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HQ

Por muito tempo tentei me convencer de que te amava é indicada nas categorias Melhor Desenhista Nacional e Melhor Edição Especial Nacional no 31º Troféu HQMIX

O álbum Por muito tempo tentei me convencer de que te amava foi indicado nas categorias Melhor Desenhista Nacional e Melhor Edição Especial Nacional no 31º Troféu HQMIX. Obra de autoria do quadrinista Thiago Souto publicada pela Balão Editorial e com a minha participação no papel de editor, o quadrinho concorre na categorias Melhor Desenhista Nacional e Melhor Edição Especial Nacional.

Confira a sinopse do álbum: “O quadrinista Thiago Souto declara seu amor por aquilo que São Paulo tem de melhor a oferecer em uma ode à diversidade e à convivência. Primeiro projeto do artista em seguida ao sucesso de crítica e público Labirinto (Mino), a HQ Por muito tempo tentei me convencer de que te amava narra em quadrinhos um passeio de domingo pela Avenida Paulista, quando a via mais famosa da maior metrópole brasileira é fechada para carros e tem suas vias tomadas por pedestres, artistas, ciclistas e skatistas“.

Entre os meses de novembro e dezembro de 2018 foi publicada aqui no blog a série Thiago Souto e a Av. Paulista, na qual o autor falou sobre o tema da HQ, o desenvolvimento da obra e as reflexões tidas por ele enquanto desenvolvia o projeto. Você lê a série clicando aqui.

Os títulos e autores vencedores do HQMIX saem da votação de um júri convidado e a entrega dos troféus da premiação está marcada para o dia 15 de setembro, no SESC Pompeia, em São Paulo. Você vê a lista completa de indicados clicando aqui. Sorte a todos e fico aqui na torcida por Por muito tempo tentei me convencer de que te amava! Reproduzo a seguir a lista com os demais indicados nas categorias Melhor Desenhista Nacional e Melhor Edição Especial Nacional:

A lista dos títulos indicados na categoria Edição Especial Nacional do 31º Troféu HQMIX
A lista dos artistas indicados na categoria Desenhista Nacional do 31º Troféu HQMIX
A capa de Por muito tempo tentei te convencer de que te amava, do quadrinista Thiago Souto, publicado pela Balão Editorial
HQ

Série Postal 2018 é indicada na categoria Publicação Independente de Grupo do 31º Troféu HQMIX

A Série Postal 2018 foi indicada na categoria Publicação Independente de Grupo do 31º Troféu HQMIX, a mais tradicional premiação brasileira de quadrinhos – você confere a lista completa com os indicados de todas as categorias clicando aqui.

Projeto do blog Vitralizado, a Série Postal tem o objetivo de expandir o alcance do trabalho de artistas com propostas autorais e experimentais e em 2018 contou com a parceria com a gráfica Juizforana. Com distribuição gratuita, o projeto também surgiu como uma provocação em tempos nos quais edições luxuosas, caras e pouco acessíveis dominam o mercado.

Em 2018, no 30º HQMIX, o primeiro ano da Série Postal, lançado entre janeiro e dezembro de 2017, foi indicada na categoria Melhor Publicação Mix.

Como idealizador e editor do projeto, agradeço aos jurados que indicaram a Série Postal. Também agradeço aos cinco incríveis artistas que contribuíram para o segundo ano da coleção: Alexandre S. Lourenço, Raquel Vitorelo, Cecília Silveira, Deborah Salles e Diego Gerlach. Também agradeço aos lojistas que ajudaram na difusão da série e, principalmente, ao designer e grande amigo Jairo Rodrigues, essencial para o desenvolvimento do projeto.

Os títulos e autores vencedores do HQMIX saem da votação de um júri convidado e a entrega dos troféus da premiação está marcada para o dia 15 de setembro, no SESC Pompeia, em São Paulo. Sorte a todos e fico aqui na torcida pela Série Postal! Reproduzo a seguir a lista com os demais indicados na categoria Publicação Independente de Grupo e as cinco edições da Série Postal 2018:

As 10 obras indicadas na categoria Publicação Independente de Grupo do 31º Troféu HQMIX
A HQ de Alexandre S. Lourenço para a Série Postal 2018
A HQ de Raquel Vitorelo para a Série Postal 2018
A HQ de Cecília Silveira para a Série Postal 2018
A HQ de Deborah Salles para a Série Postal 2018
A HQ de Diego Gerlach para a Série Postal 2018

HQ

Confira uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum de Adrian Tomine

Dá pra esbarrar com uma ou outra notícia relevante no meio da barulheira toda da San Diego Comic Con. O que vi de mais interessante até agora foi o anúncio da Drawn & Quarterly sobre os lançamentos do selo pra 2020, incluindo o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine, batizado de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist e com publicação prevista para o verão norte-americano do próximo ano.

