Vitralizado

Posts por data dezembro 2014

Cinema / Retrospectiva 2014

Top 10 Vitralizado 2014: Boyhood

Após três anos escrevendo crítica de cinema, larguei o emprego e fui viver como freelancer, escrevendo sobre o que desse na telha. A melhor coisa dessa mudança de ares foi poder voltar ir ao cinema à paisana. Não me entenda mal: acho um tremendo privilégio trabalhar vendo filmes e escrevendo sobre eles. Ainda assim, a experiência é completamente diferente. Fico imensamente feliz de não ter precisado escrever sobre Boyhood a trabalho. A experiência criada por Richard Linklater é de pura contemplação e eu não conseguiria expressar sobre o filme muito mais além de clichês óbvios como “espetáculo visual” e outras coisas do tipo.

Também assisti outras coisas sensacionais em 2014, como Her, 12 Anos de Escravidão, Interstellar, Garota Exemplar, Frank, Locke, Capitão América 2, Guardiões da Galáxia, Under The Skin e Grad Budapest Hotel. Filmes memoráveis em um ano que vai deixar saudade, sendo que deixei passar um monte de coisa que tenho certeza que vou gostar. O negócio é que Boyhood vai além. É outra pegada, uma forma de fazer cinema que soa óbvia mas ninguém tinha feito antes. Pra mim, o melhor do ano e um dos preferidos na vida – e ainda melhor depois de ler isso aqui. Cinema em 2014 pra mim foi Boyhood.

PS: a imagem aí de cima, com uma das falas de Mason em Boyhood, é uma foto minha da última página da Little White Lies dedicada ao filme.

HQ / Marvel / Retrospectiva 2014

Top 10 Vitralizado 2014: a volta de Miracleman

Como bom leitor de quadrinho sempre soube das polêmicas envolvendo Miracleman. O personagem é uma versão alternativa britânica para o Capitão Marvel batizada de Marvelman, nos anos 80 ele  foi modernizado pela mente de um então jovem Alan Moore, a revista na qual o personagem era publicado faliu, uma editora americana comprou os direitos da série e também não demorou pra fechar as portas e os direitos do herói passaram anos em uma disputa judicial envolvendo a editora Image e Neil Gaiman. Quando essa confusão toda chegou ao fim, Miracleman foi parar na Marvel que passou a republicar suas edições originais no início de 2014. Expliquei essa história toda em fevereiro logo que as revistas do herói retornaram às lojas de quadrinhos.

Para escrever minha matéria sobre a saga do personagem conversei com alguns especialistas sobre a história do herói e a obra de Alan Moore. Minhas três principais fontes foram Lance Parkin, biógrafo de Moore, o editor do Bleeding Cool, Rich Johnston, e um dos jornalistas mais próximos do escritor inglês, Pádraig Ó Méalóid – em uma das mais recentes entrevistas feitas por ele, Moore declarou ter sido sua última. Ficou claro pra mim a grandiosidade e a importância de Miracleman para os quadrinhos de super-heróis, Johnston chegou ao ponto de dizer que é a maior obra desse gênero em todos os tempos. Mas a verdade é que só fui compreender o que representava Miracleman ao chegar em Londres e comprar minhas primeiras cópias da série.

Miracleman1

Estão lá todos os elementos que mais a frente fariam de Moore talvez o grande autor de quadrinhos de super-heróis de todos os tempos. Temas que ele voltaria a tratar em Watchmen, V de Vingança e Promethea já dão as caras com força nas doze primeiras edições do gibi. Talvez faltasse na época o domínio da linguagem sequêncial que é um dos principais atributos de seus trabalhos mais maduros, ainda assim pode ser realmente a obra-prima do escritor.

Além de ler os quadrinhos também estive presente em palestras e debates com pessoas ligadas à obra. Ouvi de Alan Davis, por exemplo, que sua carreira teria sido outra não fosse Miracleman – a obra também teria sido o motivo do final da amizade entre ele e Moore, me contou Pádraig Ó Méalóid. Não fosse Miracleman, não dá pra ter certeza se teríamos Watchmen e V de Vingança, obras fundamentais para uma imensa mudança no tom dos quadrinhos norte-americanos nos anos 80 que hoje influenciam extremamente os filmes inspiradas nessas hqs. Isso pra ficar só nas consequências mais óbvias.

A fase de Moore chega ao fim no número 16, em seguida começa o arco escrito por Neil Gaiman, inédito a partir do número 24. Durante uma palestra com Mark Buckingham, responsável pela arte das edições roteirizadas por Gaiman, o artista disse que já estava trabalhando nos textos nunca publicados do escritor. Minha curiosidade é saber o que será do personagem dentro da Marvel quando Gaiman colocar o ponto final na saga do herói. Descobriremos em 2015.

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Retrospectiva 2014 / Séries

Top 10 Vitralizado 2014: A chegada de True Detective e o início do fim de Mad Men

Demorei pra assistir True Detective. Não tenho com séries a mesma ansiedade que possuo em relação a quadrinhos e filmes. O tipo de entrega que exige assistir vários episódios de um programa me faz pensar dez vezes antes de começar um seriado novo. Tenho um filtro próprio de pessoas e sites, caso a série vire assunto recorrente entre ambos, ela ganha o meu interesse. Ainda assim, quando parei pra ver True Detective, todo mundo já tinha visto. Vi bem feliz no meu ritmo, que foi acelerando entre um episódio e outro.

