Vitralizado

Posts por data outubro 2017

HQ / Matérias

Marcelo D’Salete e os 11 anos de produção de Angola Janga

É difícil pensar em um quadrinho nacional tão aguardado quanto o Angola Janga do Marcelo D’Salete. O álbum começou a ser produzido em 2006 e foi precedido pelo excelente Cumbe em 2014. Já tendo lido o quadrinho, posso adiantar: ele atende às expectativas e é, provavelmente, a HQ brasileira mais importante publicada no Brasil em 2017. Conversei com o autor sobre o livro, suas inspirações, as técnicas utilizadas por ele e suas principais reflexões após os mais de 10 anos de produção das 432 páginas da obra. O papo virou matéria no UOL e você lê aqui.

PeAngolaJanga

HQ

Confira uma prévia de WILSON LANCHÃO, nova HQ de Lobo Ramirez pela editora Escória Comix

O quadrinista e editor Lobo Ramirez vai lançar um quadrinho novo pela Escória Comix na Feira Des.Gráfica 2017. A HQ foi batizada de WILSON LANCHÃO, tem 16 páginas em preto e braso, formato A6 e será vendida por R$5. Acho demais o trabalho de Ramirez na Escória e esse título assinado por ele parece tão promissor quanto gibis prévios lançados pela editora. O quadrinista adiantou aqui pro blog uma prévia de três páginas da obra e uma resenha inspirada assinada por Victor Bello, autor do excelente Úlcera Vortex. A seguir, as páginas de WILSON LANCHÃO e o texto de Bello:

“O premiado autor Lobo Ramirez, conhecido também como Stan Leexo, volta em grande estilo com seu mais novo gibi: WILSON LANCHÃO. Nesta novela gráfica de ação e ficção científica, Lobo nos apresenta um simpático lanche chamado WILSON, cuja vida esta na mais perfeita paz em uma praia paradisíaca. Wilson leva a vida que muitos pediram ao papai do céu: sexo monogâmico, banho quente e boas noites de sono. Porém, tudo vira de cabeça pra baixo quando o sossego de Wilson é interrompido por um soldado maníaco que desafiou as leis do espaço-tempo. Começa aí uma conspiração comandada pelo sinistro Doutor Billy, envolvendo viagens no tempo, dinossauros e muita porradaria.

A trama lembra a saudosa novela Kubanacan, já que se passa em uma ilha e é recheada de reviravoltas e mistérios, sendo que Wilson tem muito do personagem Pescador Parrudo, interpretado pelo ator Marcos Pasquim (1969-2015), pois ambos andam parcialmente nu durante toda a história e sofrem de amnésia. As referências, contudo, vão mais além. O próprio autor divulgou em seu instagram alguns dos gibis que Wilson Lanchão plagiou, como Slash O Guerreiro do Apocalipse, Mandrake e Quadrinhos Sacanas.

Wilson Lanchão é aventura que você precisa ler, tão delicioso que dá até vontade de comer o papel. E aí, irás perder essa?”

wilsonpagina01

wilsonpagina02

wilsonpagina03

Capawilson

HQ

Robinson, por Chris Ware

O Chris Ware assina a capa da mais recente edição da revista Robinson, suplemento semanal do jornal italiano La Repubblica. A matéria aproveita a proximidade do festival de quadrinhos de Lucca, entre 1 e 5 de novembro, para falar da história das HQs e de alguns dos mais influentes representantes da linguagem. No site da publicação a chamada da matéria cita personagens como Mickey, Charlie Brown e Diabolik e autores como Andrea Pazienza, Gipi, Mattotti e Zerocalcare – recém-lançado por aqui pela Nemo.

Aliás, outro dia chegou aqui em casa a minha edição de Monograph, espécie de autobiografia do Chris Ware com várias fotos e reproduções de trabalhos do autor ao longo de sua carreira. Suspeito que jamais saíra por aqui, mas é dos itens mais obrigatórios de 2017 se você gosta de HQs. Sempre digo: Ware é gênio e somos muito privilegiados de sermos contemporâneos dele e de seus trabalhos.

Entrevistas / HQ

Papo com Luli Penna, a autora de Sem Dó: “O que mais me impressionou foi a diferença entre a liberdade sexual dos homens e das mulheres, brutal naquela época (e hoje)”

A quadrinista Luli Penna pretendia contar em quadrinhos a história da vinda de seu avô e do seu tio-avô espanhóis para o Brasil. Ela já havia desenhado a saída dos dois da Europa e estava trabalhando na travessia do Oceano Atlântico quando mudou de ideia. O foco do projeto então passou a estar em suas tias e o cenário passou a ser a São Paulo dos anos 20. Sem Dó trata do despertar de um romance em uma cidade em transformação, contrapondo os costumes conservadores da época com a modernização da capital paulista.

