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Posts por data agosto 2014

Cinema / HQ

Artes inspiradas em filmes clássicos dos anos 80 em exposição na Galeria Ornitorrinco

Não é unanimidade o título dado a Ed Wood de pior cineasta de todos os tempos. Na minha humilde opinião, por exemplo, ninguém é pior que Michael Bay. No mundo dos quadrinhos, no entanto, a mediocridade das ilustrações de Rob Liefeld é inigualável. Sério, saca só o naipe do trabalho do cara. Ainda assim, está na produção de Liefeld a origem de umas das exposições brasileiras mais legais do ano, a Cine 80 – Clássicos Ilustrados, que abre hoje a noite na Galeria Ornitorrinco, em São Paulo.

“Um tempo atrás eu dei uma idéia para o Marcelo Campos, diretor da Quanta Academia, para fazermos uma homenagem aos personagens do Rob Liefeld. É um artista do qual todos os fãs ou desenhistas reclamam, pois o trabalho dele é cheio de erros de construção na figura humana e perspectiva”, explica o curador da mostra, Caio Majado. Segundo ele, o sucesso da brincadeira serviu de estímulo para outras iniciativas semelhantes de releituras. A Cine 80 é a maior e mais recente. Entre as 19h de hoje e o dia 13 de setembro estarão expostas 40 artes, cada uma produzida por uma artista diferente, inspirada em um filme clássico dos anos 80 – de Goonies a Te Pego Lá Fora.

A Galeria Ornitorrinco fica no número 520 da Avenida Pompeia, funciona de 2a a sábado de 10h às 19h e a entrada é grátis. Todas as artes estarão a venda por R$500. Segue o meu papo com Caio Majado e algumas ilustrações presentes no evento.

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Como surgiu a ideia da exposição?

Um tempo atrás eu dei uma idéia para o Marcelo Campos, diretor da Quanta Academia, para fazermos uma homenagem aos personagens da década de 1990 do artista americano Rob Liefeld. Ele ficou muito famoso na década de 1990 desenhando para a Marvel. Criou personagens como Cable e Deadpool. É um artista do qual todos os fãs ou desenhistas reclamam, pois o trabalho dele é cheio de erros de construção na figura humana e perspectiva. Como eu e o Marcelo achamos ele um artista bacana, pois apesar das reclamações, ele ainda publica para as grandes editoras americanas e esta sempre vendendo, criamos um desafio. A idéia era pegar um personagem dele, da década de 1990 criado na editora Image Comics, e desenhar com seu próprio estilo, ou seja fazer uma releitura. Conseguimos 60 artistas e expusemos na Quanta. A brincadeira deu tão certo que resolvemos continuar e fizemos uma outra com personagens de cartoons que faziam as cabeças dos artistas. Essa fez mais sucesso que a anterior, chamou a atenção de algumas pessoas, de jornais e também do pessoal da Galeria Ornitorrinco, que entrou em contato com a gente para fazermos algo parecido.

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Como foi a escolha dos artistas convidados e como eles escolheram as produções que iriam retratar?

Todos os participantes tem alguma relação com a Quanta. A maioria é professor e alguns já deram cursos, oficinas, palestras, ou algo do gênero! A escolha foi de cada um, respeitando a temática de ser um filme que foi lançado na década de 1980.

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Por que homenagear os filmes dos anos 80? Você vê alguma razão especial para esse culto às obras dessa década?

Pelo nível de novidades, cores, e um pouco de “breguice”, chegamos a conclusão que essa seria a década perfeita para uma exposição. Fizemos uma rápida votação e pronto. Apesar que o fator “breguice” foi o ponto culminante para isso! A cada nova década cultua-se alguma década passada. Sempre foi assim, as pessoas são muito nostálgicas. Apesar de o efeito da década de 80 estar durando bastante, pois foi uma década muito rica visualmente, acredito que uma hora as pessoas vão se cansar e o ciclo recomeça.

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Você escolheu retratar O Clube dos Cinco, certo? Por que esse filme?

Simplesmente porque acho esse filme muito bacana! Para mim, falar em filmes dos anos 1980 é a mesma coisa que falar do diretor John Hughes. Sou fã de quase todos os filmes dele!

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A exposição é feita em parceria com a Quanta, uma academia conhecida principalmente por seu trabalho com quadrinistas. Quando você vê todos esses artistas expostos em um mesmo ambiente, qual balanço você faz da cena quadrinistas brasileira no presente?

