Vitralizado

HQ

A Vida Secreta de Londres: o próximo álbum da Veneta reúne HQs de Alan Moore, Neil Gaiman e Dave McKean

O pessoal da Veneta divulgou o próximo álbum da editora. A Vida Secreta de Londres é uma coletânea de 176 páginas organizada pelo argentino Oscar Zárate com HQs assinadas por autores como Alan Moore, Neil Gaiman, Dave McKean e outros. Os quadrinhos são todos ambientados em Londres, tratando de lendas e mistérios da capital britânica. O autor de Watchmen, por exemplo, tem duas histórias no livro, uma na qual ele retorna ao universo de Do Inferno, mostando o pub frequentado pelas vítimas de Jack, O Estripador, e outra explorando os arredores do cemitério de Highgate.

Outros nomes interessantes participando da publicação são Woodrow Phoenix (autor de Autocracia), Tony Grisoni (roteirista de Medo e Delírio em Las Vegas) e Iain Sinclair, considerado um dos nomes mais importantes da literatura britânica contemporânea. Promissor, hein?

Cinema

Como criar um filme do Studio Ghibli

Ainda não vi A Tartaruga Vermelha, mas agora fiquei ainda mais afim de assistir. O pessoal da Little White Lies produziu um vídeo com o animador holandês Michaël Dudok de Wit, diretor do filme, sobre o desenvolvimento de alguns aspectos da obra, uma parceria do Estúdio Ghibli com a produtora alemã Wild Bunch. Vídeo curtinho, mas interessante pra caramba. Dá o play:

HQ

Felipe Nunes lança a versão em cores de Dodô no sábado (25/5): “Senti que era a hora de me arriscar”

O Felipe Nunes lança a edição colorida de Dodô no sábado (27/5), a partir das 15h, na loja da Ugra aqui em São Paulo. Já havia conversado com o quadrinista logo que a versão independente em preto e branco foi publicada e chamado atenção para a evolução do trabalho do autor em relação a seu título prévio, o também ótimo Klaus. Agora em cores e com os selos da Panini e do Stout Club, o álbum ganha leituras ainda mais interessantes, tornando a narrativa da HQ ainda mais fluida. Bati um papo rápido com Nunes sobre esse processo de colorização e as principais transformações da HQ nessa versão colorida. Você confere as instruções pro evento por aqui e lê o meu papo com o artista a seguir. Ó:

Como surge a ideia de colorir Dodô?

Colorir o quadrinho veio de uma necessidade e de uma vontade. Quando comecei a conversar sobre publicar no exterior, editoras haviam demonstrado interesse com a condição de que tivesse cores. Relendo a história não vi como um problema para o que tinha feito, pelo contrário, e tendo a oportunidade de sair de novo pela Panini senti que era a hora de me arriscar.

Ver o seu traço colorido em O Segredo da Floresta abriu de alguma forma os seus horizontes em relação ao uso das cores? 

Acredito que sim. Não tinha visto meu desenho trabalhar como quadrinho (com narrativa, clima) até então e foi bem importante até pra julgar o que achei que funcionava ou não e poderia me inspirar pro meu trabalho. Fazer a cor me ajudou a abrir muitas portas na cabeça pela dificuldade de tentar desenvolver uma execução que não sabia, quase que assimilando novas regras na linguagem dos quadrinhos.

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Pelo Facebook você disse que as cores agora ditam o ritmo da trama e permitem outra experiência. Você pode falar um pouco mais sobre isso, por favor? O que muda na leitura e como as cores afetam o ritmo?

Conversando sobre isso alguns dias atrás cheguei nessa conclusão: acho que o Dodô colorido permite uma imersão melhor na realidade da história, de um ponto de vista mais sensitivo. Acho que ter as cores pra induzir o tom das cenas melhorou o envolvimento que dá pro leitor desenvolver com o problema da protagonista e acho que deu certo, como se eu tivesse pensado isso tudo junto, no começo do projeto. Foi bom reler e entender de novo o que pensei e o que não tinha percebido na trama e poderia ser explorado.

Quais as principais lições que você tirou desse processo de colorização? Você pretende fazer mais uso de cores nos seus próximos projetos?

Acho que foi toda essa percepção do que ela pode ajudar na história. Talvez agora, pra determinados projetos, eu pense na cor junto com o desenho, talvez deixando o traço mais claro, com menos preto. Ainda não tenho certeza do quanto isso vai mudar meu processo e estou desenhando meu gibi novo, que é em PB, então isso vai ser pensado lá na frente.