Impressiona no trabalho de Luli Penna principalmente seu pano de fundo. A ambientação do álbum é aprofundada com ilustrações retratando a arquitetura art decó de São Paulo na década de 20 e com reproduções de anúncios publicitários e textos jornalísticos da época. “Quando comecei o Sem Dó já colecionava livros sobre a história de São Paulo, obras com fotos antigas e cartões postais. Durante o trabalho a coisa foi só aumentando”, conta a autora em entrevista ao blog.

Sem Dó é o quadrinho de estreia da autora e primeira HQ nacional da editora Todavia. A obra será lançada amanhã (31/10), às 19h30, na Livraria da Vila (R. Fradique Coutinho, 915) em São Paulo. Recomendo o livro pela relevância dos temas abordados por Luli Penna e pela beleza de sua arte. Na entrevista a seguir, ela fala sobre a origem do projeto, a construção da HQ e sobre alguns dos tópicos abordados no quadrinho. O papo contém alguns spoilers da obra, então acho melhor guardar a entrevista pra depois da leitura da HQ, combinado? Segue a conversa:

LançamentoSemDó

Você se lembra do instante em que teve a ideia de criar o Sem Dó? Qual é a origem do livro?

Eu estava desenhando a história do meu avô e do meu tio-avô, filhos de um pai anarquista radical que migrou para o Brasil no finalzinho do século XIX. Já tinha desenhado a vinda da família da Espanha pra cá, a travessia do Atlântico, mas estava ainda com o roteiro muito à deriva. Nesse meio tempo, continuava pesquisando, lendo sobre a época e principalmente conversando com parentes sobre a vida no Brás do começo do século passado, o dia-a-dia, etc. Numa dessas conversas, ouvi a história das irmãs dos dois. Aí pensei, “para tudo, não quero falar dos homens famosos da família (meu avô e meu tio avô se tornaram arquitetos importantes nos anos 50), quero falar dessas duas tias obscuras”!

O que mais me impressionou na história delas, não dá pra falar muito claramente sobre isso porque estragaria a leitura da HQ, é a diferença entre a liberdade sexual dos homens e das mulheres, brutal naquela época (e hoje). Há um elemento na história que é o exemplo máximo dessa disparidade: o dispositivo, digamos assim, que facilita a vida de prazeres dos homens é exatamente o mesmo que põe fim aos prazeres das mulheres. Foi exatamente quando essa prima dos meus avós me falou sobre isso que decidi desenhar o Sem Dó. Não ficou claro, né? É que, se eu disser exatamente do que se trata, entrego demais a história

semdo4

Me chamou muito a atenção seu trabalho para retratar a São Paulo do início do século XX. Em relação à arquitetura da época, que tipo de pesquisa você fez pra chegar a essa ambientação da obra?

Quando comecei o Sem Dó já colecionava livros sobre a história de São Paulo, livros de fotos antigas e cartões postais. Durante o trabalho a coisa foi só aumentando. Comprei muita coisa, emprestei, consultei muitos sites, andei muito pelo centro velho. E usei vários fotogramas de filmes mudos. O Limite, do Mårio Peixoto, por exemplo, um filme mudo brasileiro absolutamente maravilhoso lançado em 1931, eu vi muito. Vários quadrinhos foram copiados de lá (o retrós que a Lola usa enquanto costura, os sapatinhos dela saindo de casa e a própria idéia de passar um filme dentro da história foram coisas que eu copiei do Limite).

Não há nenhuma referência no Sem Dó à data exata em que se passa a história, mas tentei me concentrar no final da década de 20 para a pesquisa, nas revistas e no ano de 1927 para a pesquisa nos jornais. Mas dei umas roubadas… Há um anúncio de bonde dos anos 40, há vitrines anteriores à década de 20, enfim. Procurei me nortear por algumas datas específicas mas não me furtei a pegar coisas de outros carnavais.

“Esse mundo impresso era um luxo das elites, como, aliás, continua sendo. Imagina o número de pessoas que têm dinheiro pra comprar um álbum de HQ hoje no país…”

E sobre os anúncios publicitários e as matérias de jornais da época? Você trabalhou com alguma bibliografia específica?

Sempre gostei de folhear revistas antigas, Tenho uma coleção que herdei justamente de uma das tias avós em que se baseia o Sem Dó. Além disso, tive a sorte de começar a HQ num momento em que muita coisa já estava disponível na internet. A [revista] Scena Muda, boa parte das [revistas] ParaTodos, Cigarras, América estão disponíveis em vários sites. Isso facilitou muito a pesquisa. Digo o mesmo em relação aos jornais.

Mas, como os protagonistas do Sem Dó são duros, eles estão sempre espiando esses anúncios e matérias na publicação do passageiro ao lado, no trem ou no bonde. No caso da Lola, ela ganha do patrão uma pilha de revistas enorme, que ela e a mãe não se cansam de folhear. Esse mundo impresso era um luxo das elites, como, aliás, continua sendo. Imagina o número de pessoas que têm dinheiro pra comprar um álbum de HQ hoje no país…

semdo1

Aliás, é interessante não apenas seu cuidado em relação à arquitetura, às vestimentas e aos anúncios publicitários, mas também no que diz respeito à postura das pessoas. As interações dos protagonistas são marcadas por muitas sutilezas, como troca de olhares, decorrentes de imposições sociais da época. Foi desafiador pra você pensar com a perspectiva dessa época?

