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HQ / Marvel

O fim do Gavião Arqueiro de Matt Fraction e as histórias definitivas de alguns personagens da Marvel

Eu ia chamar esse post de “Todas as capas do Gavião Arqueiro de Matt Fraction”, mas fiz as contas e percebi que o autor da montagem aqui em cima esqueceu dos números 10 e 12 da série – as únicas não desenhadas pelo David Aja, mas pelo Francesco Francavilla. Daí o nome da imagem é: “Todas as capas de Gavião Negro assinadas por David Aja”. Enquanto prestava atenção nessas ilustrações lembrei o quanto gosto dessa série e fiquei triste por seu fim. Ela acaba no número 22 e já tá na história como, por enquanto, a revista definitiva do Gavião Arqueiro. Dei uma pesquisada e vi que no Brasil o gibi sai em Capitão América & Gavião Arqueiro, não sei em que ponto a publicação tá.

Ninguém nunca deu bola pro Gavião Arqueiro. O cara começou como inimigo dos Vingadores, entrou pra equipe e foi pro cinema na versão cinematográfica da Marvel. Gosto muito de quadrinhos e da Marvel, mas não me considero nenhuma enciclopédia ambulante da editora, mesmo assim, acho que dá pra dizer que o personagem nunca tinha tido uma história solo memorável até ele ser entregue a Matt Fraction. A série começou em 2012 e mostra o cotidiano de Clint Barton fora dos Vingadores. O cara mora no subúrbio de Nova York e fica por conta de tomar conta da vizinhança onde mora. Coisa como ajudar a galera a se proteger da chegada de um furacão e encarar uma gangue russa que opera na região.

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Ao longo das 19 edições publicadas até agora, os roteiros de Fraction e a arte de Aja contaram histórias com as narrativas mais diversas. Em uma delas, uma aventura é apresentada sob o ponto de vista do cachorro do herói e outra com os diálogos exclusivamente na linguagem dos sinais. Massa demais. O Francesco Francavilla é o desenhista quebra-quebra de algumas edições e as cores do sempre fenomenal Matt Hollingsworth – o mesmo responsável pela colorização do Demolidor e de Alias do Brian Bendis e do Capitão América do Ed Brubaker. Clássico. Melhor impossível.

Daí também parei pra pensar como recentemente tem saído sequências de histórias que considero definitivas para alguns personagens. Não consigo imaginar para o Homem-Aranha e pro Quarteto Fantástico nada melhor que as séries publicadas nos anos 60, trabalhos assinados por pessoas como Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko. Também considero insuperável a passagem de Chris Claremont e John Byrne pelos X-Men, apesar dos arcos recentes fenomenais com Grant Morrison e Joss Whedon. No entanto, a história perfeita dos Vingadores é do Mark Millar em Ultimates, lançado em 2002. As melhores histórias do Capitão América foram publicadas entre 2004 e 2012, com os roteiros do Ed Brubaker. Pode ser um sacrilégio para alguns, mas o Demolidor do Brian Bendis é melhor que o do Frank Miller. E o Gavião Arqueiro do Matt Fraction não tem igual nos cinquenta anos do personagem.

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Passada a crise imensa pela qual a Marvel passou nos anos 90 e a segurança financeira que os filmes dão pra editora, a Marvel tem se permitido ousar mais do que nunca. É uma pena Gavião Arqueiro chegar ao fim, por mim seria daquelas séries que duram anos e anos. Só gosto de pensar que o verdadeiro potencial da editora apenas começou a ser explorado, também nos quadrinhos e não só no cinema.

PS: em breve volto pra falar mais exclusivamente do Matt Fraction. Esse é outro que também acho que apenas começou a ter seu potencial criativo plenamente explorado. Gavião Arqueiro é demais, mas Sex Criminals…sério, acho que é a única série atualmente que chegou perto de competir com Saga no meu coração. E também preciso falar sobre Saga né? Guenta aí que já volto.

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3 comentários O fim do Gavião Arqueiro de Matt Fraction e as histórias definitivas de alguns personagens da Marvel

  1. kinhu

    Sabe, vou ser crítico e dizer que por mais que Gavião Arqueiro seja realmente muito bem escrito e planejado, se você analisar a fundo, notará que a revista serve para o Clint Barton, assim como também serve para qualquer super-herói da editora.

    Dá para trocar o personagem, manter a história que nada se perde. Ai já acho que é uma falha do escritor. Mas quanto as técnicas que ele vem usando, não discuto, são realmente incríveis.

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