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Entrevistas / HQ

Bulldogma: Wagner Willian lança a primeira grande HQ brasileira de 2016

Bulldogma é o primeiro grande quadrinho brasileiro de 2016. Wagner Willian produziu as 310 páginas de sua novela gráfica ao longo de um intervalo de dois anos. Recém-lançado pela editora Veneta, o título é protagonizado pela ilustradora Deisy Mantovani, no final de sua segunda década de vida/início de seus 30 anos. A personagem surgiu em um breve conto nas páginas do livro Lobisomem Sem Barba, publicado por Willian no início de 2014 e segundo lugar no prêmio Jabuti de ilustração em 2015. Recém-mudada para um apartamento supostamente alvo de abduções alienígenas, Deisy tenta conciliar sua rotina profissional instável e sua vida amorosa em frangalhos aos constantes acontecimentos absurdos que passam a cercar sua realidade.

Além de toda uma vibe sci-fi/conspiratória, há em Bulldogma um roteiro fluido, construído em cima de páginas com designs fragmentados e enquadramentos pouco usuais. Deisy é acompanhada na trama por seu bulldogue francês Lino. Apesar de estarem ambos no centro do enredo, eles também aparentam estar à margem do mundo, como os protagonistas de algumas das melhores obras da Nouvelle Vague. Não sei deixe enganar: por mais vasto, complexo e repleto de referências e citações que seja o universo de Bulldogma, o grande feito de Willian foi criar personagens tão verossímeis.

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Troquei alguns emails com Wagner Willian em seguida à minha leitura de Bulldogma. Conversamos sobre a origem da HQ, seus métodos de produção ao longo dos últimos anos, a influência de outras artes e técnicas na criação do gibi, suas inspirações e a já histórica campanha de divulgação do livro – marcadas por trailers lindos e uma série de entrevistas que já nasce clássica. Papo bom demais. Saca só:

“Eu queria envolvimento, algo que tomasse de assalto o tempo do leitor e permitisse a ele desenvolver um certo afeto. As histórias em quadrinhos são ideais para isso, principalmente pelo poder de sugestão dos desenhos.”

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Bulldogma é gigante. Não lembro de muitas HQs brasileiras nessas proporções. Número de páginas não é sinônimo de qualidade, mas impressiona, diz algo sobre a HQ, sobre o investimento e a relação do autor com a obra. O que passa na sua cabeça ao ver o quadrinho finalmente sendo publicado?

É difícil precisar o tempo exato porque não me debrucei integralmente sobre a produção dessa HQ. Comecei a desenvolvê-la logo após o Lobisomem Sem Barba. No aspecto geral, foram dois anos. Essas obras extensas, quadrinho com mais de trezentas páginas, tela de dois metros ou mesmo das pequenas mas que exigem bons anos sobre elas, passam por várias fases. Se elas sobrevivem às tempestades e alvoradas do autor, podemos dizer que ela tem uma personalidade própria? Hoje, vendo esse calhamaço que se tornou Bulldogma, consigo me ouvir gritando: “IT´S ALIVE!” Ou quase isso.

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Você não se debruçou integralmente e levou vários outros projetos em conjunto com o Bulldogma. Você criou algum método ou rotina para investir tanto tempo do seu dia ou da semana na HQ?

