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A Viagem

Gosto de Speed Racer e tenho boa vontade com os dois últimos Matrix. Meus problemas com V de Vingança estão mais relacionados com o carinho que sinto pela hq do Moore do que pela qualidade do filme – acho que poderia ser muito melhor do que é.  O ponto: tenho pouco a reclamar dos Wachowski. Até A Viagem, dirigido pelos irmãos junto com o Tom Tykwer.

Escrevi sobre o filme pro Divirta-se.

Tom Hanks interpreta seis personagens em A Viagem: um gângster aspirante a escritor no presente, um médico do século 19, um cientista da década de 70, o gerente de um hotel em 1936, um ator e o membro de uma tribo havaiana num futuro pós-apocalíptico. Hugo Weaving e Halle Barry interpretam outros seis e Jim Sturgess é ainda mais prolífico, com sete personagens.

Os irmãos Wachowski retornam à direção quatro anos depois de ‘Speed Racer’ e treze após o lançamento de ‘Matrix’, acompanhados de Tom Tykwer – de ‘Corra, Lola, Corra’ (1998). O resultado é um filme de duas horas e cinquenta e dois minutos de duração, indicado ao Globo de Ouro em três categorias (figurino, maquiagem e efeitos especiais).

Não espere extrair qualquer sentido do nome nacional da produção. O título original do filme, ‘Cloud Atlas’, é o mesmo do livro que o inspirou. Ainda sem versão brasileira, a obra escrita por David Mitchell recebeu vários prêmios no ano de seu lançamento (2004) e foi exaltado pelos críticos por conta de sua estrutura complexa.

A adaptação segue os mesmos enredos do livro. São seis histórias, em diferentes contextos e de ritmos variados. Os Wachowski filmaram a viagem de um escravagista em 1849 e os dois núcleos futuristas – fantasiosos e frenéticos, como se espera deles. Tykwer se encarregou dos três cenários mais realistas e dramáticos, todos situados no séc. 20.

A sinopse oficial diz que a proposta do filme é expor como ‘ações individuais impactam outras vidas, no passado, presente e futuro’. Desconhecer este resumo pode dificultar bastante a sua compreensão. E a ajuda não é lá muito grande: a obra é mesmo de leitura imprecisa.

Nenhuma surpresa. As filmografias dos Wachowski e de Tykwer têm enredos ousados e estéticas marcantes. Não era esperado que o trio fizesse algo óbvio ou minimamente didático, mas falta a ‘Cloud Atlas’ uma costura menos oculta. Como foi lançado, parece uma colagem de boas histórias, justapostas em sequência aleatória.

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