Os editores do quadrinhos ainda não revelaram nenhuma sinopse da obra, mas esbarrei com uma prévia de seis páginas da HQ lá na seção Stories do Instagram da Drawn & Quartery. Essa prévia inicial é ambientada na San Diego Comic Con de 1996, quando Tomine concorreu ao Prêmio Eisner na categoria de Melhor História Curta em disputa que ainda contava com o Daniel Clowes e o Chris Ware e na qual o troféu acabou ficando com uma obra do Evan Dorkin – autor da série Beats of Burden.

Daí me pergunto: com Intrusos publicado português, dá pra ser otimista é cogitar que a porteira tá aberta pra mais trabalhos do Adrian Tomine por aqui? Enfim, enquanto isso, deixo a prévia, em baixa resolução, que printei lá da conta da Drawn & Quartery. Ó:

Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
Uma prévia de The Loneliness of the Long-Distance Cartoonist, o próximo álbum do quadrinista Adrian Tomine
HQ / Matérias

Tempo e espaço ao mesmo tempo: uma reflexão sobre como os quadrinhos expandem a narrativa sequencial mesmo sem precisar de outras mídias ou da internet

Fui convidado a escrever um artigo sobre histórias em quadrinhos para a 15ª edição da revista Caderno Globo, publicação da Rede Globo com edições temáticas sobre assuntos relevantes para a sociedade e distribuída de graça em universidades, biblioteca e centros de pesquisa. O tema da edição com a minha colaboração foi Narrativas (Des)Construídas.

O meu texto trata dos trabalhos de autores como Rodolphe Töpffer, Chris Ware e Nick Sousanis e da minha crença de que o que há de mais moderno na linguagem dos quadrinhos não diz respeito a experimentações multimídia, a buscas por maior interação com leitores ou a adaptações para outras linguagens. A vanguarda das HQs mundiais tem como foco a essência da narrativa sequencial e a investigação de suas dinâmicas mais fundamentais.

Você lê a íntegra da edição na página da revista e confere o meu texto clicando aqui.

A capa da 15ª edição da revista Caderno Globo
HQ

Seth fala sobre Palookaville, Clyde Fans, Charles M. Schulz e histórias sobre a vida como ela é. Ouça!

Já comentei por aqui como Clyde Fans, do Seth, é um dos grandes quadrinhos publicados nos Estados Unidos em 2019 – e que talvez só não seja “o” lançamento porque Rusty Brown, do Chris Ware, chega às livrarias logo mais, em setembro. Enfim, outro dia indiquei por aqui uma entrevista do Seth pro The Virtual Memories Show. Hoje recomendo outra entrevista com o autor.

Dessa vez ele conversou com a Debbie Millman, apresentadora do Design Matters. O papo é motivado pela publicação do trabalho mais recente dele, mas vai longe nas memórias de infância e do início da carreira dele como autor de histórias em quadrinhos. Papo bem massa e revelador sobre um dos quadrinistas mais interessantes do mundo hoje. Escuta aqui.

Aliás, já leu a minha entrevista com o Seth? Conversei com ele na época do lançamento da edição brasileira de A Vida é Boa, Se Você Não Fraquejar. Também recomendo o papo recente dele com o pessoal do The Comics Journal, focado também em Clydes Fans.

Entrevistas / HQ

Papo com Roger Cruz, autor de Os Fabulosos: “Queria exagerar mais ainda a anatomia, os gestos, as posturas e os discursos dos personagens dos gibis de super-heróis”

O quadrinista Roger Cruz não tem certeza, mas acredita que o último trabalho dele para uma editora norte-americana de quadrinhos de super-heróis foi publicado em 2009 ou 2010. Desde então, o foco do autor tem estado em ideias que ficaram de lado durante a época em que desenhava comics. Durante esse período ele lançou três álbuns da série Xampu, sobre a rotina de um grupo de amigos roqueiros na São Paulo do início dos anos 90; Quaisqualigundum, homenagem a Adoniran Barbosa em parceria com Davi Calil; e A Irmandade Bege, protagonizado por um grupo de idosos conspiracionistas.

