Vitralizado

HQ

E esse relançamento de Música para Antropomorfos, hein?

Volta e meia esbarro por aí com discussões sobre quais são os grandes clássicos dos quadrinhos brasileiros e uma menção constante é Música para Antropomorfos, parceria do Fabio Zimbres com a banda goiana Mechanics lançada originalmente em 2007 e há algum tempo ausente das livrarias. O Claudio Martini, editor da Zarabatana Books, revelou hoje no Facebook a capa da da nova edição da obra, com lançamento previsto para a Bienal de Quadrinhos de Curitiba e, desde já, uma das publicações mais importantes de 2018.

Tive contato com uma edição colombiana da obra e o pdf dessa nova edição brasileira, mas não vejo a hora de ter esse material em mãos. Em conversas recentes com o Márcio Jr., quadrinista e músico do Mechanics, ele contou sobre a dinâmica maluca da produção da HQ, com as músicas inspirando o Fabio Zimbres para criar a história e depois ganhando letras a partir dos trabalhos do quadrinista. Deixa passar esse não, combinado?

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Já assinou a newsletter da PARAFUSO 0 – Expansão? Olha o link aqui!

Você tá sabendo que vou editar o próximo quadrinho do Jão, né? Pois é, vou. O álbum foi batizado de PARAFUSO 0 – Expansão e entra em campanha de financiamento coletivo no Catarse no mês de agosto, mas o desenvolvimento do projeto já está a mil. Estamos preparando um material de divulgação muito interessante, incluindo uma newsletter semanal na qual o Jão fala um pouco sobre o desenvolvimento do quadrinho e as influências e inspirações dele para a HQ. O primeiro número da newsletter foi enviada hoje aos assinantes e conta com uma participação especialíssima da quadrinista Laerte Coutinho. Coisa fina mesmo. Você cadastra o seu email pra receber a newsletter por aqui.

Cinema / HQ

Sábado (14/7) é dia de estreia do documentário Impressão Minha no MIS

Ei, tá em São Paulo? Tem programa pra sábado (14/7)? Então recomendo um pulo no Museu da Imagem e do Som (MIS) para o lançamento do documentário Impressão Minha. Dirigido por Daniel Salaroli, Gabriela Leite e João Rabello, o filme é um registro de 27 minutos da atual cena brasileira de publicações independentes. A entrada pro evento é gratuita. Além de duas exibições da obra, uma às 19h e outra às 21h, a festa de lançamento ainda contará com uma pequena feira de publicações, coquetel e um debate com os realizadores da produção. O MIS fica ali no número 158 da Avenida Europa, mas deixo aqui o link pra página do evento no Facebook pra quem quiser confirmar presença e saber mais sobre a estreia. Vamos?

Reproduzo por aqui, mais uma vez, a sinopse da produção e os dois trailers da obra. Ó: “Diante da hegemonia digital, a materialidade do livro ainda instiga. Impressão Minha apresenta a movimentação que acontece em torno dos livros e publicações independentes, no Brasil. Imerso entre artistas, editores e seus livros, o documentário abre espaço para reflexões sobre o mercado editorial, a liberdade de criação, a suposta oposição entre digital e impresso, o livro como objeto, as técnicas artísticas e de impressão…”

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92 minutos de conversa com Chris Ware

Acho que já comentei por aqui como considero Monograph uma das minhas leituras mais impressionantes relacionadas a quadrinhos no últimos anos. Nunca escondi a minha paixão pelos trabalhos do Chris Ware, mas essa espécie de autobiografia/enciclopédia pessoal do autor me ajudou a compreender ainda melhor o nosso privilégio por sermos contemporâneos desse período áureo de produção do responsável por Jimmy Corrigan e Building Stories.

Enfim, eu demorei pra ouvir a entrevista do Chris Ware pro Robin McConnell do podcast Inkstuds. Saiu em novembro do ano passado e fiquei enrolando, esperando por um tempo livre e sem interrupções, pra focar nos 92 minutos da conversa. Recomendo procê o mesmo foco total na conversa. O papo trata principalmente da concepção de Monograph, mas também fala das reflexões do autor sobre quadrinhos e memória e da RAW como fonte de inspiração para o início da carreira dele. Demais. Você ouve por aqui.

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Steve Ditko, por Daniel Clowes

Já viu essas duas páginas que a conta oficial do Daniel Clowes acabou de compartilhar no Twitter? Segundo os administradores do perfil, são dois rascunhos produzidos pelo quadrinista celebrando os 90 anos do Steve Ditko (1927-2018) para uma edição de 2017 da revista New Yorker. O tuíte explica que as páginas acabaram sendo recusadas pelos editores da publicação. Elas só acabaram sendo compartilhadas agora, cerca de três dias após o anúncio da morte do cocriador do Homem-Aranha e do Dr. Estranho.

