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Wanderlust, por Daniel Clowes

Tava dando um passeio ali no Tumblr e esbarrei com esses trabalhos aqui do Daniel Clowes. Esse primeiro aqui em cima é um pôster assinado por ele para a inauguração da boate/casa de show parisiense Wanderlust em junho de 2012. Lá no blog do quadrinista consta que ele ainda criou o logo, bolachas e designs de caixas de pizza. Outra curiosidade: os sócios da Wanderlust também são donos do Club Silencio, boate também em Paris inspirada na filmografia do David Lynch.

Bem massa, mas não tão inesperado quanto as latinhas de OK Soda com design e ilustração do autor de Ghost World em parceria com o Charles Burns. Saca esses outros cartazes/flyers também assinados pelo Clowes pra inauguração da Wanderlust:

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O blog Vitralizado, a Série Postal e a quadrinista Raquel Vitorelo dividirão uma mesa como convidados da Banca de Quadrinistas 2018

O blog Vitralizado, a Série Postal e a quadrinista Raquel Vitorelo irão dividir uma mesa como convidados da Banca de Quadrinistas 2018, evento do Itaú Cultural que ocorrerá ao longo de dois finais de semana de setembro. Eu estarei por lá junto com a autora da segunda edição da Série Postal 2018 nos dias 22 e 23 de setembro. O evento terá entrada gratuita e será a primeira oportunidade em que os cinco números da coleção em 2018 estarão sendo distribuídos simultaneamente – sempre de graça, vale lembrar.

Nos dias 22 e 23 de setembro também participarão do evento como convidados Clara Gomes, Fernanda Nia, Mika Takahashi, Sirlene Barbosa e João Pinheiro. O Itaú Cultural fica no número 149 da Avenida Paulista, em São Paulo. A lista completa com todos os artistas e editoras que estarão presentes no evento está disponível no site da instituição que organiza o evento.

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PARAFUSO ZERO – Expansão: está no ar a campanha de financiamento coletivo do próximo álbum do quadrinista Jão

Viu que entrou no ar a campanha de financiamento coletivo de PARAFUSO ZERO – Expansão? O álbum é a próxima HQ do quadrinista Jão e conta com a minha participação no papel de editor. Como já comentei por aqui, tenho altas expectativas em relação a esse trabalho e adianto que as ideias e os planos do Jão para o projeto são beeeem fora da curva. A campanha fica no Catarse até o dia 12 de outubro, a pedida para a impressão da obra é de R$ 28.500 e as recompensas oferecidas aos apoiadores estão demais. Reproduzo a seguir um trecho do texto de apresentação do projeto, o teaser do álbum (aliás, lindão esse vídeo, hein?) e alguns motivos para que você apoie a campanha o quanto antes. Ó:

PARAFUSO ZERO – Expansão é o novo trabalho de Jão. O objetivo do autor é fazer a história em quadrinhos de super-heróis mais estranha que já existiu, em um álbum com 68 páginas coloridas, impresso no ‘formatão’ que é característico nas publicações do artista.

A ideia parte de reflexões de Jão sobre a linguagem dos quadrinhos, suas possibilidades, seus espaços para experimentação e suas fronteiras. O autor propõe para si mesmo uma série de restrições criativas, inspiradas na corrente francesa OuBaPo, com o intuito de trabalhar essa potencialidade, e de chegar a lugares diferentes dos explorados em outras obras”

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PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #3: Um sonho com Moebius]

Hoje entra no ar a campanha de financiamento coletivo do álbum PARAFUSO ZERO – Expansão, obra de autoria do quadrinista Jão em que estou trabalhando como editor. A proposta do autor é de “fazer a história em quadrinhos de super-heróis mais estranha que já existiu”. Sou suspeito devido ao meu envolvimento no projeto, mas acredito demais no potencial da HQ e aposto nela como um dos grandes lançamentos de 2019. Anota aí.

