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Posts por data junho 2017

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Arrecém: confira a capa e as primeiras páginas da HQ de Diego Gerlach para a 12ª edição da coleção Ugrito

O quadrinista Diego Gerlach assina a HQ da 12ª edição da coleção Ugrito da Ugra Press. O gibi foi batizado de Arrecém e será lançado na Ugra Fest 2017, com a presença já confirmada do autor (que também estará autografando o álbum Nóia – Uma História de Vingança). A capa do quadrinho é essa aqui em cima e mais abaixo você confere as duas primeiras páginas da edição.

Já li o quadrinho e adianto que é mais uma pérola da ótima fase pela qual Gerlach vem passando. Assim como nas edições mais recentes da série Know-Haole, Arrecém mescla uma ambientação urbana com uma trama conspiratória de ares sobrenaturais. Gosto muito como o ritmo da história fica ainda mais frenético pela ausência de sarjetas entre os quadros. Sério, deixa passar esse não.

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Vitralizado Recomenda #0010: Linha do Trem – The Best Of (Editora Draco), por Raphael Salimena

Os responsáveis pela Editora Draco acertaram em cheio na publicação de uma coletânea dos quadrinhos de Raphael Salimena. Linha do trem – The Best Of apresenta algum dos melhores momentos do artista em seu site pessoal. Poucos quadrinistas brasileiros são capazes de expor os absurdos e as contradições da realidade brasileiras quanto Salimena – seja falando de política, Guerra nas Estrelas, religião ou Game of Thrones. O álbum tem potencial para constar em várias listas de melhores do ano no final de 2017.

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Confira uma prévia de Nóia – Uma História de Vingança, HQ de Diego Gerlach pelos selos Escória Comix e Vibe Tronxa Comix

A Escória Comix publicou uma das minhas leituras preferidas de 2017 até o momento, Úlcera Vortex. Já o Diego Gerlach assinou duas edições matadoras da série Know Haole em 2016 – principalmente a já clássica EDUARDO CUNHA É O BANDIDO DA LUZ VERMELHA. Nóia – Uma História de Vingança é assinada por Gerlach e publicada pela Escória Comix. O gibi tem 52 páginas, será lançado no Ugra Fest 2017 e já está em pré-venda no site da editora, por R$ 20. Os responsáveis pela obra enviaram uma prévia do quadrinho aqui pro blog. Reproduzo as páginas a seguir, junto com a sinope da HQ. Saca a loucura:

“Brasil, 2018. Surge nas ruas imundas de São Paulo NÓIA, um vigilante impiedoso, capaz de indizíveis atos de violência contra punk rockers. Ele já foi um inocente garoto aristocrata chamado Raulzinho Mendelles, de sensíveis pretensões artísticas (que expressava através da prática do cosplay), mas que teve seu destino mudado definitivamente graças a um encontro fortuito com o dissoluto cartunista punk Luiz ‘El Bergo’ Berger em uma feira de quadrinhos alguns anos antes. Traumatizado, ele gradualmente se transforma num amargo vigilante, cansado da degradação urbana trazida por punk rockers. É então que decide partir para a sinistra, horrenda ação, numa onda de assassinatos conduzida por um homem só”.

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Sábado (17/6) é dia de edição de dois anos da Faísca – Mercado Gráfico em Belo Horizonte

Sábado (17/6) também é dia de feira em Belo Horizonte. A edição de dois anos da Faísca – Mercado Gráfico está marcado para começar às 11h e ir até as 17h, no número 1600 da Rua Bernardo Guimarães da capital mineira. Já estive em uma das edições da Faísca e gostei muito do evento, com um filtro bastante interessante do que é a cena mineira de quadrinhos e publicações independentes. Se estiver em BH, recomendo a ida. E ó: os números 3, 4, 5 e 6 da Série Postal estão por lá, sendo distribuídos na barraca da produção da feira, só passar e pegar. Você confere aqui a programação do evento e a seguir a lista com os nomes de artistas e editoras que estarão presentes:

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A terceira edição da Dente Feira de Publicações rola amanhã (17/6) em Brasília: “Nosso lado é o da produção autoral e independente, e ela não tem como se concretizar em toda sua potência sem diversidade”

A terceira edição da Dente Feira de Publicações está marcada pra rolar amanhã (17/6) em Brasília, na praça interna do Conic e na salas da Faculdade Dulcina de Moraes, das 10h às 22h. A cena de quadrinhos e publicações independentes do Distrito Federal é das mais interessante do país e a lista de artistas e editoras com presença confirmados no evento chama atenção (saca só). Junto com a feira também serão anunciados os vencedores da segunda edição do Prêmio Dente de Ouro. Você confere a íntegra da programação no site do evento – e eu recomendo bastante a ida para quem estiver em Brasília.

Bati um papo por email com o quadrinista Daniel Lopes, um dos organizadores do evento e que respondeu algumas perguntas sobre a feira em nome de seus colegas da equipe Dente (composta pelos selos e artistas LTG, MÊS, Lovelove6, Piqui, Extraterrestre e Heron). [OBS: lá na Dente você encontra as edições 3, 4, 5 e 6 da Série Postal. Os quadrinhos podem ser retirados de graça nas mesas do coletivo Mês e da Taís Koshino/Selo Piqui]. Segue a minha conversa com os organizadores da Dente:

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A próxima edição da Dente será a terceira. Que balanço vocês fazem do evento até o momento?

Acreditamos que desde a primeira edição da Dente a feira veio crescendo e se consolidando na cena independente. Da primeira pra segunda edição houve um aumento significativo de expositores e atividades e a feira passou a ocupar a área externa da Faculdade Dulcina de Moraes, localizada no Conic, um conjunto de prédios central em Brasília e muito importante na história da cena cultural underground da cidade. Do ano passado pra esse reduzimos um pouco o tamanho da feira e das atividades, buscando ter uma melhora na organização, qualidade e no cuidado com cada atividade, então acreditamos que a feira tem um ganho geral em qualidade. Continuamos com um grande interesse de expositores e muita rotatividade, tem muita coisa nova esse ano que não teve nos outros e tem muita gente que veio nos outros que não poderão vir esse ano, isso é uma característica bacana da feira pois dá uma arejada no tipo de trabalho que aparece por aqui. Além disso, o Prêmio Dente de Ouro se consolida em sua segunda edição, mais direcionado pros quadrinhos e zines e com muitos trabalhos interessantes, mostrando que é possível fazer um prêmio independente com remuneração financeira dentro da cena. Para o ano que vem já estamos com muita coisa programada e articulada que vai facilitar a viabilidade do evento, então podem esperar por algo ainda mais legal.

Há um aumento no número de feiras de quadrinhos e publicações independentes por todo o país, o que faz com que cada evento busque públicos mais específicos e tenham suas linhas editoriais mais claras. Com a Dente chegando na terceira edição, vocês conseguem sintetizar qual é essa linha editorial do evento? Vocês têm claro qual é o público de vocês?

A Dente sempre buscou acolher as mais diferentes vertentes da produção autoral e independente de impressos nacional. Mesmo que todos nós da organização tenhamos uma forte ligação com os quadrinhos, na seleção da feira sempre procuramos transmitir essa diversidade, indo desde o zine punk de xerox até as publicações com um acabamento maior e as pequenas editoras independentes. Acredito que esse é um dos diferenciais da nossa feira e deu pra sentir no processo de seleção desse ano que o publico já se relaciona com isso. Foi a primeira vez que fizemos uma grande convocatória aberta – nos anos anteriores dividíamos as inscrições entre convidados, interessados que nos procuravam e convocatórias menores -, e vimos que os autores que nos procuraram e se inscreveram traduziam bem essa diversidade.

Queria saber o mesmo de vocês em relação ao Prêmio Dente. Vocês conceberam alguma linha editorial que permeia esse processo de seleção dos trabalhos finalistas?