No entanto, antes dessa investida em quadrinhos independentes e autorais, houve os X-Men. Os X-Men Alpha. Os X-Men Omega. A Geração X, a X-Factor e a X-Patrol. O Magneto, o Homem-Aranha, o Doutor Estranho, o Hulk e o Motoqueiro Fantasma. Alguns dos principais super-heróis da Marvel foram desenhados por Roger Cruz entre os anos 90 e a primeira década dos anos 2000. E são exatamente eles os alvos de Os Fabulosos.

Com um lançamento marcado para sábado (13/07), na Quanta Academia de Artes, em São Paulo, e outro no sábado seguinte (21/07), na Loja Monstra, também em São Paulo, Os Fabulosos é uma sátira do universo dos X-Men da Marvel e de todo o gênero de super-heróis. A HQ de 120 páginas narra três aventuras protagonizadas por personagens como Caolho, Careca, Nanico, Toró e Metalovski, versões bizarras de Ciclope, Professor Xavier, Wolverine, Tempestade e Colossus. Os inimigos do grupo são o vilão Magnetic e sua Irmandade, com a missão de destruir os “tão lindos e atraentes” Fabulosos por meio do Igualizador Total, máquina capaz de transformar toda e qualquer pessoa em “bestas disformes”.

“Foi a vontade de brincar com os X-Men como o Keith Giffen fazia com a Liga da Justiça ou o Peter David com o Hulk e Aquaman que me inspirou a escrever a luta contra a Irmandade”, conta Cruz sobre o ponto de partida de seu mais recente trabalho, citando algumas publicações mais bem-humoradas de heróis da Marvel e DC e seus respectivos autores.

Os Fabulosos marca o encontro da fase mais recente e autoral de Cruz com seus anos trabalhando para as grandes editoras norte-americanas de super-heróis. Na conversa a seguir ele fala sobre suas inspirações para seu mais recente trabalho, lembra sua experiência como autor da Marvel, revela seu distanciamento do universo dos comics e comenta a experiência com financiamento coletivo que permitiu a impressão de Os Fabulosos. Saca só:

“Não acompanho praticamente nada do que é produzido hoje nas grandes editoras de HQs de super-heróis”

Quadros de Os Fabulosos, trabalho do quadrinista Roger Cruz

Eu faço parte de uma geração que começou a acompanhar as suas produções exatamente com seus trabalhos para editoras norte-americanas de super-heróis. O que representa para você retornar a esse universo?

A ideia dos Fabulosos surgiu por volta de 2002, logo depois do filme dos X-Men de 2000 quando eu trabalhava exclusivamente para a Marvel. Não lembro o que eu estava desenhando na época, mas já tinha trabalhado em títulos como Uncanny X-Men, X-Men Alpha e Omega, Generation X, X-Factor, X-Man e X-Patrol.

Quero dizer, quando comecei a produzir o primeiro capítulo da HQ dos Fabulosos, eu ainda estava nesse universo e desenhava super-heróis diarimente. Foi a vontade de brincar com os X-Men como o Keith Giffen fazia com a Liga da Justiça ou o Peter David com o Hulk e Aquaman, que me inspirou a escrever o capítulo onde eles lutam contra a Irmandade.
Os capítulos seguintes da HQ foram escritos anos depois e desenhados recentemente, já pensando em uma mini-série ou edição única como acabou acontecendo.

Por que retornar a esse universo de super-heróis? O que você vê de mais interessante nesse gênero? Aliás, você ainda lê HQs de super-heróis?

Não acompanho praticamente nada do que é produzido hoje nas grandes editoras de HQs de super-heróis. Releio algumas coisas velhas relançadas mas até isso é raro.

Tenho acompanhado um pouco mais a produção independente no Brasil.
Como desenhista, me divirto com a estética das HQs de super-heróis, com o ritmo característico da narrativa e com as possibildades gráficas. Apesar disso, no momento prefiro eu mesmo explorar esse universo, escrevendo e desenhando histórias como essa dos Fabulosos.

