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Posts por data julho 2016

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Música e desenhos ao vivo no festival Traço em Belo Horizonte

Gosto bastante de ver quadrinistas/ilustradores em ação fora de suas zonas de conforto e também propondo novas possibilidades de uso da linguagem das HQs. O conceito do festival Traço – Música e Desenhos ao Vivo em Belo Horizonte investe exatamente nessas ideias. Marcado pra rolar na capital de Minas Gerais entre os dias 4 e 6 de agosto de 2016 na casa de shows A Autêntica, o evento é organizado pelo quadrinista Jão e pela jornalista Helen Murta e reúne em um mesmo palco vários músicos a alguns dos autores de HQs mais interessantes da cena nacional.

Para essa próxima edição do evento, além de artistas mineiros, também foram convidados autores de outros estados, como André Dahmer, Lovelove6, Rafael Coutinho e a Karina Buhr (pra desenhar e não cantar) e bandas como O Lendário Chucrobillyman e Curumin. Além das apresentações ao vivo, o festival também contará com lançamentos de livros e alguns debates com temas bem interessantes (Vida selvagem: Pagando as Contas com Quadrinhos, Ebulição: Mercado Gráfico Agora e Produção de Risco: Lugares e Possibilidades da Cultura).

Um dos responsáveis pelo festival e autor do excelente Baixo Centro, lançado ano passado pela editora Miguilim, o Jão bateu um papo por email comigo falando sobre as origens do evento, a dinâmica da produção ao vivo de uma obra com música tocando e a experiência de assistir esse tipo de apresentação. Segue o papo e o teaser do evento, com a parte de animação produzida também pelo Jão:

Quais são os critérios para a escolha dessa determinada seleção de músicos e artistas do festival e como foi feita a combinação de ilustradores/músicos?

A curadoria do festival sempre foi feita pensando em mostrar um panorama do que é produzido em termos de música e artes visuais aqui em Belo Horizonte. De minha parte, que cuido mais especificamente da seleção de desenhistas, gosto de convidar os quadrinistas que admiro, mas sempre aparecem artistas de outras áreas como pintura, ilustração, artes gráficas, grafite. Da parte musical, na qual a curadoria é feita pela produtora e jornalista Helen Murta, as escolhas são bem voltadas para a produção independente e ela também segue o princípio da variedade de estilos e formatos.

Já a combinação é feita a partir das atrações que gostaríamos de incluir no festival, mas, muitas vezes, a escolha de um desenhista determina qual banda chamaremos e vice-versa. Nossa ideia é proporcionar uma experiência inédita para o público, então tentamos formatar performances que se aproximem ao máximo desse ideal, embora, em algumas oportunidades, tenhamos partido mais de uma provocação, reunindo banda e desenhista com trabalhos que não se aproximavam, para ver o que sairia daquela apresentação. Normalmente nós marcamos reuniões de criação também, que é uma oportunidade para os músicos e desenhistas alinharem suas propostas. Nem sempre é possível, mas muitas coisas legais já saíram desses encontros.

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Os segredos das paletas de cores de Davi Calil para o álbum Uma Noite em L’Enfer

O Davi Calil lança o álbum Uma Noite em L’Enfer hoje a noite, na Quanta, em São Paulo. Escrevi sobre o livro ano passado, pra uma matéria da Rolling Stone sobre grandes quadrinhos com lançamento previstos pra 2015. A produção da HQ acabou atrasando e no final das contas ela será um dos primeiros trabalhos de Calil publicados fora do selo Dead Hamster. Nova casa da obra, a editora Mino publicou nos últimos dias uma campanha bem legal no Facebook chamada Os Segredos de Uma Noite em L’Enfer, que mostra alguns dos vários easter-eggs e das inspirações do autor para o quadrinho. Recomendo muito uma investida nos painéis produzidos por eles para esse especial.

