Vitralizado

Cinema / HQ / Séries

Vitralizado #46 – 07.2016

Na minha cabeça, o Vitralizado é uma revista. Todo final de mês, vou ali no histórico e vejo se meus posts durante os últimos 30/31 dias dariam uma boa edição. Volta e meia o saldo não é dos mais positivos, mas acho que tô satisfeito com o balanço dos últimos 46 meses. Pois é, na minha cabeça, com julho de 2016 fechando, o Vitralizado chegou à sua 46ª edição. Daí pensei num resumo mensal dos posts que mais curti por aqui, numa espécie de sumário/índice. Foram 23 posts no total nesse sétimo mês de 2016 e, óbvio, se publiquei por aqui, eles merecem ser vistos, mas listo os meus preferidos:

*Passamos da metade do ano e escrevi um post imenso sobre as minhas HQs preferidas publicadas no Brasil em 2016 até o momento. Aliás, perguntei e tive poucas respostas: quero saber de vocês, quais os grandes quadrinhos publicados no país nos últimos sete meses?;

*Conversei com as seis autoras do Topografias – um dos grandes álbuns do ano até o momento – e bati um papo rápido com o Jão sobre o Traço, que rola em Belo Horizonte semana que vem;

*O Letters of Note divulgou a troca de cartas entre o Alan Moore e o jovem Joshua. Traduzi a íntegra da conversa entre os dois;

*Esbarrei com mais uma entrevista do Daniel Clowes falando sobre Patience e também com um doc curtinho sobre a a carreira do Charles Burns;

*O Brian K. Vaughan deu uma puta entrevista pra Vulture e o Bryan Lee O’Malley anunciou o lançamento da trilogia Worst World pela Ballantine Books pra 2018;

*O pessoal da Bienal de Quadrinhos de Curitiba divulgou o cartaz produzido pelo Marcello Quintanilha pro evento e o Jim Woodring foi anunciado como o artista responsável pela arte do cartaz do SPX 2016;

*O Davi Calil publicou o álbum Uma Noite Em L’Enfer e me mandou esse puta material aqui expondo um pouco das técnicas utilizadas por ele na produção do livro;

*Em julho morreram o Richard Thompson e o Jack Davis. Linkei por aqui o obituário feito pelo Comics Journal sobre o artista da Mad e reproduzi um documentário sobre a arte do autor de Cul de Sac.

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Banned Books Week, por Chris Ware

A Banned Books Week é organizada desde 1982 por uma organização composta por editoras e instituições norte-americanas preocupadas com a remoção de livros de bibliotecas, livrarias e escolas dos Estados Unidos. O evento reúne várias iniciativas, como bate-papos e aulas, em algumas cidades, sempre propondo a reflexão sobre a censura dos mais diversos tipos de obras – em 2015, por exemplo, Fun Home da Alison Bechdel e Habibi do Craig Thompson estiveram na lista das 10 publicações mais banidas nos EUA. Em 2016 o evento será realizado entre os dias 25 de setembro e 1º de outubro.

Em 2014 o Chris Ware foi convidado pela Pantheon para criar uma arte para o folheto de divulgação do evento. O resultado final foi essa bela sacada aqui em cima, com um breve agradecimento do quadrinista para os censores. Bem massa. Não sabia que a arte tinha sido feita especificamente para esse material, como consta no blog da Pantheon. Já havia visto a ilustração lá no Instagram do Colecionador de Chris Ware – que aparentemente deu uma paradas nos posts do Tumblr e agora tá por conta da rede social de foto. Segundo ‘o Colecionador’, a editora distribuiu o desenho em formato de marca-páginas na edição de 2014 da San Diego Comic Con.

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O pôster da Bienal de Quadrinhos de Curitiba, por Marcello Quintanilha

Você provavelmente já esbarrou por aí com o pôster da Bienal de Quadrinhos de Curitiba produzido pelo Marcello Quintanilha. Sei que já não é mais novidade, mas reproduzo como registro histórico de um evento que me soa cada vez mais interessante – além de grandes autores brasileiros, já confirmaram a presença de gente do naipe de Joan Cornellà, Rutu Modan e Power Paola. Enfim, gostei da arte de divulgação e tenho altas expectativas em relação à festa. Quem mais aí vai estar em Curitiba entre os dias 8 e 11 de setembro?

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In the City #15, por Adrian Tomine

Tá finalmente no ar a capa da edição mais recente da revista japonesa In The City. Assim como em todas os outras edições, a arte de capa desse número 15 também é assinada pelo Adrian Tomine – clica aqui pra ver as ilustrações prévias. No início do ano o quadrinista já tinha publicado no Instagram uma série de quatro imagens bem fechadas mostrando algumas das etapas de produção do desenho. Demorou um pouco, mas taí a obra online.

