Vitralizado

Posts por data junho 2014

HQ / Revistas

A nova capa do Adrian Tomine pra New Yorker

A capa da próxima edição da New Yorker vai estampar uma ilustração do Adrian Tomine. Como ele explica lá no site da revista, o desenha retrata o memorial e o museu do 11 de setembro. A fala dele sobre a concepção do desenho:

“Quando ouvi que o memorial e o museu do 11 de setembro seriam as atrações turísticas mais visitadas em Nova York nesse verão, primeiro desenhei apenas turistas em suas atividades alegres e o memorial no fundo. Mas depois eu visitei o local e realizei que havia muito mais a ser retratado, várias emoções e reações, todas sendo expressas por pessoas muito próximas umas das outras. Eu acho que essa é a natureza de qualquer espaço público, mas quando você inclui um elemento de tanto extremismo e terror, os parâmetros mudam”.

PS: não tenho certeza, mas acho que é o Tomine ali no canto da página, próximo do segurança, no mesmo local da assinatura do artista.

Cinema / Matérias

Next Goal Wins: a saga de um dos piores times do mundo em busca de uma vaga na Copa

TNGW

A Copa do Mundo provavelmente estaria ainda mais emocionante caso a seleção da Samoa Americana estivesse participando do torneio. Última colocada no ranking da Fifa ao longo de vários anos, o time do arquipélago da Polinésia fez uma campanha histórica nas eliminatórias para o torneio no Brasil. No início do ano comentei sobre o documentário Next Goal Wins,  que mostra o caminho do equipe por uma vaga na Copa. Conversei com um dos diretores do filme, Steve Jamison, sobre a produção do filme. Meu texto e a entrevista com o cineasta foram publicadas no Segundo Caderno do Globo. A íntegra da matéria está aqui.

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HQ

Grant Morrison e Warren Ellis na British Library

MorrisonEllisComicsUnmasked

Depois do encontro do Neil Gaiman com a Tori Amos e da apresentação do casal Bryan e Mary Talbot, o auditório da Biblioteca Britânica hospedou uma conversa sobre super-heróis entre Grant Morrison e Warren Ellis. O papo dos dois foi dia 16 de junho, em mais um dos eventos paralelos da Comics Unmasked. No palco também estavam presentes dois pesquisadores sobre a história dos quadrinhos, Will Brooker e Sarah Zaidan. Filmei a íntegra da conversa entre Ellis e Morrison, duas das mentes mais inovadoras dos quadrinhos mundiais e autores de algumas das obras mais brilhantes publicadas nas últimas décadas. Ambos estavam bastante bem-humorados e é sempre interessante ver suas interpretações sobre os fundamentos dos gibis de super-heróis. Meu trecho preferido, está entre o final do segundo vídeo e o início do terceiro, quando eles comparam as proporções cósmicas dos desafios enfrentados pelos heróis e os dilemas da vida real. Dá o play:

Entrevistas / HQ

Papo com Paul Gravett, o curador da exposição Comics Unmasked

Provavelmente 2014 será lembrado na história das HQs britânicas como o ano da exposição Comics Unmasked. A retrospectiva apresenta o vasto e rico mundo dos quadrinhos produzidos no Reino Unido com o enorme acervo da Biblioteca Britânica. Ontem postei a minha matéria sobre o evento publicada no Estadão, com a minha conversa com o Paul Gravett, curador da exposição e autoridade mundial na linguagem sequencial. Nossa conversa foi bem mais longa e no papel só saiu um trecho. Segue a íntegra (as imagens são da assessoria da exposição, de autoria de Tony Antoniou):

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Qual a origem da exposição?

A Biblioteca Britânica tem a maior coleção de quadrinhos britânicos no mundo, mas ele ainda não havia sido exposto publicamente. Há dois anos, eu e John Harris Dunning procuramos a biblioteca e oferecemos nossos conhecimentos para produzir a primeira exposição desse material. Os quadrinhos estão cada vez mais relevantes no Reino Unido – com graphic novels ganhando prêmios literários, inspirando filmes, música, moda e games – e, principalmente, tendo seus méritos reconhecidos como expressão artística e pela dinamicidade de sua narrativa. É o momento perfeito para fazer essa declaração sobre a representatividade e vitalidade dos quadrinhos em um ambiente tão prestigioso como a Biblioteca Britânica. Além de apresentar uma imensa gama de quadrinhos, revistas e livros impressos, a Comics Unmasked também apresenta rascunhos, roteiros, artes originais, áudios, vídeos com visitas a estúdios de artistas e alguns objetos raros.

