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Posts por data maio 2014

HQ / Marvel

O TED de Brian Michael Bendis

TedBendis

Talvez o primeiro quadrinho que li roteirizado por Michael Brian Bendis tenha sido Ultimate Spider-Man #1. No Brasil saiu no primeiro número de Marvel Millennium Homem-Aranha, em 2001. Na época não fazia ideia quem era o cara. Junto com as aventuras da versão moderna de Peter Parker, saiam os X-Men Ultimate, do Mark Millar. Eu curtia muito mais os mutantes do roteirista escocês. O tempo foi passando, o Millar continuou emplacando blockbusters (Supremos, Kick-Ass, Chosen, Guerra Civil,…) e o Bendis investia em personagens mais low profile da Marvel. Discreto pra caramba, ele fez a melhor série de histórias protagonizadas pelo Demolidor desde Frank Miller lá no final dos anos 70/começo dos 80.

Junto com o desenhista búlgaro Alex Maleev, ele revelou a identidade secreta de Matt Murdock em seu primeiro arco de histórias com o personagem e deixou a o título cinco anos depois com o herói preso na Ilha Ryker junto com vários vilões. Épico. No mesmo período ele lançou Alias, uma das obras-primas dos quadrinhos dos anos 2000. Foram só 26 números, com várias referências e conexões com a série do Demolidor. Li outras coisas dele (Powers, Vingadores, Jinx, X-Men e Guardiões da Gláxia), mas nada foi tão bom quanto Alias e Demolidor. Essas séries que a Marvel vai lançar com o Netflix vão adaptar o Universo Bendis pra televisão, pode anotar. Esse blábláblá todo foi só pra introduzir o vídeo do TED do autor, gravado em Portland no início de abril. Coisa finíssima, saca só:

HQ / Literatura

Dois contos de Neil Gaiman

Gaiman

A foto aqui de cima é do hall da Biblioteca Britânica logo em seguida à conversa do Neil Gaiman com Tori Amos. Depois do evento principal, Gaiman subiu ao palco instalado na entrada da Biblioteca e leu duas de suas histórias presentes no livro Um Calendário de Contos (aliás, o pdf do livro tá disponível na íntegra). Gravei as duas leituras feitas pelo autor. Na primeira ele está acompanhado pelo artista Dave McKean, responsável pelas capas de Sandman. O ilustrador também apresentou uma de suas canções do projeto 9 Lives, em que ele canta enquanto suas animações são mostradas em uma tela. Olha aí:

HQ

Miracleman – Book One: A Dream of Flying

PraEstanteMiracleman

Nunca tinha lido Miracleman. Sempre soube da história, dos vários problemas pelo qual o título passou ao longo dos anos e do imenso culto que o personagem tinha aqui na Inglaterra. Quando a série começou a ser republicada pela Marvel conversei com vários especialistas em quadrinhos e na obra do Alan Moore pra escrever pro Estadão sobre a origem do herói e as questões judiciais envolvendo os detentores de seus direitos. O Rich Johsnton do Bleeding Cool me disse que a série era a melhor hq de super-heróis de todos os tempos. Tremenda afirmação se você levar em conta que ela foi escrita pelo mesmo autor de Watchmen. Minhas expectativas eram enormes quando cheguei aqui em Londres. O primeiro arco de histórias chegou ao fim e é realmente impressionante. Os quatro primeiros números da série mostram muito mais do que eu imaginava. Vários trechos que eu havia ouvido falar e achava que eram o clímax da saga já são mostrados nesse primeiro livro, A Dream of Flying.

Não vou soltar qualquer spoiler. Lembrando o que você provavelmente já sabe: Micky Moran é um jornalista que lembra dos seus poderes adormecidos ao longo de 26 anos. Ao dizer “kimota” ele vira Miracleman, um herói que ganhou seus vários poderes de uma criatura fantástica. O primeiro número trata dessa redescoberta da identidade secreta e das habilidades de Moran. No entanto, esse retorno também é notado por outras pessoas do passado obscuro de Miracleman. As edições seguintes mostram alguns desses inimigos e exploram o período que antecedeu o surgimento do protagonista e os seus anos de anonimato. Há ação como eu não esperava logo e, mesmo assim, apenas na quarta edição a história principal começa a ser apresentada.

