Vitralizado

Posts por data dezembro 2015

Cinema

## Retrospectiva Vitralizado 2015: o retorno de Guerra nas Estrelas ##

A Retrospectiva Vitralizado continua com mais alguns posts em 2016, mas encerro 2015 falando do filme mais importante do ano pra mim. Sim, mais importante por toda a sua relevância na minha formação. E putz, é um filmaço, cara. Todos os Guerra nas Estrelas são rasos pra caramba, a Trilogia é diversão em seu mais puro estado, com poucas nuances, tudo meio preto e branco mesmo. É um filme que resulta em muita conversa sobre o futuro da saga, mas que nem pede muito aprofundamento em relação à sua trama. J.J. Abrams foi no ponto com O Despertar da Força. [segue um Spoiler – aliás, sério que você se preocupa com spoiler e ainda não viu o filme?] Eu queria assistir em looping, durante umas três horas, a cena em que a Rey pega o sabre de luz logo após o Kylo Ren derrotar o Finn. Porra cara, aquilo é lindo.

HQ

## Retrospectiva Vitralizado 2015: Frederik Peeters e Pílulas Azuis ##

Outra HQ que demorou pra chegar no Brasil, mas veio num acabamento bem legal, com um capítulo extra recentemente publicado na Europa. Muito da qualidade de Pílulas Azuis vem da expectativa que ela gera no leitor de que em algum momento vai dar merda. Frederik Peeters conta uma história muito sincera e feliz sobre um tema que poderia resultar em um enredo trágico. Uma HQ belíssima, talvez o ponto alto de um catálogo de quadrinhos monstruoso montado pela editora Nemo em 2015. Em termos de quadrinhos estrangeiros, dá pra dizer que nenhuma editora brasileira acertou tanto quanto os responsáveis pela Nemo.

HQ

## Retrospectiva Vitralizado 2015: Rafael Coutinho e O Beijo Adolescente 3 ##

O terceiro volume de O Beijo Adolescente demorou, mas saiu. Conversei com o Rafael Coutinho lá no final de 2013, quando a obra ainda buscava financiamento via Catarse, pro site da Galileu. Também conversamos outras vezes, ao longo da produções do quadrinho, para falar de assuntos que ainda tratarei nessa retrospectiva. O gibi consta na minha lista de dez melhores HQs lançadas no Brasil em 2015. Os dois primeiros volumes da série eram bem legais, mas nesse terceiro Coutinho parece estar ainda mais a vontade, investindo em enquadramentos, cores e traços que haviam sido apenas instigados nas duas primeiras edições. E tem a trama, quente pra caramba e totalmente em dia com toda a agitação ideológica dos nossos tempos. Gosto de pensar que ainda veremos muitas temporadas novas de O Beijo Adolescente.

HQ

## Retrospectiva Vitralizado 2015: Brian K. Vaughan, Saga e Image ##

A retrospectiva de 2015 do blog é a quarta que faço desde o surgimento do site. Pelo quarto ano seguido, Brian K. Vaughan, Saga e Image são nomes presentes no recordatário de final de ano (ó: 2012, 2013 e 2014). Entre erros e acertos, a Image é a grande casa de quadrinhos autorais das editoras de gibis blockbusters do mercado norte-americano. Walking Dead pode ser o título mais famoso da editora, mas Saga é a obra-prima. O gibi está num crescente imenso desde seu lançamento. Vaughan propõe ideias e conceitos pouquíssimos usuais a cada nova edição e a HQ toma rumos difíceis de serem cogitados ao final de cada arco.

Com pouco alarde, chegou no Brasil apenas o segundo volume de Saga, enquanto lá fora já está na 5ª coletânea. É pouco para um dos grandes gibis lançados no mundo hoje. Com apenas um encadernado por ano, a lentidão para a publicação da obra não contribui para a formação de público para o título no Brasil. Uma pena. Ainda assim, quem corre atrás lê sem problemas tanto Saga quanto outros trabalhos do autor lançados em 2015: We Stand On Guard, Barrier e a versão impressa de The Private Eye.

Séries

## Retrospectiva Vitralizado 2015: o ano dois de Fargo e True Detective ##

Vamos começar pelo lado bom: porra, como Fargo é foda. A primeira temporada já tinha sido perfeita e a série talvez tenha ficado ainda melhor no segundo ano. Mais convencional em termos narrativos, ela tem roteiros excelentes e uma seleção de atores matadora. Melhor série com mafiosos desde Sopranos? Creio que sim. Aliás, provavelmente ocupou o posto de grande série da atualidade após o término de Mad Men. No aguardo da próxima temporada.

