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Posts por data maio 2017

HQ

Felipe Nunes lança a versão em cores de Dodô no sábado (25/5): “Senti que era a hora de me arriscar”

O Felipe Nunes lança a edição colorida de Dodô no sábado (27/5), a partir das 15h, na loja da Ugra aqui em São Paulo. Já havia conversado com o quadrinista logo que a versão independente em preto e branco foi publicada e chamado atenção para a evolução do trabalho do autor em relação a seu título prévio, o também ótimo Klaus. Agora em cores e com os selos da Panini e do Stout Club, o álbum ganha leituras ainda mais interessantes, tornando a narrativa da HQ ainda mais fluida. Bati um papo rápido com Nunes sobre esse processo de colorização e as principais transformações da HQ nessa versão colorida. Você confere as instruções pro evento por aqui e lê o meu papo com o artista a seguir. Ó:

Como surge a ideia de colorir Dodô?

Colorir o quadrinho veio de uma necessidade e de uma vontade. Quando comecei a conversar sobre publicar no exterior, editoras haviam demonstrado interesse com a condição de que tivesse cores. Relendo a história não vi como um problema para o que tinha feito, pelo contrário, e tendo a oportunidade de sair de novo pela Panini senti que era a hora de me arriscar.

Ver o seu traço colorido em O Segredo da Floresta abriu de alguma forma os seus horizontes em relação ao uso das cores? 

Acredito que sim. Não tinha visto meu desenho trabalhar como quadrinho (com narrativa, clima) até então e foi bem importante até pra julgar o que achei que funcionava ou não e poderia me inspirar pro meu trabalho. Fazer a cor me ajudou a abrir muitas portas na cabeça pela dificuldade de tentar desenvolver uma execução que não sabia, quase que assimilando novas regras na linguagem dos quadrinhos.

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Pelo Facebook você disse que as cores agora ditam o ritmo da trama e permitem outra experiência. Você pode falar um pouco mais sobre isso, por favor? O que muda na leitura e como as cores afetam o ritmo?

Conversando sobre isso alguns dias atrás cheguei nessa conclusão: acho que o Dodô colorido permite uma imersão melhor na realidade da história, de um ponto de vista mais sensitivo. Acho que ter as cores pra induzir o tom das cenas melhorou o envolvimento que dá pro leitor desenvolver com o problema da protagonista e acho que deu certo, como se eu tivesse pensado isso tudo junto, no começo do projeto. Foi bom reler e entender de novo o que pensei e o que não tinha percebido na trama e poderia ser explorado.

Quais as principais lições que você tirou desse processo de colorização? Você pretende fazer mais uso de cores nos seus próximos projetos?

Acho que foi toda essa percepção do que ela pode ajudar na história. Talvez agora, pra determinados projetos, eu pense na cor junto com o desenho, talvez deixando o traço mais claro, com menos preto. Ainda não tenho certeza do quanto isso vai mudar meu processo e estou desenhando meu gibi novo, que é em PB, então isso vai ser pensado lá na frente.

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HQ

Cannon: confira uma prévia de seis páginas da coletânea da editora Pipoca & Nanquim dedicada ao clássico de espionagem de Wallace Wood

Nem deu tempo de respirar. O pessoal da Pipoca & Nanquim acabou de lançar Espadas & Bruxas e já anunciou seu segundo álbum. As 276 páginas de Cannon reúnem a íntegra das tiras produzidas pelo quadrinista Wallace Wood para a revista Overseas Weekly entre 1970 e 1973. A publicação era distribuída exclusivamente em bases militares norte-americanas ao redor do mundo e não tinha qualquer censura prévia, tudo com o propósito de fomentar os ânimos dos soldados instalados fora de casa. O livro está em pré-venda por R$ 99,90.

Acho cedo pra analisar uma suposta linha editorial da Pipoca & Nanquim, mas parece explícita a proposta de investir em clássicos desconhecidos do grande público. É também didático esse trabalho de resgate e apresentação de nomes canônicos dos quadrinhos mundiais que correm o risco de esquecimento em meio a uma indústria de entretenimento tão pouco apegada às suas memórias.