O mais legal é ver a postura de idolatria do Clowes em relação ao Ditko, o chamando de “maior artista de quadrinhos vivo da América”. O autor de Ghost World conta inclusive ter batido na porta do quadrinista no final dos anos 70, mas para os spoilers por aqui e deixo pra sua leitura o final da história. Ó que demais:

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Deborah Salles e a produção do quarto número da Série Postal 2018

Volto a reunir por aqui a íntegra do depoimento de um artista participante da Série Postal sobre a produção de um dos números do projeto. Dessa vez, publico a íntegra das falas da quadrinista Deborah Salles sobre os bastidores do trabalho dela para a quarta edição do projeto no ano de 2018. Aproveito a deixa pra recomendar um pulo lá no Tumblr da coleção – no momento estão saindo por lá os comentários de Diego Gerlach sobre a quinta e última edição da Série Postal 2018. A seguir, aspas de Deborah Dalles:

“A primeira coisa em que pensei foi o formato. O convite para participar do projeto veio na época em que eu estava finalizando o meu TCC e fiquei refletindo em como pensar o quadrinho a partir do meu trabalho como designer, em como compor uma página e etc. Refleti sobre a proporção do postal e o que esse formato trazia pra mim.

A segunda coisa foi como as pessoas usam o postal e manipulam esse objeto. Quando você tem um postal em uma mesa, a chance de pegá-lo do lado certo é de 50%. É muito comum você virar um postal, virar de um lado e pro outro, ver o verso e a frente. É algo muito caraterístico do objeto, então pensei como trabalhar isso na história também. Esse era o meu gancho: como falar dessa manipulação”

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“Quando veio o convite pra participar eu tava numa época em que ia começar a usar óculos. Eu tava desenhando muito, aí minha visão ficou zoada e precisei dos óculos para ela ficar mais descansada. Achei que seria uma boa história, contar isso e também pensar nesse movimento das coisas pra ver melhor, seja aproximando ou afastando. O postal tem muito disso também: você pega e aproxima para poder ver melhor e depois joga de volta pra algum lugar”

“Eu queria fazer esse movimento de aproximação significar coisas diferentes. Quando você está vendo o zoom mais fechado na pessoa, você não consegue identificar o que está acontecendo. Na letra é o contrário, quando está o zoom mais aproximado é quando você entende. Então eu queria fazer esse jogo de um mesmo movimento significar duas coisas distintas”

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“Essa ideia surgiu dentro do consultório do oftalmo. Você tá lá, faz o teste pra ver o seu grau, com letras que parecem a mesma coisa e vão ficando mais claros. Eu achei que isso ia dar a mesma ideia. Eu queria fazer a coisa do postal girar. Então eu fiz uma coisa que fosse inversa uma da outra. Quando você está vendo a personagem mais de longe, a coisa que está em baixo disso é a letra mais de perto, é o movimento inverso e acho que fecha um ciclo”

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“Foi bem fácil entender na minha cabeça o que eu queria fazer, mas muito difícil fazer um desenho pra explicar o que eu queria fazer. É muito recente para mim trabalhar com outras pessoas e mostrar meu trabalho antes dele estar pronto. Eu peno muito pra fazer um desenho que fique claro. É muito estranho… Eu tô fazendo um livro com uma amiga, ela tá escrevendo e eu tô desenhando e eu tenho que deixar claro o que eu vou fazer antes de fazer, né? Nossa, é muito difícil. Achei que essas leituras do A-B-C iam funcionar melhor, mas nunca sei se isso vai ser claro pra outra pessoa”

“Eu tenho um interesse nesses temas banais e cotidianos, é algo que vai além dos quadrinhos. Seinfeld e essas histórias sobre nada sempre me chamam mais atenção, tem uma sutileza de histórias simples que eu gosto muito. A graça tá em outras coisas, não em grandes acontecimentos, sabe? Isso me interessa, trabalhar com o mínimo possível pra poder expandir as coisas, trabalhar além de uma narrativa com um grande arco ou um grande acontecimento”

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“No meu Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade eu queria falar um pouco disso, de rotina dessa designer que vive em São Paulo e vê a cidade tendo designs muito diferentes do que ela faz. É um quadrinho que fala desse isolamento. Tem todas essas marcas ao redor dela, identidades visuais que mudam toda hora, enquanto o trabalho que ela faz é muito mais lento, tem outro tempo outro contexto, algo que já não tem lugar. Pra isso eu pensei do mesmo jeito do postal: resolvi primeiro o formato do livro, como ele ia ser, e a partir disso eu fiz a histórias”

“Como eu tava nessa de pensar o formato e pensar no objeto, eu também queria deixar o postal mais relacionado ainda com o design gráfico e lembrar quem estiver usando que aquilo é algo impresso. Uma das coisas muito características da impressão em offset são as quatro cores CMYK – ciano, magenta, amarelo e o preto. Como a impressão seria em quatro cores, pensei em mostrar essas cores como elas são, puras. Por isso eu queria que o preto fosse não composto, esse preto que é uma chapa só, assim como azul, e o vermelho fosse uma composição exata de amarelo e magenta. Isso fala do processo de impressão, né? A ideia era aproximar a pessoa desse processo. Também por isso, o desenho foi feito na mesma escala em que foi impresso. Quando você vê um desenho impresso no mesmo tamanho que o desenhista fez, te deixa mais perto da coisa”

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“No colegial eu usava mais postais, geralmente com amigas. Alguém viajava e mandava um postal. Aí eu recebi um monte de um amigo no primeiro ano da faculdade, o meu pai viu, gostou e agora ele sempre me manda postal. Se ele vai pra Minas Gerais ele me manda um postal. Então é uma coisa que está presente na minha vida”