Isso tudo foi feito com base em histórias que ouvi. A cena da Lola, por exemplo, correndo pra janela do quarto ao chegar em casa pra ver o paquera com quem ela acabou de trocar olhares no bonde. Essa cena se passa exatamente como minha avó me contou que eram os namoros da época. Troca de olhares na rua; homem segue mulher pela cidade até descobrir onde ela mora; homem fica andando de um lado ao outro da calçada; homem tira o chapéu pra mulher quando passa embaixo do lampião… Hoje em dia, primeiro você dá um match no Tinder, depois sai pra rua. Lá naquela época, conhecer o cara, dar uma olhada pra ver se rola o match e todo o processo da paquera, envolvia as ruas da cidade.

Hoje as pessoas saem de suas garagens, vão até a garagem de um shopping, fazem compras, passeiam e voltam pra casa sem se relacionar com as ruas. Lá naquela época, as coisas aconteciam muito mais nas ruas, embora já estivesse previsto ali naquela São Paulo antiga esse império do automóvel. Na cena em que eles vão ao cinema Santa Helena, há um quadrinho em que aparece a Praça da Sé com metade da catedral construída e a praça toda tomada por carros estacionados. A praça era um estacionamento! Embora o Santa Helena seja hoje a estação do metrô e a praça um calçadão, sabemos como os pedestres são maltratados nessa cidade de carros. Por isso também que eu pensei no contraponto Estação da Luz-Rodoviária antiga. São Paulo começando no trem e acabando na rodoviária, no congestionamento total.

semdo6

Eu fiquei curioso em relação à construção do quadrinho. Você não trabalha com um gride fixo e insere páginas de jornais e anúncios publicitários durante a HQ. Você trabalhou com um roteiro?

Minha primeira ideia foi contar simultaneamente a história do Sebastião nas páginas esquerdas e a da Lola nas páginas direitas… Fiz isso durante um tempo, mas felizmente parei a tempo de não ser internada. Daí voltei prum grid que eu queria que fosse fixo o tempo todo pra dar mais a impressão de filme mudo. Mas as poucas pessoas pra quem mostrei os desenhos iniciais foram unânimes num comentário: “não é melhor dar uma variada nisso aí, não?” Hahahahah Daí, comecei a variar e achei legal, tomei gosto pela coisa.

Quanto ao roteiro, já comecei a desenhar com ele pronto. Tinha muitas dúvidas sobre o final, mas o grosso do roteiro estava definido desde o início. Mesmo porque, o enredo do Sem Dó é muito simples. O que mudou muito, o tempo todo, em todas as páginas, foi a sequência dos quadrinhos, os enquadramentos, etc. Se o livro tiver três páginas que foram esboçadas da maneira em que foram impressas, é muito. Assim que finalizava uma página e a via lá, prontinha, toda caprichada no nanquim, recortava tudo, mudava os quadrinhos de lugar, refazia, inseria um anúncio, remontava tudo de novo. Posso dizer que o material utilizado foi papel, nanquim e tesoura hahahaha

Nesse processo, os anúncios foram uma parte importante tanto da composição da página quanto do sentido da história, mesmo que ninguém perceba. No início, na cena do trem ainda, por exemplo, a primeira leva de anúncios que o Sebastião vê no jornal do passageiro ao lado, funciona como um resumo da história toda que está por vir. Ninguém nunca vai pensar nisso, mas foi assim que eu escolhi cada um deles. No final, cada anúncio que aparece faz um contraponto com os anúncios iniciais, etc. Mas isso é viagem minha, é como um prazer secreto de fazer algo que só a gente sabe.

semdo5

No começo do quadrinho, na cena da chegada do trem, você desenhou algumas formas circulares sobrepostas. É uma solução gráfica singular, pra mim representa tanto o som quanto a fumaça do trem. Você pode falar um pouco de como chegou nesses símbolos?

Que legal que você achou isso! Essa cena é um bom exemplo de como é possível fazer uma coisa muito legal sem virtuosismo. Fiz mil esboços desses quadrinhos tentando desenhar a fumaça do trem chegando à estação. Não conseguia uma fumaça legal de jeito nenhum até que, rasbiscando distraída no papel, comecei a desenhar esses arcos que são típicos da arquitetura e do mobiliário art deco da época e PLIMMM!!! Achei que aquilo parecia fumaça e, ao mesmo tempo, as engrenagens do trem, o que dava justamente essa impressão daquela máquina enorme se aproximando. Não pensei exatamente no barulho mas no funcionamento das engrenagens. Amei que você ouviu o barulho delas…

semdo7

O quadrinho é ambientado na época em que o cinema estava surgindo. Há uma cena com a protagonista utilizando um praxinoscópio e a chegada do trem me remete a um diálogo com o filme dos irmãos Lumière. A sua opção por não fazer uso de balões e colocar os diálogos em quadros pretos semelhantes às telas de filmes mudos do início do século passado também são uma referência às origens do cinema?