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HQ

Cannon: confira uma prévia de seis páginas da coletânea da editora Pipoca & Nanquim dedicada ao clássico de espionagem de Wallace Wood

Nem deu tempo de respirar. O pessoal da Pipoca & Nanquim acabou de lançar Espadas & Bruxas e já anunciou seu segundo álbum. As 276 páginas de Cannon reúnem a íntegra das tiras produzidas pelo quadrinista Wallace Wood para a revista Overseas Weekly entre 1970 e 1973. A publicação era distribuída exclusivamente em bases militares norte-americanas ao redor do mundo e não tinha qualquer censura prévia, tudo com o propósito de fomentar os ânimos dos soldados instalados fora de casa. O livro está em pré-venda por R$ 99,90.

Acho cedo pra analisar uma suposta linha editorial da Pipoca & Nanquim, mas parece explícita a proposta de investir em clássicos desconhecidos do grande público. É também didático esse trabalho de resgate e apresentação de nomes canônicos dos quadrinhos mundiais que correm o risco de esquecimento em meio a uma indústria de entretenimento tão pouco apegada às suas memórias.

A edição brasileira de Cannon é inspirada em sua republicação mais recente nos Estados Unidos, lançada pela Fantagraphics – casa de alguns dos títulos mais importantes para a construção do amplo conceito estabelecido como quadrinho undergound norte-americano. O lançamento de Cannon é não só um investida corajosa da Pipoca & Nanquim, principalmente pelo conteúdo adulto da HQ, mas também uma prestação de serviço. Saca a capa e as seis páginas de preview que a editora adiantou aqui pro blog:

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HQ

DarkSide Graphic Novel: o selo de quadrinhos da DarkSide Books será inaugurado com Meu Amigo Dahmer (Derf Backderf), Fragmentos do Horror (Junji Ito) e Wytches (Scott Snyder e Jock)

A editora Darkside Books acabou de anunciar as três primeiras obras de seu recém-criado selo de quadrinhos. A DarkSide Graphic Novel será inaugurada com Meu Amigo Dahmer (Derf Backderf), Fragmentos do Horror (Junji Ito) e Wytches (Scott Snyder e Jock). É um começo bastante promissor, com títulos coerentes com a linha editorial da Darkside mesmo com cada um dos quadrinhos seguindo um estilo completamente diferente do outro. As três HQs entram em pré-venda na internet a partir de amanhã.

O trabalho do Derf Backderf conta a história da amizade entre o autor e o serial killer Jeffrey Dahmer durante a adolescência dos dois nos anos 70. A simplicidade com a qual o quadrinista fala sobre seu amigo torna ainda mais complexa a jornada de uma criança normal que vira um adulto assassino responsável pela morte de pelo menos 17 pessoas.

Eu ia dizer que o Junji Ito é obrigatório pra qualquer fã de história de terror, mas os mangás dele são indispensáveis pra quem gosta de arte. É o que se tem de mais bonito dentro de quadrinhos de horror. Sobre Wytches tenho pouco a dizer. Dessa leva inicial da Darkside me parece ser a aposta mais segura em termos de vendas e voltada para leitores mais habituados a gibis de super-heróis. Li pouca coisa do Scott Snyder, mas gosto da arte do Jock e ainda mais das cores do Matt Hollingsworth.

As coisas estão começando a esquentar nesse 2017, hein? A Darkside parece chegar com o mesmo fôlego dos caras do Pipoca & Nanquim, com pique aparente para jogar de igual pra igual com selos já muito bem estabelecidos, como Veneta, Mino, Marsupial, Quadrinhos na Companhia, Abril, Sesi-Sp e algumas outras. Fico curioso pra ver toda essa galera disputando espaço nas mesmas livrarias, sejam elas físicas ou virtuais.

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HQ / Matérias

Estudante de Medicina: a jornada de Cynthia B. da medicina para as histórias em quadrinhos

Acabou de chegar às bancas de São Paulo a edição de maio da Rolling Stone Brasil. Escrevi pra revista sobre Estudante de Medicina, livro da Cynthia B. sobre os anos dela na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O texto vem com algumas falas da autora em relação às reflexões feitas por ela relacionadas aos aspectos biográficos e ficcionais do quadrinho. Recomendo: compre a revista e leia o gibi – ou vice-versa.