“Os personagens que eu mais gostava quando moleque, foram os que fui desenhar durante minha carreira com HQs de super-heróis”

Quadros de Os Fabulosos, trabalho do quadrinista Roger Cruz

Há vários personagens de super-heróis, mas você opta por parodiar especificamente os X-Men. Por que eles?

Quando moleque, as histórias que eu mais curtia eram as dos X-Men da dupla [Chris] Claremont e [John] Byrne. Me empolgava ver como eles trabalhavam com aquele monte de personagens, as relações entre eles, os eventos grandiosos, recordatórios gigantes de narração e balões de pensamento.

Talvez por gostar de desenhar grupos de heróis e do tipo de composição de cena que eles permitem, acabei indo parar na linha de revistas dos mutantes quando entrei na Marvel. Por coincidência, os personagens que eu mais gostava quando moleque, foram os que fui desenhar e com os quais trabalhei por mais tempo durante minha carreira com quadrinhos de super-heróis.

Você pode contar um pouco sobre a produção das histórias do livro? Você faz críticas e brincadeiras com temas, tópicos e personagens muito específicos. Você construiu a trama a partir das ideias que queria abordar ou essas ideias surgiram a partir da trama?

Uma coisa puxa a outra. Geralmente, crio uma trama pra seguir, mas enquanto escrevo, as conversas entre os personagens podem apontar pra direções diferentes da trama principal. Se os desdobramentos em uma dessas direções for mais interessante, vou por ali.

Geralmente escrevo já rabiscando um esboço da página com personagens e balões já posicionados. Prefiro trabalhar com número não definido de páginas. Se planejo uma história para 22 páginas mas, enquanto escrevo, percebo que pode ser contada em 15 páginas, paro por ali. E o mesmo acontece quando percebo que preciso de mais páginas.

Quadros de Os Fabulosos, trabalho do quadrinista Roger Cruz

E como você chegou no estilo de desenho que acabou utilizando em Os Fabulosos? Ele tá muito mais estilizado e caricato do que seus trabalhos mais recentes no terceiro volume da série Xampu e na A Irmandade Bege, não é?

Em cada projeto escolho o que considero mais interessante em termos de estilo para cada história que quero contar. No Xampu, o preto e branco remete aos gibis undergrounds que eu lia nos anos 80 e 90.

Na Irmandade Bege, a paleta de cores remete à trama e ao título. Nos Fabulosos eu queria exagerar mais ainda a anatomia, gestos e posturas e discursos dos personagens dos gibis de super-heróis.

O inimigo dos Fabulosos tem sérios problemas com o fato dos heróis serem “tão lindos e atraentes”. Uma crítica muito comum aos quadrinhos de super-heróis é o padrão estético preconizado por eles. Isso também é um incômodo para você?

Esse padrão estético é uma característica que não é exclusiva do gênero de super-heróis e não me incomoda.

Mas serem tão “lindos e atraentes” e  dentro dos “padrõezinhos” nesse universo dos Fabulosos são vantagens que eles usam pra conseguir mais privilégios e patrocinadores, o que não é muito diferente do mundo real.
Por outro lado, os adversários, vistos aqui como vilões e fora dos padrões, são discriminados pela sociedade e é essa discriminação que move a Irmandade contra os Fabulosos.

“Eu não gosto dos traços hiper-realistas e uniformes funcionais e sem cor”

Quadros de Os Fabulosos, trabalho do quadrinista Roger Cruz

Você também faz referência à trama do primeiro filme dos X-Men, lançado no ano 2000 e um marco para essa leva recente de adaptações de HQs de super-heróis. O quanto você acha que essa onda de adaptações influenciou a forma como se pensa HQs de super-heróis e como o público interpreta esses trabalhos?

Sim, na primeira história, o plano do Mentor Magnetic (Magneto) é bem semelhante e faz referência ao plano do Magneto de construir um dispositivo para transformar os humanos em mutantes, mas nos Fabulosos o tal dispositivo tem outro objetivo. A relação entre Caolho (Ciclope) e Nanico (Wolverine) faz referência a relação deles no filme e também nos quadrinhos. Mas Fabulosos é uma paródia, então acho que é isso que o leitor espera encontrar na HQ.