Uso um método simples e eficaz de não protelar os trabalhos pendentes/encomendados. O que significa muitas vezes virar noites trabalhando. Assim ganho tempo para desenvolver os trabalhos pessoais e arriscar conforme a demanda. Claro que, às vezes, o corpo trava ou ouvimos o chamado etílico, rs. Acho saudável saber minimamente onde se está pisando antes de começar e continuar um trabalho ou será uma perda de tempo mútua do autor/leitor. Inseguranças sempre irão aparecer. Como se desvencilhar dessas “varizes literárias”? Destaco duas soluções: tempo de maturação e bons e confiáveis amigos. Eles não fazem ideia do quanto agradeço por tê-los sempre comigo e do valor de suas generosidades. Alguns leram o Bulldogma enquanto ainda estava sendo desenvolvido. Faço questão de citá-los aqui: Adriano Lima, Daniel Lopes, Zé Oliboni, Jaqueline Morais, Guilherme Kroll, Rafael Coutinho, Anderson Menezes, Paulo Cecconi, Juscelino Neco, Daniela Marreiros, Allan Ribeiro, Rogério Freua, Frederico Frigieri e um tal de Ramon Vitral. Ouvi-los dizer que estava no caminho certo alimentou forças para que eu continuasse esse processo infernal que é fazer quadrinhos. Talvez sejam todos uns sádicos! Tenho certeza que um ou outro é. Ainda assim, obrigado, meus amigos. Vocês são foda! A parte mais bonita do Bulldogma.

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Tem um instante no quadrinho que a protagonista é questionada por amigo editor sobre a ‘Maldição de Kirby’. Em suma: só o autor sabe o inferno que passa pra concluir uma obra. Você foi produzindo a HQ sem ter uma editora fechada pra publicar. Em algum momento você chegou naquele dilema do ônibus cogitado pelo amigo da Deisy (“É como o busão que tá custando para passar. Se você não foi embora enquanto era tempo, virou uma questão moral entre você e o ônibus, você e a porcaria do seu trabalho”)?

Como a própria Deisy no Bulldogma, eu também havia cogitado lançá-la por “conta própria” mas não colocaria a mão no bolso para isso no que se refere a impressão. Tampouco tentaria alguma plataforma de crowfunding. O aparente milagre viria de uma equação bem simples. A personagem, como você pôde notar, é chegada numa boa cerveja. Qual cerveja? Foi aí que entrou a ideia de propor um merchandising para cervejarias artesanais. Algo, até onde eu saiba, inédito no meio – o que geraria mídia por si só. Criei um plano de merchandising que ia do logo na capa a um anúncio desenvolvido pela própria personagem (para quem não sabe, Deisy também trabalha com ilustrações publicitárias) dentro da HQ, da cerveja sendo degustada em diversas ocasiões até essa ação de merchandising sendo proposta pela personagem à cervejaria em questão para custear o quadrinho que ela estava fazendo. Realidade e ficção entrelaçando-se. A “grande sacada”, se é que eu posso dizer assim, era que o merchandising sairia de graça à cervejaria contratada, uma vez que todo o valor investindo na impressão da HQ seria devolvido no decorrer das vendas. Obtive vários entusiastas do projeto dentro das cervejarias artesanais que não passaram do entusiasmo. Foi então que abri o merchandising gratuito ao meu amigo Marcelo Gianesi da excelente IPA Juan Caloto e decidi mudar a finalização do Bulldogma que seria no nanquim para a finalização digital, acelerando o processo de produção. Voltando à sua pergunta inicial, vê-la publicada envolve, entre muitas coisas, um sentimento de coragem por parte da Veneta que encarou a publicação de algo tão extenso. Para mim é um objeto de obsessão e alívio.

Você lembra do instante que o quadrinho surgiu na sua cabeça?

Foi um processo de criação conturbado. Deisy Mantovani surgiu como a ilustradora citada no Lobisomem Sem Barba. Havia gostado da voz dela e acabei por inseri-la em uma HQ que estava fazendo. Essa HQ estava sendo criada dentro um esquema tipo jogo de peteca, sendo o foco narrativo, jogado de personagem para personagem. Não havia um enredo estabelecido e essa troca de personagens começou a se tornar infernal. Decidi retirar a Deisy desse jogo satânico e seguir apenas com ela. Foi então que surgiram as abduções alienígenas O resto você já sabe. Uma outra parte dessa história virou o Deus é o Jiraiya, publicada na Nébula e O Homem que Era Um Javali, ainda em desenvolvimento.

