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Cinema

Gravidade

Escrevi sobre Gravidade pro Estadão de hoje (11/10). Filmaço do Alfonso Cuarón que chegou pra embolar tudo na minha lista de melhores filmes 2013.

Gravidade

Fôlego restrito

O espaço apresentado ao longo dos 90 minutos de Gravidade é mais impressionante do que qualquer registro presente em documentários filmados em alta definição, por satélites reais, e exibidos em canais como National Geographic e Discovery Channel. O espetáculo é fruto de quatro anos e meio de pesquisas, testes, filmagens e animações feitas pelo diretor mexicano Alfonso Cuarón, resultando em um dos melhores lançamentos de 2013.

Escrito por Cuarón e seu filho Jonás, o roteiro conta a história de dois astronautas na órbita terrestre, sem transporte e com pouco oxigênio, após sua nave ser destruída por restos de uma estação espacial russa. É esse o centro de todo o longa: a luta pela sobrevivências dos astronautas Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalski (George Clooney), sem qualquer contato com a Terra e com alternativas limitadas e improváveis de autopreservação.

Autor do melhor episódio da série Harry Potter, ‘O Prisioneiro de Azkaban’ (2004), Cuarón inicia ‘Gravidade’ com uma sequência de praticamente quinze minutos sem cortes. Em ‘Filhos da Esperança’ (2006), ele já havia utilizado a técnica em vários momentos, mas especialmente nos instantes derradeiros da produção, em uma cena ininterrupta de quase oito minutos. No entanto, dessa vez, seus movimentos de câmera fazem jus à vastidão espacial e percorrem sentidos e direções inimagináveis em um cenário terrestre.

Além das técnicas e efeitos irretocáveis, o diretor construiu personagens profundos, com dilemas e histórias de vida que emergem à medida que suas esperanças começam a diminuir. Bem-humorado, o Kowalski de Clooney não é muito diferente de outras encarnações simpáticas do galã. Cabe à personagem de Bullock expressar todo o desespero inerente ao seu contexto e o sangue-frio necessário para enfrentá-lo.

Cuarón concebeu umas das obras mais aflitivas já filmadas. Prenda a respiração e aguarde pelo final grandioso com ares de ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’ (1968).

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