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Posts por data abril 2013

Cinema / HQ / Matérias

As conexões do Universo Marvel

Ainda sobre Homem de Ferro 3. A Wired colocou no ar um infográfico com as relações entre os principais personagens do Universo Marvel no cinema. Legal pra caramba pelas possibilidades de interação. Você clica na foto do personagem e vê somente as relações dele com os demais. Também dá pra filtrar as conexões de acordo com cada núcleo desse Universo: SHIELD, Vingadores e Indústrias Stark. Bem massa. Ano passado, quando saiu o filme dos Vingadores, pensei uma ideia parecida pro Estadão. Olha só:

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Homem de Ferro 3

Escrevi pro Estadão de hoje (26/4) sobre Homem de Ferro 3 e montei uma linha do tempo no Universo Marvel no cinema até esse terceiro capítulo da série protagonizada pelo Tony Stark. O visual da matéria ficou por conta do Jairo e do Danilo.

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O mundo de Tony Stark em Homem de Ferro 3 está longe de ser o mesmo dos dois primeiros capítulos da série. Após enfrentar um exército alienígena em Nova York acompanhado de um grupo de seres fantásticos em ‘Os Vingadores’ (2012), Stark precisa lidar com crises de ansiedade relacionadas às lembranças do confronto intergaláctico. Suas fragilidades também o incomodam: ele é o mais humano do quarteto que compõe com Hulk, Thor e Capitão América. Ao mesmo tempo, é assombrado por erros do seu passado recente, como playboy irresponsável.

Dessa vez, o cargo de diretor é ocupado por Shane Black– após as duas aventuras assinadas por John Favreau. ‘Homem de Ferro 3’ é a primeira produção dirigida por Black desde sua estreia no excêntrico e badalado ‘Beijos e Tiros’ (2005), também com Robert Downey Jr., e ele acrescenta carisma e dramaticidade à saga do herói enlatado.

Principal vilão das revistas do Homem de Ferro, o Mandarim ganha as telas como um terrorista de dotes midiáticos e origem desconhecida, interpretado por Ben Kingsley. Ao mesmo tempo, do passado de Stark, surge o cientista Aldrich Kilian (Guy Pearce) e um antigo affair (Rebecca Hall) – ambos com interesses escusos. Após ver sua casa ser destruída em um ataque do Mandarim e sua amada Pepper Potts ter a vida posta em risco, Stark parte para a ofensiva e investiga as origens do inimigo de interesses misteriosos.

Assim como aconteceu com o primeiro filme do personagem, cabe a ‘Homem de Ferro 3’ abrir a nova fase do Universo Marvel no cinema. Este equivale ao sétimo episódio da versão para a telona dos enredos publicados pela editora americana. Não entendeu? Nas páginas a seguir retomamos a saga para você não ficar perdido. E, se este serve de termômetro para os próximos filmes dos heróis criados por Stan Lee e Jack Kirby, podemos esperar por obras ainda mais fiéis à essência das HQs, mas maduras o suficiente para estabelecer regras próprias, e até melhores que suas versões originais.

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Entrevistas / HQ

Papo com Heitor Yida

Assim como aconteceu com o Ricardo Coimbra, conheci o trabalho do Heitor Yida durante a produção da minha matéria sobre quadrinistas independentes para o Estadão – e também como o Ricardo, a indicação do nome dele veio do Rafael. Ele é o mais novo dos artistas que entrevistei e fiquei impressionado pela quantidade de detalhes e a narrativa imensa que ele conseguiu criar nas dimensões claustrofóbicas que pedi para a ilustração da matéria. À procura por mais trabalhos dele, acabei esbarrando com uma mescla imensa de estilos e referências. De cabeça e sem pensar muito, lembrei de traços e histórias de Chris Ware, Adrian Tomine, Goseki Kojima e Charles Burns. Pra ver que eu não tô exagerando, dá uma olhada lá no flickr dele.

A hq que você produziu pra matéria é bastante melancólica. Além do tema, você incluiu muitos detalhes. São vários quadros, closes e cenários. Quando conversamos pela primeira vez você citou o Chris Ware como uma de suas influências. A presença dele está tanto nas temáticas quanto na técnica, certo?  