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Uma conversa com Charles Burns

Esbarrei ali no Vimeo com esse documentário curtinho com depoimentos do Charles Burns sobre suas obras, técnicas e influências. O vídeo saiu ano passado e, pelo que entendi, faz parte de uma série de conversas com artistas de diferentes áreas de atuação. A direção é assinada pelo cineasta Jason Thomas Faulkner. As entrevistas com o quadrinista foram feitas na sede do Skype, que é decorada com artes do autor de Black Hole, e também em uma sessão de autógrafos realizada na loja da Fantagraphics. Curtinho, mas bem bom. Ó:

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Música e desenhos ao vivo no festival Traço em Belo Horizonte

Gosto bastante de ver quadrinistas/ilustradores em ação fora de suas zonas de conforto e também propondo novas possibilidades de uso da linguagem das HQs. O conceito do festival Traço – Música e Desenhos ao Vivo em Belo Horizonte investe exatamente nessas ideias. Marcado pra rolar na capital de Minas Gerais entre os dias 4 e 6 de agosto de 2016 na casa de shows A Autêntica, o evento é organizado pelo quadrinista Jão e pela jornalista Helen Murta e reúne em um mesmo palco vários músicos a alguns dos autores de HQs mais interessantes da cena nacional.

Para essa próxima edição do evento, além de artistas mineiros, também foram convidados autores de outros estados, como André Dahmer, Lovelove6, Rafael Coutinho e a Karina Buhr (pra desenhar e não cantar) e bandas como O Lendário Chucrobillyman e Curumin. Além das apresentações ao vivo, o festival também contará com lançamentos de livros e alguns debates com temas bem interessantes (Vida selvagem: Pagando as Contas com Quadrinhos, Ebulição: Mercado Gráfico Agora e Produção de Risco: Lugares e Possibilidades da Cultura).

Um dos responsáveis pelo festival e autor do excelente Baixo Centro, lançado ano passado pela editora Miguilim, o Jão bateu um papo por email comigo falando sobre as origens do evento, a dinâmica da produção ao vivo de uma obra com música tocando e a experiência de assistir esse tipo de apresentação. Segue o papo e o teaser do evento, com a parte de animação produzida também pelo Jão:

Quais são os critérios para a escolha dessa determinada seleção de músicos e artistas do festival e como foi feita a combinação de ilustradores/músicos?

A curadoria do festival sempre foi feita pensando em mostrar um panorama do que é produzido em termos de música e artes visuais aqui em Belo Horizonte. De minha parte, que cuido mais especificamente da seleção de desenhistas, gosto de convidar os quadrinistas que admiro, mas sempre aparecem artistas de outras áreas como pintura, ilustração, artes gráficas, grafite. Da parte musical, na qual a curadoria é feita pela produtora e jornalista Helen Murta, as escolhas são bem voltadas para a produção independente e ela também segue o princípio da variedade de estilos e formatos.

Já a combinação é feita a partir das atrações que gostaríamos de incluir no festival, mas, muitas vezes, a escolha de um desenhista determina qual banda chamaremos e vice-versa. Nossa ideia é proporcionar uma experiência inédita para o público, então tentamos formatar performances que se aproximem ao máximo desse ideal, embora, em algumas oportunidades, tenhamos partido mais de uma provocação, reunindo banda e desenhista com trabalhos que não se aproximavam, para ver o que sairia daquela apresentação. Normalmente nós marcamos reuniões de criação também, que é uma oportunidade para os músicos e desenhistas alinharem suas propostas. Nem sempre é possível, mas muitas coisas legais já saíram desses encontros.

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HQ

Os segredos das paletas de cores de Davi Calil para o álbum Uma Noite em L’Enfer

O Davi Calil lança o álbum Uma Noite em L’Enfer hoje a noite, na Quanta, em São Paulo. Escrevi sobre o livro ano passado, pra uma matéria da Rolling Stone sobre grandes quadrinhos com lançamento previstos pra 2015. A produção da HQ acabou atrasando e no final das contas ela será um dos primeiros trabalhos de Calil publicados fora do selo Dead Hamster. Nova casa da obra, a editora Mino publicou nos últimos dias uma campanha bem legal no Facebook chamada Os Segredos de Uma Noite em L’Enfer, que mostra alguns dos vários easter-eggs e das inspirações do autor para o quadrinho. Recomendo muito uma investida nos painéis produzidos por eles para esse especial.