O processo de seleção do Prêmio Dente passa muito pelos jurados. Nas duas edições do prêmio o júri foi parte da organização da feira. Na edição passada fomos todos nós, e esse ano apenas alguns. Então o processo de seleção tem muito da subjetividade de cada jurado, mas acreditamos que as diferenças entre eles forma uma boa combinação. Apesar dessas subjetividades, existe uma preocupação de avaliar os trabalhos com base em critérios de originalidade, acabamento, utilização dos materiais, relevância socio-culural e outros.

Um elemento característico que eu vejo da cena de quadrinhos de Brasília, presente em vários dos autores e dos coletivos que eles formam, é uma vontade constante de experimentar em relação a formatos. Isso também faz parte da identidade da Dente?

Acredito que sim. Desde a primeira edição da dente nós estamos experimentando tanto no formato da feira quanto nas oficinas e demais atividades. A primeira edição aconteceu dentro da galeria da Faculdade Dulcina com as oficinas nas salas do 5º andar no sab e domingo, a segunda foi para a area externa com as atividades ali perto, no hall da faculdade, na sexta e sabado; e pra edição desse ano investimos em uma feira de um dia só, indo das 10h22h e com uma programação de atividades mais concisa. Pro ano que vem o projeto é ainda mais diferente, mas por enquanto é só isso que podemos dizer.

Um dos debates da Dente é sobre estratégias de financiamento de publicações independentes e grande parte dos autores e expositores da feira são independentes, com trabalhos bancados do próprio bolso. Nós estamos em um cenário de crise econômica. Vocês notam alguma influência desse contexto no número de títulos publicados e financiados pelos próprios autores em relação ao evento do ano passado?

É um pouco dificil responder essa pergunta antes da feira acontecer, tem muita coisa nova dentre os participantes da feira então pra gente também terá algum nível de surpresa com o quanto iremos encontrar. Mas a gente vem sentido sim que a situação do país tem dificultado um pouco pra muita gente, inclusive dentre nós. As novas regras de bagagem das companhias aéreas, por exemplo, vão complicar muito a participação de autores independentes em feiras fora de seus estados.

O Brasil vive um imenso caos político, nossos representantes nunca estiveram em tamanho descrédito, há um conservadorismo crescente pelo país e todos os olhos estão voltados para Brasília. Como principal evento de quadrinhos e publicações independentes da capital do país, a Dente pretende se posicionar de alguma forma em relação a todo esse cenário?

A Dente se posiciona claramente contra o golpe que foi dado no Brasil e toda movimentação para aprovar reformas trabalhistas e retiradas de direitos sociais. Também nos posicionamos a favor da diversidade e contra a perseguição contra minorias por parte de grupos conservadores de tendências fascistas. Nosso lado é o da produção autoral, independente, underground e ela não tem como se concretizar em toda sua potência sem a diversidade.

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Bárbara Malagoli e a produção do quinto número da Série Postal

Volto a reunir por aqui a íntegra de mais uma leva de depoimentos de um dos autores da Série Postal sobre a produção de cada HQ. Dessa vez, reproduzo as falas da Bárbara Malagoli comentando a criação do quinto número da coleção, batizado por ela de Submerso e inspirado no filme Segredos de Sangue do diretor Chan-wook Park. A arte aqui em cima é o primeiro rascunho da quadrinista para o que viria a ser o quadrinho. Sempre lembrando que lá no tumblr da Série Postal você encontra com exclusividade todo esse material de bastidores da coleção. A seguir, aspas de Bárbara Malagoli:

“As coisas fluíram bem durante a produção. Eu gosto muito de falar da perspectiva feminina e desse lance de autoconhecimento. Há alguns anos eu assisti um filme que ficou na minha cabeça, ‘Segredos de Sangue’ do Chan-wook Park, e o quadrinho é baseado nele. Eu tava louca pra expressar de algum jeito o que eu sentia, é tipo uma homenagem mesmo, fiquei muito tocada e queria botar pra fora isso tudo. Ainda assim, o postal pode ser interpretado de diversas formas”

