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Companhia das Letras abre 2019 com Minha Coisa Favorita é Monstro e promete André Dahmer e Caco Galhardo

A editora Companhia das Letras promete para março de 2019 o lançamento da edição brasileira de Minha Coisa Favorita é Monstro, álbum da quadrinista americana Emil Ferris vencedor de três prêmios Eisner em 2018 e do Fauve D’Or  do Festival de Angoulême em 2019. Logo em seguida, para o mês de abril, está previsto o lançamento de uma coletânea de tiras de Caco Galhardo e depois deverá ser publicada uma coletânea dedicada à série Os Malvados, de André Dahmer.

Ainda pelo selo Quadrinhos na Cia, no segundo semestre de 2019 deverá sair a HQ autobiográfica Heimat, da alemã Nora Krug. E entre as publicações ainda sem data de publicação constam uma parceria entre Lilia Schwarcz e do Spacca com um álbum sobre Lima Barreto; um livro de Rafael Sica com roteiro de Paulo Scott; a coletânea Todo Wood & Stock, com a íntegra do trabalho de Angeli com os personagens; a também coletânea Manual do Minotauro, da Laerte; a adaptação de Os Miseráveis assinada por Marcatti; a adaptação de Laura Lannes para A Obscena Senhora D, de Hilda Hilst; e O Aleph de Botafogo, parceria da escritora Simone Campos com a quadrinista Amanda Paschoal Miranda.

No post de hoje da série de entrevistas do Vitralizado com editores de quadrinhos, compartilho um papo rápido por email com o escritor Emilio Fraia, editor do selo de HQs da Companhia das Letras. Na conversa, ele fala sobre os principais lançamentos da Quadrinhos na Cia para 2019, comenta a crise das grandes livrarias e conta um pouco da repercussão de títulos lançados em 2018 – como Sem Volta, O Idiota, A Revolução dos Bichos e A Origem do Mundo. Papo massa. Ó:


Tira da personagem Lili a ex, do quadrinista Caco Galhardo

Você pode, por favor, adiantar e comentar alguns dos lançamentos da Quadrinhos na Companhia em 2019?

O mais esperado é o Minha Coisa Favorita é Monstro, da Emil Ferris (com tradução do Érico Assis), que deve ser publicado logo mais, em março. O livro foi o grande vencedor do Eisner (além da categoria principal, de Melhor Álbum, Ferris ganhou como Melhor Colorista e Melhor Roteirista/Desenhista), venceu também o prêmio principal em Angoulême, além de ter levado o Ignatz Indie Comics Award e encabeçado todas as listas de melhor graphic novel do ano. É absolutamente genial e vem se juntar a clássicos da Quadrinhos na Cia., como Maus e Persepolis.

Em abril, vamos publicar uma reunião de tiras, cartuns e histórias mais extensas do Caco Galhardo. Vai ser uma edição bem bonita, uma espécie de best of, com todos os personagens mais famosos dele, Chico Bacon, Pequeno Pônei, Lili a ex etc., apresentação do Reinaldo Moraes, sobrecapa que vira pôster. Devemos colocar nas livrarias também o aguardado Os malvados, do André Dahmer, que é hoje um dos principais cronistas em atividade do país.

No segundo semestre, o grande lançamento será o Heimat, da alemã Nora Krug (tradução do André Czarnobai). A autora, que tem 40 anos, viveu boa parte da vida fora da Alemanha e quando regressa ao país vai em busca da história dos avós, tentar descobrir como foi a vida deles durante a guerra. Heimat é uma palavra que significa ‘pertencer’, ‘pertencimento’. Krug conta que muitos alemães da geração dela sabem pouco do que aconteceu com suas famílias nesse período. É uma história autobiográfica, um olhar novo sobre as atrocidades do nazismo, e as técnicas de desenho e colagem que a autora usa são incríveis.

Temos no horizonte ainda uma nova parceria da Lilia Schwarcz e do Spacca com um álbum sobre o Lima Barreto; o novo livro do Rafael Sica com roteiro do Paulo Scott; o Todo Wood & Stock, do Angeli; o A Batalha, do Guazzelli com roteiro da Fernanda Veríssimo; o Manual do Minotauro, da Laerte; a adaptação do Os Miseráveis, do Marcatti; A Obscena Senhora D, da Hilda Hilst, que a Laura Lannes está fazendo; O Aleph de Botafogo, parceria da escritora Simone Campos com a quadrinista Amanda Paschoal. E mais algumas surpresas.

Tira da série Malvados, trabalho de André Dahmer que será publicado em coletânea pela Companhia das Letras

Eu queria saber mais sobre a dinâmica do seu trabalho com os autores nacionais do selo. Você é escritor e já foi roteirista de uma HQ (Campo em Branco, com DW Ribatski), como tem sido o seu diálogo com os quadrinistas brasileiros com trabalhos a serem publicados pela Quadrinhos na Companhia?

Em livros como o do Caco Galhardo, por exemplo, é mais um trabalho de selecionar e ordenar o material. Mas varia muito. No momento, há um projeto (sobre o qual não posso falar ainda) que está sendo feito a partir de um diálogo muito produtivo, desde a ideia inicial, tudo. Ou seja, não tem uma regra. Cada trabalho pede um tipo de intervenção, organização e acompanhamento.

Entre as minhas publicações preferidas da Quadrinhos na Companhia em 2018 estão Sem Volta, O Idiota, A Revolução dos Bichos e A Origem do Mundo. Qual foi o retorno do público em relação a esses títulos?

Foi muito bom. A revolução dos bichos e A origem do mundo estão indo para a primeira reimpressão. A repercussão desses dois livros, praticamente sem investimento de marketing, nos deixou bastante felizes. O Sem volta foi muito comentado (foi eleito o melhor álbum do ano pelo Globo), teve uma resposta incrível nas redes. O idiota, que é uma adaptação ousada, sem falas, um trabalho sofisticado do André Diniz, tem nos surpreendido positivamente também. Agora, claro, acredito que o mercado para este tipo de HQ, de alta qualidade narrativa e que ao mesmo tempo deseja falar com um público amplo, pode crescer muito.

E em relação a jovens autores brasileiros, o selo tem em vista projetos de autoria de novos nomes da cena nacional de HQs?

Sim, temos álbuns sendo produzidos, mas tudo ainda bastante no início.

Tira com os personagens Wood & Stock, criações de Angeli que serão reunidos em uma coletânea pela Companhia das Letras em 2019

Quais as principais lições que você, como editor da Quadrinhos na Companhia, tirou da crise das grandes livrarias em 2018? Como o selo pretende lidar com essa crise em 2019?

Quadrinhos são caros para ser impressos. Então, num momento de crise, esse tipo de livro é especialmente impactado. Acho que precisamos cada vez mais encontrar a nossa comunidade, os leitores desse tipo de trabalhos. Seja através da internet, seja em eventos ou em lojas voltadas para este público  – o trabalho que figuras como o Douglas e a Dani Utescher fazem na Ugra ou o Gui Lorandi na Monstra, por exemplo, é incrível.

Como a Companhia das Letras está lidando com a chegada ao poder de um governo de extrema-direita que acabou com o Ministério da Cultura e que promete cortes em políticas públicas e sociais de fomento às artes?

Com a consciência de que o momento pede a publicação de livros inteligentes e de qualidade.

Páginas de Minha Coisa Favorito é Monstro em processo de edição nos computadores da Companhia das Letras

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