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HQ

Taís Koshino e a produção do terceiro número da Série Postal

Rendeu o marking-of da Taís Koshino para a terceira edição da Série Postal, você viu? Continuo publicando diariamente no tumblr do projeto uma série de depoimentos de cada um dos artistas envolvidos na coleção sobre a produção de seus trabalhos. A ideia é sempre divulgar as falas com exclusividade por lá e depois de algumas semanas reunir o conjunto de cada autor em um único post por aqui. Em breve rola o lançamento da HQ da Bianca Pinheiro na CCXP Tour, então já tá na hora de reunir no Vitralizado os depoimentos da Taís sobre o número três. São falas que não pretendem esgotar as HQs por completo, só aprofundar um pouco mais os temas e conceitos tratados em cada HQ. A seguir, aspas de Taís Koshino:

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“Gosto de sempre começar lendo e pesquisando. Para esse quadrinho, comecei lendo um pouco de Jacques Derrida, buscando sobre a questão do envio: quem escreve? para quem? E para enviar, destinar, expedir o quê? E sobre a questão da palavra que desvia, da espera, do retorno. Mas como de costume, não entendi muito, fiquei apenas com aquela coceira que dá no cérebro quando lemos algo que nos intriga”

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“Então fui ler artigos e ensaios sobre o cartão postal, o que mais me interessou foi ‘O Postal Ilustrado da Frente ao Verso: Imagens Mais que Reprodutíveis’ da Maria da Luz Correia. Texto interessante que traz um diálogo com Benjamin, Nancy e Blanchot, apresenta o cartão postal como uma escritura acentrada, de dupla face, assim como acontece nos quadrinhos, é um encontro, uma colisão, um enfrentamento, entre imagem e palavra. A imagem, como sua parte pública, comumente é uma reprodução, feita em massa, de uma obra de arte; o texto, como a parte privada, um espaço de comunicação interpessoal entre o remetente e o destinatário. E esses dois lados não são separáveis ou divisíveis”

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“Depois de ler, visitei meu arquivo pessoal de cartões postais, são poucos, mas importam muito, sinto que escolhi cada um. A maioria é da minha viagem de intercâmbio para europa: cartões do museu Thyssen-Bornemisza (Madrid); cartões do museu do Van Gogh (Amsterdam) e do Tate (Londres); cartões diversos; cartões de lembrança de lugares; cartões que ganhei de presente; o mais engraçado que tenho apenas um postal que me foi enviado por uma amiga de infância quando ela fazia intercâmbio nos EUA. Não descobri o que há de comum entre eles, mas entre eles, há um pouco de mim”

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“Não sei explicar ao certo como depois de tudo isso a ideia surge. Meu processo criativo se dá muito dentro da minha cabeça, eu gosto de estudar bastante e buscar referências, mas depois disso, preciso ficar relaxada, sair com os amigos, ir no cinema, assistir uma palestra, nesse tempo que me dou, as informações vão se conectando, tomando forma, se dando sentido. E ai pronto, cria-se, surge o que necessito fazer. Sempre faço esse sketch da página do quadrinho para ter uma noção melhor da composição que quero ter na página”

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“Para esse quadrinho, fiz três páginas que ficaram sobrepostas, cada página tem um grid de 12 quadros de tamanho igual. A primeira página é de desenho de linha e tem um clima de romance, na cama, um casal de mulheres. Na segunda, há somente as linhas do lençol que encobre. E na terceira, uma outra história, virada de ponta cabeça, pintada com tinta, sem contornos, uma narrativa de uma carta escrita que não se sabe se foi enviada (ou recebida)”

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“Eu prefiro desenhar em papeis menores, para esse quadrinho, fiz em um A5. Quando não desenho o grid na página, sempre faço essa mesa de luz improvisada com um grid por baixo da folha que irei desenhar, para me ajudar a manter o planejamento inicial. Coloquei papéis em cima a medida que ia desenhando as páginas. Na página da tinta, a mais difícil para mim, fiz marcações a lápis e depois fui colorindo, escolhi usar quatro cores e deixa-las chapadas”

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“Tô sempre refletindo sobre o que dá pra fazer com quadrinhos, qual é o limite dos quadrinhos e até se existe um limite ou não. Eu particularmente amo trabalhar com restrições, isso consegue guiar minha produção, de forma que eu consiga encontrar um limite dentro da própria restrição e do quadrinho que eu estou fazendo. Às vezes, quando eu preciso criar do nada, demora muito mais, mas ter um obstáculo conhecido me faz pensar em como contorná-lo”

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