Sim! O Sem Dó se passa exatamente nessa época em que o cinema ainda era uma novidade, um espetáculo grandioso. Era imenso o prazer que as pessoas sentiam ao ver as imagens se movimentando, não só no cinema mas na grande variedade de engenhocas ópticas da época. Por isso me demorei tanto na cena em que a Lola faz uma pausa no trabalho para girar um zootrópico (o praxinoscópio é derivado dele. O zootrópico tem fendas na roda giratória, por onde o espectador vê as imagens que parecem se movimentar. O praxinoscópio – adoro esses nomes esdrúxulos – tem espelhos no eixo central que refletem as imagens da roda giratória). O prazer de desenhar uma HQ e tentar colocar as personagens em movimento é muito parecido com esse prazer de girar um zootrópico da Lola. Acho que esses brinquedos ópticos que aparecem no livro, a ida ao cinema do casal e a cena em que eles vão fazer um retrato no Parque da Luz (esse momento da captura da imagem) falam muito não só da época mas do trabalho todo de fazer uma HQ.

semdo2

Nós estamos vivendo um período de conservadorismo crescente. As últimas páginas do quadrinho apontam para um período de mudança que soa de alguma forma mais otimista e progressista. Como você vê o nosso futuro?

Nosso futuro? Torpe e melancólico.

Essas últimas páginas não estavam previstas. Passei muitos anos fazendo essa HQ. Quando comecei, o país ainda não tinha levado a surra do 7×1, não tinha sofrido um golpe, não estava descendo esse poço fundo. Quando fui chegando ao final da HQ, que ainda só se passava no começo do século passado, o país já estava mergulhado nessa depressão e eu achei que, mesmo com o final nada feliz da protagonista, havia uma sensação de resistência ali, uma sensação de nostalgia de uma cidade antiga e linda etc. Comecei a achar que seria mais interessante dar uma nota menos redentora, menos grandiosa pra coisa, e comecei a pensar num final mais melancólico, mais torpe. Foi aí que comecei essa espécie de posfácio nos anos 70, tentando um paralelo com o começo: Estação da Luz/Rodoviária velha; gramofone/gravador cassete; luvas de pelica/mini-saia; cotação do café/projetos desenvolvimentistas na Amazônia.

Nessa seleção de anúncios, o mais importante pra mim é o anúncio final, em que se lê: “CHEGA DE LENDAS! VAMOS FATURAR!”. Quando encontrei esse anúncio da SUDAM oferecendo empréstimos para quem quisesse explorar a Amazônia com esse slogan infame, pensei: taí o final. Era como se essas cenas dos anos 70 nos mostrassem o beco em que a gente já estava se metendo lá atrás naquela São Paulo antiga. Na verdade, tudo que estou falando é uma simples cena em que a Pilar guarda em cima do armário a caixa de onde veio tirando fotos e cartões postais, vai até a rodoviária antiga e pega um ônibus. É muita viagem minha achar que, com essa meia dúzia de anúncios que ela vê no trajeto, eu tenha conseguido falar tudo isso. Mas foi o que eu pensei hahahah. Em todo caso, é por isso que o quadrinho final é aquela cena da cidade de São Paulo inteiramente congestionada e sem-saída.

livrosite-semdo

HQ

4ª (1/11) é dia de Mesa de Dissecação: Wagner Willian na loja da Ugra

Você tem programa pra 4ª (1/11), às 19h? Então deixo o convite pro bate-papo Mesa de Dissecação: Wagner Willian, na loja da Ugra aqui em São Paulo. Eu estarei por lá com meus amigos do Balbúrdia, Maria Clara Carneiro e Lielson Zeni, pra esmiuçar os trabalhos mais recentes do autor de Bulldogma e Lobisomem Sem Barba. Aliás, também estará em pauta O Maestro, O Cuco e A Lenda, próximo álbum do quadrinista, com lançamento previsto pra dezembro. Lembrando: a conversa começa pontualmente às 19h e a Ugra fica no número 1371 da Rua Augusta. Você encontra mais instruções na página do evento no Facebook. Vamos?

Mesa de Dissecação: Wagner Willian

“Lielson Zeni (Balbúrdia), Maria Clara Carneiro (Balbúrdia) e Ramon Vitral (Vitralizado) convidam o quadrinista Wagner Willian para ir até a Ugra esmiuçar seus trabalhos mais recentes.

