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Cinema

The Grand Budapest Hotel

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Acabei de sair de uma sessão de The Grand Budapest Hotel. Os créditos começaram a subir e rolaram algumas palmas enfáticas do público. Ainda preciso pensar sobre o que realmente achei. Gostei muito, mas tá cedo pra dizer o que ele representa para mim na filmografia do Wes Anderson. Em termos técnicos talvez seja o longa mais perfeito até agora, tem o visual mais caricato e também o mais realista das oito produções do diretor. Não sei em qual revista li uma entrevista com ele falando que acha que alguns dos seus filmes estão fazendo mais sucesso anos depois de lançados do que no momento que eles chegam ao cinema. Espero que o mesmo não role com The Grand Budapest Hotel. Tenho certeza que será um tremendo privilégio poder dizer em futuro próximo que acompanhamos o lançamento dos filmes de Wes Anderson no cinema.

Uma das entrevistas que mais gostei de fazer até hoje foi com o Matt Zoller Seitz, autor do sensacional The Wes Anderson Collection. Algo bem interessante que ele me disse foi como acha importante que o Wes Anderson tenha suas muitas qualidades reconhecidas no presente, até agora algo bastante limitado a alguns nichos. A íntegra da minha conversa com a maior autoridade mundial na obra do cineasta tá aqui, mas republico duas falas que dizem um monte sobre a importância dos filmes do diretor e uma previsão precisa sobre algumas das muitas virtudes de The Grand Budapest Hotel:

Como você acha que os filmes de Wes Anderson serão lembrados daqui a 50 anos?
Wes é um grande cineasta e finalmente está sendo reconhecido dessa forma, até por pessoas que já o criticaram por excesso de maneirismos, superficialidade, artificialidade ou qualquer outra coisa. Isso é um problema comum para diretores de forte apelo visual, com estilo tão único que você é capaz de reconhecer de longe, numa tela de TV pequena com o som desligado. E ele está muito bem acompanhado. Alfred Hitchcock e e Stanley Kubrick foram tratados da mesma forma cética ao longo de suas carreiras. Espero que ele seja celebrado como um mestre enquanto estiver vivo. Eu odiaria pensar nele como um daqueles diretores que apenas aos 99 anos ganha um Oscar honorário já numa cama de hospital e com um respirador.

Como você explica o sucesso de Wes Anderson em um mundo que valoriza cada vez mais produções pouco autorais e sem personalidade?
Significa que ainda há fome por algo que tenha uma qualidade manual. E que é óbvio o desenvolvimento da sensibilidade de alguém trabalhando em colaboração com pessoas de mente aberta, em uma escala menor do que Hollywood costuma permitir. Cineastas como Wes são o antídoto para a mesmice dos blockbusters. Ele nunca fez um filme que parecesse produto de um memorando de marketing. E duvido que ele fará.

Quais são suas expectativas para The Grand Budapest Hotel?
Já vi um primeiro corte do filme. Não quero entregar muita coisa, mas posso dizer que, visualmente, é o filme mais extravagante de Wes Anderson desde A Vida Marinha com Steve Zissou, e provavelmente seu filme mais acelerado desde Rushmore, com muita coisa em cada cena e frame. Isso sugere que ele estudou bastante os filmes de Ernest Lubitsch, Michael Powell e Emeric Pressburguer.

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