Enquanto isso, dou continuidade por aqui à série PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores, na qual apresento a íntegra de depoimentos do Jão registrados durante nossas conversas semanais sobre a produção da HQ. Enquanto o primeiro post foi dedicado às origens do projeto e o segundo tratou de obras passadas do quadrinista, a terceira parte é focada na relação de Jão com seus sonhos e em uma das inspirações do artista para o universo PARAFUSO ZERO. Saca só:

PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #3: Um sonho com Moebius]

“O Moebius era amigo do meu avô”

“Eu tive um sonho com o Moebius. Na verdade, muitas das minhas histórias e dos meus interesses em quadrinhos surgem nos meus sonhos. Muitas vezes eu sonho com um artista que eu gosto, ele fazendo alguma coisa, aí eu vou e copio o que esse artista estava fazendo no sonho. Por exemplo, o conceito da revista PARAFUSO surge assim: eu sonhei que tinha uma revista em que tava uma galera pirando, tinha o Gabriel Góes, o Rafael Sica e mais um pessoal. Tinha um monte de gente fazendo algumas coisas, mas eu não visualizava os trabalhos deles, o que eles estavam fazendo. Aí eu pirei, ‘Nossa, vou copiar esses caras e também criar uma revista’.

Muita coisa que eu sonho, eu vou lá e faço. É uma coisa que me acompanha há muito tempo. Esse sonho do Moebius foi em 2008, eu sonhei que eu tava na casa dos meus avós e o Moebius chegou pra uma visita, no sonho ele era amigo do meu avô. Eu tava lá e aí o Moebius montou a prancheta dele e começou a desenhar. Eu entreguei pra ele um zine que eu tinha lançado na época do sonho, TOTEM. Ele gostou e me deu altas dicas. Foi engraçado, ele sentava na prancheta e desenhava 20 ou 30 páginas em uma única sentada. Aí ele virou pra mim e deu um toque: ‘Cara, não fica pirando demais nesse negócio de desenho não, só desenha, senta aí e faz’. E esse é um conhecimento que sigo… Eu sigo um conhecimento que o Moebius me deu no sonho (risos)”.

Porradaria dentro do ônibus

“Outro rolê do tipo: eu me copio no sonho. Na época que eu lancei a Peiote eu comecei a dar uma estudada sobre o Carlos Castaneda e essas coisas de viagem astral. E aí tinha um rolê que ele falava sobre controlar o próprio sonho. Foi uma coisa que eu comecei a praticar: quando eu tava sonhando, olhava pra minha mão e aí criava uma chave, então ao olhar pra minha mão eu lembrava que estava sonhando. A partir desse momento, eu passava a controlar o meu sonho. Eu demorei um tempo pra conseguir isso, mas… Hoje em dia eu nem faço mais, mas antes eu olhava pra minha mão, sacava que tava rolando e decidia voar e aí saia voando.

Eu tinha uns pesadelos e comecei a dar uma estudada nessa parada e isso tudo acabou me ajudando. Sei lá, eu tinha um pesadelo com alguém correndo atrás de mim, uma coisa assim, aí eu lembrava do rolê de olhar pra mão, eu olhava pra minha e voava, deixava o que estava me perseguindo pra trás. Umas paradas meio esquisitas. Nesse rolê de trabalho teve o sonho que inspirou a revista PARAFUSO e agora eu tô lembrando de um outro sonho que influenciou a PARAFUSO ZERO – Expansão, uma história que alguém fez no meu sonho nesse formato grandão, era um quadro só pegando as duas páginas. Era uma cena mostrando dentro de um ônibus, com as pessoas sentadas e rolando um quebra pau. Tinha, sei lá, oito páginas a história e isso é algo que eu tô querendo fazer, sabe? Uma câmera estática dentro de um ônibus e a galera brigando lá dentro (risos)”.

CONTINUA…

ANTERIORMENTE:
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #2: Baixo Centro, Flores e texto];
>> PARAFUSO ZERO – Expansão: Bastidores [Parte #1: origens, restrições e OuBaPo].

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Diego Gerlach e a produção do quinto número da Série Postal 2018

Antes do encerramento do segundo ano da Série Postal ainda rola o lançamento oficial do quinto e último quadrinho dessa segunda leva de publicações do projeto. Enquanto isso, reúno por aqui os depoimentos do quadrinista e editor do selo Vibe Tronxa Comix Diego Gerlach sobre a produção de Eu Espio Você, Você Me Espia, trabalho assinado por ele para a Série Postal 2018. Nas as aspas a seguir, o autor fala sobre a concepção da HQ, as cores e os personagens que aparecem na obra e a distribuição e o alcance de publicações independentes. Papo bom. Saca só:

“A primeira coisa que chama atenção é ver uma coisa minha em cores. Isso é raro. Esse trabalho aqui, especificamente, é só cor, sem traço, uma coisa quase meio termo entre pintura digital e desenho que eu nunca tinha feito com esse grau de complexidade. São vários personagens, passei algumas semanas mexendo, vai e volta e tal”.