A ideia é que os quatro façam uma análise detida sobre Bulldogma (vencedor do Grampo de Ouro) e O Maestro, O Cuco e A Lenda (selecionado pelo PROAC-SP), falando de processo, narrativa, arte, trama, a relação entre as obras do autor e até a possível existência de um WagnerWillianWerso”.

HQ

Confira uma prévia de TARADO!, HQ de Diego Gerlach publicada no 7º número da revista Know-Haole

Estou sempre no aguardo dos novos trabalhos do Diego Gerlach. O próximo quadrinho do artista será o sétimo número da série Know-Haole, com uma história completa batizada de TARADO! e lançamento marcado pra Feira Des.Gráfica 2017, sábado (4/11) e domingo (5/11) no Museu da Imagem e do Som aqui em São Paulo. O gibi tem 40 páginas, capa colorida e miolo em preto e branco e preço de R$ 12. O quadrinista adiantou aqui pro blog a sinopse, a capa e uma prévia da HQ. Saca só:

1

“Dimmy e Valdomiro são dois dealers incautos, que resolvem se tornar informantes para levantar um $ extra e tirar de circulação seu desafeto, Sid Desgracera.

O que eles não imaginavam é que seu contato na polícia, o exemplar Tenente Deoclécio, está em apuros… Em meio a uma onda de arrombamentos, o Tenente tem sua capacidade colocada em questão pela própria força policial, enquanto sente sua sanidade se esvair pouco a pouco. Estaria este íntegro policial meramente perdendo a cabeça… Ou sendo vítima de uma força maligna ignorada?!!

Acompanhe as peripécias do rato Dimmy e do cachorro Valdomiro no encalço do Tenente Deoclécio em TARADO!, mais uma história ultrajante de Diego Gerlach, publicada em esplendoroso xerox pela Vibe Tronxa Comix”

KH7_CAPA_FINAL

17

21B

31

18

HQ

Roomates – Mórbida Diferença: a capa da HQ de Bruno Maron para o 14º Ugrito

O pessoal da Ugra Press revelou a capa da 14ª edição da série Ugrito, com um quadrinho assinado pelo Bruno Maron. O gibi ganhou o título de Roomates – Mórbida Diferença e será lançado na Des.Gráfica 2017. Já li a HQ e adianto que tá demais. É difícil encontrar nos quadrinhos brasileiros um texto igual ao do Maron, um tremendo frasista, discípulo direto do Millôr Fernandes.

E olha, cada vez mais consistente esses Ugritos, hein? Em 2015 foram Cru do Chico Felix, Germes da Cynthia B., Bastião da Justiça do DW Ribatski com o Gabrie Góes e e Furiosas do Rafa Campos. Ano passado saíram Time Lapse do Thiago Souto, Seleção Natual do Marcatti com o André Pijamar, Fired do Ricardo Coimbra, A Mediocrização dos Afetos da Chiquinha e O Retorno do Pedro Dapremon’t.

Daí chegamos em 2017 com os excelentes Cadeado do Juscelino Neco, Culpa da Cristina Eiko, Arrecém do Diego Gerlach, Le Monstre do Galvão Bertazzi e agora esse trabalho do Bruno Maron. Em tempos de capas duras, lombadas quadradas e preços altíssimos, é bão demais ler gibi bons e baratos.

HQ

Lâmpada em Ponta de Agulha: confira uma prévia do novo trabalho da dupla Beeau Goméz e Rodrigo Qohen

Já comentei por aqui como gosto dos trabalhos do Beeau Goméz e do Rodrigo Qohen nos títulos da Baboon Comix. Daí a boa nova: os dois estão com uma publicação inédita com lançamento previsto para a Feira Des.Gráfica na semana que vem, no Museu da Imagem e do Som aqui em São Paulo. Batizada de Lâmpada em Ponta de Agulha a obra tem formato A4, 24 páginas em preto e branco e tiragem limitada. A dupla adiantou aqui no blog a capa (a arte aqui em cima), uma prévia da obra e também a sinopse do trabalho. Ó:

“Lâmpada em Ponta de Agulha lança a pergunta: ideias são capazes de perfurar essa rede da realidade que somos condicionados a acreditar ser impenetrável?

Dúvidas, luzes, suposições e obstáculos são fragmentos de um diálogo multidirecional que compõe a narrativa. Esta, uma corrente construída a partir dos vestígios coletados de investigações. Os limites são maleáveis, transponíveis, e deles, caminhos desambiguam. Novas e improváveis pontes neurais são energizadas para que haja a potência necessária para dar um passo rumo ao precipício. O mergulho não tem volta. Uma vez que ignoramos o retrato virtual e entramos no espelho, o maravilhoso descoberto passa a ser apenas o que há. O respaldo é anacrônico, interpretativo e vivo, mas somente enquanto houver interação.”

