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Kent State: Four Dead in Ohio: confira uma prévia da próxima HQ de Derf Backderf, o autor de Meu Amigo Dahmer

Cara, como eu gosto de Meu Amigo Dahmer. Fiquei vidrado da primeira vez que li e acho que curti ainda mais quando saiu a edição brasileira em 2017, publicada pela DarkSide Books. Ontem a noite, no Twitter, o Derf Backderf, autor do quadrinho publicou uma mensagem com um link para o site The Hollywood Reporter avisando: “Foi finalmente anunciado oficialmente. O que tenho trabalhado nos últimos três anos”.

Aí no link você confere as páginas que reproduzo aqui, junto com a sinopse de Kent State: Four Dead in Ohio, o próximo trabalho do quadrinista. Com lançamento previsto para abril de 2020 pela Abrams ComicArts, a HQ narra o ataque da Ohio National Guard na Kent State University em maio de 1970, durante um protesto contra a Guerra do Vietnã. O ataque resultou na morte de quatro estudantes.

Assim como rolou em Meu Amigo Dahmer, o Derf Backderf tem uma ligação pessoal com a trama desse projeto novo, dessa vez por ter testemunhado um ataque semelhante da mesma Ohio National Guard na cidade natal dele alguns meses antes da tragédia na universidade de Kent. O The Hollywood Reporter diz que o livro reconstrói os instantes antes do ataque e conta a história das quatro vítimas do ocorrido. Aproveito pra deixar o link da minha entrevista com Backderf sobre Meu Amigo Dahmer e o link do meu texto sobre a HQ pra Rolling Stone.

Uma página de Kent State: Four Dead in Ohio, a próxima HQ de Derf Backderf, o autor de Meu Amigo Dahmer
Uma página de Kent State: Four Dead in Ohio, a próxima HQ de Derf Backderf, o autor de Meu Amigo Dahmer
Uma página de Kent State: Four Dead in Ohio, a próxima HQ de Derf Backderf, o autor de Meu Amigo Dahmer
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Kazuo Koike (1936-2019)

Você já deve ter lido por aí, mas deixo o registro: morreu no dia 17 de abril de 2019, aos 82 anos, o quadrinista Kazuo Koike, coautor do clássico Lobo Solitário. Uma mensagem compartilhada na conta do escritor no Twitter relata que a morte foi decorrente do agravamento de uma pneumonia.

Koike também foi autor de Samurai Executor, Lady Snowblood e Crying Freeman, entre outros títulos, mas foi na parceria com Goseki Kojima (1928-2000) em Lobo Solitário que ele produziu um dos maiores cânones das HQs mundiais – e uma das leituras mais impactantes da minha vida.

Entrevistas / HQ

Aline Zouvi faz retrospectiva da carreira na exposição Solstício, em São Paulo

As ilustrações e os quadrinhos de Aline Zouvi são os protagonistas da exposição Solstício. A mostra ficará hospedada na 9ª Arte Galeria, em São Paulo, entre os dias 23 e 27 de abril, reunindo 40 trabalhos da artista. Entre as obras que estarão à venda constam páginas, estudos e rascunhos das HQs Síncope e Óleo Sobre Tela (17ª edição da coleção Ugritos), cartuns produzidos para o jornal Folha de São Paulo e ilustrações da série Condição e de sessões de modelo vivo. Você confere outras informações sobre a exposição na página do evento no Facebook.

Coincidentemente, a abertura de Solstício ocorre dois anos após à inauguração da primeira mostra solo de Zouvi. Em abril de 2017, ela expôs em Campinas as 32 artes produzidas por ela para a série Condição. Por isso, a exposição na 9ª Arte Galeria acaba funcionando como uma retrospectiva desse intervalo 2017/2019 na carreira da autora.

Conversei por email com a quadrinista e ela fez um balanço sobre esses dois anos mais recentes de sua vida profissional. Ela também me contou sobre a curadoria de Solstício, comentou suas técnicas preferidas e deu pistas sobre seus próximos trabalhos. Antes da leitura do papo a seguir, recomendo outras três conversas publicadas com Zouvi aqui no blog: uma entrevista sobre Óleo Sobre Tela, uma segunda sobre Síncope e a terceira e mais antiga delas, sobre a exposição dedicada a Condição. Depois volta pra cá e invista nessa conversa sobre a exposição na 9ª Arte Galeria. Ó:

Um dos cartuns de Aline Zouvi que estará em exposição na 9ª Arte Galeria

A minha primeira entrevista com você aqui no blog é datada de abril de 2017, também sobre uma exposição sua, uma mostra reunindo seus trabalhos pro zine Condição. Pensando nesse intervalo entre 2017 e 2019, qual balanço você faz sua história como quadrinista, autora e ilustradora até aqui?

