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Posts por data fevereiro 2017

Entrevistas / HQ

Papo com Gidalti Jr., o autor de Castanha do Pará: “Belém é muito particular e uma potência a ser explorada em narrativas”

As 84 páginas aquareladas do álbum Castanha do Pará consistem no primeiro trabalho do artista Gidalti Jr. em quadrinhos. A HQ foi produzida ao longo de três anos e adapta o conto Adolescente Solar do escritor e poeta Luizan Pinheiro, sobre a rotina de um menino de rua no mercado Ver-o-Peso de Belém. No gibi, Gidalti batizou seu protagonista de Castanha e o transformou em uma figura antropomórfica com cabeça de urubu. As outras crianças presentes na obra também são representadas com feições de animais em detrimento aos adultos humanizados. Bancado via financiamento coletivo no Catarse no final do ano passado e lançado na Comic Con Experience 2016, Castanha do Pará terá uma sessão de autógrafos com o autor na tarde de amanhã (25/2), a partir das 16h, na Ugra em São Paulo.

Fiz uma entrevista por email com Gidalti Jr e conversamos sobre alguns dos principais aspectos de seu trabalho. Grandioso e tecnicamente impressionante, ainda mais levando-se em conta fato de ser o primeiro quadrinho do autor, Castanha do Pará tem diálogo explícito com alguns dos principais aspectos de trabalhos do quadrinista Marcello Quintalha – principalmente no que diz respeito à oralidade de seus diálogos e à ambientação urbana da obra. Conversei com o autor sobre as origens do projeto, os métodos de produção do quadrinho e a repercussão dessa sua primeira HQ. Bem massa, dá uma lida:

“Hoje, tenho uma relação melhor com o tempo e aprendi que o importante é trabalhar respeitando sua arte e manter uma disciplina para que as coisas se tornem realidade. Afinal, o tempo passa, a obra fica”

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Você lembra do instante em que teve a ideia da HQ? Do momento em que percebeu que tinha uma história e que ela poderia virar um livro?

A ideia de fazer uma história em quadrinhos surgiu em momentos fracionados. A primeira ocorrência foi em uma faculdade em que eu lecionava. Lá, propus aos meus alunos de criatividade um exercício que consistia em ler um conto e criar um design para o personagem principal. Esse conto era o Adolescendo Solar, de Luizan Pinheiro, que narrava a história do menino que vivia perambulando pelo mercado do Ver-o-Peso, em Belém. Foi aí que eu criei o visual do personagem. Depois, já morando em São Paulo, estudei quadrinhos na Quanta, onde dei início ao enredo da história e o aperfeiçoamento da estética do álbum.

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Cinema / HQ

My Entire High School Is Sinking Into The Sea: o pôster e o trailer da animação produzida por Dash Shaw

Foram divulgados o pôster e o trailer de My Entire High School Is Sinking Into The Sea, animação escrita, produzida e dirigida pelo quadrinista Dash Shaw – mais conhecido por aqui como autor da excelente Umbigo Sem Fundo. A sinopse da obra diz que o filme é “uma mistura de sátira de blockbuster com comédia adolescente e cinema catástrofe mesclando técnicas de animação, desenho, pinturas e colagens”. O protagonista do filme é dublado pelo Jason Schwartzman e o elenco ainda conta com as vozes de Maya Rudolph, Lena Dunham e Susan Sarandon. O lançamento tá previsto pra abril, mas já tem uma crítica bem massa lá no The Filme Stage. Saca só o trailer:

Entrevistas / HQ

Papo com Lucy Knisley: “Diários de viagem permitem que eu vivencie e processe uma experiência simultaneamente”

Escrevi pra edição de fevereiro da Rolling Stone sobre o lançamento de Deslocamento – Um Diário de Viagem da Lucy Knisley no Brasil. Já havia conversado com a quadrinista em 2013, logo após a chegada de Relish nas livrarias dos Estados Unidos e voltei a bater um papo com ela pra falar dessa estreia no mercado editorial nacional. O álbum é ambientado em 2012, quando Knisley tinha 27 anos e passou 10 dias em um cruzeiro na companhia de seus avós paternos nonagenários. “Foi a minha forma de lidar com as minhas preocupações com a saúde deles, foram horas acordada em um quarto sem janela desenhando o livro”, me contou a artista.