Há algum elemento padrão nos quadrinhos britânicos?

Algo recorrente que eu e John notamos foi a rebeldia. Das publicações impressas mais antigas às inovações digitais do presente, os quadrinhos britânicos sempre foram subversivos e combativos em relação a injustiças, preconceitos, questões sociais e sexuais. É um meio capaz de espalhar suas mensagens de forma muito eficaz e, ainda assim, abaixo do radar. Quadrinhos podem ser recolhidos, censurados, condenados por obscenidades e até banidos por um Ato do Parlamento, mas eles jamais serão domados e sempre serão provocantes e incontroláveis!

Esses elementos subversivos também estão presentes no gênero de super-heróis?

Com certeza. Os escritores britânicos reinterpretaram radicalmente os icônicos super-heróis norte-americanos, tornando-os mais sombrios e profundos do que nunca. Quando britânicos escrevem esses personagens, eles constantemente causam surpresas e choques, como o Alan Moore deixando a Batgirl paraplégica em A Piada Mortal e o Grant Morrison matando o Batman. Antes disso, sofrimentos reais e morte eram conceitos quase impossíveis nos quadrinhos americanos.

E quais seriam os personagens mais icônicos dos quadrinhos britânicos?

O personagem de quadrinho mais vendido no mundo na década de 1880, com mais de meio milhão de cópias de revistas vendidas por semana, era Ally Sloper, um vagabundo engraçado do Leste de Londres – a revista dele completou 130 anos dia 3 de maio. O Zé do Boné, publicado em todo o mundo, e o policial futurista e facista Juiz Dredd. Personagens femininas vão da agente secreta sexy Modesty Blaise à selvagem Tank Girl. Talvez o mais famoso de todo seja V de Vingança, inspirado em Guy Fawkes, que tentou explodir o parlamento e seu rosto virou a popular máscara de protesto utilizado por grupos como o Occupy.

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Qual a principal diferença entre os autores Britânicos e norte-americanos?

É a ousadia e a audácia, que talvez venha parcialmente do fato dos autores britânicos terem uma perspectiva distanciada dos Estados Unidos e do gênero de super-heróis. Como um ex-império, conseguimos sentir amor e repulsa por eles ao mesmo tempo, percebemos a mágica e o absurdo desse universo. Isso também é influência dos nosso próprios quadrinhos, de tiras infantis semanais como The Beano a publicações underground ou a ficção científica distópica da 2000AD. Essas publicações deram tons, energias e ironias completamente diferentes para nossos escritores e artistas.

Qual a importância da revista Warrior para os quadrinhos britânicos?

Como a 2000AD, a Warrior serviu de vitrine e porta de entrada para vários autores e séries, como V de Vingança e Miracleman. O seu editor, Dez Skinn, foi uma figura crucial e revolucionária para os quadrinhos britânicos. A Warrior transformou em definitivo o nosso mercado. Foi uma pena a revista ter sido encerrada, o que fez V e Miracleman terem sido continuadas por publicações americanas.

Alguns dos autores mais aclamados e respeitados hoje são britânicos, como Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison. Você vê algum padrão no trabalho deles?

Eles são leitores vorazes, muito bem informados e curiosos, interessados em questões que vão muito além de suas paixões por quadrinhos. Eles são magos da linguagem, têm pleno comando e consciência da capacidade da escrita de entrar na mente e nos corações das pessoas. Eles ajudaram a elevar os quadrinhos a um patamar sem precedentes na história.

Também há muitos artistas britânicos. Você vê algum padrão no trabalho de ilustradores como David Lloyd, Frank Quitely, Dave GIbbons e outros?

Muitos artistas britânicos construíram seus estilos a partir do trabalhos de outros ilustradores britânicos, mas também incorporando influências de desenhistas americanos, europeus e japoneses. O resultado disso é não existir um padrão, ou uma escola. São todos extremamente inovadores e originais.

Quem compõe a geração mais recente de quadrinistas britânicos?