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“A primeira coisa que me veio foi: eu posso usar cor. No meu caso, como eu falei, usar cor é algo bem raro. Eu tinha feito alguns desenhos, há um tempo, direto no Photoshop com aquela ferramenta de laço pra criar formas. O que eu fiz dessa vez foi criar as formas e depois preencher com cor. Creio que essa versão final já foi a primeiríssima ideia mesmo: uma cena complexa, com vários detalhes pro leitor absorver”.

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“Normalmente não sou muito conciso. Então pensei em fazer uma imagem com muitos detalhes. Logo de cara, quando comecei a fazer, surgiu a ideia de criar algo que eu já dominasse e me desse norte, que foi desenhar o Gilso com cores. Foi o primeiro personagem que eu desenhei ali na arte do postal e a partir daí eu tive a ideia de botar outros personagens que viessem do universo dele”.

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“Eu não tinha na minha cabeça que ia ficar essa coisa que não tem, digamos, um sentido de leitura bem definido. Normalmente a coisa no quadrinho é pensada de forma bem simples, né? Estão lá o quadro e a cena de ação se movendo da esquerda pra direita, normalmente é isso. Aqui não, as setas indicam várias direções possíveis em um momento estático. Os personagens são pegos no meio de uma cena aparentemente banal, mas aí tem alguns detalhes mais sinistros…”.

“O Gilso apareceu pela primeira vez no Know-Haole #2, um zine de 2013. Apesar dele ter poucas histórias, são só umas duas protagonizadas apenas pelo personagem, ele é mais usado em material de divulgação da Vibe Tronxa Comix. Mesmo quem não leu acaba conhecendo alguma coisa da personalidade dele”.

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“Aí você vê ali no postal uma pessoa no bueiro, um monstro lá no fundo – o mesmo que aparece na história de origem do Gilso… Inclusive, vários dos personagens que aparecem nesse postal já estão mortos na cronologia dos personagens da Vibe Tronxa Comix. Se eu tivesse que definir, isso aqui se passaria em algum momento já distante desse universo. Pelo menos três personagens aqui nesse postal já morreram”.

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“Foi tudo no Photoshop. Fui criando personagens, olhando as áreas dos desenhos que estavam vazias e, sempre que possível, colocando mais um personagem e tal. Aí essa coisas deles estarem olhando uns para os outros… Essa ideia de ‘Eu espio você, você me espia’, apesar de ser uma cena na rua, a inspiração veio de posts no Facebook, de pensar na internet como um reflexo de como vivemos em uma sociedade real mais condensada com essas características mais evidentes, das pessoas observando umas às outras”.

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“Cheguei a fazer algumas versões com mais detalhes ainda, algumas camadas extras que acabei removendo. Fiquei um pouco temeroso que as pessoas não conseguissem ver tudo isso por causa da escala. Ficou com um aspecto muito parecido com o das minhas histórias, muito cartunesco, de linhas simples, mas com ranhuras e detalhes. Ficou com cara de gráfico de jogo de computador e de video-game antigo, com personagens com uma certa tridimensionalidade, mas que não são executados perfeitamente em todos os níveis. Algumas coisas parecem meio esboçadas, pertencentes a uma técnica de animação mais rudimentar. Uma coisa meio joguinho de computador antigo que eram massas de cor com até alguma sombra aludindo ao volume, mas não exatamente tridimensional”.

“Eu já fiz alguns pôsteres coloridos e desde que comecei a lidar com cor, desde que aprendi a colorir no Photoshop, eu gosto de usar esses degradês considerados bregas. É uma constante no meu trabalho: eu apresento as paradas e as pessoas perguntam ‘Isso é sério?’. Aí algum tempo depois eu vejo essas coisas se espalhando. Essa questão do degradê, eu lembro de algumas pessoas que chegaram a ficar ultrajadas. Falaram: ‘Porra meu, esse degradê é muito brega. Não se usa isso em colorização’ (risos)”.