Engraçado você perguntar isso, pois menos da metade dos artistas que estarão expondo são quadrinistas. A Quanta já foi muito focada em quadrinhos, mas hoje acredito que ela é muito mais uma escola aberta de artes e não apenas de quadrinhos. Temos quadrinistas, animadores, ilustradores editoriais, ilustradores publicitários, concept artist de games, de animação, etc… O que, para mim, é genial, pois conseguimos apresentar uma enorme variedade de trabalhos originais que variam de cores, estilos, mercado, etc. Temos desde a pintura realista super colorida a óleo até cartoon preto e branco a nanquim. Não é a primeira vez que verei todos expostos, pois antes dessa, já fizemos algumas outras brincadeiras, mas posso dizer que é uma delícia quando as obras estão uma do lado das outras.

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HQ / Marvel

25 minutos de Brian Bendis

Durante a última Comic Con em San Diego (which of course in German means ‘a whale’s vagina’), o Comic Book Resources filmou entrevistas com vários quadrinistas. Um dos entrevistados foi Brian Bendis, provavelmente o meu escritor norte-americano de quadrinhos preferidos. Ele fala principalmente do livro novo dele, Words for Pictures, como começar na indústria de quadrinhos dos EUA, as inspirações dele para a atual fase dos X-Men e a reação de fãs a determinados enredos criados por ele. Dá o play:

Cinema / HQ

Darth Vader, por Walter Simonson

Volta e meia o Brian Bendis dedica uma sequência enorme de posts em seu tumblr a determinados artistas. Uma das sequências mais recentes foi com artes do Walter Simonson, um dos desenhistas mais famosos dos quadrinhos norte-americanos e responsável pela arte de uma das temporadas mais memoráveis da revista do Thor, nos anos 80. Uma das artes mais legais publicadas foi essa ilustração aí de cima, com a versão do Darth Vader sem capacete do Simonson. Bem diferente do que vimos no Retorno do Jedi, certo? Ele substituiu o rosto do ator Sebastian Shaw pelo de David Prowse – o ator que encarnou Vader ao longo de toda série. Ó a explicação:

“Eu sempre achei uma pena que o David Prowse não tenha interpretado o Darth Vader sem a máscara. Não sei o motivo dessa decisão, mas quis ilustrar o David, mais ou menos como ele é hoje, como o Darth Vader a beira da morte no final do terceiro filme”.

Entrevistas / Literatura

Papo com Tom Rachman

Comentei por aqui semana passada da entrevista que fiz com o Tom Rachman, autor de Os Imperfeccionistas. Nossa conversa saiu no Segundo Caderno do Globo. Como não dá pra imprimir na íntegra a nossa conversa, segue por aqui a entrevista completa. As capas que ilustram o post são das edições inglesas e norte-americana do novo livro do autor, The Rise & Fall of The Great Powers, e a foto dele é de autoria de Alessandra Rizzo.

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Literatura / Matérias

Tom Rachman e a ascensão & queda das grandes potências

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Tenho só cinco anos de formado como jornalista e uma das minhas poucas certezas nessa área é que Os Imperfeccionistas deveria ser leitura obrigatória para quem trabalha/quer trabalhar numa redação. A obra mostra a realidade nua e crua da profissão e é um dos meus livros preferidos. Em seguida a Os Imperfecciniostas, Tom Rachman lançou The rise & fall of the great powers. Também sobre os muitos dilemas do mundo moderno, ele conta a história da jovem dona de uma livraria no interior do País de Gales. Com poucos registros sobre seu passado, ela vai aos Estados Unidos quando descobre que uma das misteriosas pessoas responsáveis por sua criação e presentes em seu passado está morrendo. No final de julho eu passei duas horas em um café de Londres conversando com Rachman sobre o livro,  o mundo editorial, a onipresença de tecnologias no nosso cotidiano, a vida e tudo mais. Nossa conversa está na capa do Segundo Caderno do Globo de hoje. Dá pra ler aqui.

Cinema

Imagine Up dirigido por Michael Bay…

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Séria mais ou menos assim: com várias explosões, trilha sonora horrenda e um Sr. Fredricksen com bravura que não deixaria nada a dever a Optimus Prime. É só um trailer de dois minutos e já é difícil chegar no fim. Aliás, viu o novo Tartarugas Ninjas? Putz…e olha que foi só produzido pelo Bay. Ou seja, podia ser pior.

HQ

Os melhores quadrinhos americanos de 2014, segundo Scott McCloud

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Saiu a lista dos quadrinhos e autores selecionados pelo Scott McCloud para a edição de 2014 da série The Best American Comics. Uma das publicações anuais mais legais do mundo das hqs, a série tem todo ano um editor convidado para fazer a curadoria dos melhores lançamentos do ano anterior. O volume de responsabilidade do autor de Entendendo os Quadrinhos estará a venda a partir do dia 7 de outubro. Apesar de não apresentar a íntegra de algumas das obras selecionadas, o livro serve como uma tremenda coletânea de alguns dos quadrinhos mais ousados e interessantes publicados nos Estados Unidos. Tirei lá do Bleeding Cool:

Jaime Hernandez. Crime Raiders International Mobsters and Executioners de Love and Rockets: New Stories #5, Fantagraphics Books.