Toda geração traz novos e mais talentosos artistas. As gerações mais recentes trouxeram muitas mulheres para o meio, como Simone Lia, Nicola Streeten e Karrie Fransman. No momento, alguns grandes mestres estão no auge, como Dave McKean, Posy Simmonds, Pat Mills, Bryan Talbot e Kelvin O’Neill. A mais nova geração é marcada por nomes como Kieron Gillen, Luke Pearson, Isabel Greeberg, Christian Ward, Frazer Irving, Si Spurrier, Krent Able e o mais novo presente na Comics Unmasked, com 13 anos, Zoom Rockman.

Matérias

Comics Unmasked: a exposição de HQs da Biblioteca Britânica

A foto aqui de cima foi tirada na recepção da Biblioteca Britânica. O imenso painel da exposição Comics Unmasked mostra a importância do evento, realizado dentro de um dos maiores templos literários do Reino Unido. Já falei por aqui sobre alguns dos encontros realizado em paralelo à exposição – um com o John Talbot e outro com o Neil Gaiman – e em breve postarei coisas novas por aqui. Saiu no Estadão minha matéria sobre as origens e os destaques da retrospectiva. Conversei com o Paul Gravett, uma das maiores autoridades de quadrinhos do mundo e curador da exposição. As imagens são da assessoria da exposição e de autoria de Tony Antoniou. Segue o meu texto:

MatériaComicsUnmasked

Exposição em Londres mostra a origem das HQs britânicas

Mostra fica em cartaz até o dia 19 de agosto

Ramon Vitral – Londres – Especial para O Estado de S.Paulo

Entre as 14 milhões de obras presentes no acervo da Biblioteca Britânica em Londres, estão preciosidades como duas Bíblias impressas por Gutenberg na década de 1450, o manuscrito original do poema Beowulf, um caderno de anotações de Leonardo Da Vinci e a impressão mais antiga da história da humanidade – o Sutra do Diamante, datado de 868 d.C. No entanto, o destaque da programação da biblioteca em 2014 são os quadrinhos britânicos. A exposição Comics Unmasked: Art and Anarchy in the UK (Quadrinhos desmascarados: arte e anarquia no Reino Unido) estará em cartaz na galeria da biblioteca até o dia 19 de agosto.

“A Biblioteca Britânica tem a maior coleção de quadrinhos britânicos no mundo, mas ela ainda não havia sido exposta publicamente”, explica um dos dois curadores do evento, o jornalista inglês Paul Gravett, em entrevista ao Estado. Com seu colega John Harris Dunning, Gravett concebeu uma retrospectiva separada por seis temas e ambientes: violência, sociedade britânica, política, sexo, estilos e autores e linguagem.

O Estado esteve presente no primeiro dia do evento. A sala inicial da exposição reúne definições sobre quadrinhos de vários artistas e autores impressas nas paredes. Em seguida, o visitante é recepcionado por vários manequins encapuzados utilizando a máscara do protagonista da série V de Vingança. Segundo Paul Gravett, a rebeldia do herói sintetiza um dos elementos mais constantes dos gibis produzidos no Reino Unido.

“Das publicações impressas mais antigas às inovações digitais do presente, os quadrinhos britânicos sempre foram subversivos e combativos em relação a injustiças, preconceitos, questões sociais e sexuais”, analisa o curador. O processo de escolha do material exposto começou em 2012, a seleção final veio a público no momento que Gravett acredita ser o mais propício para tratar do assunto. “Os quadrinhos estão cada vez mais relevantes no Reino Unido – com graphic novels ganhando prêmios literários, inspirando filmes, música, moda e games – e, principalmente, tendo seus méritos reconhecidos como expressão artística e pelo dinamismo de sua narrativa.”

A mostra reúne impressões e artes originais datadas desde o início do século 19 até roteiros e publicações recentes de autores como Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison. Estão presentes um tabloide policial de 1888, noticiando um dos ataques de Jack, O Estripador, tiras sobre a luta das mulheres pelo voto universal, obras tratando do início do movimento punk, a chegada de Margaret Thatcher ao poder, a ficção científica distópica da editora 2000AD e a relação entre alguns autores e o ocultismo. A imensa presença de autores britânicos na indústria norte-americana de quadrinhos também recebe atenção especial.