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“Eu me lembro daquele movimento das companhias telefônicas substituindo os designs de seus logos e, invariavelmente, todos os novos eram com essa coisa do degradê. Era o mesmo princípio que eu tava usando. A mesma coisa com as fontes de pixo. Eu não fui o primeiro, estava copiando algumas poucas pessoas que já tinha visto fazendo e achava interessante. Hoje tudo que é comercial e quer afetar uma coisa mais arrojada recorre a essa tipografia inspirada nos tipos do pixo brasileiro”.

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“Eu já recebi alguns postais e uma vez me convidaram pra um projeto de postais com originais. O Sama, o Carlos Ferreira, o Rafael Sica e mais alguém estavam participando, eu cheguei a receber um aqui em casa… Mas depois eu esqueci, tava sem dinheiro e não tomei parte. Eu não tava podendo na hora e ficou por isso. Eu me lembro de ter estudado sobre Arte Postal na universidade. A Arte Postal me influenciou muito, mas ela tem um viés mais político, é arte conceitual e na época em que estudei sobre ela eu não via essa possível conexão entre postais e quadrinhos”.

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“O impulso é sempre criar uma coisa única. A maneira como eu faço os meus quadrinhos, eu não vejo muita gente fazendo. Até onde eu sei, não tem muito selo de quadrinhos com zines em xerox, isso é raro. É o tipo de coisa que as pessoas fazem entre projetos. Eu faço por uma questão de necessidade. Eu assumo o controle de fazer pequenas tiragens e tem o desafio, que se reveste como um reputação enviesada do que eu faço. Eu posso dizer que cada um dos zines que já fiz tem o meu DNA. Não de maneira figurativa. Se um dia eu for preso, podem extrair DNA dos grampos ou do papel. Absolutamente todos que chegam nas mãos dos meus leitores passaram pelas minhas mãos antes”.

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“Aos poucos as pessoas vão chegando na Vibe Tronxa Comix. Eu não invisto tanto em uma divulgação ou nada do tipo, vai tudo meio que no boca a boca. Acaba recebendo um elogio da crítica aqui e ali e aí as pessoas vem atrás. O tempo de um zine, que não se divulga de forma intensa como o livro de uma editora, acaba sendo mais longo. Às vezes, dois anos depois de um lançamento estão descobrindo o zine e pedindo. O Know-Haole #4, por exemplo, toda semana alguém manda uma mensagem pelo Instagram ou pelo Face perguntando se ele ainda existe. Outro dia alguém postou no Instagram, ‘Leituras de 2018′ e aí tava lá o Know-Haole #4, o cara elogiando. Acho que o princípio é esse: criar um negócio de qualidade consistente, no caso da Série Postal está na curadoria, escolher os artistas, com trabalhos que irão compor um catálogo. No meu caso, sou eu”.

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Série Postal é indicada na categoria Publicação Mix do 30º Troféu HQMIX

O primeiro ano da Série Postal foi indicado na categoria Publicação Mix do 30º Troféu HQMIX, a mais tradicional premiação brasileira de quadrinhos. Projeto do blog Vitralizado em parceria com o programa Rumos do Itaú Cultural, a Série Postal foi lançada em janeiro de 2017 com o objetivo de expandir o alcance do trabalho de artistas com propostas autorais e experimentais. Com distribuição gratuita, o projeto também surgiu como uma provocação em tempos nos quais edições luxuosas, caras e pouco acessíveis dominam o mercado.

Como idealizador do projeto, agradeço aos jurados que indicaram a Série Postal. Também agradeço aos 12 incríveis artistas que contribuíram para o primeiro ano da coleção: Pedro Franz, Pedro Cobiaco, Taís Koshino, Bianca Pinheiro, Bárbara Malagoli, Felipe Portugal, Paula Puiupo, Manzanna, Daniel Lopes, Felipe Nunes, Jão e Mariana Paraizo. Também agradeço aos lojistas que ajudaram na difusão da série e, principalmente, ao designer e grande amigo Jairo Rodrigues, essencial para o desenvolvimento do projeto.

É recompensador e gratificante concorrer junto com projetos encabeçados por artistas como Laerte, Angeli, Rafael Coutinho, Marcatti, Alan Moore, Neil Gaiman, Dave McKean e outras lendas dos quadrinhos. Sorte a todos!