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O Manifesto Comunista em Quadrinhos, Marcello Quintanilha, Ed Piskor, Camilo Solano e Juscelino Neco: confira os lançamentos da Veneta para os primeiros meses de 2019

A editora Veneta adiantou para o Vitralizado os principais lançamentos do selo nos quatro primeiros meses de 2019. Além do já anunciado e aguardado Luzes de Niterói, do quadrinista Marcello Quintanilha, para fevereiro está prevista chegada às lojas de O Manifesto do Partido Comunista em Quadrinhos, adaptação assinada pelo britânico Martin Rowson para o texto escrito em 1848 por Karl Marx e Friedrich Engels.

“Rowson transforma em desenhos a lógica furiosa e sarcástica de Marx. Até os não-marxistas irão se divertir”, promete o editor Rogério de Campos em papo com o blog em relação ao trabalho do quadrinista inglês, cartunista do jornal The Guardian.

Para março está agendado o segundo volume da série Hip Hop Genealogia, do quadrinista norte-americano Ed Piskorentrevistado aqui no blog em 2016, quando saiu o primeiro volume da coleção em português. Outra novidade é o livro Uma História da Tatuagem no Brasil, de Silvana Jeha. Em abril deverão chegar às lojas Fio do Vento, próxima HQ de Camilo Solano, e a adaptação ainda sem título de Juscelino Neco para o clássico Reanimator (1985).

Fiz uma breve entrevista por email com Rogério de Campos, editor da Veneta, sobre esses primeiros lançamentos do selo em 2019. Ele também comentou a repercussão de alguns dos títulos publicados pela editora no ano passado e perspectivas relacionadas ao mercado editorial brasileiro em crise. Saca só:

Quadro de Luzes de Niterói, o mais recente trabalho de Marcello Quintanilha

Você pode, por favor, comentar alguns dos lançamentos da editora em 2019?

Pensamos aqui a respeito da Veneta ficar mais comportada, mais adaptada aos novos tempos medievais. Mas não é de nossa natureza, assim um dos primeiros lançamentos do ano é o Manifesto Comunista em Quadrinhos. Uma adaptação criada pelo celebrado desenhista e escritor inglês Martin Rowson, o grande herdeiro da tradição inglesa do sarcasmo desenhado, uma tradição que vem lá dos tempos do James Gillray e que gerou o Monty Python, por exemplo. E Rowson transforma em desenhos a lógica furiosa e sarcástica de Marx. Até os não-marxistas irão se divertir. Mas não é recomendável para crianças: elas podem se tornar comunistas!

Três das principais publicações da Veneta em 2018 foram A Terra dos Filhos, Ayako e O Perfeito Estranho. Qual foi o retorno do público em relação a esses títulos? Vocês planejam publicar outras HQs do Gipi no Brasil? Há planos para mais mangás e outros quadrinhos do Osamu Tezuka?

A recepção foi ótima, não é? E veja: A Terra dos Filhos é o mais recente livro de um autor contemporâneo, o italiano Gipi. Ayako é uma HQ publicada originalmente em 1972 e O Perfeito Estranho reúne HQs que Krigstein criou na década de 50. No entanto, todas as três são igualmente vivas, surpreendentes. Ou seja, encontramos o novo em todos os lugares, até no passado.

Quadro de Luzes de Niterói, o mais recente trabalho de Marcello Quintanilha

Os dois nomes mais consagrados dos quadrinhos brasileiros contemporâneos são publicados pela Veneta, Marcelo D’Salete e Marcello Quintanilha. Além do já anunciado Luzes de Niterói, há planos para outras obras deles para breve?

Acho que uma das razões da minha boa relação com os autores é que eu não costumo chateá-los tanto com cobranças. Os livros vêm no seu tempo.

E em relação a jovens autores brasileiros, vocês têm em vista projetos de autoria de novos nomes da cena nacional de HQs?

Sim! Aliás autores e autoras. É uma pena o mercado brasileiro estar essa lástima, porque a produção de quadrinhos de hoje é talvez a melhor de todos os tempos. Gostaria de lançar vários novos autores por mês.

Quais as principais lições que a Veneta tirou da crise das grandes livrarias que aflorou em 2018? Como a editora pretende lidar com essa crise em 2019?

Grandes mesmo são as pequenas.

Como a editora está lidando com a chegada ao poder de um governo de extrema-direita que acabou com o Ministério da Cultura e que promete cortes em políticas públicas e sociais de fomento às artes?

Prefiro não comentar. Do jeito que a foi a primeira semana do governo, arrisca ser ex-governo quando você publicar a entrevista.

A capa da edição norte-americana do segundo volume da série Hip Hop Genealogia, do quadrinista Ed Piskor

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