Vitralizado

Posts por data dezembro 2012

Cinema / Destaque / Retrospectiva 2012

Retrospectiva OEsquema 2012 – Nolan e o Batman

Dentro de uma sala de cinema, O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um dos melhores filmes do ano. A amplitude das imagens em Imax e a alta resolução do formato resultam em um espetáculo visual raro até nos mais megalomaníacos blockbusters hollywoodianos. Mesmo com ritmo irregular – extremamente calmo no início e frenético no fim – o filme é uma experiência cinematográfica grandiosa. Mas daí você sai da sala de cinema e o capítulo final da trilogia de Nolan não funciona tão bem. Relevo essas falhas óbvias de ‘Ressurge’. Pra mim, o que fica é o exemplo de um filme de super-herói que foi além da fórmula batida do gênero. Boto muita fé que O Homem de Aço do Zack Snyder siga essa mesma lógica, sem as mancadas do terceiro Batman de Nolan.

Cinema / Destaque

Retrospectiva OEsquema 2012 – Spielberg, Scorsese, Jackson e o 3D

O 3D virou padrão no cinema norte-americano pós-Avatar. Vários lançamentos fizeram uso do formato apenas como artifício para atrair público, sem fazer uso da técnica em função da trama. Wim Wenders e Werner Herzog já haviam mostrado, em Pina e A Caverna dos Sonhos, como a terceira dimensão poderia render espetáculos visuais quando utilizada em prol da narrativa.

Mas os cinemas brasileiros receberam em 2012 três blockbusters dirigidos por três grandes cineastas que expandiram a noção de como o 3D pode ser incorporado à experiência sem sobrepor o texto original dos filmes. A Invenção de Hugo Cabret, As Aventuras de Tintim e o primeiro Hobbit apresentam possibilidades imersivas essenciais para uma indústria em busca de público. Espero, em 2013, um filme que una os 48 quadros por segundo do filme de Jackson com a profundidade das imagens de Hugo Cabret e os movimentos de câmera de Tintim.

Destaque / HQ / Retrospectiva 2012

Retrospectiva OEsquema 2012 – Saga e a nova Image

Já escrevi sobre esse assunto por aqui: no ano que Y – O Último Homem chega ao fim no Brasil, Brian K. Vaughan voltou a publicar uma hq nos Estados Unidos após um intervalo de quase quatro anos. O primeiro encadernado de Saga acabou de sair e Vaughan está construindo algo tão épico quanto Y. Além da qualidade da história, Saga talvez seja a principal referência do que aparenta ser uma nova Image. Do que li dessa nova safra, recomendo Saga e Fatale – essa última do Ed Brubaker. Enfim, 2012 marcou o início de algo grande para a editora de Todd McFarlane.

“My hope is that this will be the longest, best series I’ve ever been a part of, so my new goal is to go exactly one issue longer than wherever The Walking Dead ends. I know Kirkman already has a hundred-issue head start, but I’m confident I can outlive the bastard, especially with his hard-partying Hollywood lifestyle.” – Brian K. Vaughan.

“Part of what we do is make good comics, and we want to be the best version of Image Comics. But part of what we do is create a sustainable market. It has to be a part of what we do. Things like Saga and Walking Dead andFatale, these are things that people want to return to. People can recommend these things to their friends, even people that don’t read comics. As opposed to tailchasing events, these yearly spike makers, but who’s going to be talking about AvX ten years from now?” – Eric Stephenson, editor da Image.

SagaInterna2

Destaque / HQ / Retrospectiva 2012

Retrospectiva OEsquema 2012 – Y: O Último Homem

A Panini encerrou em 2012 a publicação daquela que talvez seja a principal série do selo Vertigo desde Sandman. Y – O Último Homem saiu no Brasil ao longo de três anos e dividida em 10 encadernados. Yorick Brown e seu macaco Ampersand são os últimos mamíferos masculinos da Terra e, ao final do último volume da série, pouco importa o que causou a morte de todos os seres portadores do cromossomo Y.

Os personagens concebidos por Brian K. Vaughan são verossímeis como pouco se vê em quadrinhos norte-americanos. A série é, ao mesmo tempo, uma ficção científica épica e um drama pessoal e intimista. Junto com 100 Balas, de Brian Azzarello e Eduardo Risso, é a principal referência de blockbuster quadrinístico produzido pela indústria norte-americana na década de 2000.