Não tenho uma crítica negativa em relação à obra de Nic Pizzolato. Piro no texto, nas atuações e na produção do programa. Queria um dia poder ler algo do próprio Pizzolato expondo suas referências para a construção da história. Chegou a ver aquela copiada que ele deu no Top 10 do Alan Moore? Engraçado que sempre achei os papos do Rust parecidos pra caramba com as conversas do Rorschach em Watchmen. Isso pra ficar só em quadrinho. A próxima temporada eu definitivamente acompanharei a medida que cada episódio for lançado.

MadMen

Mas aí tem Mad Men também né? Cada um dos sete episódios dessa primeira leva da sétima temporada foi matador. O último lançado até agora está entre os meus cinco preferidos do programa de Matthew Weiner. Sem spoilers: a dancinha de Bertram Cooper foi um dos grandes momentos da história da televisão em 2014. Me mata pensar que só verei mais sete episódios de Mad Men. Breaking Bad fez história, mas a saga de Don Draper e seus colegas da Avenida Madison caminha com tudo para ser uma das maiores de todos os tempos. Talvez ali do lado de Sopranos na primeira posição do meu ranking pessoal.

Não tem novidade nesse papo que a televisão é o novo cinema e estamos vivendo uma era de ouro na história da ficção produzida para tv. Ainda assim, mesmo que eu não seja o maior especialista do mundo em seriados, quando paro pra pensar em tudo que está saindo e na qualidade do conteúdo que está sendo exibido, parece que a televisão é um negócio novo, que inventaram outro dia e tudo que lançam tem potencial para ser o melhor da história. Ou talvez seja apenas uma puta leva e somos sortudos pra caramba de sermos contemporâneos de True Detective e Mad Men.

HQ / Retrospectiva 2014

Top 10 Vitralizado 2014: O retorno de Bill Watterson

Ok, não foi exatamente o retorno que gostaríamos. O autor de Calvin e Haroldo não lançou uma nova série e nem abadonou a reclusão iniciada em seguida ao fim de sua obra-prima. Ainda assim, em nenhum ano desde 1995, quando foi publicado o painel derradeiro de Calvin, tivemos tanta notícia e vimos tantos trabalhos de Bill Watterson quanto em 2014. Por coincidência, em janeiro publiquei uma matéria chamada Calvin Vive, sobre os 18 anos do encerramento da obra, o documentário Dear Mr. Watterson e os vários relançamentos plenjados para o quadrinho. Não poderia imaginar que aquilo tudo era apenas a ponta do iceberg.

Stripped

Em fevereiro foi publicado o cartaz de Stripped, um documentário sobre tiras publicadas em jornais. Além de terem conseguido um depoimento de Watterson para o filme, os diretores Dave Kellett e Fred Schroeder conseguiram uma arte exclusiva do quadrinista para o pôster da produção. Um mês depois, Watterson foi protagonista de uma exposição dedicado à sua obra na biblioteca da Universidade de Ohio. Junto com a mostra veio mais uma rara entrevista do artista.

Junho trouxe o mais inesperado dos acontecimentos relacionados a Watterson em anos. Ele ilustrou três quadros da tira Pearl Before Swine, de Stephan Pastis. Contei a história aqui. O melhor do depoimento de Pastis em seu blog, quando ele revelou a participação de Watterson em sua hq, diz respeito à dinâmica do trabalho de seu ídolo e a preferência do pai de Calvin por uma linha de produção extremamente analógica.

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Escolhido como um dos artistas homenageados da 42ª edição do Festival de Angoulême, Watterson foi o responsável pela arte do cartaz do evento. Divulgada no início de dezembro, a ilustração consiste de um painel dividido em 15 quadros, mostrando o destino desafortunado de um leitor de quadrinhos. Foi a cereja no bolo de um ano com mais trabalhos do quadrinista do que praticamente tudo feito por ele em seguida ao término de Calvin. Não faço a mínima se ele manterá esse pique em 2015, mas fico aqui torcendo e cogitando: não estaríamos vendo uma agitação criativa de Watterson? Será que não podemos sonhar com outras publicações além de pôsteres, entrevistas e algumas brincadeiras esporádicas? A verdade é que acho que não. O ano foi atípico e tudo que vier de Watterson relacionado a quadrinhos deverá ser nessa mesma vibe. Ainda assim, cara, não custa sonhar, né não?

BWAngouleme

Retrospectiva 2014

Top 10 Vitralizado 2014

Acho que já dava pra pedir as contas de 2014 depois do trailer do Guerra nas Estrelas do J.J. Abrams. Ainda produzi um pouco mais após a divulgação da prévia, mas ali foi a deixa perfeita pra colocar o ponto final de um ano épico. Começo amanhã minha retrospectiva com as 10 coisas mais legais que 2014 deixou e devo diminuir consideravelmente meu ritmo até meados de janeiro. Uma ligeira e merecida folga após um tremendo ano pra mim e pro Vitralizado.

No final de 2013 passado estava um pouco incomodado com os rumos do blog e comecei a mudar meu foco: a nerdice ainda está toda aqui, mas queria produzir conteúdo mais exclusivo, mesmo que isso resultasse em menos posts. Deu certo por enquanto. Foi um ano atípico com minha temporada em Londres e 2015 deve dar um outro rumo às postagens. Não faço a mínima da rota que devo tomar, só acredito que provavelmente será divertido.

Meu Top 10 não será focado em quadrinho, filmes ou qualquer outro assunto específico. Serão 10 coisas legais que considerei marcantes dentro desse universo e do conteúdo aleatório em sequência deliberada que publico por aqui. Apareça nos próximos dez dias, combinado? A ideia é amarrar umas pontas soltas e dar um fechamento à altura dos últimos 12 meses. Até amanhã!