A Marvel está caprichando nas edições mensais. O design está lindo e no final de cada revista há um extenso material extra com rascunhos de algumas páginas, entrevistas e capítulos prévios à chegada de Alan Moore ao título. É desde já um dos pontos altos de 2014. No painel dedicado à série que assisti na London Super Comic Con, ficou claro como os britânicos cultuam o quadrinho – e apenas se referem a ele como Marvelman – e estão atentos ao trabalho da Marvel e ao futuro reservado ao personagem. Ainda restam 12 edições roteirizadas pelo Moore, o Neil Gaiman passou a escrever a partir do número 17 e foi interrompido no 23. Há dois arcos inéditos de histórias do Gaiman a serem publicados. Os primeiros quatro números foram reunidos em um encadernado que será lanado até o final de maio. No Brasil, segundo a Panini, a ideia é lançar até o final de 2014.

MiraclemanJQuesadaDivulgação

Cinema / HQ

Neil Gaiman e Tori Amos na British Library

Até o final de agosto a British Library vai sediar a Comics Unmasked, a maior retrospectiva já feita sobre a história dos quadrinhos britânicos. Além da exposição de artes e roteiros originais e várias publicações raras, o evento também apresenta uma série de palestras e encontros com quadrinistas – já falei por aqui sobre a apresentação do Bryan Talbot. Na sexta-feira da semana passada o auditório da Biblioteca Britânica ficou lotado durante a apresentação mais concorrida da Comics Unmasked, uma conversa de quase duas horas entre Neil Gaiman e a cantora Tori Amos sobre quadrinhos, carreiras, arte e inspiração. Estive lá e gravei alguns trechos, saca só:

Cinema / Marvel

O novo trailer de Guardiões da Galáxia

Guardiões

Posso repetir? Aposta minha: o filme de super-heróis do ano, anota aí. E não só isso, é a Marvel Studios botando as mangas de fora pela primeira vez. Negócio é torcer pro público comprar a ideia.

Cinema

Locke: o filme mais intenso de 2014

LockePoster

Os créditos de Locke listam os nomes dos 12 atores que participam do filme, mas apenas um deles aparece na tela. Tom Hardy interpreta Ivan Locke, único personagem a dar as caras na produção. Os 85 minutos do longa equivalem ao tempo real do percurso entre Birminghan e Londres, feito pelo personagem principal durante a obra. Pai de família e empreiteiro bem sucedido, ele é aguardado por sua mulher e seus dois filhos para um jantar em casa. No dia seguinte, ele será o responsável pelo recebimento da maior carga de cimento já feita na Europa por uma empresa privada. As perspectivas de Locke são as melhores possíveis até ele entrar em seu carro e partir rumo a Londres.

O filme é apenas o segundo longa dirigido pelo roteirista inglês Steven Knight. É dele o roteiro do excelente Senhores do Crime, com Viggo Mortensen como um capanga da máfia russa. Com exceção de alguns poucos minutos que mostram a entrada de Locke em seu BMW, o filme inteiro é ambientado dentro de seu carro. Ao botar os pés dentro do veículo ele inicia uma série de telefonemas com sua família e alguns colegas de trabalho que irão transformar em definitivo sua vida. Os segredos de Locke são revelados logo nos instantes iniciais do filme, mas quanto menos você souber sobre eles, melhor e mais aflitiva será sua experiência dentro do cinema. Muitas das resenhas publicadas sobre a produção até agora comparam o lançamento a Gravidade. Ambos são espetáculos de um homem só e propiciam alguns dos instantes mais angustiantes e claustrofóbicos da história do cinema.

E a Empire fez uma matéria bem legal com o diretor do filme, mostrando um making-of da produção. Clica aqui pra ver.

Locke