Nossa, verdade! É muito bom poder voltar aqui pra falar sobre uma nova exposição 🙂 Esta minha exposição de agora é, em si, um movimento de balanço, também: pensei em chamá-la de Solstício por haver um movimento de transição e de avaliação do que foi feito até agora – junto à ideia de transição presente no próprio funcionamento da 9ª Arte Galeria, que dispôs este tempo (e continua com o plano de fazê-lo com outros artistas) de uma semana em que a galeria tem o seu andar de cima disponível, enquanto a exposição anterior está sendo desmontada e a seguinte, em fase de montagem (no meu caso, irei expor meus trabalhos entre as mostras de André Dahmer e Marcatti).

Até aqui, acredito que me desenvolvi profissionalmente não apenas em relação a questões de produção e técnica, percurso esperado pra artistas que… bom, que não desistem de desenhar, rs, mas também evoluí junto com os outros artistas (iniciantes ou não) e com o movimento dos quadrinhos na cidade de São Paulo. O que quero dizer é que me vejo mais segura em relação ao meu traço e a meus projetos enquanto quadrinista e cartunista, mas isso sem dúvida também se construiu graças a vivências (conversas, palestras, mesas-redondas…) em espaços como a Ugra, a Loja Monstra, em eventos sobre quadrinhos no Sesc, no CCSP, em livrarias, e, agora, na 9ª Arte Galeria. Isto, claro, sem contar os festivais de quadrinhos, nos quais também pude presenciar discussões que contribuíram, mesmo que de forma indireta, para o desenvolvimento do meu trabalho.

“Tento pensar, sempre ao começar um projeto novo, em como fazer um quadrinho cuja qualidade se concentre no desenvolvimento de sua narrativa”

Um dos cartuns de Aline Zouvi que estará em exposição na 9ª Arte Galeria

Ainda sobre esse intervalo de dois anos: você vê muitas mudanças no seu estilo de fazer e pensar quadrinhos? Suas técnicas mudaram muito de 2017 até hoje?

Creio que mudei mais na maneira de fazer e pensar quadrinhos que na técnica em si. Ao longo deste intervalo de dois anos e ainda agora, tento pensar, sempre ao começar um projeto novo, em como fazer um quadrinho cuja qualidade se concentre no desenvolvimento de sua narrativa. Nesse sentido, todas as intenções que eu tinha enquanto autora quando comecei, tento agora remoldá-las em função da construção da narrativa, deixando-a sempre em primeiro lugar. Por exemplo, sempre pensei o fazer quadrinhos como um espaço de resistência e de visibilidade para minorias sociais – e ainda o penso – e procuro me desenvolver como autora para que esta preocupação se faça evidente na mina construção de enredos e personagens. Em relação às técnicas, procuro experimentar quando possível (como foi no caso da produção de Síncope), mas me interessa, também, focar em algo que já me é familiar (no caso, o preto e branco) e tentar melhorá-lo a cada produção.

O que mais me chama atenção na curadoria da sua exposição da 9ª Arte Galeria é a diversidade de suas áreas de atuação. Nessa mostra estão presentes trabalhos seus para HQs, jornais e zines. Existe alguma chave específica na sua cabeça na hora de trabalhar para cada um desses meios? É muito diferente pra você produzir um cartum pra Folha de São Paulo e uma HQ autoral?

Como alguém que se interessa em trabalhar com autoria no desenho, creio que me é tranquila a transição entre a auto-expressão em uma hq autoral e publicações que ofereçam algum tipo de limitação criativa, como um cartum ou qualquer outro tipo de desenho feito sob encomenda. Por mais que o cartum tenha a limitação de uma pauta a ser seguida, o seu formato reduzido, etc, creio que a ‘mudança de chave’ é menos  brusca, pois ainda posso desenvolver, no cartum, o meu traço – e, quanto ao conteúdo, aproveito este contexto de produção dirigida para exercitar outras formas de expressar uma mesma ideia. É muito importante, na minha opinião, poder exercitar o máximo possível destes ‘tipos de produção’ – isso me ajudou bastante no meu crescer enquanto profissional.

