horizonte. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas aqui. O projeto consiste em uma série de três encontros – realizados nos dias 10, 11 e 12 de janeiro na Livraria da Rua em BH – voltados para a especialização de quadrinistas e ilustradores em narrativas gráficas experimentais. Da oficina surgirá o conteúdo que será publicado no número 1 da revista PARAFUSO, publicada pela Pulo Comunicação.

Gosto muito do trabalho do Jão. Baixo Centro e o número zero da PARAFUSO estão entre os meus quadrinhos nacionais preferidos publicados nos últimos anos. Por essa admiração, escrevi sobre a edição de estreia da PARAFUSO pra revista Rolling Stone e, posteriormente, convidei o autor pra criar a HQ do número 11 da Série Postal. A ideia do Laboratório de Quadrinhos Potenciais idealizada pelo autor me pareceu uma ótima sacada e o convidei pra contar um pouco dos bastidores do projeto aqui no blog. Assim surge a série Bastidores PARAFUSO #1. Na primeira parte desses posts, o Jão fala um pouco sobre as origens da oficina e suas expectativas em relação aos encontros que começam na próxima semana. Ó:

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Bastidores PARAFUSO #1 – Parte I: Laboratório de Quadrinhos Potenciais

por Jão

O ano de 2017 foi bastante complicado para minha produção artística. Precisei destinar grande parte de minha atenção para a Faísca, feira gráfica mensal de Belo Horizonte da qual sou um dos criadores e organizadores, que passou por muitas mudanças e ampliações nesse período. Usei o restante do meu tempo, então, para pensar sobre os caminhos que queria seguir com meu trabalho autoral na área dos quadrinhos.

Desde o lançamento da revista PARAFUSO #0, em dezembro de 2016, venho pensando na edição seguinte. Quando criei a proposta da publicação, já sabia que ela seria um espaço para minhas pirações e que não teria um formato padrão, não sendo previsível para os leitores o que viria nas edições posteriores. No número zero da revista saiu a história fechada “Vigilantes”, mas isso não significava que todos os outros volumes seriam assim, com narrativas gráficas de vinte e poucas páginas. Desde o início, abri pra mim mesmo a possibilidade de, por exemplo, fazer uma edição que seja uma antologia de trabalhos meus, ou fazer uma novela um pouco maior em determinado exemplar. O que eu sempre quis com a revista é que ela refletisse o momento de minha produção.

Têm passado por muitos dos meus pensamentos em tempos recentes a vontade e a necessidade de criar de forma coletiva. Em minha atuação na Faísca, percebo que, cada vez mais, existem pessoas próximas produzindo e propondo trabalhos que me inspiram muito. Também estou num período de querer entender melhor o que é a linguagem das histórias em quadrinhos e quais são as possibilidades que ela oferece. Sendo assim, comecei a estudar o OuBaPo, que é uma série de exercícios criados por autores franceses com o objetivo de impor limites e restrições criativas para quadrinistas. O que gosto de observar nessas práticas é a abordagem, que aproxima o fazer artístico de uma espécie de jogo, transformando a experiência de contar algo a partir de uma sequência de imagens em uma atividade lúdica. Percebi também que muitas de minhas histórias já possuíam elementos semelhantes, que foram usados de forma inconsciente, como em “Vigilantes”, n’As aventuras de Flores, o bárbaro, ou no postal O quadro, que fiz para o Ramon Vitral publicar pela Série Postal, no ano passado.

A partir disso, decidi propor o Laboratório de Quadrinhos Potenciais, uma oficina voltada para a especialização de quadrinistas e ilustradores em narrativas gráficas experimentais. A ideia é que a atividade seja um espaço para trocas, debates e práticas no campo da arte sequencial. Serão selecionados dez artistas para participar do processo junto comigo e vamos desenvolver trabalhos baseados em restrições criativas, sejam elas individuais ou coletivas. O intuito é explorar as fronteiras da linguagem das histórias em quadrinhos e, com isso, ao final, que cada autor possa sair com novas possibilidades de produção e de percepção sobre seu próprio trabalho.

Durante a elaboração do projeto percebi que seria um desperdício caso o Laboratório de Quadrinhos Potenciais não tivesse uma publicação com os resultados obtidos durante o processo, pois haveria uma reunião inédita de artistas criando juntos. Percebi, então, que a edição número 1 da PARAFUSO poderia se encaixar no que eu queria, decidi que ela seria feita de forma coletiva e organizada por mim. Talvez seja uma artimanha que desenvolvi para quebrar as expectativas de meus leitores, pois nem eu esperava que a revista seria produzida por várias mãos. Para além de construção conjunta, a proposta de criar experimentações por meio de restrições oubapianas e ver os resultados desses ensaios e exercícios de linguagem é o mote para a nova revista.

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