Daí que o autor da HQ teve uma sacada bem foda também em relação às cores do gibi. Uma Noite em L’Enfer é protagonizado por Vincent van Gogh, Paul Gauguin, Toulouse-Lautrec, Gustav Klimt e Francisco de Goya. Calil determinou a paleta de cada capítulo em função de cores de obras específicas de casa um dos artistas. “Eu utilizei um filtro do Photoshop chamada Mosaico, que divide uma imagem em blocos de pixels com cores diferentes, transformando as pinturas em massas de cores abstratas. Então eu montei a paleta de cada capítulo em função de quadros específicos”, me contou o autor por email. Saquem que foda esses três painéis divulgados pela Mino com exclusividade ao blog:

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“Do seu amigo, Alan Moore”: uma troca de cartas entre o autor de Watchmen e um menino de 9 anos

Cara, você conhece o Letters of Note, né? É um site especializado em publicar cartas e correspondências assinadas tanto por pessoas famosas quanto anônimas. Até virou livro em 2014 e dá pra passar algumas horas mexendo nos arquivos da página. Daí que o post de hoje deles reproduz uma troca de cartas entre um garoto de 9 anos chamado Joshua e o Alan Moore. Segundo o pai do menino, a carta foi enviada ao escritor em 2013, como um dever de casa no qual os alunos tinham de escrever para seus autores preferidos. Enquanto quase todos os demais estudantes receberam respostas das editoras, na casa de Joshua chegou uma longa carta assinada pelo próprio Moore, junto com uma arte original de Nemo: The Roses of Berlin. Joshua mora na cidade de Naseby, situada no mesmo condado de Northamptonshire da Northampton de Moore.

Dono do Letters of Note, o Shaun Usher disse ter ficado sabendo da história a partir de um email enviado a ele pelo pai de Joshua. Então, ele entrou em contato com Moore, que autorizou a publicação de ambas as cartas e informou que um trecho mensagem enviada pelo menino estará impressa em Jerusalem – o aguardado livro de 1184 páginas do autor de Watchmen. [ATUALIZADO: A contracapa do livro, com as aspas do Joshua estão no pé do post].  Reproduzo a seguir tanto a carta enviada por Joshua quanto a resposta de Moore:

[OBS: atualizei o post com a versão traduzida das duas cartas – as versões originais, em inglês, agora estão no pé da matéria. Fiz uma tradução rápida por conta própria, qualquer sugestão pro texto é só avisar!]

JoshuaMoore

A carta de Joshua para Moore:

Caro Alan Moore

Estou escrevendo porque gostaria de saber mais sobre os seus quadrinhos, incluindo V de Vingança, Watchmen, A Liga Extraordinária e Monstro do Pântano. Eu também gostaria de dizer muito obrigado por você criar graphic novels tão incríveis e queria saber como você faz esses trabalhos tão maravilhosos?

O primeiro livro que vi foi V de Vingança, que tem um enredo incrível e acho muito legal quando ele explode o Parlamento. Também amo aquela máscara sensacional. O segundo foi Watchmen, até hoje o melhor livro que já li – o Rorschach é o meu personagem preferido, depois o Dr. Manhattan e por último o Comediante. Gosto da forma como ele usa o lança-chamas como um isqueiro e da smiley face como um distintivo. O meu terceiro foi Liga Extraordinária. Eu gosto desse mais como um livro, por ter muito texto e também das várias coisas que eles recuperaram. No final das contas você é o melhor autor da história da humanidade. Por favor me responda.

Joshua.

A resposta original de Moore para Josua:

Caro Joshua,

Bem, antes de tudo, muito obrigado por sua carta adorável. Eu peço desculpas caso a resposta seja um pouco curta, mas hoje estou trabalhando muito pesado em umas seis coisas diferente ao mesmo tempo e sei que caso deixe para escrever sua resposta mais tarde, quando tiver mais tempo, acabarei perdendo a sua carta (você deveria ver todos os livros e papéis e a bagunça de cada um dos quartos da minha casa) ou então não responderei por algum outro motivo. Como não gostaria que isso ocorresse após suas belas palavras sobre mim e a minha escrita, aqui estou eu em um intervalo de meia hora entre acabar um trabalho e começar outro.

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Worst World: a próxima HQ de Bryan Lee O’Malley, o autor de Scott Pilgrim

A Enterteinment Weekly acabou de revelar o nome da próxima HQ do Bryan Lee O’Malley. Worst World terá mais de 300 páginas e será o primeiro volume de uma trilogia de graphic novels publicadas pela Ballantine Books. De acordo com o site da revista, o quadrinista canadense vai anunciar uma possível data de lançamento do quadrinho e um pouco mais sobre os personagens do livro durante a comic con de San Diego, que rola a partir do dia 21 de julho. Por enquanto, foi revelado que o gibi é ambientado em Los Angeles e protagonizado por duas jovens chamadas Benny e Aubrey. Junto com o autor da HQ, Worst World ainda contará com Jason Fischer, desenhista-assistente, e o colorista Nathan Fairbairn, ambos também trabalharam com O’Malley em Seconds.