Parte de uma das páginas de Aline Zouvi que estará em exposição na 9ª Arte Galeria

Aliás, você pode falar um pouco sobre a curadoria dessa exposição na 9ª Arte Galeria? Como foi o processo de escolha de quais trabalhos entrariam na exposição?

Alexandre e Mona Lisa Martins, os curadores da galeria, me deram total liberdade para escolher quais trabalhos seriam expostos, deixando, desde o início, esta intenção de tentar fazer um apanhado de minha produção até o momento, mesmo que isto significasse reunir desenhos de diferentes formatos e abordagens. Ambos, desde o início, foram bastante atenciosos e mostram uma preocupação importante em oferecer o espaço da galeria a artistas que têm pouca visibilidade e/ou ainda estão no processo de construir seu público.

“O que quero ler e tentar, também, fazer, são quadrinhos que reconheçam, de forma honesta, as suas limitações”

Um registro de uma página de Síncope ainda em produção, a versão finalizada da arte estará em exposição na 9ª Arte Galeria

O que mais te interessa em termos de quadrinhos hoje, Aline? O que você mais tem interesse em ler e tentar fazer e experimentar com a linguagem das HQs?

Ao ler a sua pergunta, tudo em que pude pensar foi: Emil Ferris. Emil Ferris. Emil Ferris! Haha. Zueiras à parte, o que quero ler e tentar, também, fazer, são quadrinhos que reconheçam, de forma honesta, as suas limitações – e que isto não os impeça de serem subversivos, inovadores (e por que não, revolucionários?). Que isso seja, na verdade, a força deles. Eu tô um pouco cansada de quadrinhos que se autoprometem fodas, sabe?

Pra encerrar, no que você está trabalhando agora? Você já tem alguma próxima publicação em vista? Se sim, o que pode falar sobre ela?

Eu estou há bastante tempo elaborando uma narrativa mais longa, que agora está em fase da escrita do roteiro, depois de muitas idas e vindas em relação à elaboração do argumento. Infelizmente não posso falar mais do que isso, mas tô me esforçando pra que seja uma boa história 🙂 no meio do caminho irei elaborar uma hq mais curta, para ser lançada na CCXP.

Um dos cartuns de Aline Zouvi que estará em exposição na 9ª Arte Galeria

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Je Suis Cídio #9, por João B. Godoi

O quadrinista João B. Godoi está morando na cidade de Angoulême, na França, e participando da classe internacional de quadrinhos da Ecole Européenne Supérieure de L’image (EESI). Desde sua chegada à Europa ele vem produzindo uma espécie de diário em quadrinhos batizada de Je Suis Cídio, mostrando um pouco da rotina dele em Angoulême. 

Hoje compartilho a oitava atualização de Je Suis Cídio aqui no blog. Vocês conferem os seis capítulos prévios do projeto clicando nos links a seguir: Je Suis Cídio #1Je Suis Cídio #2Je Suis Cídio #3Je Suis Cídio #4Je Suis Cídio #5Je Suis Cídio #6, Je Suis Cídio #7 e Je Suis Cídio #8.

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Meltdown Comics, por Daniel Clowes

Mais um daqueles posts só pra deixar o blog mais bonito com arte de gente foda. Pra quem não sabe: A Meltdown Comics foi uma das lojas de quadrinhos mais lendárias dos Estados Unidos, tendo funcionado por 25 anos em Los Angeles e fechado as portas em março do ano passado. O logo da loja, assim como o mascote da comic shop, eram criações do quadrinista Daniel Clowes, autor de Ghost World e Paciência.

Achei essa imagem aqui em cima, um cartaz produzido pro evento de lançamento do livro The Art of Daniel Clowes: Modern Cartoonist, no tumblr da Stinckers!, empresa que produzia adesivos e stickers pra Meltdown. No mesmo post você encontra outras fotos e imagens dessas artes. Demais.

Arte de Daniel Clowes para a comic shop Meltdown Comics, de Los Angeles