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E como foi a produção da HQ? Você começou por uma sinopse, foi pra um roteiro e depois arte? Imagino que algo desse tamanho, com tantas subtramas e produzido ao longo de tanto tempo implique em algumas mudanças ao longo do caminho. Você mexeu em muita coisa do seu projeto inicial enquanto produzia o gibi?

Outra parte complicada e não recomendável. Eu roteirizava e desenhava ao mesmo tempo. Inicialmente tinha essas três páginas da história citada acima que deveriam entrar em momentos distintos. Comecei a preencher os espaços, deixando a história seguir seu rumo da maneira mais natural possível. É claro que houve idas e vindas, o tempo todo, até mesmo depois de apresentar o esboço do Bulldgoma para a editora. Ao começar a finalização, a história passou por um outro enfoque – você está ali imerso em outra parte do processo, sua leitura começa a ser diferente. Novas mudanças. Inclusive para o capítulo final.

Sobre a Deisy. Pra mim, talvez o maior mérito do quadrinho seja permitir tantas leituras em relação ao que é Bulldogma. Gosto muito da vibe sci-fi e das várias subtramas e narrativas paralelas que surgem ao longo da HQ, mas no final das contas, para mim, é a história sobre um momento atípico na vida dessa mulher, com todos seus dramas e dilemas. Perguntei da origem da trama, a Deisy estava lá desde o começo?

É, cara, ela sempre esteve lá. Tentei dar um tempo na relação, negociar umas férias. Sofri sérias ameaças.

Rotular/classificar/encaixar em um gênero é uma merda, acaba limitando e tirando muitas das nuances de qualquer obra. Mas imagino que você tenha procurado editoras e editores para vender a HQ e suponho que você tenha apresentado uma sinopse básica e determinado um gênero durante essa venda. Você conseguiu? Fez esse exercício de síntese de impor um gênero ao seu livro?

Concordo contigo. Rotular uma obra é encerrá-la dentro do rótulo criado. Dependendo de como for pode vir a ser uma merda, principalmente se houver apenas um único rótulo para a obra. O filme Perdido em Marte ganhou o Globo de Ouro de melhor comédia. Entendo que o filme tenha elementos cômicos, mas no aspecto geral é muito mais um drama de ficção científica. Ao menos para mim. Ou estarei perdendo referencial de mundo? Se ainda existissem as locadoras, encontraríamos o filme ao lado do Férias Frustadas. Faz sentido pra você? Ainda assim, comédia ou drama, infantil ou infanto-juvenil são classificações inevitáveis dentro de uma obra. E classificá-la não diminui sua qualidade. No final não é isso que importa. O Bulldogma tem elementos de Nouvelle Vague, de ficção científica, uma dose de suspense psicológico também. Quando me pediram um logline para apresentação, escrevi: “O dia-a-dia de uma ilustradora freelancer ao lado de seu imbatível bulldogue francês, cercados por eventos estranhos e supostas abduções alienígenas.” Mas me diga, como você o classifica?

Tá clara a influência da Nouvelle Vague, mas também tem ares pesados de ficção científica. Não banco que você foi o primeiro, mas acho que você é um dos precursores da Nouvele Vague de ficção científica – e não sei se isso faz sentido.

Quando conversamos sobre o Lobisomem Sem Barba você me disse que “antes de um personagem, o Lobisomem Sem Barba é uma realidade em excesso. Um cenário mental onde alguém ou alguma coisa está prestes a cometer um crime. Isso se faz através daquilo que eu gosto de chamar de metalinguagem sobrenatural, como se a criatura que dá título à obra estivesse sempre por ali, a espreita”. O Bulldogma me remeteu a essa mesma leitura, a esse mesmo cenário mental e ao clima constante de algo sempre estar prestes a acontecer. Foi seu objetivo voltar a investir nesse conceito?

De certo modo. Da mesma maneira que a figura de um animal caminha pela páginas do Lobisomem Sem Barba, queria ter a presença alienígena surgindo no quadrinho, tornando-se latente. No quadrinho isso é muito menos velado. Não sei, talvez exista um termo literário para isso, mas essa coisa atmosférica sempre me interessou pela capacidade de impregnação que ela exerce.