Daí que o autor da HQ teve uma sacada bem foda também em relação às cores do gibi. Uma Noite em L’Enfer é protagonizado por Vincent van Gogh, Paul Gauguin, Toulouse-Lautrec, Gustav Klimt e Francisco de Goya. Calil determinou a paleta de cada capítulo em função de cores de obras específicas de casa um dos artistas. “Eu utilizei um filtro do Photoshop chamada Mosaico, que divide uma imagem em blocos de pixels com cores diferentes, transformando as pinturas em massas de cores abstratas. Então eu montei a paleta de cada capítulo em função de quadros específicos”, me contou o autor por email. Saquem que foda esses três painéis divulgados pela Mino com exclusividade ao blog:

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HQ

“Do seu amigo, Alan Moore”: uma troca de cartas entre o autor de Watchmen e um menino de 9 anos

Cara, você conhece o Letters of Note, né? É um site especializado em publicar cartas e correspondências assinadas tanto por pessoas famosas quanto anônimas. Até virou livro em 2014 e dá pra passar algumas horas mexendo nos arquivos da página. Daí que o post de hoje deles reproduz uma troca de cartas entre um garoto de 9 anos chamado Joshua e o Alan Moore. Segundo o pai do menino, a carta foi enviada ao escritor em 2013, como um dever de casa no qual os alunos tinham de escrever para seus autores preferidos. Enquanto quase todos os demais estudantes receberam respostas das editoras, na casa de Joshua chegou uma longa carta assinada pelo próprio Moore, junto com uma arte original de Nemo: The Roses of Berlin. Joshua mora na cidade de Naseby, situada no mesmo condado de Northamptonshire da Northampton de Moore.

Dono do Letters of Note, o Shaun Usher disse ter ficado sabendo da história a partir de um email enviado a ele pelo pai de Joshua. Então, ele entrou em contato com Moore, que autorizou a publicação de ambas as cartas e informou que um trecho mensagem enviada pelo menino estará impressa em Jerusalem – o aguardado livro de 1184 páginas do autor de Watchmen. [ATUALIZADO: A contracapa do livro, com as aspas do Joshua estão no pé do post].  Reproduzo a seguir tanto a carta enviada por Joshua quanto a resposta de Moore:

[OBS: atualizei o post com a versão traduzida das duas cartas – as versões originais, em inglês, agora estão no pé da matéria. Fiz uma tradução rápida por conta própria, qualquer sugestão pro texto é só avisar!]

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A carta de Joshua para Moore:

Caro Alan Moore

Estou escrevendo porque gostaria de saber mais sobre os seus quadrinhos, incluindo V de Vingança, Watchmen, A Liga Extraordinária e Monstro do Pântano. Eu também gostaria de dizer muito obrigado por você criar graphic novels tão incríveis e queria saber como você faz esses trabalhos tão maravilhosos?

O primeiro livro que vi foi V de Vingança, que tem um enredo incrível e acho muito legal quando ele explode o Parlamento. Também amo aquela máscara sensacional. O segundo foi Watchmen, até hoje o melhor livro que já li – o Rorschach é o meu personagem preferido, depois o Dr. Manhattan e por último o Comediante. Gosto da forma como ele usa o lança-chamas como um isqueiro e da smiley face como um distintivo. O meu terceiro foi Liga Extraordinária. Eu gosto desse mais como um livro, por ter muito texto e também das várias coisas que eles recuperaram. No final das contas você é o melhor autor da história da humanidade. Por favor me responda.

Joshua.

A resposta original de Moore para Josua:

Caro Joshua,

Bem, antes de tudo, muito obrigado por sua carta adorável. Eu peço desculpas caso a resposta seja um pouco curta, mas hoje estou trabalhando muito pesado em umas seis coisas diferente ao mesmo tempo e sei que caso deixe para escrever sua resposta mais tarde, quando tiver mais tempo, acabarei perdendo a sua carta (você deveria ver todos os livros e papéis e a bagunça de cada um dos quartos da minha casa) ou então não responderei por algum outro motivo. Como não gostaria que isso ocorresse após suas belas palavras sobre mim e a minha escrita, aqui estou eu em um intervalo de meia hora entre acabar um trabalho e começar outro.

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HQ

Worst World: a próxima HQ de Bryan Lee O’Malley, o autor de Scott Pilgrim

A Enterteinment Weekly acabou de revelar o nome da próxima HQ do Bryan Lee O’Malley. Worst World terá mais de 300 páginas e será o primeiro volume de uma trilogia de graphic novels publicadas pela Ballantine Books. De acordo com o site da revista, o quadrinista canadense vai anunciar uma possível data de lançamento do quadrinho e um pouco mais sobre os personagens do livro durante a comic con de San Diego, que rola a partir do dia 21 de julho. Por enquanto, foi revelado que o gibi é ambientado em Los Angeles e protagonizado por duas jovens chamadas Benny e Aubrey. Junto com o autor da HQ, Worst World ainda contará com Jason Fischer, desenhista-assistente, e o colorista Nathan Fairbairn, ambos também trabalharam com O’Malley em Seconds.

A verdade é que demorou pro Bryan Lee O’Malley revelar esse projeto novo. Seconds tá travado pra ganhar uma edição em português (a promessa é que ela chegue em outubro), mas saiu lá fora no final de 2014. Desde então, ele só tinha anunciado a produção de Snot Girl, revista mensal publicada pela Image, com texto dele e desenhos da Leslie Hung. Enfim, aguardemos novidade pra breve – tanto pra saber quando sai lá fora e depois pra descobrirmos quem compra os direitos pra não publicar por aqui.