Sobre os filmes, curto muito ver esses personagens na tela, mas penso que são produtos diferentes, cada um com suas qualidades e também limitações de linguagem. É inevitável a influência dos filmes nos quadrinhos mas, sei lá, são coisas muito diferentes. 

Como público, eu não gosto dos traços hiper-realistas e uniformes funcionais e sem cor nas HQs, mas é porque cresci lendo gibi nos anos 80 com desenhos bem estilizados com paleta de cor limitada e abstrata mas que achava ótima e ainda acho.

Quadros de Os Fabulosos, trabalho do quadrinista Roger Cruz

O que você acha que o gênero de super-heróis oferece de melhor e mais acrescenta à linguagem dos quadrinhos?

Tem uns 10 ou 15 anos que não acompanho a produção de quadrinhos de super-heróis, então eu não saberia dizer o que eles representam hoje.
Mas, para mim, na minha época, era como acompanhar aventuras de deuses e heróis, tais como os gregos e romanos, mas ambientadas no presente.

Comecei a desenhar copiando desenhistas da Marvel e DC e foi com gibis de super-heróis que desenvolvi a paixão por histórias em quadrinhos. 
O gênero de super-heróis foi para mim a porta de entrada para outros gêneros e produções de outros mercados.

Quadros de Os Fabulosos, trabalho do quadrinista Roger Cruz

Quais as melhores memórias que você têm do seu período trabalhando com quadrinhos de super-heróis? Quais são as piores?

Eu penso que aproveitei e celebrei pouco cada conquista daquela época.
O dia-a-dia para um desenhista lento e inexperiente como eu era no começo, era cansativo e estressante por causa dos prazos, e eu me cobrava demais em cada cena, em cada página. Mas era um trabalho muito bem pago e compensava financeiramente. E o mais importante, era um trabalho que eu gostava de fazer e sabia fazer. Conhecia bem aqueles personagens e era divertido poder dar vida e movimento pra eles com o meu traço.

Desde 2009 ou 2010 que não faço nenhum trabalho regular para editoras gringas. O último foi Uncanny X-Men: First Class. De lá pra cá, tenho me dedicado a ideias que ficaram de lado durante a época que desenhava comics. 

Sempre que tinha um tempo livre, entre uma página e outra de super-heróis, escrevia e esboçava essas ideias mas não conseguia trabalhar em dois projetos ao mesmo tempo. Ainda não consigo. Uma das coisas melhores coisas daquela época foi conhecer e poder trabalhar com tantos artistas que hoje são amigos e inspirações.

“O que mais nos atraia na ideia do financiamento coletivo era conhecermos a demanda exata do livro”

Quadros de Os Fabulosos, trabalho do quadrinista Roger Cruz

Você já teve trabalhos publicados por editoras nacionais e internacionais, publicou de forma independente e por meio de editais e com Os Fabulosos teve sua primeira experiência com financiamento coletivo. Como foi/tem sido essa experiência com o Catarse para você?

Eu já sabia muito do que pode dar errado em um financiamento coletivo pelas experiências dos amigos e pelas dicas da própria plataforma, então fui bastante cauteloso e eu e minha esposa nos programamos bem pra minimizar os possíveis problemas.

Resolvemos só lançar a campanha com o livro pronto pra ir pra gráfica, estabelecemos metas modestas e com recompensas que não fossem complicadas de organizar e enviar.

O que mais nos atraia na ideia do financiamento coletivo era conhecermos a demanda exata do livro, já que o espaço que temos para guardar livros em casa está diminuindo. Depois dos lançamentos, começamos a enviar para os apoiadores. 

Um quadro de Os Fabulosos, trabalho do quadrinista Roger Cruz

Você pode recomendar algo que esteja lendo, assistindo ou ouvindo no momento?

Descobri por acaso na internet, os excelentes Wandering Island e Wandering Emanon, do Kenji Tsuruta. Curti Dark, do Netflix, e Cobra Kai, do YouTube, e no momento, estou ouvindo Synthwave em um canal chamado NewRetroWave, breguices antigas em playlists de Rock e Metal.

A capa de Os Fabulosos, HQ de Roger Cruz inspirada no universo dos X-Men