Relish continua sendo meu quadrinho preferido da Lucy Knisley e não gosto que Deslocamento tenha sido publicado antes de An Age of License, sobre um período da vida da autora que acontece antes do livro lançado pela Nemo. Ainda assim, fico feliz de ver a autora finalmente saindo por aqui. Recomendo um pulo na banca pra ler a íntegra da minha matéria e saber um pouco mais sobre as origens da HQ. Reproduzo a seguir o nosso papo completo. Conversamos sobre a produção do quadrinho, a relação dela com os editores da Fantagraphics e a vida pós-nascimento de seu primeiro filho. Ó:

“Quando você vê seus avós envelhecendo, você se sente triste e fica com medo de perdê-los, quando você tem um filho, você se sente triste e fica com medo de que eles vão te perder. É um contraste interessante”

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Deslocamento foi lançado nos Estados Unidos no início de 2015 e está chegando no Brasil quase dois anos depois. Nesse período você refletiu sobre o resultado final desse trabalho?

Eu fiz o Deslocamento em 2012, então já se passaram quatro anos desde os eventos narrados no livro. Ainda tenho muitos sentimentos confusos em relação ao quadrinho, principalmente após os meus avós morrerem no último outono. Ainda assim, eu fico muito feliz por ter feito um registro dessa viagem que fizemos, por ter uma memória registrada desse período que passamos juntos no fim da vida deles.

A maior parte dos seus trabalhos são autobiográficos. Você é muito crítica em relação à forma como se retrata em seus quadrinhos?

Diários de viagem permitem que eu vivencie e processe uma experiência simultâneamente – e essa é uma sensação única. Ela me força a encontrar conexões com eventos e com os meus próprios pensamentos, mas também me obriga a ser muito honesta em relação a o que passa na minha cabeça e estou sentindo. Eu sempre acho bastante surpreendente quando vejo a pessoa que já fui quando escrevi algum dos meus diários.

Há uma cena no livro em que você lê um trecho de uma obra do David Levithan. Você cita um trecho em que ele fala como uma memória sobre uma determinada pessoa pode ser o maior legado deixado por esse indivíduo. Os seus livros costumam ser principalmente sobre as suas experiências, como é pra você contar histórias de vida de outras pessoas, como você faz com os seus avós?

Não sou capaz de contar a história de alguém sem roubá-la dessa pessoa, então tento contar principalmente histórias sobre mim e pego leve quando estou interpretando as ações das pessoas ao meu redor. Esse livro é um registro das memórias que tenho dos meus avós, não das histórias deles – e esse foi um dos motivos de eu ter incluído trechos da biografia do meu avô, para destacar essa divisão essencial entre o narrador e os personagens.

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Em Relish você escreveu principalmente sobre a sua infância e os seus pais. Em Deslocamento você vai um pouco além e mostra seus avós, tios e outros membros de sua família. Como eles se sentiram se vendo representandos como personagens de histórias em quadrinhos?

Não tenho certeza se a minha tia e o meu tio ficaram muito felizes, mas os eventos foram retratados de forma fiel, acho que retratei como foram todos simpáticos e compreensivos. A minha família sabe qual é a minha profissão e apoia a minha carreira.

Como foi a produção de Deslocamento? Vi um vídeo em seu site em que você fala um pouco sobre seus métodos de produção, mas há alguma particularidade no caso de Deslocamento?

Deslocamento foi produzido muito rápido, enquanto eu estava vivendo esses eventos. Eu usei meus desenhos e meu texto como uma forma de lidar com a tensão e a depressão de estar nesse cruzeiro preocupada com a saúde dos meus avós. Eu passava horas acordadas em um quarto sem janela desenhando as páginas do livro – e nem sempre é assim que trabalho. Para outros livros de viagem eu primeiro faço alguns rascunhos e depois finalizo em casa.