E cara, como True Detective pode ter errado tão feio? Ok, nem todo mundo gosta dos diálogos do Nic Pizzolato e a primeira temporada não é essa unanimidade toda (eu gosto muito!). Mesmo assim, nada justifica o lixo que é essa segunda leva de episódios. O crime sendo investigado é altamente esquecível, o elenco não poderia ser pior e a história é ruim. Tudo errado. Gostaria de uma terceira temporada pra entender qualé a real dos autores de True Detective: a excelência da estreia ou a vacilada do ano dois.

HQ

## Retrospectiva Vitralizado 2015: Marcello Quintanilha e Talco de Vidro ##

Talco de Vidro é mais uma obra sem erros do Marcello Quintanilha. Talvez seja o grande quadrinho de 2015. Não há um enquadramento que não seja original, uma vírgula fora do lugar e um traço que não tenha razão de ser. A perfeição do gibi chega a me incomodar. Já cogitei a possibilidade da obra ser fria em alguns aspectos, mas não, tudo faz parte da experiência de presenciar a desconstrução de um ser humano por causa de uma inveja intensa a partir de um narrador incoerente e pouco confiável que torna toda a leitura ainda mais incômoda. Leia, cara. Tem erro não. Gibi do ano? Acho que sim.

HQ

## Retrospectiva Vitralizado 2015: Adrian Tomine e Killing and Dying ##

Killing and Dying é a grande HQ impressa lançada nos Estados Unidos em 2015. Não consigo me conformar que o Adrian Tomine continue inédito no Brasil e seu mais recente lançamento torna essa situação ainda mais insólita. O álbum reúne algumas HQs previamente publicadas por Tomine em sua série Optic Nerve e outras inéditas. A história que dá título ao livro tem apenas 22 páginas, mostra uma adolescente tímida e com problemas de dicção que resolve iniciar uma carreira de comediante. O CHRIS WARE fez uma resenha da obra pro Guardian e resumiu: “Poucos trabalhos de arte em qualquer linguagem me fizeram chorar, mas os últimos quatro painéis de Killing and Dying conseguiram. É uma história que vai tão no cerne do lugar de onde as histórias surgem que é impossível que ela saia de lá sem deixar algumas marcas”. Leia logo, cara.

HQ

## Retrospectiva Vitralizado 2015: a versão impressa da Dinâmica de Bruto de Bruno Maron ##

Demorou pra sair uma coletânea impressa dos quadrinhos do Bruno Maron. O Manual de Sobrevivência dos Tímidos é uma tremenda obra, um livro que reitera diversas das qualidades do autor, principalmente seu texto. No entanto, as pérolas de Maron são suas tiras. O primeiro volume de Dinâmica de Bruto reúne os trabalhos produzidos por Maron para o seu blog entre 2010 e 2012. No papel, com títulos produzidos com exclusividade para a versão impressa, as tiras ganham ainda mais força e realçam o nome de Maron como um dos grandes e mais sofisticados pensadores dos quadrinhos nacionais. Releia aqui a minha conversa com o autor.

HQ

## Retrospectiva Vitralizado 2015: Liniers e Macanudismo em São Paulo ##

A exposição Macanudismo chegou a São Paulo em 2015 após ter passado por Rio de Janeiro, Recife e Brasília. A vinda tardia para a capital paulista não diminuiu em nada o peso do evento. Há poucos quadrinistas com um discurso tão universal quanto Liniers. Ver reunidos alguns de seus originais e muitos de seus trabalhos menos conhecidos torna ainda mais impressionante a produção do artista. Conversei com Liniers às vésperas do início da mostra, fiz algumas fotos e comentários sobre a exposição e relatei por aqui como foi a abertura da exposição. Claro, o Liniers saiu da bolha e hoje vai muito além do nicho usual de leitores de quadrinhos, MAS Macanudismo é um tremendo exemplo a ser seguido em relação às muitas possibilidades de expor, refletir e divulgar títulos e autores de HQs.

LiniersPanorama2

Séries

## Retrospectiva Vitralizado 2015: a última temporada de Mad Men ##

Comecei a montar o post, com uma imagem da última cena de Don Draper e a publicidade da Coca exibido nos últimos instantes da série. Nem lembrava, mas ia ficar idêntico ao meu post de despedida de Mad Men. O sorriso de canto de boca de Draper é explícito: o personagem não tem salvação. Estava encerrada de forma perfeita a obra de Matthew Weiner. Daí achei melhor abrir com a foto da Peggy entrando pela primeira vez no escritório da McCann Erickson. Se Don Draper no final das contas era o mesmo bosta do primeiro episódio do seriado, Peggy cresceu pra caramba, não sei se pra melhor ou pior. Seja como for, testemunhamos o fim de uma das obras-primas da televisão mundial. Vai fazer muita falta.