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“Eu gosto muito do Chan-wook Park, da personagem feminina que tá se conhecendo e da trilha sonora do Philip Glass. O desenrolar do filme é toda uma descoberta e o final não é necessariamente feliz. Aliás, o final parece ser o começo de uma outra jornada e talvez isso tenha me chamado ainda mais a atenção, esse processo de se conhecer que não é nunca algo finalizado. Somos seres humanos inacabados, estamos sempre nos conhecendo. Nem sempre é bom se conhecer, mas é um processo natural”

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“Estava claro pra mim o que eu queria fazer. A frase presente no postal passa toda a mensagem. Eu trabalho de uma forma não tão convencional com quadrinhos, né? É meio brega falar assim, mas talvez eu queira passar uma mensagem maior em cada página em que trabalho. Eu fico até confortável com as restrições espaciais do postal, não acho ruim trabalhar dentro dessas limitações”

“Essa ideia de produzir a história toda em uma única página pode fugir um pouco do convencional, mas hoje em dia é importante as pessoas possam expressar de formas não convencionais e não estejam presas a formatos tradicionais. É muito legal você ver pessoas experimentando e ver o leitor ter um leque mais amplo em termos de quadrinhos. Considero isso uma evolução”

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“Eu começo no papel, vou rabiscando umas coisinhas que gostaria de fazer. Fiz a mão essa ideia e ficou lá no subconsciente, em uma gavetinha. Quando veio o convite pra participar do projeto a ideia voltou. Aí desenhei e depois passei pro Ilustrator, um programa de ilustração vetorial. Depois disso, eu passei pro Photoshop, lá eu finalizei com texturas, cores e acabamentos. Geralmente todos os meus trabalhos são assim”

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“Eu sou a louca das cores, eu consigo ver paletas em qualquer cenário. Eu vejo o meu quarto com muito rosa, muito amarelo, muito verde-água, umas cores que eu gosto muito. Não sei como chego numa seleção final de quais delas entram em cada trabalho, é um feeling, eu vou misturando e testando. Eu gosto muito de cores quentes, gosto muito de rosa, é algo meio ligado a uma psicodelia típica dos anos 70, não consigo categorizar. No final das contas é uma coisa muito mais intuitiva do que pensada, vou testando até o meu cérebro falar que gostou”

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“Cores quentes chamam mais a minha atenção. Escolher quais cores eu vou utilizar é a parte mais divertida do trabalho, passo horas e sofro por indecisão. Sofri muito por indecisão pro postal, principalmente por ser livre. Mas no final das contas é a parte mais gostosa pra mim, pensar nas cores e no acabamento, tira a pressão do trabalho. Já está tudo feito, a forma tá lá, agora é hora de brincar. E no digital é mil vezes mais fácil que no analógico, há a possibilidade de você mudar as cores com um clique, não tem como não pirar”

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“Pra mim é muito mais difícil fazer algo autoral. Quando eu recebo encomendas de trabalho, pode vir uma tabela de cores, uma data de entrega, um tema, um local no qual a arte vai entrar, tá tudo pronto, já vem com os ingredientes. Comercialmente isso é muito agradável. Quando é pessoal o bicho pega, precisa ser algo que eu queira falar e passar e eu posso fazer o que quiser. É melhor, mais prazeroso, trabalhar com total liberdade de tema e técnica, mas também dá muito medo, só tem você pra culpar. Se ficar uma bosta é você que mandou mal”

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“Gosto muito do meu trabalho comercial, ele respeita bastante o que eu sinto prazer em fazer, mas no trabalho autoral você olha mais pra dentro. É quase uma terapia. É muito mais trabalhoso e também a recompensa de ver uma fase da sua vida materializada… Você vai olhar aquilo daqui alguns anos e pensar ‘aquela era eu’. É um resumo também da sua técnica, aquela que você era capaz de dominar. É isso, se reconhecer nesses materiais que você cria, ver a evolução e a marca do tempo em cada obra”

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