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E como funciona o trabalho de edição em um diário de viagem?

A edição de diários de viagem costuma envolver apenas correções de digitação e trocas de ideias em relação a partes da história que podem crescer.

Esse não é o seu primeiro livro publicado pela Fantagraphics, provavelmente a editora mais importante e influente de quadrinhos autorais nos Estados Unidos. Como é trabalhar com eles?

O meu primeiro livro com a Fantagraphics foi An Age of License. Considero um livro relacionado diretamente com o Deslocamento, por também ser um diário de viagem e relatar alguns eventos ocorrido meses antes dos eventos de Deslocamento. An Age of License é sobre liberdade, romance e independência, enquanto Deslocamento trata de responsabilidade, família e mortalidade. São assuntos dicotômicos, tanto predominantes quanto difíceis de serem tratados quando você é jovem. Sobre a Fantagraphics, foi incrível trabalhar com eles e fiquei muito feliz de ser publicada em meio a tantos artistas que amo e admiro.

Em Deslocamento você fala bastante sobre estar vivendo uma situação inédita na sua vida. Imagino que o mesmo tenha acontecido recentemente, quando o seu filho nasceu. Você vê alguma relação entre essas duas experiências?

Ter um filho, assim como estar com uma pessoa envelhecida que amamos, ressalta o impacto da idade e conexões entre gerações. Quando você vê seus avós envelhecendo, você se sente triste e fica com medo de perdê-los, quando você tem um filho, você se sente triste e fica com medo de que eles vão te perder. É uma mudança interessante.

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Li no seu blog que você está trabalhando em mais de um projeto no momento. Em que estágio está cada um deles?

Passei da metade de um livro que estou fazendo sobre gravidez e parto, chamado Kid Gloves, e também estou em várias etapas distintas de alguns outros projetos. No entanto o Kid Gloves é o meu foco no momento. Gosto de produzir trabalhos que sejam imediatos e recentes, então como o meu filho nasceu no verão passado, estou tentando finalizar esse livro o mais rápido possível.

Você tem lido/assistido/ouvido alguma coisa diferente recentemente? Há alguma obra em particular que você gostaria de recomendar?

Quando não estou trabalhando estou focada em ser uma mãe. Exige muito tempo e energia, mas também me faz muito mais focada no meu trabalho quando tenho tempo para destinar a ele. Então não assisti muitos filmes ou séries desde o início de 2016, mas acabo encontrando algum tempo para ler. Eu realmente gostei muito do Rolling Blackouts da Sarah Glidden. É um ótimo exemplar de jornalismo em quadrinhos tratando dos conflitos no Oriente Médio.

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HQ

O cartaz da dupla Icinori pro ELCAF 2017

Os organizadores do 6º Festival de Quadrinhos e Arte do Leste de Londres (ELCAF) acabaram divulgar o cartaz da edição de 2017 do evento. A obra é assinada pela dupla Icinori, os artistas Mayumi Otero e Raphael Urwiller – vale muito uma investida no site dos dois, viu? Além do cartaz também foi revelada a data do evento, que rola entre os dias 16 e 18 de junho de 2017.

De todos eventos de quadrinhos em que já estive o ELCAF é o meu preferido. Já estive em duas edições. O clima é divertido pra caramba, os convidados são incríveis e as conversas/debates sensacionais. Eles também sempre acertam nesse material de divulgação. Em 2016 o artista convidado foi o Jean Jullien, em 2015 a Jillian Tamaki e em 2014 o Chris Ware. Todos lindões.

Sério, se estiver em Londres no mês de junho, não deixe passar.

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HQ

Ladies’ Lunch, por Adrian Tomine

É sempre aquele esquema: o Adrian Tomine vai soltando algumas prévias no Instagram com detalhes de seu próximo trabalho e não demora pra arte nova dar as caras. Nos últimos três dias ele foi compartilhando as etapas de produção de uma obra nova e hoje ele divulgou uma ilustração assinada por ele e publicada na mais recente edição da New Yorker. O desenho foi produzido para o conto Ladies’ Lunch, de autoria da escritora Lore Segal – a íntegra do texto você lê aqui e por aqui você encontra uma entrevista com a autora sobre a história.