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Assim como no Lobisomem, o Bulldogma é repleto de citações e referência e tem uma narrativa bastante fragmentada. O quanto o excesso de informação ao qual temos acesso no nosso cotidiano reflete na forma como você compôs o design das páginas e nos discursos fragmentados da Bulldogma?

Acredite se quiser, tentei ser o mais realista possível. Mesmo tendo os elementos sobrenaturais, tudo ali está em favor do realismo. E como uma ilustradora freelancer que trabalha em casa e principalmente com o computador, fatos que pipocam na internet acabam cruzando sua linha de frente. Por exemplo, na cena em que ela se lembra dos amantes que teve, ela tenta empurrar Ai Weiwei da cama pelo simples fato de que havia acabado de ler uma matéria sobre o artista.

Você faz pinturas, esculturas, escreve,…enfim, a narrativa sequencial é apenas uma forma de expressão que você domina. Imagino que você poderia ter escolhido diversas técnicas e estilos para contar essa história. Por que fazer em quadrinhos e com esse estilo que você escolheu?

Para cada ideia ou emoção existe uma ferramenta adequada para sua transmissão. Em Bulldogma, eu queria envolvimento, algo que tomasse de assalto o tempo do leitor e permitisse a ele desenvolver um certo afeto. As histórias em quadrinhos são ideais para isso, principalmente pelo poder de sugestão dos desenhos. Não sei você, mas eu acho que quanto mais estilizado ou esboçado o rosto de um personagem, mais leituras terei dentro dele, conseguirei criar referências a pessoas conhecidas ou mesmo me identificar com ele. Quanto mais um desenho se aproxima de uma realidade fotográfica, como por exemplo desenhar todas as malditas janelas em um edifício, mais você encerra o registro ali e faz sua narrativa parecer algo mostrado em câmera lenta. Por isso optei pelo estilo mais solto, mas ainda no limite do que é um desenho realista pelo apelo que ele causa e pelo maneira como ele potencializa os fatos sobrenaturais.

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Ainda assim, você trabalha com diferentes formas de arte e expressão. Você pega emprestado muita coisa de uma pra utilizar em outra? Há no Bulldogma ideias e conceitos típicos ou decorrentes da sua experiência com outras formas de arte?

Mas não tenha dúvida, meu velho! As esquivas e os uppers que eu aprendo no boxe utilizo ao insinuar o que seria um ponto de ruptura no texto para depois voltar à narrativa, deslizando no ringue. Tento manter uma relação de sinestesia em tudo o que faço. Acredito até que o autor seja um pouco isso, um catalizador de sintomas e ideias. Mesmo sua obra, não é o fim em si, mas aquilo que o leitor sente que espirrou nele. Ao imaginar a cena do personagem com abcessos na cabeça, desenhá-la, parecia que eu estava moldando a argila. Há um elemento orgânico envolvido em quase tudo no Bulldogma, de uma organicidade menos literal e mais subliminar. Aquele discurso sobre a estética da violência por exemplo, é um discurso modular, cabe em qualquer área. (E é claro que não faço boxe porra nenhuma, rs.)

Algo que destoa pra caramba no Bulldogma de outras HQs é a falta de sarjeta. Por que fazer esse quadrinho inteiro praticamente sem espaços entre os quadros? Pra muita gente, a sarjeta é um elemento intrínseco à linguagem dos quadrinhos. Você sempre teve bem resolvido na sua cabeça que o gibi inteiro seria sem espaço entre os quadros?

Na primeira história que eu estava fazendo, citada lá em cima, havia uma sarjeta preta. Ela criava uma atmosfera cinematográfica a coisa toda. Quando comecei a fazer o Bulldogma, ela se tornou desnecessária. A história toda é fluída e em grande parte sequenciada, a sarjeta criaria um tempo entre os quadros que não me interessou. Ou melhor, deixei para usar a sarjeta quando ela se fez necessária como no caso da festa no apartamento, onde há um salto no tempo narrativo entre uma conversa e outra.

