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Posts por data novembro 2016

HQ

Pièce de Résistance: o retorno de Alison Bechdel ao universo da série Dykes to Watch Out For

A Alison Bechdel retornou ao universo de Dykes to Watch Out For com um quadrinho de uma página publicado hoje em seu blog pessoal. A série foi produzida por ela entre 1983 e 2008 e chegou ao fim junto com a chegada de Barack Obama à Casa Branca. No post publicado hoje na página da quadrinista ela explica os motivos que a levaram a mostrar o que teria acontecido às suas personagens com a vitória de Donald Trump. Bem foda. Ó o que ela escreveu:

“Desde que parei de desenhar Dykes to Watch Out For no término da administração Bush as pessoas me perguntaram várias vezes se eu ainda pensava nas minhas personagens e, caso ainda pensasse, como elas estariam. Eu precisava ser honesta. Não, eu não pensava sobre elas, não fazia ideia do que elas estavam fazendo. Mas na semana passada elas ressurgiram para mim”.

(valeu pelo link, Carol de Assis! ;))

HQ

Adágio: a exposição com os nus de Laerte chega a São Paulo no sábado (26/11)

A exposição Adágio do Rafael Roncato com as fotos do ensaio nu protagonizado pela quadrinista Laerte chega a São Paulo no próximo sábado, dia 26 de novembro. As 14 imagens ficarão expostas na loja da Ugra até o dia 10 de dezembro. Já falei sobre a Adágio por aqui quando ela rolou na Galeria Hipotética, em Porto Alegre: a série foi produzida em 2013 e publicada parcialmente no mesmo ano na revista Rolling Stone. O evento também apresenta ilustrações exclusivas feitas por Laerte durante o processo de criação do ensaio.

Fui convidado pra bater um papo com o Roncato no dia da abertura da Adágio lá na Ugra, a partir da 16h. Acompanho os trabalhos do fotógrafo desde os tempos do projeto .nankeen. e tenho certeza que a conversa rende. A rota e as instruções pra abertura do evento tão na página da exposição no Facebook. Vamos? Adiantei com o Roncato alguns dos temas que devemos tratar no sábado em uma troca rápida de emails. Dá uma lida:

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A exposição tá vindo pra São Paulo depois de ter passado um período na Galeria Hipotética. Como foi a experiência em Porto Alegre?

Não poderia ter sido melhor, para falar a verdade. Algumas imagens já haviam rodado individualmente por exposições coletivas – como no 6º Festival de Fotografia de Tiradentes e a 6ª Mostra SP de Fotografia São Paulo, além da publicação chilena Guerrilla – e Porto Alegre acabou virando um teste para o ensaio como um todo por ser a primeira cidade a receber todas as imagens. Eu não sabia o que poderia acontecer, como seria a recepção, se a exposição seria bem visitada ou um fracasso. E no final deu tudo certo. Fiquei muito feliz pelo convite do Fabiano e da Iriz, da Galeria Hipotética, e toda a garra que eles colocaram para montar a exposição da melhor maneira possível, dentro do jeito que eu havia imaginado. Tive a oportunidade de conhecer muita gente bacana, desde fotógrafos até quadrinistas que só conhecia pela internet ou nos livros. Foi uma festa das boas e ainda consegui produzir novos retratos dos quadrinistas de lá para o .nankeen..

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HQ

Snapchat, por Chris Ware

Outro dia comentei com um amigo que tenho achado o Chris Ware meio quieto demais nos últimos meses – ou talvez seja só eu ansioso por um próximo projeto do meu quadrinista preferido. Daí que ele publicou um quadrinho de quatro páginas batizado de Snapchat na edição da New Yorker do dia 14 de novembro. Bem foda, pra variar. Dá uma lida (valeu pelo link, Lielson!):

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HQ / Matérias

Alexandre Lourenço e a produção de Você É Um Babaca, Bernardo

Você provavelmente já leu por aí como Você É Um Babaca, Bernardo é um dos melhores quadrinhos de 2016, né? Pelo menos por aqui no blog eu tenho certeza que sim. O Alexandre Lourenço produziu uma puta HQ e fiz uma entrevista com ele assim que o gibi chegou às livrarias. A nossa conversa foi publicada na edição de novembro da revista Rolling Stone. Em breve publico a íntegra da nossa conversa por aqui, mas enquanto isso dê um jeito de ler o quadrinho e depois a minha matéria, combinado?

Entrevistas / HQ

Papo com Stephen Collins, o autor de A Gigantesca Barba do Mal: “As pessoas buscam cada vez mais descartar tudo aquilo que está distante delas”

Bati um longo papo por email com o Stephen Collins, autor de A Gigantesca Barba do Mal, recém-lançado pela Nemo no Brasil. O quadrinista britânico é dono de uma série semanal no Guardian e o álbum publicado em português é sua primeira investida em um projeto longo. Como já falei por aqui antes, recomendo a matéria que produzi pro UOL a partir do nosso papo, em que detalho mais sobre a carreira e algumas das influências e inspirações do autor. Depois disso, volta pra cá e leia a íntegra da nossa conversa. Mais uma vez, papo bem massa. Saca só:

“Somos todos culpados de aplicar um enquadramento conceitual à nossa visão do mundo e vemos tudo a partir dessa perspectiva limitada”

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Você já leu algum livro do Italo Calvino? Sou um grande fã do trabalho dele e vejo um grande diálogo entre algumas das obras dele e o seu livro.

Infelizmente não li os livros deles apesar de saber quem é. Acabei de googlar e vou definitivamente dar um jeito nessa lacuna na minha formação. Parece um grande escritor e sinto que já deveria ter lido.

É sempre limitante classificar uma obra dentro de um determinado gênero. Mas assim como os livros do Calvino e do Gabriel Garcia Marquez, vejo A Gigantesca Barba do Mal como um representante do realismo fantástico. Você classifica seu livro dentro de algum gênero específico? Aliás, você tinha algum gênero em mente enquanto produzia o quadrinho?

Sim, acredito que tinha um pouco de realismo mágico em mente, eu amo os trabalhos da Angela Carter, como The Bloody Chamber, e acho que esse tipo de obra mistura o real e o extraordinário sem virar realmente ‘fantasia’. Eu tinha bastante interesse em manter essa história fantástica ambientada em uma espécie de estrutura cotidiana, assim por dizer – o cenário é uma zona suburbana e a reação das pessoas em relação aos eventos improváveis contados no livro são semelhantes à forma como acredito que a nossa sociedade iria reagir.

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Você lembra do instante em que teve a ideia de escrever A Gigantesca Barba do Mal? Do momento que o primeiro conceito do livro veio à sua cabeça?

A minha esposa sugeriu essa ideia engraçada de um homem que deixava crescer uma barba gigante e eu comecei a desenvolver uma ideia a partir daí, tentando fazer o mais engraçado possível. Dave, o protagonista, é afligido por essa coisa demoníaca ao invés de deixar crescer por diversão, como talvez algumas pessoas possam esperar pelo título. É a representação de alguma outra coisa que que apenas parte de dentro dele para o mundo e não apenas uma simples consequência de suas ações. Ele fica absolutamente desamparado a medida que essa coisa cresce de dentro dele. Queria pegar uma ideia engraçada e transformar em uma espécie de horror físico que ressalta um medo inerente a todos nós de termos algo crescendo dentro de nós, como a criatura saindo do peito das pessoas em Alien. Para mim, eu estava no final das contas escrevendo sobre a morte – essa semente que inconscientemente todos nós carregamos no nosso interior, que vai crescer e nos consumir um dia. Você sabe, um tipo de coisa bem feliz.

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