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Entrevistas / HQ

Papo com Emilly Bonna, a autora de Esgoto Carcerário: “É o resultado de um aglomerado de coisas que consumo desde a infância, de Castelo Rá-Tim-Bum a John Waters”

As 40 páginas em preto e branco de Esgoto Carcerário narram a saga de um penico cansado de sua vida como receptáculo de urina e fezes e em busca de seu sonho de virar um vaso de flores. Para alcançar seus objetivos, Nico Penico dá início a uma caça pela criminosa Alzira Morcegona, tendo em vista a recompensa para quem detê-la. Responsável pelo sequestro de três pessoas, Alzira mantém suas vítimas dentro do esconderijo no esgoto no qual vive na companhia de seu comparsa e amigo, o rato Mariano.

A quadrinista Emilly Bonna começou em 2017 a produção de Esgoto Carcerário e a HQ se tornou o primeiro lançamento de 2019 do selo Escória Comix. No projeto original, o título era o mesmo e também tinha Nico Penico como personagem principal, mas a história era outra. “O roteiro era completamente diferente, ficou bastante tempo parada, e quando quis retomar já tinha perdido o fio da meada. Então decidi refazê-la, reaproveitando o título, um penico e a ideia inicial de acontecer dentro de um esgoto”, explica.

Meu primeiro contato com o trabalho de Bonna foi em Portas do Inferno, coletânea publicada no final de 2018 em uma parceria da Escória com o selo Gordo Seboso. Em seu primeiro projeto solo, a autora usa designs de páginas convencionais e um traço singular – fofo e “empelotado de perebinhas gosmentas”, segundo o editor Lobo Ramirez – para narrar uma história com personagens originais e carismáticos como pouco se vê por aí. Bati um papo rápido com a quadrinista e ela me falou sobre a origem do quadrinho, suas inspirações e a produção da belíssima capa do gibi. Saca só:

Quadros de Esgoto Carcerário, HQ de Emilly Bonna publicada pelo selo Escória Comix

Você pode contar, por favor, um pouco sobre a origem desse quadrinho? Você lembra quando e como começou a elaborar a história que resultaria em Esgoto Carcerário?

No final de 2017 comecei uma outra história, anterior a essa, que também se chamava Esgoto Carcerário, acontecia em um esgoto e tinha o personagem Nico Penico. O roteiro era completamente diferente, ficou bastante tempo parada, e quando quis retomar já tinha perdido o fio da meada. Então decidi refazê-la, reaproveitando o título, um penico e a ideia inicial de acontecer dentro de um esgoto.

Quadros de Esgoto Carcerário, HQ de Emilly Bonna publicada pelo selo Escória Comix

Quais técnicas você utilizou para esse quadrinho? Você está acostumada a trabalhar com algum material específico?

Utilizei a técnica que costumo usar muito nos meus desenhos, que é a de pontilhismo, e os materiais básicos, papel e caneta nanquim.

Aliás, ainda sobre técnica: eu acho a capa do quadrinho incrível. Você usa nela a mesma técnica presente no miolo da obra?

Obrigada! Na verdade essa capa seria pintada a lápis de cor e colorida, mas o resultado acabou ficando desastroso hahaha. Uma solução foi deixar a pintura em PB, e adicionei alguns traços a caneta. O material do miolo é diferente, nele uso somente nanquim.

Quadros de Esgoto Carcerário, HQ de Emilly Bonna publicada pelo selo Escória Comix

Eu gosto principalmente dos personagens de Esgoto Carcerário. Quando você começou a desenvolver a HQ já sabia o destino e a história de cada um deles?

Cheguei a pensar no destino de alguns, mas os rumos da história mudaram bastante. O destino do Nico Penico foi o único que se manteve mais fiel no que eu tinha estipulado para ele inicialmente.

Quadros de Esgoto Carcerário, HQ de Emilly Bonna publicada pelo selo Escória Comix

Você teve alguma influência maior durante a produção desse quadrinho? Digo, houve alguma obra – seja quadrinho, música, filme, livro ou o que for – que te inspirou durante o desenvolvimento da HQ?

Não consigo citar uma influência específica durante a produção dessa HQ, ela é mais um resultado de um aglomerado de coisas que consumo desde a infância até os dias atuais, de Castelo Rá-Tim-Bum, que eu adorava ver quando criança, até os filmes do John Waters e coisas mais extremas.

Quadros de Esgoto Carcerário, HQ de Emilly Bonna publicada pelo selo Escória Comix

Aliás, o que você gosta de ver, ouvir e ler? Quais são as suas principais referências?

Gosto de ver conteúdos diversos, filmes de drama, terror, comédia, trash, desenhos do Cartoon Network de 2001/2008, gore dos anos 60/70, vídeos de brigas do programa A Fazenda entre o Theo Becker e o Dado Dolabella, bizarrices do site eFukt, como um homem enfiando um copo de vidro dentro do próprio ânus e quebrando, etc, etc. Sobre o que eu gosto de ouvir; meus hits do momento são as músicas da banda The Shaggs e as do Tiny Tim, inclusive coloquei no quadrinho uma música interpretada por ele, porque enquanto eu desenhava a cena ela ficava tocando na minha cabeça. A respeito do que leio, vou citar alguns que li recentemente; Confissões de um Crematório, da Caitlin Doughty; O Caso de Charles Dexter Ward, do H.P. Lovecraft, Asteroides: Estrelas em Fúria, do Lobo Ramirez; e Meu Amigo Dahmer, do Derf Backderf.

Eu conheci o seu trabalho por meio da coletânea Porta do Inferno. É muito diferente a experiência de desenvolver um projeto solo e outro com a presença de outros artistas?

Não é tão diferente, a experiência de fazer algo solo torna aquilo mais pessoal, principalmente porque eu posso explorar a temática que eu quiser. Em coletâneas geralmente o tema já está estabelecido, o que é legal também, pois a ideia sobre o que criar em cima dele flui mais rápido, na minha opinião.

A capa de Esgoto Carcerário, HQ de Emilly Bonna publicada pelo selo Escória Comix

HQ / Matérias

Luzes de Niterói: Marcello Quintanilha, quadrinhos, futebol e memórias

O mais novo trabalho do quadrinista Marcello Quintanilha finalmente chegou às livrarias brasileiras. Publicado pela editora Veneta alguns meses após seu lançamento na França e em Portugal, Luzes de Niterói é livremente inspirado em um dia de caos vivido pelo pai do artista na década de 50, quando Hélcio Carneiro Quintanilha era jogador de futebol. Tão impactante quanto os trabalhos recentes mais aclamados do quadrinista, Tungstênio e Talco de Vidro, Luzes de Niterói constará em muitas listas de melhores do ano quando 2019 chegar ao fim.

Eu entrevistei Quintanilha sobre as inspirações por trás de seu novo álbum e o desenvolvimento da HQ. Transformei essa conversa em texto publicado hoje, no caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo. Você lê a minha matéria clicando aqui.

Cinema

Little White Lies #79: High Life

Os editores da revista inglesa Little White Lies acabaram de divulgar a capa da 79ª edição da publicação – como sempre lembro, a minha revista preferida. A capa ficou por conta de High Life, filme novo da cineasta Claire Denis, protagonizada pelo ator Robert Pattinson. Quero muito ver esse filme, mas não encontrei no Imbd uma possível data de lançamento nos cinemas brasileiros… Fuén! Enfim, você confere aqui o editorial da revista e a seguir o trailer da produção que tem destaque nesse próximo número da publicação. Dá o play:

HQ

Je Suis Cídio #3, por João B. Godoi

O quadrinista João B. Godoi está morando na cidade de Angoulême, na França, e participando da classe internacional de quadrinhos da Ecole Européenne Supérieure de L’image (EESI). Desde sua chegada à Europa ele vem produzindo uma espécie de diário em quadrinhos batizada de Je Suis Cídio, mostrando um pouco da rotina dele em Angoulême. 

As duas primeiras páginas do projeto foram publicadas aqui no blog no dia 20 de fevereiro, junto com uma entrevista na qual o autor fala sobre suas influências e inspirações. A segunda atualização entrou no ar no dia 28 de fevereiro e hoje você confere o terceiro post da série.

HQ / Matérias

A saída de Mike Deodato Jr. da Marvel e a parceria com Jeff Lemire no épico de ação e feitiçaria Berserker Unbound

O quadrinista brasileiro Mike Deodato Jr. anunciou o término do período de 24 anos de parceria entre ele e a Marvel Comics. Após tornar público o fim de mais de duas décadas de colaborações para a Casa das Ideias, ele revelou seu novo projeto, a série Berserker Unbound. Com roteiro de Jeff Lemire, o quadrinho começará a sair nos Estados Unidos em agosto de 2019, pela editora Dark Horse – a capa da primeira edição é essa aqui em cima. O título chega ao Brasil pela Mino, com previsão de lançamento para o início de 2020, simultaneamente à publicação do primeiro encadernado da série na América do Norte.

Eu entrevistei Deodato sobre essa decisão de sair da Marvel e também falamos sobre o desenvolvimento do projeto com Lemire e a trama da obra – sobre a chegada a uma metrópole moderna de um bárbaro com capa, espada, escudo e machado presos às costas tendo um bruxo em seu encalço. Transformei essa conversa em matéria pro UOL e você lê o meu texto clicando aqui.

HQ

Confira uma prévia de Popeye, a nova HQ da dupla Antoine Ozanam e Lelis

Goela Negra foi um dos quadrinhos mais interessantes lançados no Brasil em 2015. As questões levantadas pela história do roteirista francês Antoine Ozanam continuam atuais e o preto e branco do brasileiro Lelis é dos trabalhos mais bonitos que já vi em uma HQ. Na época do lançamento do livro, cheguei a entrevistar os autores e esse papo rendeu uma matéria pro portal UOL, que você lê aqui.

Daí que Lelis e Ozanam continuaram trabalhando juntos e quatro anos depois de Goela Negra eles estão publicando o álbum Popeye. A obra de 104 páginas acabou de sair na França, pela editora Michel Lafon, e consiste em uma aventura protagonizada pelo marinheiro comedor de espinafre criador pelo cartunista Elzie Crisler Segar em 1929. Mandei um email pro Lelis e ele disse que é cedo pra falar em lançamento no Brasil, então por enquanto fiquemos na torcida. Saca essa prévia de 11 páginas do álbum divulgada pelo site francês BDGest:

Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
Uma página de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon
A capa de Popeye, HQ com roteiro de Antoine Ozanam e arte de Lelis, publicada na França pela editora Michel Lafon