Baboon2

Baboon3

HQ

Sábado (28/10) é dia de bate-papo com Sirlene Barbosa, João Pinheiro e Marcelo D’Salete na Quanta Academia de Artes

Ó, anota aí, programão pra sábado (28/10): três dos quadrinistas brasileiros mais interessantes dos últimos anos participarão de uma conversa na sede da Quanta Academia de Artes a partir das 18h30. O papo contará com a presença de Sirlene Barbosa e João Pinheiro, autores do aclamado Carolina, e Marcelo D’Salete, de Cumbe e do aguardado Angola Janga. O evento será simultâneo à abertura da exposição Narrativas Negras, com originais do Marcelo D’Salete.

Quem vai? Alguém podia filmar, hein? Enfim, segue o serviço: sábado (28/10), às 18h30 na Quanta Academia de Artes (Rua Doutor José de Queirós Aranha, 246, Vila Mariana, São Paulo, SP).

Entrevistas / HQ

Papo com Evan Dorkin, o roteirista de Beasts of Burden: “A série difunde lealdade, coragem e amizade em um mundo no qual coisas ruins acontecem, mas há esperança no fim”

O quadrinista Evan Dorkin tem como uma de suas principais preocupações na criação de Beasts of Burden que cada um de seus personagens na série tenha sua própria voz. “Vozes são tão importantes quanto os designs dos personagens, a voz está no cerne da forma como o personagem vive e respira na página”, afirma o artista em entrevista ao blog. O cuidado do roteirista em dar personalidades e características distintas aos cães e gatos de sua série em parceria com a ilustradora Jill Thompson fica explícito no primeiro encadernado do quadrinho lançado no Brasil. Beasts of Burden – Rituais Animais é o quarto título da editora Pipoca & Nanquim e é publicado em português pouco mais de 14 anos após sua estreia nos Estados Unidos.

A série de Dorkin e Thompson conta a história de um grupo de cães e gatos enfrentando demônios, bruxas e criaturas assombradas em uma vizinhança suburbana do interior dos EUA. Esse primeiro volume da série é composto por histórias fechadas que dão indícios de um quadro maior sendo construído por seus autores. A HQ é um ótimo escapismo mesclando terror, aventura e humor mas dialoga constantemente com a realidade.

“A arte alivia a dor e nos conecta, permite que eu, como artista, fuja da realidade e crie um espaço no qual as coisas são diferentes, me permite falar com outras pessoas de forma direta ou indireta, me permite continuar humano em tempos tão desumanos”, ressalta o autor em relação a essa diálogo entre seu trabalho de fantasia e o mundo no qual ele está sendo publicado. Beasts of Burden foi uma surpresa para mim e fico na torcida para o lançamento dos próximos capítulos da série. A seguir, minha entrevista com o roteirista da HQ:

bob1

Acredito que Beasts of Burden seja o seu primeiro trabalho publicado no Brasil. Pesquisei sobre outros quadrinhos seus e percebi que são muito diferentes da sua parceria com a Jill Thompson. Como você começou com HQs e como você define as suas primeiras publicações?

Os meus primeiros projetos eram principalmente quadrinhos de humor como Milk and Cheese e Dork e a série Bill and Ted pra Marvel. Mas mesmos os quadrinhos de aventura que fiz, como Pirate Corp$!/Hectic Planet, tendiam muito ao humor. Ou pelo menos tentavam ser engraçados. Eu sempre tive interesse em múltiplos gêneros, humor, aventura, ficção científica, super-heróis, autobiografias e também horror. Eu apenas não tinha conseguido levar adiante um projeto de horror até o surgimento de Beasts of Burden. A maior parte dos meus projetos iniciais é muito conectada à cultura pop americana e à realidade do meu país, então muito disso acabou não sendo traduzido para outros países. Até onde eu sei, Beasts é a primeira série em que estou envolvido que é publicada no Brasil.

“Eu pensei nessa ideia de uma casa de cães assombrada e a história acabou virando uma espécie de mistura entre Poltergeist e Uma Grande Aventura”

Você se lembra do momento em que teve a ideia de criar Beasts of Burden?

Sim, porque surgiu como algo muito específico, para uma antologia de horror que o editor Scott Allie estava criando para a Dark Horse chamada The Dark Horse Book of Hauntings, lá em 2003. O Scott sabia que eu tinha interesse em escrever histórias de horror e me pediu para contribuir com uma de fantasmas. Eu amo histórias de casas assombradas e queria escrever uma, mas pensei que mais alguém poderia tentar essa mesma abordagem então resolvi que a minha deveria ser diferente de alguma forma. Eu pensei nessa ideia de uma casa de cães assombrada e a história acabou virando uma espécie de mistura entre Poltergeist e Uma Grande Aventura. No meio disso tudo eu queria o visual e o clima de uma fábula e escrevi tendo em mente a aquarela da Jill Thompson. O Scott pediu pra Jill ilustrar, ela topou e a história, Abandono, teve um ótimo retorno.

bob2

Você pode contar um pouco como começou a sua parceria com a Jill Thompson e como foi a apresentação do projeto pra Dark Horse? Você sempre teve em mente que seria uma série longa?