“Os escritores britânicos reinterpretaram radicalmente os icônicos super-heróis norte-americanos, tornando-os mais sombrios e profundos do que nunca”, explica o curador. “Quando britânicos escrevem esses personagens, eles constantemente causam surpresas e choques, como o Alan Moore deixando a Batgirl paraplégica em A Piada Mortal e o Grant Morrison matando o Batman. Antes disso, sofrimentos reais e morte eram conceitos quase impossíveis nos quadrinhos americanos.”

Mestres no palco. Junto com a Comics Unmasked, uma série de outros eventos ligados a quadrinhos estão marcados para a Biblioteca Britânica até o fim de agosto. São palestras com artistas e escritores como Neil Gaiman, Dave McKean, Robert Crumb, Alejandro Jodorowsky, Melinda Gebbie e Bryan Lee O’Malley. O primeiro encontro foi com o quadrinista Bryan Talbot.

Chamado de “David Bowie dos quadrinhos”, pela versatilidade de seu traço, Talbot lançou no evento sua mais recente produção. Roteirizada por sua mulher, Mary Talbot, e também com ilustrações de Kate Charlesworth, Sally Heathcote: Suffragette conta a história da luta das mulheres pelo direito ao voto.

Autor de graphic novels como Luther Arkwright, Alice in Sunderland, GrandVille e, a mais recente e premiada, Dotter of Her Father’s Eyes, Talbot lembrou do seu início de carreira, quando ganhava menos de 10£ por página. Hoje, segundo ele, seus métodos de desenho não mudaram muito. “Posso passar anos elaborando o conceito de uma HQ e trabalhando em rascunhos, já em algumas outras eu consigo criar todo um enredo em menos de um dia”, disse no auditório da Biblioteca Britânica.

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Entrevista. Paul Gravett, curador da exposição Comics Unmasked.

Paul Gravett já publicou livros sobre mangás e história dos quadrinhos. Uma das maiores autoridades mundiais no assunto, o jornalista e curador da exposição na Biblioteca Britânica conversou com o Estado sobre o evento e seus grandes nomes.

Quais são os personagens mais icônicos das HQs britânicas?

O mais vendido no mundo, na década de 1880, era Ally Sloper, o primeiro superastro das histórias em quadrinhos, que estreou há exatos 130 anos, em 3 de maio de 1884, e durou até os anos 1920. Herói nacional, o personagem zombava dos ingleses e de seus costumes. E há ainda o Zé do Boné e o policial futurista e fascista Juiz Dredd. Personagens femininas vão da agente secreta sexy Modesty Blaise à selvagem Tank Girl. Talvez o mais famoso de todos seja V de Vingança.

Qual a diferença entre autores ingleses e norte-americanos?

É a ousadia e a audácia, que talvez venha parcialmente do fato de os autores britânicos terem uma perspectiva distanciada dos Estados Unidos e do gênero de super-heróis. Como um ex-império, conseguimos sentir amor e repulsa por eles e, ao mesmo tempo, percebemos a mágica e o absurdo desse universo. Isso também é influência dos nossos quadrinhos, de tiras infantis semanais como The Beano a publicações underground ou a ficção científica distópica da 2000AD. Essas publicações deram tons, energias e ironias completamente diferentes para nossos escritores e artistas.

Qual a importância da revista Warrior para HQs britânicos?

Como a 2000AD, a Warrior serviu de vitrine e porta de entrada para vários autores e séries, como V de Vingança e Miracleman. O seu editor, Dez Skinn, foi uma figura crucial e revolucionária para os quadrinhos britânicos. A Warrior, que funcionou entre março de 1982 e janeiro de 1985, transformou em definitivo o nosso mercado.

Alguns dos autores mais respeitados hoje são britânicos, como Alan Moore, Neil Gaiman e Grant Morrison. Você vê algum padrão no trabalho deles?

O que eles têm em comum é que são leitores vorazes, muito bem informados e curiosos, interessados em questões que vão além de suas paixões por quadrinhos. São magos da linguagem.

Quem faz parte da mais nova geração de quadrinistas britânicos?

Há mais mulheres no meio agora, como Simone Lia, Nicola Streeten e Karrie Fransman. Alguns grandes mestres estão no auge, como Dave McKean, Pat Mills, Bryan Talbot e Kelvin O’Neill. A mais nova geração é marcada por nomes como Kieron Gillen, Luke Pearson, Isabel Greeberg, Christian Ward, e o mais novo, presente na Comics Unmasked, com 13 anos, Zoom Rockman.