Ben Katchor. Picnic Now!, Sickroom Reading, and The Hand Laundry: A 21st Century Still Life de Metropolis Magazine.

Charles Burns. The Hive. Pantheon Books.

Gilbert Hernandez. All the Marbles de Marble Season, Drawn And Quarterly.

Adrian Tomine. Translated, from the Japanese, de Optic Nerve #13, Drawn And Quarterly.

Robert Crumb and Alice Kominsky-Crumb. High Road to the Shmuck Seat, Drawn Together, Liveright/Norton.

Raina Telgemeier. Drama. Graphix/Scholastic.

Fanny Britt and Isabelle Arsenault. Jane, the Fox and Me. Groundwood Books/House Of Anansi Press.

Miriam Katin. Letting It Go, Drawn And Quarterly.

Tom Hart. RL de RL #2, Self-Published.

Sam Sharpe. Mom de Viewotron #2, Self-Published.

Nina Bunjevac. August 1977 de Heartless, Conundrum Press.

Mark Siegel. The Mermaid in the Hudson de Sailor Twain, or The Mermaid in the Hudson, First Second Books.

Brian K. Vaughan and Fiona Staples. Saga Chapter 7 de Saga #7, Image Comics.

Brandon Graham. Multiple Warheads: Alphabet to Infinity #1, Image Comics.

Ted May. Dimensions from Men’s Feelings, Revival House Press.

Chris Ware. Building Stories, Pantheon Books.

John Lewis, Andrew Aydin and Nate Powell March: Book One, Top Shelf Productions.

Frank M. Young and David Lasky. The Program Is Morally Good, de The Carter Family: Don’t Forget This Song, Abrams Comicarts.

Ed Piskor. Hip Hop Family Tree de Boing Boing, www.boingboing.net/tag/hip-hop-family-tree

Depression Part Two de Hyperbole And A Half, www.hyperboleandahalf.blogspot.cpom

Michael DeForge. Canadian Royalty de Lose #4, Koyama Press

Theo Ellsworth. The Understanding Monster – Book One, Secret Acres

Ron Rege, Jr. Is There Silence?, The Implications of Making Something from Nothing via the Spiritual Realm, and This Is Magic—This Is Alchemy, de The Cartoon Utopia, Fantagraphics Books.

C. F. Face It from The New York Times Opinionator, www.opinionator.blogs.nytimes.com

Victor Cayro, Bittersweet Romance de Love And Rockets, Drippy Bone Books

Onsmith. Whistle While You Work or Think of Death from Study Group Magazine #2, Study Group Comic Books, Self-Published.

Gerald Jablonski. Schweinhund and Howdy, His Nephew Dee Dee and A Friend of Howdy’s Nephew de Cryptic Wit #2, Self-Published.

Lale Westvind. Hyperspeed To Nowhere, Return To Entropy de Hyperspeed to Nowhere #2, Self-Published.

G.W. Duncanson. Untitled Selections de Cash Money Cartoons, www.cash-money-cartoons.tumblr.com

Aidan Koch. Blue Period de Sonatina #2, Sonatina Comics.

Erin Curry. Ambient Air (Part II) de Ambient Air, www.sculptress-studio.blogspot.com

Richard Thompson. Cul de Sac, September 17-23, 2012 de Cul de Sac, Universal Press Syndicate.

Sam Alden. Hawaii 1997, de samaldencomics.tumblr.com, www.gingerlandcomics.com

HQ / Matérias

Biografia de Neil Gaiman chega em dezembro no Brasil

Neil Gaiman aos 17 anos, junto com os membros de sua banda punk Ex-Execs

O livro The Art of Neil Gaiman foi lançado no Reino Unido no início de julho. Apesar do título ser focado na arte do autor de Sandman, a obra narra toda a vida do escritor inglês. Entrevistei a escritora australiana Hayley Campbell, autora do livro e filha do quadrinista Eddie Campbell, ilustrador de Do Inferno. Amiga pessoal de Gaiman, ela passou uma temporada no sótão da casa de seu protagonista e uma semana por conta de entrevistas com ele na Escócia. O livro é demais, com várias imagens inéditas, ilustrações e rascunhos de toda a carreira de Neil Gaiman. Descobri que será lançado no Brasil em dezembro, pela Mythos Editora, e escrevi sobre o livro pra edição de hoje do Globo. Dá uma olhada.

A capa da edição inglesa de The Art of Neil Gaiman com lançamento previsto para dezembro no Brasil