Sim, o Chris Ware é genial, ainda não vi seu ultimo trabalho “Building Stories”, mas lembro-me de uma das histórias de uma página dele. Sobre uma garota que tinha uma das pernas amputada marcando um encontro amoroso que acabaria em frustração. A página mostra todos os quadros dentro do mesmo cenário, visto de fora, mas com cortes arquitetônicos do interior do prédio e uma lanchonete na esquina, a passagem de tempo, a ordem dos quadros junto com mudanças de clima numa descrição detalhada do dia da personagem, lindamente executado no pincel. Me fez olhar com outros olhos os cartuns e quadrinhos mais antigos, que mesclavam muito mais o design e a ilustração sequencial. Diferente do que é comum hoje em dia, no pós Adobe, cada etapa têm a sua importância e compõe o ofício do quadrinhista, dá pra ver o quanto ele sabe disso e quanto prazer têm em exercê-lo. Voce nunca o verá, por exemplo, usando uma fonte comic sans nos textos, tudo é sempre feito a mão, sem a menor pressa, exatamente como os antigos, Eisner, Kirby, Crumb…

Ao mesmo tempo, quando vejo suas histórias lembro do Adrian Tomine e também do Daniel Clowes. O primeiro pela banalidade e o segundo por alguns elementos mais insólitos. A referência desses autores underground norte-americanos no seu trabalho é bem grande né?

Definitivamente! O Clowes é outro dos mais cabeçudos do underground, talvez ele só perca para o Ware (que é literalmente, rs!), tem o Mazzucchelli. Não só dos States United of America. Tem os italianos Liberatore e o Tamburini que fizeram o Ranxerox, os franceses Underzo e Goscinny criadores de Asterix, JacquesTardi, e um bando de europeus malucos. Me inspiro cada vez que vejo algo dos orientais Taiyo Matsumoto, Cannabis Works, Hayao Miyazaki. E também animações mais antigas como Walter Lantz, e mais atuais como as do estudio 4C, do Cartoon Network, em especial, Flapjack e Regular Show.

Como surgiu o Gibi Gibi? Na segunda edição eu contei 11 artistas além de você. São muitos estilos e histórias diferentes. Qual o critério para os artistas que participam do projeto?

O Gibi Gibi teve sua primeira tiragem em outubro de 2011, de 200 cópias, e nós (eu, Mateus Acioli e Luiz Berger) produzimos basicamente em uma semana para vendermos na RioComicon daquele ano, a idéia era fazer um zine estritamente de quadrinhos que abordassem temas como a violência, a corrupção, o sexo, lisergias e abusos de variados tipos. Deixando totalmente de lado o politicamente correto. Queriamos uma publicação periódica na qual poderíamos desenvolver histórias curtas e longas sem intervenções editoriais ou mercadológicas.Para a segunda edição tivemos mais tempo e sabiamos mais o que queríamos “melhorar” no conteúdo e no projeto gráfico. Convidamos entre autores estrangeiros e nacionais e fizemos questão de chamar pessoas com quem nos identificávamos com o trabalho e que, por sua vez, se identificavam com a proposta do gibi.

Quando conversei com o Ricardo Coimbra ele comentou que é inevitável cairmos nessa questão de mercado de quadrinhos e o que ele acha mais fascinante é a possibilidade de criar um trabalho autoral, honesto e verdadeiro, sabendo que haverá gente lendo e comentando. Um projeto como o Gibi Gibi é extremamente autoral e, ao mesmo tempo, envolve gastos e custos. Como vocês conciliam as duas coisas?

A gente tá começando nessa, então não temos uma metodologia consagrada, apenas anotamos tudo numa planilha compartilhada e tentamos usar a receita das vendas para a produção das próximas edições e produtos como posteres, camisetas, adesivos e afins. Queremos viajar pelo país divulgando, se posso dizer assim, o mal-gosto de qualidade, portanto se você está lendo isso, sinta-se a vontade em nos chamar para lançar o gibi na sua cidade!

Você tem previsão pra um Gibi Gibi #3 ou algum outro projeto que pode adiantar?

Sim, como temos certas “limitações orçamentárias”, tudo no começo é mais devagar, queremos publicar anualmente, temos que cuidar da divulgação e temos que nos focar em nossas histórias, isso leva um tempo, mas vale muito a pena.Tenho essa história inspirada nas impunidades sociais e nepotismos, intitulada Dimas & Deluca, que esta sendo publicada no GBGB, atualmente na sua segunda parte. Para a terceira, quero fazer mais páginas do que o de costume, quero desenvolver mais. Temos um quadrinho chamado Salalé, que estou criando juntamente com o Mateus, mas este projeto infelizmente depende de outros fatores, espero que logo possamos concluí-lo, ja que falta tão pouco. Estou preparando também um quadrinho para a Balão Editorial, na coleção Zug, ainda não tem nome mas já está em andamento, provavelmente sairá no segundo semestre. Tenho aqui uma lista de afazeres ambiciosa, mas é mais produtivo fazer do que falar.