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HQ / Matérias

Richard McGuire, Aqui e a passagem do tempo como uma forma fragmentada de ver os acontecimentos

Entrevistei o quadrinista Richard McGuire sobre as origens e a produção de Here, uma das obras-primas dos quadrinhos mundiais que acabou de ganhar edição em português pela Companhia das Letras com o título de Aqui. O nosso papo virou matéria lá no UOL e recomendo uma lida no meu texto pra você entender um pouco da importância e da ousadia do trabalho de McGuire na HQ. Acho bastante improvável que saia no Brasil em 2017 outro quadrinho tão bom quanto Aqui. Sério, não deixa passar esse não, ok? Em breve publico por aqui a íntegra da conversa. Enquanto isso, dá uma lida na minha matéria.

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Derf Backderf, Meu Amigo Dahmer e a espiral descendente de Jeffrey Dahmer

Meu Amigo Dahmer (Darkside) é um dos melhores quadrinhos publicados no Brasil em 2017. As 288 páginas da HQ de Derf Backderf narram a amizade do autor da obra com um dos maiores serial killers de todos os tempos, Jeffrey Dahmer. Ao ser preso, ele confessou 17 assassinatos e práticas envolvendo abuso sexual, necrofilia e canibalismo. Me impressiona no quadrinho não apenas o domínio pleno de Backderf da linguagem dos quadrinhos, mas a frieza de sua narrativa e como ele é impiedoso com todos ao redor de Dahmer. Entrevistei o autor da HQ e nosso papo virou matéria na edição da agosto da revista Rolling Stone. A revista chega às bancas de São Paulo amanhã (14/8) e o texto está disponível no site da publicação.

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Nick Sousanis, Desaplanar e a multiplicidade de perspectivas das histórias em quadrinhos

Fiz uma longa entrevista com o quadrinista e pesquisador Nick Sousanis sobre Desaplanar, primeira tese de doutorado publicada em formato de HQ na Universidade de Columbia. O livro saiu lá fora com o título de Unflattening e chega às livrarias brasileiras até o final do mês pela Veneta, com tradução do Érico Assis. Transformei a minha conversa com o autor em matéria, publicada na edição de ontem da Ilustríssima da Folha de São Paulo. Dos meus papos preferidos e definitivamente um dos que mais me fez pensar em relação a o que é possível se fazer com uma HQ. Sem dúvidas, um dos grandes álbuns publicados em português em 2017. Dá um pulo lá no site da Folha pra ler o meu texto.

“Testemunhamos o tempo passar de forma sequencial –os ponteiros do relógio avançam, mudamos de uma atividade para outra, e assim por diante. Mas, ao mesmo tempo, os pensamentos estão sempre à deriva, acontecendo todos de uma vez. Os quadrinhos não só nos permitem respirar tanto no mundo das imagens quanto no dos textos como nos possibilitam ter experiências de simultaneidade e sequencialidade, o que lhes dá enorme poder diante de narrativas complexas ou para explorar ideias a fundo”, Nick Sousanis

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Bar, O Miolo Frito e os bastidores de um boteco de São Paulo

Já comentei por aqui o tanto que gostei de Bar, álbum dos caras do Miolo Frito publicado há alguns meses pela Mino. Agora eu escrevi pra Rolling Stone de julho uma resenha da HQ. O meu texto sobre o quadrinho foi impresso do lado de críticas sobre o Paciência do Daniel Clowes e uma compilação de contos do Dostoiévski – o que considero um tremendo feito pra um quadrinho sobre um boteco pé sujo de São Paulo. Chamei atenção principalmente pra arte incrível e pro entrosamento de Breno Ferreira, Benson Chin, Adriano Rampazzo e Thiago A.M.S., dessa vez com a participação de Shun Izumi. Recomendo o meu texto na revista e, mais uma vez, o gibi.

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Oscar Zarate e a produção da coletânea A Vida Secreta de Londres

Entrevistei o quadrinista e editor argentino Oscar Zarate e transformei a nossa conversa em matéria pro UOL. Ele é o organizador e um dos autores da coletânea A Vida Secreta de Londres, recém-publicada por aqui pela Veneta e com trabalhos de uma galera do naipe de Alan Moore, Neil Gaiman, Dave McKean, Iain Sinclair e Melinda Gebbie. Algumas das histórias do álbum tratam de temas muito pertinentes em relação à dinâmica de grandes centro urbanos e as pessoas que neles habitam. Recomendo uma lida no meu texto pra você saber mais sobre as histórias presentes na obra, a concepção do projeto e a experiência de Zarate em ilustrar um roteiro de Alan Moore. Tá aqui o link.