Chris Ware / Destaque / HQ / Retrospectiva 2012

Retrospectiva OEsquema 2012 – Building Stories

Difícil encontrar outra obra lançada em 2012 que experimente tanto em relação às possibilidades de sua própria linguagem como Building Stories. Ainda tá cedo para avaliar o impacto real do último lançamento de Chris Ware no universo das histórias em quadrinhos, mas é uma obra definitiva em termos de abordagem, narrativa, ousadia e diversos outros aspectos. Lançamento do ano. Postei um monte de coisa sobre a hq nos últimos meses, dá uma olhada.

 

Cinema / Destaque / HQ / Retrospectiva 2012

Retrospectiva OEsquema 2012 – Projeto Vingadores

Nem vale a pena entrar no mérito da qualidade de Os Vingadores. É um filme quase infantil, com enredo simplório, algumas atuações pouco inspiradas e fotografia controversa – pra ficar só nos problemas mais óbvios. Mas o filme é o ponto mais alto de um projeto de ousadia rara em Hollywood. Com os direitos de adaptações de suas estrelas vendidas para outros estúdios, sobrou à Marvel o rescaldo. Sim, nenhum produtor em sã consciência consideraria Capitão América, Thor e Homem de Ferro personagens simpáticos e rentáveis o suficiente para ganharem franquias próprias.

Um intervalo de quatro anos foi o suficiente para tornar a Marvel um dos estúdios mais poderosos do planeta. A estreia de Homem de Ferro em 2008 marcou a primeira etapa de um projeto que resultaria em um universo cinematográfico composto por seis filmes. A coesão do enrendo autorreferencial das produções e as altas bilheterias permitiram que o estúdio reunisse seus heróis em Os Vingadores.  E o que poderia ser o ponto final do plano de reunir os personagens no cinema é apenas o fim da primeira etapa de adaptação de universo cinematográfico ainda em expansão.

Cinema

Ang Lee e a vida de Pi

Escrevi sobre A Vida de Pi na última edição do Divirta-se.

No início da adolescência, vivendo no zoológico de seus pais no Sul da Índia, Pi Patel seguia três religiões. Criado como hindu, ele se tornou muçulmano e também cristão. As crenças do protagonista de A Vida de Pi vinham das narrativas associadas a cada fé. Para gravar um roteiro sobre o poder das boas histórias, o diretor Ang Lee filmou um dos longas mais envolventes e imersivos do ano – indicado ao Globo de Ouro de melhor diretor, filme dramático e trilha sonora original.

Baseado no livro homônimo do escritor Yann Martel, lançado no Brasil pela editora Rocco, o filme conta a história de Pi após o naufrágio do navio que levava sua família e os animais do zoológico para o Canadá. Ele fica à deriva no meio do Oceano Pacífico, preso em um bote, acompanhado por um tigre.

Muito tempo depois, já no Canadá e com mais de 50 anos, Pi conta a um escritor como sobreviveu 227 dias na companhia do animal e como suas aventuras levarão seu interlocutor a acreditar em Deus. Com elementos fantásticos misturados a um enredo trágico, lembra histórias de vida de outros personagens célebres, como Forrest Gump e Benjamin Button.

Os 12 longas dirigidos por Ang Lee são de variados gêneros e temas. Vencedor do Oscar de direção em 2006 por ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, ele também é responsável pelo polêmico ‘Hulk’ de 2002, com Eric Bana no papel do monstro. Em sua filmografia, ‘O Tigre e o Dragão’ é a produção que mais se aproxima de ‘Pi’, com seu apelo fantástico.

O diretor entra para o rol de cineastas que usaram o 3D de maneira eficiente, em função da trama. Dos filmes lançados no Brasil em 2012, apenas ‘A Invenção de Hugo Cabret’, de Martin Scorsese, fez uso da técnica de forma tão eficaz quanto ‘Pi’. Com a maior parte dos cenários e dos animais criados digitalmente, Lee alcança uma estética realista e encantadora, acompanhada por um elenco consistente – do protagonista e estreante Suraj Sharma à breve e essencial participação de Gérard Depardieu.