A verdade é que demorou pro Bryan Lee O’Malley revelar esse projeto novo. Seconds tá travado pra ganhar uma edição em português (a promessa é que ela chegue em outubro), mas saiu lá fora no final de 2014. Desde então, ele só tinha anunciado a produção de Snot Girl, revista mensal publicada pela Image, com texto dele e desenhos da Leslie Hung. Enfim, aguardemos novidade pra breve – tanto pra saber quando sai lá fora e depois pra descobrirmos quem compra os direitos pra não publicar por aqui.

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Quais as grandes HQs publicadas no Brasil em 2016 até agora?

Já esbarrei por aí com várias listas de sites estrangeiros apresentando uma primeira leva dos grandes quadrinhos publicados lá fora em 2016. Aliás, muita coisa de site americano, né? Patience tá sobrando, Paper Girls tá muito bem também, tem o Big Kids do Michael Deforge e o Panther do Brecht Evans é sempre citado. Daí tava aqui maquinando quais as grandes HQs publicadas no Brasil em 2016 até o momento. Não só os grandes quadrinhos brasileiros, mas tudo que saiu. Tô com uma impressão imensa que estamos numa ligeira ressaca de um 2015 com o combo FIQ+CCXP somada a uma crise econômica que não tá ajudando ninguém. E, caramba, como a Nébula faz falta.

Topografias

Acho que tá cedo pra colocar qualquer coisa num ranking, mas passada a metade do ano começo a já cogitar algumas coisas grandes lançadas em 2016. De quadrinho nacional, por enquanto, meus preferidos são as séries Deusa e Século XXI da Laerte, o Bulldogma do Wagner Willian, a Topografias publicada pela Piqui e o Matadouro de Unicórnios do Juscelino Neco. Gosto bastante do Hinário Nacional do Marcello Quintanilha, mas é um trabalho que me soa mais como um caderno de experimentação, um entreato em seguida a Talco de Vidro e algo grande que ele provavelmente deixou pra 2017. Também destaco a coletênea Quadrinhos Insones, talvez o trabalho mais consistente do Diego Sanchez até o momento.

BulldogmaDupla

O Felipe Portugal também matou a pau com o quadrinho dele sobre suicídio e me deixou na seca por mais coisa nova do Eremita (a sério parou?). Os Quadrinhos dos Anos 10 do André Dhamer são excelentes. Dos que saíram, não li e tô bem curioso: O Mundo Segundo Jouralbo do Jouralbo Sieber com o Allan Sieber e mais um monte de gente foda, o Quadradinhas do Lucas Gehre e a Estranhos da Fefê Torquarto (dois que investi no Catarse e ainda não recebi minhas edições), e também a Hitomi que a Balão Editorial lança ainda nos próximos dias.

MatadouroZ

De nacional ainda vale mencionar a coleção Ugritos da Ugra, dos projetos editoriais mais simples e bem sacados dos quadrinhos brasileiros entre 2015 e 2016. O Paulo Crumbim e a Cristina Eiko também publicaram o quarto Quadrinhos A2, o Davi Calil finalmente lançou o aguardado Uma Noite Em L’Enfer, o pessoal da Beleléu publicou o Mini-infartos do Caio Gomez, o Guilherme Petreca publicou o lindo Ye e é digno de nota o trabalho de pesquisa do João Pinheiro e da Sirlene Barbosa em Carolina. De nacional, acho, esses foram os lançamentos que mais me chamaram atenção e que logo vieram à minha cabeça – certeza que esqueci de muita coisa e posso ser lembrado ali nos comentários.

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Me parece que a tendência é que 2016 seja lembrado principalmente por muitas obras vindas de fora e relançamentos. A Veneta investiu em Coltrane, Ghetto Brother, Giovaníssima e Vida no Inferno. A editora ainda está republicando o Sopa de Lágrimas do Gilbert Hernandez – que tende a ser um dos meus preferidos no ano. A Mino investiu em Zonzo do Joan Cornellà, Fungos do James Kochalka e Shaolin Cowboy do Geof Darrow e republicou o Diabo e Eu do Alcimar Frazão. A Figura entrou no mercado com o Sheraz-De do Sérgio Toppi – um puta livro, hein? A Martins Fontes lançou o segundo volume de Uma Vida Chinesa e o belíssimo Jane, a Raposa e Eu. A Intrínseca publicou a continuação de Um Árabe do Futuro. Dizem que a Companha das Letras lançou o Reportagens do Joe Sacco – alguém aí já viu?