Nós nunca oferecemos para ninguém, foi essa primeira história que fez tudo acontecer. Abandono era para ser apenas uma história de oito páginas e não pensávamos em continuar a trabalhar com esses personagens. Mas no ano seguinte o Scott nos pediu uma história para o Dark Horse Book of Witchcraft, eu perguntei pra ele se poderíamos fazer uma continuação. Bruxas me fazem pensar em famílias e isso me fez pensar em gatos, o que me deu uma ideia para uma nova história nesse mesmo universo. Acabamos fazendo, assim como outras para os dois volumes seguintes da série, Book of The Dead e Book of Monsters. Nesse ponto nós já havíamos percebido que tínhamos uma série nas nossas mãos. Então eu sugeri o título Beasts of Burden e nós assinamos para fazer uma minissérie de quatro edições. Essas oito edições marcam a primeira fase da série. Trabalhando na minissérie eu acabei traçando os eventos que fariam de Beasts of Burden um projeto muito mais longo, com um arco principal, histórias paralelas e flashbacks que eu esperava conseguir contar.

bob4

Como é a dinâmica do seu trabalho com a Jill Thompson? Você pode falar um pouco como é o seu roteiro e quais tipos de instruções que passa para ela?

Eu escrevo o roteiro completo – tudo o que precisamos apresentar na história é listado junto com informações que preciso que a Jill e os leitores saibam. A Jill pega isso e desenvolve na página da forma que achar melhor. De vez em quando ela expande uma sequência ou quebra alguns painéis, ela também costuma escolher outras angulações ou abordagens para o que sugiro no roteiro. Posso pedir que ela faça alguma coisa em função de um efeito específico ou então deixo por conta dela. Desde que a história seja preservada e a arte cumpra a sua função, mudanças são sempre bem-vindas. Um exemplo de cena que foi reconstruída pela Jill está no final de Um Cachorro e Seu Menino, que ela esticou por mais duas páginas para dar à sequência um impacto muito maior do que tinha. Era uma história de 18 páginas e tentei contar tudo no espaço que tínhamos, mas ela convenceu o Scott Allie a nos dar mais duas páginas para termos a atenção dos leitores e ampliarmos a tensão da situação do Ace e seu destino. É uma sequência adorável e ela resolveu isso muito bem, os leitores sempre mencionam o impacto dessa história.

“Vozes são tão importantes quanto os designs dos personagens, a voz está no cerne da forma como o personagem vive e respira na página”

Eu acho muito interessante como cada um dos personagens de Beasts of Burnden tem sua própria voz. Imagino que nós, leitores, nos conectamos mais facilmente com personagens humanos, obviamente, por sermos humanos. Eu fiquei curioso se essa foi uma preocupação em especial sua enquanto escrevia. Como os personagens não possuem feições humanas, foi importante para você investir em personalidades distintas na voz de cada um deles?

Dar personalidades e vozes distintas para personagens é algo muito importante para mim em todos os meus quadrinhos. Eu não gosto quando escritores não personalizam seus diálogos, quando todos os personagens falam da mesma forma e possuem os mesmos trejeitos a ponto de ser impossível discernir quem está falando se você acompanhar apenas os balões. Vozes são tão importantes quanto os designs dos personagens, a voz está no cerne da forma como o personagem vive e respira na página. Cada personagem deve ser escrito e criado e ter sua voz distinta sempre em prol da dinâmica do grupo. Especialmente em um livro com animais, no qual você não tem roupas, uniformes e cortes de cabelo que ajudem a aflorar a personalidade do personagem. Quando converso com jovens quadrinistas ou escritores eu cito um exemplo muito básico disso na forma como falam os membros do Quarteto Fantástico no anos 60 – o Reed Richards é o intelectual pomposo, o Johnny Storm é o esquentadinho arrogante metido a engraçado e cheio de gírias, o Coisa é cheio dos maneirismos das regiões do Brooklyn e do Bronx e a Sue Storm, infelizmente, sempre fala de maneira emocional e maternal. É uma abordagem simplista, mas você consegue distinguir quem está falando em cada momento sem precisar ver a arte. Eu tento criar dentro dessa mesma abordagem para dar mais personalidade e verossimilhança para os meus personagens.

bob5

Não é algo novo o uso de animais humanizados na ficção e quando isso ocorre costuma ser para expor verdades sobre nós, humanos. Eu vi um diálogo entre as tensões e os medos dos personagens do seu quadrinho com a nossa realidade. É importante pra você essa conexão entre ficção e realidade? Que o quadrinho seja mais que apenas puro escapismo?