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HQ

Série Postal: a HQ produzida por Pedro Cobiaco para o nº 2 da coleção

Taí o trabalho do Pedro Cobiaco para o segundo número da Série Postal. A HQ será lançada amanhã, a partir das 16h, na loja da Ugra aqui em São Paulo. Lembrando que o Pedro estará por lá pra autografar o postal e Cais, trabalho dele com a Janaína de Luna – que também estará presente no evento. Lembrando que o Tumblr da Série Postal continua a mil, reunindo vários depoimentos dos artistas envolvidos no projeto sobre seus trabalhos pra coleção.

“Enquanto eu pensava no que faria com o postal, a primeira coisa que veio a mente foi essa ideia de me dirigir a uma pessoa. Isso é algo muito presente no meu trabalho até. Eu queria escrever como se estivesse escrevendo para alguém. Mesmo sabendo que é no verso do postal que geralmente escrevemos para uma pessoa, eu queria que a parte da frente também fosse um recado. Como se mandando esse postal para alguém você estivesse enviando tanto a sua mensagem do verso quanto aquilo que eu escrevi”, Pedro Cobiaco sobre a produção do segundo número da Série Postal.

HQ

Mensur: Rafael Coutinho divulga teaser da HQ e anuncia a data de lançamento do álbum para 16 de março

Olha, pode acreditar em mim quando digo que Mensur é o primeiro grande quadrinho brasileiro de 2017. É um puta álbum, com reflexões bastante atuais e uma arte matadoura. Em breve devo trazer um conteúdo bem legal sobre o gibi por aqui. Enquanto isso, lá no Facebook, o Rafael Coutinho acabou de avisar que o livro vai ser lançado dia 16 de março e também divulgou um breve teaser da HQ. Dá o play:

HQ

Série Postal: o cartaz produzido por Pedro Cobiaco para o lançamento do segundo número da coleção

O Pedro Cobiaco fez um cartaz para o evento de lançamento do segundo número da Série Postal, que também é assinado por ele. Aproveito pra deixar outra vez o convite por aqui: eu e o quadrinista estaremos na Ugra, sábado (18/2), a partir das 16h, junto com a Janaína de Luna, que vai estar autografando o álbum Cais. E não tem mistério, é só chegar lá, trocar uma ideia comigo, o Cobiaco e a Janaína e levar o postal pra casa. O evento oficial do lançamento no Facebook tá aqui. Vamos?

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Série Postal: Pedro Cobiaco lança o segundo número da coleção na Ugra, sábado (18/2), a partir das 16h

O segundo número da Série Postal será lançado no próximo sábado (18/2), a partir das 16h, na loja da Ugra aqui em São Paulo. Responsável pela arte dessa segunda edição, o quadrinista Pedro Cobiaco estará presente para autografar a HQ. Na companhia do artista também estará Janaína de Luna, autografando Cais, um dos gibis mais recentes da editora Mino, roteirizado por ela e ilustrado por Cobiaco. Eu também ficarei por lá a tarde inteira, distribuindo os postais e trocando ideia com os dois autores e com quem mais aparecer, seja pra falar sobre a Série Postal ou o que der na telha. O convite tá feito e a página do evento no Facebook tá aqui, anima? Lembrando: a Ugra fica na loja 116 do número 1371 da Rua Augusta. Ó o vídeo que o Cobiaco e o pessoal da Ugra produziram reforçando o convite:

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Daniel Clowes fala sobre sua carreira e suas diferentes percepções em relação a quadrinhos com o passar dos anos

Já tinha comentado por aqui sobre a exposição com os originais do Daniel Clowes na Galerie Martel de Paris. Daí que o pessoal do canal Cryptkeeper fez uma entrevista com o quadrinista tratando não apenas do evento, mas também sobre como o autor e o público mudaram suas perspectivas em relação a o que são quadrinhos ao longo dos anos. Papo rápido de 11 minutos que vale muito a investida. Assiste aí: