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A capa de Bulldogma, a nova HQ de Wagner Willian

O pessoal da Veneta acabou de divulgar no Facebook da editora a capa da Bulldogma, HQ do Wagner Willian prevista para o início de março. Ó: já li o gibi e digo que a capa reflete toda a esquisitice das mais de 300 páginas da obra. Quem leu Lobisomem Sem Barba, trabalho anterior do autor, saca do que eu tô falando. O Wagner tem dessas de criar uma obra com enredo no estilo de Como uma Luva de Veludo Moldada em Ferro com o traço inspirado no Goseki Kojima em Lobo Solitário, o que não é pouca coisa. Bulldogma é a primeira grande HQ brasileira lançada em 2016.

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Os vários perfis de Daniel Clowes

O Daniel Clowes é o autor da HQ que aguardo com mais ansiedade em 2016. O lançamento de Patience está agendado pra março e a proximidade da data de chegada às livrarias tem resultado em várias matérias e entrevistas com o quadrinista. Minha preferida até agora foi o perfil publicado pelo California Sunday, que conversou com o autor e pediu para alguns artistas ilustrarem Clowes em seu ambiente de trabalho e em diferentes momentos de sua carreira. Os convidados são do naipe de Rutu Modan, Anders Nilsen, Richard Sala, Isabel Seliger, Seth e Anuj Shrestha. Coisa fina pra caramba, com vários depoimentos de Clowes sobre as origens de Patience. Vale muito uma lida na matéria, que ainda mostra a mesa de trabalho do autor de Eightball. Foda.

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40 minutos de conversa com Ed Piskor

Acho que o único trabalho do Ed Piskor que li em português foi The Beats, uma das últimas parcerias dele com o Harvey Peaker, com quem ele colaborou em algumas HQs da American Splendor. As edições da Fantagraphics pra série Hip Hop Family Tree também são matadoras e tinham muito que sair aqui no Brasil. Pensei nisso enquanto assistia essa entrevista do quadrinista pro Boing Boing. Papo bem legal enquanto ele desenha. Saca só:

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A Life in Pictures: um documentário sobre a rotina de Joan Cornellà

Acho que a repercussão gerada pelo anúncio de que um título do Joan Cornellà será lançado pela primeira vez no Brasil dá uma ideia da popularidade do quadrinista catalão por aqui. Mesmo assim, talvez pelos vários comentários de gente achando que Cornellà é ELA e não ELE, parece que até os fãs sabem pouco da história e da personalidade do artista. Então aproveito para reproduzir o documentário A Life in Pictures, de 2013 – na verdade uma piada com pouco mais de três minutos filmada pelo próprio Cornellà, que revela toda a sua fanfarronice. Saca só:

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Zonzo: Joan Cornellà será lançado no Brasil em fevereiro pela editora Mino

O quadrinista catalão Joan Cornellà ganhará uma edição brasileira no final do mês de fevereiro, pela editora Mino. Primeiro álbum de Cornellà lançado no Brasil, Zonzo custará R$48, terá o mesmo formato da edição original espanhola (17X23cm) e estará em pré-venda na loja da editora a partir do dia 15 de fevereiro.

Cornellà é um dos autores de HQ mais polêmicos do mundo hoje. Apesar dos ares nonsense de suas produções, algumas delas tratam de temas como racismo e intolerância religiosa, sexual e política. Com mais de três milhões de curtidas em sua página no Facebook e meio milhão de seguidores no Instagram, o autor é alvo de críticas e censuras constantes nas redes sociais. Sem falas e com a paleta de cores característica do estilo mais recente de seu autor, Zonzo será definitivamente um dos títulos mais importantes lançados no país em 2016.

Também vale chamar atenção para o fato de Zonzo ser a primeira investida 100% internacional da editora Mino. Surgida no final de 2014, a editora foi responsável por alguns dos quadrinhos mais importantes lançados no Brasil em 2015, como Lavagem e Aventuras na Ilha do Tesouro. No final do ano passado eles chegaram a publicar o álbum francês Goela Negra, no entanto desenhado pelo ilustrador mineiro Lélis. Sem dúvida, Zonzo é um marco não só para a editora como também para os quadrinhos de humor no Brasil.

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E eu ainda sou mais Talco de Vidro

Acredito que o Marcello Quintanilha tenha sido o autor que mais citei no bate-papo que rolou na Ugra, sobre os quadrinhos brasileiros de 2015 e as perspectivas para 2016. Logo após o término da minha conversa com o Daniel Lopes e a Gabriela Borges veio a notícia que o quadrinista tinha levado o prêmio de Melhor HQ Policial no Festival de Angoulême por Tungstênio. Como já escrevi por aqui mais de uma vez em minhas análises sobre os agitados anos recentes dos quadrinhos brasileiros, é complicado interpretar o período em que estamos vivendo sem alguma perspectiva temporal e o devido distanciamento histórico. Por isso não dá pra dizer que estamos testemunhando O MELHOR MOMENTO DA HISTÓRIA dos quadrinhos brasileiros, mas é sim um tremendo momento especial da história das HQs brasileiras. O prêmio vencido por Quintanilha por Tungstênio corrobora a tese.

O Érico Assis explicou um pouco do significado dessa premiação lá no Facebook: “É complicado dizer qual é o maior prêmio de quadrinhos do mundo, mas um prêmio em Angoulême movimenta o mercado franco-belga provavelmente mais que um prêmio Eisner nos EUA. Para os leitores da Europa, é um selinho importante a se colar na capa. A premiação de Angoulême tem duas características positivas: tende a ser mais aberta a HQs de outras nacionalidades (desde que tenha sido publicada em francês, bien sûr) e tem menos categorias. Ou seja, são poucos que ganham, o que aumenta o significado do prêmio”. Em linhas gerais, uma tremenda vitória.

Prêmios são só prêmios e nem sempre devem ser levados tão a sério assim, mas a vitória de Tungstênio vem no ápice de um momento atípico e de efervescência crescente dos quadrinhos brasileiros. Ainda é cedo pra interpretar o significado pleno do feito de Quintanilha, mas há um simbolismo maior nessa conquista diante da quantidade de gibis lançados e da qualidade das obras produzidas no Brasil nos últimos anos. É um marco ainda difícil de ser compreendido de forma integral, importante principalmente pelo potencial inspirador da conquista, pela possibilidade de chamar ainda mais atenção na Europa para o que está sendo feito no Brasil e por coroar a biografia de um dos melhores e mais prolíficos quadrinistas brasileiros de todos os tempos.

E olha, Tungstênio é um quadrinho excelente e seus méritos são vários. A repercussão gerada pela obra é extremamente merecida. Ainda assim, fico aqui me perguntando: o pessoal de Angoulême já leu Talco de Vidro? Não sei como o quadrinho lançado por Quintanilha em 2015 no Brasil será lido lá fora, se ele concorrerá em alguma categoria na edição de 2017 do festival, mas cá entre nós? Acho ainda melhor do que Tungstênio.

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Ok Soda: o refrigerante com artes de Charles Burns e Daniel Clowes

História muito louca protagonizada por dois dos maiores quadrinistas de todos os tempos. Em 1993 a Coca-Cola produziu um novo refrigenrante voltado para gerações mais novas. A ideia era que a OK Soda passasse uma imagem de bebida radical, subversiva e jovial. Não deu certo e ela parou de ser fabricada em 1995. A história completa você lê nesse post aqui do Buzzfeed americano. Mas o ponto é: pra ser tudo isso de legal que os responsáveis pela bebida queriam, contrataram o Charles Burns e o Daniel Clowes pra produzir as ilustrações que estampavam as latas e garrafas da bebida. Sei lá, pode até ser o pior refrigerante de todos os tempos, mas tem o visual mais bonito, né não? Saca essa pesquisa por OK Soda no Google Images.

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