Acho que vale a pena falar sobre a campanha de divulgação do livro. O que mais gostei nos trailers foi o fato deles não entregarem muito sobre a obra, mas principalmente aprofundarem a ambientação da trama. Ainda assim, acho que o ponto alto foram/estão sendo as entrevistas feitas pela Deisy. Claro que a repercussão desse conteúdo gera publicidade pro livro, mas o quanto elas te ajudam a aprofundar a personalidade da protagonista? Acho um projeto sensacional, você tem plano de dar continuidade a essas conversas depois do lançamento da HQ?

Você sabe que eu jamais poderia entregar o ouro ao pirata. A ideia foi exatamente essa de trazer o clima à tona e alguma coisa a mais. A sugestão de fazer o book trailer partiu da Veneta. Acabei fazendo dois book trailers por tomar gosto pela coisa. Não havia feito nada parecido antes. Confesso que ralei para aprender a mexer nesses programas de animação e de última hora! Foi tenso mas valeu a pena. E tenho que agradecer a uns bons companheiros que me de deram um outro toque técnico durante o processo. Fiz um trailer mais pessoal para apresentação da personagem, obviamente o título não seria outro senão A Vida Íntima de Deisy. E um segundo, mais áspero, mais soturno com aquela tensão psicológica que um thriller deve ter. Resultado: várias noites de sono foram pro saco. Mas não consegui parar por aqui. Estou criando pequenos gifs animados. Virou um vício. Mais um neste imenso vale de lágrimas.

Quanto às entrevistas, rapaz, está sendo uma coisa extremamente agradável de se fazer. Os entrevistados estão dizendo que o Flerte da Mulher Barbada tem sido uma das entrevistas mais divertidas. Mal sabem eles que a diversão maior está sendo toda minha. Uma resposta mais cabeluda que a outra. A Deisy se mija toda de tanto rir enquanto eu preciso me conter aqui em casa para não acordar minha esposa (tenho trabalhado nisso durante a madrugada). Respondendo a sua pergunta, esta é uma chance de tornar a personagem ainda mais palatável, real, dá quase para sentir a textura de sua pele. Ela não está mais se relacionando com personagens fictícios. Ainda que exista um conteúdo ficcional em toda e qualquer entrevista, ela está interagindo com pessoas reais. De acordo com as respostas que elas trazem, a personagem tem reações diferentes. E isso é incrível, Ramon. Poder desenvolver e exercer a personalidade dessa personagem dentro desses parâmetros e a esse nível, é mais do que eu poderia desejar para ela. Fico vendo-a ganhar vida dentro e fora do Bulldogma e percebendo que daqui a pouco serei a Garota Dinamarquesa (com um sorriso tímido). Quem sabe o Flerte não acaba virando um livro também?

Agora, só para deixar uma coisa bem clara: a vida útil do livro cabe única e exclusivamente ao leitor, por isso ele deve se bastar. Toda essa campanha de divulgação nada mais é do que achar atraente a gama de possibilidades que a internet e outros meios podem oferecer ao livro. E a engine do Bulldogma permite isso, permite explorar outros caminhos. A própria personagem fala sobre esses desdobramentos. Sejam eles spin-offs ou simples gifs animados, só irão agregar valor à obra e aproximar o leitor de uma certa continuidade. Falando em continuidade, convenhamos, nunca houve tanta série sendo produzida como agora e com todo um aparato cinematográfico. Será porque há uma vontade maior do leitor/espectador de ter algo para acompanhar, algo que o distancie do ordinário, do qual ela possa fazer parte, ou (pausa dramática) que faça parte dele?

E tanto nas suas pinturas e esculturas quanto no Lobisomem há uma presença muito intensa de animais ou ideias referentes a instintos animais em homens e mulheres. O mesmo acontece no Bulldogma. Por que isso?

Porque eu sou um bulldogue francês.

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