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Os Morcegos-Cérebro de Vênus e Outras Histórias e o despertar da Era de Ouro dos quadrinhos norte-americanos

O trabalho de Carlos Junqueira e Lauro Larsen na coletânea Os Morcegos-Cérebro de Vênus e Outras Histórias resultou em uma dos álbuns mais interessantes e divertidos publicados no Brasil em 2017. Os dois editores do projeto restauraram 29 histórias em quadrinhos de ficção científica lançadas nos Estados Unidos entre 1939 e 1954 e assinadas por autores do naipe de Jack Kirby, Alex Toth, Steve Ditko e Wally Wood. É um quadrinho mais sensacional que o outro numa edição de 208 páginas com acabamento de luxo. Conversei com os dois idealizadores do álbum e transformei nosso papo em matéria pro UOL, dá uma lida.

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Guy Delisle fala sobre a rotina com os filhos apresentada em O Guia do Pai Sem Noção e revela os bastidores da produção de Hostage

O canadense Guy Delisle é autor de alguns dos quadrinhos que mais gosto. Em 2017 ele está em alta em seguida ao lançamento do primeiro volume de O Guia do Pai Sem Noção por aqui pela Zarabatana e da publicação de Hostage lá fora pela Drawn & Quarterly. A única coisa em comum entre os dois título é o autor: enquanto um mostra a rotina de Delisle como pai de família, o outro é uma adaptação com mais de 400 páginas para o formato de quadrinho de um depoimento dado a ele por funcionário da Médico Sem Fronteiras que passou 111 dias como refém de uma milícia no Cáucaso em 1997. Entrei em contato com o quadrinista para falar sobre essas duas obras e nosso papo virou matéria no UOL. Vai lá dar um lida.

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Estudante de Medicina: a jornada de Cynthia B. da medicina para as histórias em quadrinhos

Acabou de chegar às bancas de São Paulo a edição de maio da Rolling Stone Brasil. Escrevi pra revista sobre Estudante de Medicina, livro da Cynthia B. sobre os anos dela na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O texto vem com algumas falas da autora em relação às reflexões feitas por ela relacionadas aos aspectos biográficos e ficcionais do quadrinho. Recomendo: compre a revista e leia o gibi – ou vice-versa.

HQ / Matérias

Ódio e delírio em Ouro Preto: Rafael Coutinho e as marcas de um ritual de violência em Mensur

Transformei a minha longa entrevista com o Rafael Coutinho sobre Mensur em matéria pra edição de março da revista Rolling Stone. O foco do texto está principalmente na relação do autor com o personagem da HQ, o solitário Gringo, e também nos paralelos entre a prática de mensur e combates de MMA e outros esportes violentos do nosso presente. A revista chegou 6ª passada nas bancas, arruma a sua aí!

Aliás, falando em Mensur, já leu a HQ? O que achou? Tinha lido o pdf antes do lançamento, mas o impacto é outro com o livro no papel. Puta quadrinho bom, né? Fico indo e voltando em várias páginas e me perdendo no desenho. Gosto cada vez mais.

Entrevistas / HQ / Matérias

Jão e o número de estreia da revista PARAFUSO: “Quero que a revista seja meu laboratório”

Tem matéria minha na edição de janeiro da Rolling Stone falando do número zero da revista PARAFUSO do Jão. Já escrevi sobre a publicação por aqui na minha retrospectiva com os grande quadrinhos lançados no Brasil em 2016, por ter sido um dos meus títulos preferidos do ano passado. Essa edição de estreia da revista é focada na história Vigilantes, com diálogo imenso com o clássico Preto e Branco do Taiyo Matsumoto. Enfim, falo mais sobre a obra na minha matéria. A Rolling Stone chegou ontem às bancas de São Paulo e não deve demorar pra sair no resto do Brasil. Enquanto isso, segue um trecho da minha conversa com o Jão:

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Como surgiu a PARAFUSO?