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O trabalho da editora do Sesi – SP também está lindo, principalmente por suas publicações de obras européias. Ainda estou no aguardo de algo grande vindo da Nemo. Placas Tectônicas é legal e não gostei tanto assim de Uma Morte Horrível. Entre Umas e Outras é a publicação mais forte da editora pra mim até o momento. Ainda tô no aguardo dos trabalhos da Lucy Knisley e o GIGANTE Becoming/Unbecoming da Una, que tem tudo pra ser um dos grandes do ano caso realmente saia como foi prometido no final de 2015. Ah! Um que não li e é bem promissor: a Devir publicou o Agências de Viagens Lemming do José Carlos Fernandes – o cara é autor de A Pior Banda do Mundo e acho que merecia uma divulgação mais à altura do trabalho dele, não?

Patience

Quero saber de Patience por aqui. Sério que as editoras nacionais vão perder o timing do lançamento internacional do livro do Daniel Clowes? Não seria novidade: Here pode ser ‘o grande quadrinho publicado no Brasil em 2016′ caso a Companhia das Letras resolva lançar. O descaso com o Seconds do Bryan Lee O’Malley também é difícil de entender – será que ainda tá valendo aquela promessa dos editores pro autor de que o livro sairia por aqui em outubro?

 

panel from "Seconds" by Bryan Lee O'Malley.

E de super-heróis, o que tô perdendo? O Cavaleiro das Trevas 3 tá indo bem, tô na terceira edição e me divertindo, mas tá longe, muito longe, de chegar perto do primeiro e do segundo (eu gosto hehe). Tem muita coisa legal da Vertigo sendo republicada, principalmente Patrulha do Destino, Invisíveis e Tom Strong. Tô bem feliz com as edições da Panini pra Miracleman, mas queria saber o que será da série agora que terminou a fase do Alan Moore e chegou a do Neil Gaiman. De mangá tô curtindo o relançamento de Vagabond e aguardo 21st Century Boys pra ver como termina a saga escrita pelo Naoki Urasawa. E só tô falando de coisa boa por aqui, mas fica o registro: sério que vocês gostaram de One Punch-Man?

Mônica Bianca Pinheiro

Há também algumas coisas que acho que estão pra sair e outras que torço pra que saiam, todas com grande potencial. Sei que o L.M. Melite publica a Tablóide ainda em 2016. Acho que a Julia Bax tem um livro do Proac pra entregar. O pessoal da Xula promete a segunda edição da revista desde o lançamento da primeira. O Pedro Cobiaco parou de vez a Bugalú? O Shiko lança mais um volume de A Boca Quente? O Felipe Nunes tem um trabalho previsto pra breve pelo Stout Club. Há novas Graphic MSP pra sair – não gostei muito do álbum do Papa-Capim, mas estou curioso com as próximas três (Bidu 2, Astronauta 3 e Mônica da Bianca Pinheiro). Tenho altas expectativas em relação ao quadrinho novo do Alexandre Sousa Lourenço (autor do sensacional Robô Esmaga) e também com o Mensur do Rafael Coutinho.

Putz, de cabeça é isso. Repito: certeza que esqueci muita coisa. Daí minha pergunta pra você: quais as grandes HQs publicadas no Brasil em 2016 até o momento?

MensurRafaelCoutinho

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Bukowski, por Robert Crumb

O pessoal da Veneta acertou nessa capa de Bukowski: Vida e Loucuras de um Velho Safado, hein? Biografia do Charles Bukowski assinada pelo jornalista Howard Sounes, o livro reúne depoimentos de gente como Norman Mailer, Allen Ginsberg, Sean Penn, Mickey Rourke, Lawrence Ferlinghetti e Robert Crumb. Daí que o pessoal da editora me explicou que a ilustração do Crumb na capa retratando o protagonista do livro foi cedida pelo quadrinista pra edição nacional. Lindona, né? Ó a arte original aqui embaixo:

buk