A edição brasileira de Cannon é inspirada em sua republicação mais recente nos Estados Unidos, lançada pela Fantagraphics – casa de alguns dos títulos mais importantes para a construção do amplo conceito estabelecido como quadrinho undergound norte-americano. O lançamento de Cannon é não só um investida corajosa da Pipoca & Nanquim, principalmente pelo conteúdo adulto da HQ, mas também uma prestação de serviço. Saca a capa e as seis páginas de preview que a editora adiantou aqui pro blog:

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HQ

DarkSide Graphic Novel: o selo de quadrinhos da DarkSide Books será inaugurado com Meu Amigo Dahmer (Derf Backderf), Fragmentos do Horror (Junji Ito) e Wytches (Scott Snyder e Jock)

A editora Darkside Books acabou de anunciar as três primeiras obras de seu recém-criado selo de quadrinhos. A DarkSide Graphic Novel será inaugurada com Meu Amigo Dahmer (Derf Backderf), Fragmentos do Horror (Junji Ito) e Wytches (Scott Snyder e Jock). É um começo bastante promissor, com títulos coerentes com a linha editorial da Darkside mesmo com cada um dos quadrinhos seguindo um estilo completamente diferente do outro. As três HQs entram em pré-venda na internet a partir de amanhã.

O trabalho do Derf Backderf conta a história da amizade entre o autor e o serial killer Jeffrey Dahmer durante a adolescência dos dois nos anos 70. A simplicidade com a qual o quadrinista fala sobre seu amigo torna ainda mais complexa a jornada de uma criança normal que vira um adulto assassino responsável pela morte de pelo menos 17 pessoas.

Eu ia dizer que o Junji Ito é obrigatório pra qualquer fã de história de terror, mas os mangás dele são indispensáveis pra quem gosta de arte. É o que se tem de mais bonito dentro de quadrinhos de horror. Sobre Wytches tenho pouco a dizer. Dessa leva inicial da Darkside me parece ser a aposta mais segura em termos de vendas e voltada para leitores mais habituados a gibis de super-heróis. Li pouca coisa do Scott Snyder, mas gosto da arte do Jock e ainda mais das cores do Matt Hollingsworth.

As coisas estão começando a esquentar nesse 2017, hein? A Darkside parece chegar com o mesmo fôlego dos caras do Pipoca & Nanquim, com pique aparente para jogar de igual pra igual com selos já muito bem estabelecidos, como Veneta, Mino, Marsupial, Quadrinhos na Companhia, Abril, Sesi-Sp e algumas outras. Fico curioso pra ver toda essa galera disputando espaço nas mesmas livrarias, sejam elas físicas ou virtuais.

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HQ / Matérias

Estudante de Medicina: a jornada de Cynthia B. da medicina para as histórias em quadrinhos

Acabou de chegar às bancas de São Paulo a edição de maio da Rolling Stone Brasil. Escrevi pra revista sobre Estudante de Medicina, livro da Cynthia B. sobre os anos dela na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O texto vem com algumas falas da autora em relação às reflexões feitas por ela relacionadas aos aspectos biográficos e ficcionais do quadrinho. Recomendo: compre a revista e leia o gibi – ou vice-versa.

Cinema

Little White Lies #70: The Dunkirk Issue

Foi divulgada a capa da 70ª edição da minha revista preferida de cinema. O destaque da próxima Little White Lies vai ficar pro aguardado épico de guerra do cineasta Christopher Nolan, Dunkirk (tirei esse print aqui em cima do vídeo produzido pelos editores da revista, quando a soltarem a arte em alta eu atualizo o post). Tô curioso com esse trabalho novo do Nolan. É o primeiro filme dele sem elementos fantásticos desde Insônia – depois vieram os três Batman, O Grande Truque, Inception e Interstellar. O filme tá marcado pra chegar por aqui dia 27 de julho. Segue o vídeo divulgado pelos editores da revista e o trailer de Dunkirk.

HQ

Vitralizado Recomenda #0006: Onírica (independente), por Fabio Q.

Gosto muito de obras de ficção empenhadas em representar de alguma forma a memória. Daí um dos motivos da minha paixão pelo trabalho do Chris Ware: ele já disse ver as histórias em quadrinhos como uma arte da memória. Dentre suas missões, o autor de Building Stories cita  “tentar alcançar as verdadeiras texturas e estruturas da realidade e da memória como eu as percebo”. O objetivo de Fabio Q com Onírica me soa bastante parecido. As pouco mais de 30 páginas da publicação consistem em um fluxo narrativo pelas lembranças de seu protagonista a partir da mescla de pinturas belíssimas e texto. Belo trabalho.

OBS: Onírica será lançada hoje a noite (18/5) na Ugra, aqui em São Paulo, a partir das 18h, com uma exposição dos originais produzidos por Fabio Q. para o álbum. Recomendo bastante a ida.