Post com um agradecimento especial para a minha amiga Julia Fernandes, que me falou da exposição assim que cheguei aqui em Londres. Valeu, Juliette!

Chris Ware / HQ

Três minutos com Chris Ware

Conversei durante três minutos ao vivo com Chris Ware. O nome pode não significar nada para você, mas não consigo imaginar nenhum artista vivo tão genial quanto ele. É gênio de verdade, não daquelas pessoas fodas que fazem coisas incríveis e classificamos dessa forma, mas alguém além da curva, completamente fora do padrão. Ele é o autor de Jimmy Corrigan, Lint e Building Stories, só pra ficar nos mais famosos. Fiz uma entrevista com ele por email no ano passado, transformei em matéria pra Galileu e publiquei a íntegra em inglês no Bleeding Cool. Sábado rolou aqui em Londres a terceira edição do Elcaf, o Festival de Quadrinhos e Arte do Leste de Londres. O Ware era o convidado especial do evento e também responsável pela arte do cartaz da festa.

Fui na primeira edição do Elcaf, em 2012. O evento é organizado pela Nobrow, talvez a principal editora de quadrinhos independentes da Inglaterra. O primeiro festival foi num galpão próximo à estação Old Street e o espaço estava claustrofóbico de tantos visitantes e artistas. Nessa terceira edição eles mudaram pra um espaço que permitia distribuir um pouco mais os expositores. Não era maior, mas melhorou a circulação de pessoas. Começou às 10h e cheguei por volta de 13h. Passei uma hora visitando as várias bancas expostas no local. Vi muita coisa legal que em breve pretendo comentar aqui no blog. A sessão de autógrafos de Chris Ware começou às 14h, no estande da Fantagraphics, editora responsável pelos títulos do quadrinista nos Estados Unidos.

A fila não estava das maiores, com no máximo umas 10 pessoas na minha frente. Passei uns 40 minutos esperando a minha vez, uns 20 devem ter sido por conta dos primeiros da fila, dois malucos que chegaram lá com malas e iam tirando quadrinhos e mais quadrinhos para o autor autografar. Isso não é raro, já tinha visto em outras convenções que visitei aqui em Londres, mas acho que os artistas não gostam muito. Provavelmente aquelas obras autografadas vão acabar em algum site de vendas e o cara vai lucrar bastante em cima da assinatura do autor. Depois um outro sujeito também chegou com 10 cartazes do evento pro Ware autografar. Ele estava bastante simpático, mas fechava um pouco a cara quando alguém chegava com muita coisa.

Elcaf

Na minha frente tinha um italiano com um óculos redondo bastante semelhante ao do quadrinista. Foi a primeira coisa que ele notou. “Muito bonita sua armação”. Aí ambos tiraram os óculos e ficaram comparando e conversando sobre as lentes e as estruturas de cada um.

Não queria comprar quadrinhos que já tenho apenas para ganhar um autógrafo. Comprei um pôster e também estava com o panfleto do festival. Cheguei com ambos na mão, coloquei na mesa e ele estendeu a mão para me cumprimentar com um sorriso no rosto. “Tudo bom? Qual é o seu nome?”. Me apresentei. “Ramon não é um nome britânico, certo?”. Disse que era do Brasil, falei que era jornalista e ele havia me dado uma entrevista por email no ano passado. Ele fez cara de surpreso e quis saber sobre o que eu havia perguntado. Comentei que a primeira pergunta havia sido sobre as 87 bilhões, 178 milhões, 291 mil e 200 possibilidades de leituras diferentes de Building Stories. Ele riu. “Claro que lembro das suas perguntas complicadas sobre a matemática de Building Stories, Ramon”. E continuou: “Eu gastei bastante tempo com as suas perguntas, não foram fáceis de responder”.

Enquanto assinava o meu cartaz, ele seguiu com a conversa. “Mas você não veio para Londres apenas para essa convenção, certo?”, expliquei que estava morando na cidade por um tempo. “Ok…caso contrário eu ia ter certeza que você é maluco”. Ele sorriu, me devolveu o pôster e um panfleto autografados do festival e agradeceu pela entrevista. Em seguida estendeu a mão e me cumprimentou outra vez. Assim foram meus três minutos com Chris Ware.


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