O conceito surgiu por meio das histórias que criei ao longo do último ano, que são mais experimentais e foram produzidas como forma de exercício narrativo. Queria retomar algumas ideias do meu trabalho de alguns anos atrás também, coisas que eu fiz de 2008 a 2011, como o nonsense, a ficção científica e a fantasia. Acho que o título, PARAFUSO, vem daí também: tanto no sentido de algo maluco, que tem um parafuso a menos ou a mais, quanto o parafuso no sentido de máquina, de fazer um mecanismo funcionar. Quero que a revista seja meu laboratório.

Tendo resolvido o formato e o conceito da publicação, como você chegou à história desse primeiro número?

As coisas meio que foram feitas ao mesmo tempo. A ideia inicial era começar na edição 1, como uma antologia, mas percebi que o prazo ficaria muito curto para uma edição maior. Então, foquei em finalizar a história Vigilantes para publicá-la com o número zero na capa, pois senti que seria um conto com a força necessária para sustentar a publicação e que representava o que eu havia pensado para a série de revistas.

No imaginário das histórias em quadrinho, o termo vigilantes é muito associado aos super-heróis. Você de alguma forma trabalha com essa ideia na HQ?

Em meu livro anterior, Baixo Centro, eu já tinha explorado conceitos de “linchamento” e “justiça com as próprias mãos”, mas percebi que minha sensibilidade em relação a isso ainda não havia esgotado, principalmente quando vi que muitas dessas ideias são usadas como o embrião dos quadrinhos de super-heróis, que, de certa forma, são porta-vozes da linguagem. Então sim, a ideia de pessoas com poderes, que usam roupas coloridas e que lutam pela justiça é trabalhada no conto, mas como uma forma de mostrar o contexto estranho e assustador em que vivemos, onde a frase do herói nacional, Capitão Nascimento, “bandido bom, é bandido morto”, se faz mais presente do que nunca no imaginário popular.

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Seu trabalho anterior, o Baixo Centro é basicamente uma cena de perseguição pelas ruas do centro de Belo Horizonte. Você trabalha bastante com a arquitetura da cidade e os personagens fazem um percurso bem longo. Esse trabalho mais recente é focado praticamente em uma esquina e em um ambiente mais fantástico. Você refletiu sobre esse contraste? Mudou muito a sua dinâmica de produção trabalhar com ambientes e contextos tão diferentes?

Mudou demais! Mas minha forma de trabalho passa por aí, é muito difícil eu repetir o mesmo modo de produzir para histórias diferentes. No Baixo Centro, a cidade era o personagem principal da trama e eu queria representá-la de forma que os leitores reconhecessem os prédios e lugares ao passar as páginas. Já na história Vigilantes, a ideia foi de desenhar, desenhar e desenhar o mesmo cenário, queria que, de alguma forma, fosse criado um paralelo com obras da Pop Art também. Então, ao abrir as páginas, o leitor terá toda essa repetição de imagens seguidas, apesar da narrativa andar entre os quadros.

Já sobre o contraste entre as histórias, quando estava planejando começar a fazer o conto Vigilantes, percebi que estava falando sobre algo muito próximo do que havia explorado no Baixo Centro. Como já estava na onda de experimentar novas formas de fazer quadrinhos, resolvi que queria transformar essa narrativa em algo parecido com uma tira, criando diversas limitações pro desenho. Se no livro anterior a “câmera” girava e mostrava ao leitor a cena de diversos ângulos, por exemplo, na nova revista a ideia foi mantê-la o mais estática possível. Diria que são duas histórias irmãs, mas que foram separadas no nascimento.

Você tem em mente uma periodicidade pra revista? Já tem definidas as histórias das próximas edições?

A ideia é que sejam publicadas três ou quatro edições ao longo de 2017, sem uma periodicidade muito certa para não me comprometer. Algo que gostei nesta edição 0, e que saiu um pouco do plano inicial, que era de fazer uma antologia, é lançar cada número com uma história apenas, mas que tenham os conceitos estabelecidos pelo título da revista. Para a edição 1, posso dizer estou trabalhando em um conto que é uma mistura de House of Cards com Adventure Time e que é uma história um pouco maior que a anterior, Vigilantes. Para as edições seguintes, tenho diversas histórias em produção também, mas não sei exatamente quais serão lançadas na PARAFUSO e quais tomarão outros caminhos.

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