O principal objetivo da série é contar histórias atraentes e memoráveis com personagens que os leitores possam se importar. Os personagens ganharam atributos humanos e há uma tensão e alguns comentários sobre as diferenças do mundo deles e como eles são vistos pela nossa sociedade. E há alguns instantes com subtextos deliberados, como o medo da morte e do abandono. A história Perdido eu escrevi tendo em mente meus temores e as minhas ansiedades em relação à paternidade, é sobre o medo de perder uma criança. Também trata explicitamente de crueldade animal. What The Cat Dragged In remete a Perdido, trata do fato de que algumas pessoas jamais deveriam ser pais e também sobre as possíveis más escolhas feitas por uma pessoa. Isso tudo está inserido na história de forma a não acertar a cara de ninguém como uma mensagem. Acho que um trabalho fica mais forte se seu principal tema estiver na espinha da história e não na face, se é que isso faz sentido. É melhor que o tema fique enterrado abaixo do escapismo, da diversão, das piadas e dos horrores ao invés de exposto como uma mensagem para se provar um quadrinho sério.

bob6

Eu estou escrevendo para você no dia seguinte ao ataque terrorista em Las Vegas que resultou em 58 mortes. Assim como o Brasil, os Estados Unidos também estão passando por um período de muito medo e conservadorismo aflorado. Como você vê o papel da arte em tempos como esses? Como você acha que quadrinhos podem nos ajudar a melhorar as nossas realidades? Aliás, você acha que isso é possível?

Eu gostaria de ter uma resposta maravilhosa para isso. Eu estou respondendo após o atentado em Las Vegas, também após nosso dito líder minimizar e atacar as pessoas sofrendo em Porto Rico e não parece haver fim a insanidade e a podridão em curso no meu país e no mundo. A arte alivia a dor e nos conecta, permite que eu, como artista, fuja da realidade e crie um espaço no qual as coisas são diferentes, me permite falar com outras pessoas de forma direta ou indireta, me permite continuar humano em tempos tão desumanos. Me permite saber que há outras pessoas que compartilham das minhas opiniões, dos meus sentimentos e dos meus medos, de forma diferente do que ocorre no Twitter ou em um bar. Me dá esperança que a bondade possa prevalecer, assim como pessoas racionais com o passar do tempo. Alguns leitores já compartilharam histórias de como eles foram afetados pessoalmente pelo meu trabalho e isso é maravilhoso, mas no fim das contas nós temos tão pouco controle das pessoas e instituições que arruinam o mundo. A arte alivia, mas não é a cura. A arte pode desafiar autoridades ou revelar a verdade sobre poderosos, mas não costuma salvar vidas, aprimorar opiniões ou mudar qualquer coisa. É uma atividade humana para a qual somos atraídos por fazer a vida mais fácil e por permitir nos conectarmos com outras pessoas, compartilhando sentimentos e informações. A arte fala dos nossos tempo. Ela raramente afeta os nossos tempos, eu acho. Quadrinhos e arte me ajudaram em períodos difíceis da vida, como um criador e um fã. Beasts of Burden é uma forma de difundir lealdade, coragem e amizades em detrimentos de maldade, ignorância e ódio em um mundinho no qual coisas ruins acontecem, mas há esperança, força e vitória no fim. Não é uma cura para nada, mas me faz feliz e faz os nossos leitores felizes. Nós fazemos o que podemos, dia depois de dia, do nosso jeitinho e seguimos em frente.

bob7

A última! Você poderia recomendar algo que esteja lendo, assistindo ou ouvindo atualmente?

No momento estou lendo Cold Print do Ramsay Cambpell, coletânea de suas primeiras histórias inspiradas na mitologia de Cthulhu. Sou um grande fã de escritores como HP Lovecraft, MR James, Arthur Machen, Algernon Blackwood, William Hope Hodgson e etc, assim como todos os outros que os influenciaram e foram inspirados por eles. Por causa do meu trabalho em Beasts of Burden e em outros projetos como Calla Cthulhu – que escrevi com a minha esposa, Sarah Dyer – eu tenho tido overdoses constantes desse material há um tempo. Eu acabei de reler O Senhor dos Anéis, apenas por diversão, pela primeira vez desde a minha adolescência e fiquei surpreso como ainda gosto dos livros. Leio muito mangá, ultimamente coisas como Monster, Master Keaton, Bleach, The Book of Friends, Bakuman, Princess Jellyfish, Kitaro, Queen Emeraldas, One Punch Man. Não tenho sido de acompanhar muita televisão ultimamente, eu tento assistir filmes velhos e obscuros no YouTube quando tenho tempo, o que não é frequente. Estou em uma fase severa de horror desde os meus 50 anos, acho. Eu ouço a podcasts de horror e jogos enquanto desenho, como The Good Friends of Jackson Elias, A Warning to the Curious, Miskatonic University, HP Podcast, também escuto programas sobre folclore e dramas antigos de rádio, assim como audiolivros. Eu tenho várias playlists no Spotify e ouço de tudo que vá do punk ao rock progressivo e música clássica.

BOFB-capa


Notice: Undefined index: email in /home/vitralmanager/vitralizado.com/wp-content/plugins/simple-social-share/simple-social-share.php on line 74