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E eu ainda sou mais Talco de Vidro

Acredito que o Marcello Quintanilha tenha sido o autor que mais citei no bate-papo que rolou na Ugra, sobre os quadrinhos brasileiros de 2015 e as perspectivas para 2016. Logo após o término da minha conversa com o Daniel Lopes e a Gabriela Borges veio a notícia que o quadrinista tinha levado o prêmio de Melhor HQ Policial no Festival de Angoulême por Tungstênio. Como já escrevi por aqui mais de uma vez em minhas análises sobre os agitados anos recentes dos quadrinhos brasileiros, é complicado interpretar o período em que estamos vivendo sem alguma perspectiva temporal e o devido distanciamento histórico. Por isso não dá pra dizer que estamos testemunhando O MELHOR MOMENTO DA HISTÓRIA dos quadrinhos brasileiros, mas é sim um tremendo momento especial da história das HQs brasileiras. O prêmio vencido por Quintanilha por Tungstênio corrobora a tese.

O Érico Assis explicou um pouco do significado dessa premiação lá no Facebook: “É complicado dizer qual é o maior prêmio de quadrinhos do mundo, mas um prêmio em Angoulême movimenta o mercado franco-belga provavelmente mais que um prêmio Eisner nos EUA. Para os leitores da Europa, é um selinho importante a se colar na capa. A premiação de Angoulême tem duas características positivas: tende a ser mais aberta a HQs de outras nacionalidades (desde que tenha sido publicada em francês, bien sûr) e tem menos categorias. Ou seja, são poucos que ganham, o que aumenta o significado do prêmio”. Em linhas gerais, uma tremenda vitória.

Prêmios são só prêmios e nem sempre devem ser levados tão a sério assim, mas a vitória de Tungstênio vem no ápice de um momento atípico e de efervescência crescente dos quadrinhos brasileiros. Ainda é cedo pra interpretar o significado pleno do feito de Quintanilha, mas há um simbolismo maior nessa conquista diante da quantidade de gibis lançados e da qualidade das obras produzidas no Brasil nos últimos anos. É um marco ainda difícil de ser compreendido de forma integral, importante principalmente pelo potencial inspirador da conquista, pela possibilidade de chamar ainda mais atenção na Europa para o que está sendo feito no Brasil e por coroar a biografia de um dos melhores e mais prolíficos quadrinistas brasileiros de todos os tempos.

E olha, Tungstênio é um quadrinho excelente e seus méritos são vários. A repercussão gerada pela obra é extremamente merecida. Ainda assim, fico aqui me perguntando: o pessoal de Angoulême já leu Talco de Vidro? Não sei como o quadrinho lançado por Quintanilha em 2015 no Brasil será lido lá fora, se ele concorrerá em alguma categoria na edição de 2017 do festival, mas cá entre nós? Acho ainda melhor do que Tungstênio.

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