Cinema

Little White Lies #70: The Dunkirk Issue

Foi divulgada a capa da 70ª edição da minha revista preferida de cinema. O destaque da próxima Little White Lies vai ficar pro aguardado épico de guerra do cineasta Christopher Nolan, Dunkirk (tirei esse print aqui em cima do vídeo produzido pelos editores da revista, quando a soltarem a arte em alta eu atualizo o post). Tô curioso com esse trabalho novo do Nolan. É o primeiro filme dele sem elementos fantásticos desde Insônia – depois vieram os três Batman, O Grande Truque, Inception e Interstellar. O filme tá marcado pra chegar por aqui dia 27 de julho. Segue o vídeo divulgado pelos editores da revista e o trailer de Dunkirk.

HQ

Vitralizado Recomenda #0006: Onírica (independente), por Fabio Q.

Gosto muito de obras de ficção empenhadas em representar de alguma forma a memória. Daí um dos motivos da minha paixão pelo trabalho do Chris Ware: ele já disse ver as histórias em quadrinhos como uma arte da memória. Dentre suas missões, o autor de Building Stories cita  “tentar alcançar as verdadeiras texturas e estruturas da realidade e da memória como eu as percebo”. O objetivo de Fabio Q com Onírica me soa bastante parecido. As pouco mais de 30 páginas da publicação consistem em um fluxo narrativo pelas lembranças de seu protagonista a partir da mescla de pinturas belíssimas e texto. Belo trabalho.

OBS: Onírica será lançada hoje a noite (18/5) na Ugra, aqui em São Paulo, a partir das 18h, com uma exposição dos originais produzidos por Fabio Q. para o álbum. Recomendo bastante a ida.

HQ

Papo com Esteban Maroto, o autor de Espadas e Bruxas: “O que faz os quadrinhos de bárbaros tão universais é a mitologia dos contos de fadas”

Dentre as memórias mais antigas do quadrinista espanhol Esteban Maroto está a leitura de uma versão ilustrada de As Mil e Uma Noites. Hoje aos 75 anos anos, o artista tem certeza como aquela obra teve impacto definitivo em sua formação. “Aquele presente me impressionou profundamente, acredito que marcou todas as minhas leituras seguintes”, conta o autor em entrevista por email. Maroto é o autor da coletânea Espadas e Bruxas, obra de estreia do canal Pipoca & Nanquim como editora. O álbum reúne três histórias publicadas pela primeira vez na íntegra no Brasil.

O acabamento gráfico da publicação reflete a imponência dos traços e das páginas de Maroto. A capa dura e o papel de alta gramatura do gibi estão em acordo com o design singular de cada uma das páginas produzidas pelo quadrinista. A ingenuidade das tramas de bárbaros e feitiçaria são compensadas com cenas de batalhas, cenários e criaturas sem iguais. O virtuosismo do autor e a belíssima edição resultam em um diálogo entre Espadas e Bruxas e Sharaz-De de Sergio Toppi, publicada em 2016 pela Figura no Brasil.

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A edição nacional de Espadas e Bruxas é marcada por seus vários textos complementares aos quadrinhos de Maroto, servindo como uma ótima introdução ao trabalho e ao legado de seu autor. O título ainda fica marcado por sua estratégia de distribuição exclusiva via Amazon. Em tempos de busca por novos modelos de negócio em um período de intensa instabilidade econômica, a Pipoca e Nanquim marca sua estreia tendo passado três dias seguidos de seu período de pré-venda como o livro de ficção mais vendido da loja virtual no Brasil.

Na entrevista com o blog, Maroto fala sobre o início de sua carreira, de sua falta de paciência com os quadrinhos de super-heróis, da infância como apaixonado por Goya e de suas visitas constantes ao Museu do Prado em Madri quando ainda era criança. Ó:

“Posso tanto criar uma história contemplando uma imagem quanto imaginar um universo visual após ler um romance ou um poema. Também posso fazer isso ouvindo música, não há nada mais inspirador do que uma melodia”

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Quais são as suas memórias mais antigas relacionadas a quadrinhos? O senhor se lembra do primeiro quadrinho que leu e do momento que decidiu trabalhar com HQs?

Quando eu tinha seis anos me deram uma versão ilustrada do livro As Mil e Uma Noites. Aquele presente me impressionou profundamente, acredito que marcou todas as minhas leituras seguintes. Confesso que gosto muito mais de ler obras literárias do que quadrinhos, talvez por preferir imaginar meus próprios mundos e dar os rostos que quiser aos personagens. Me lembro que o meu irmão, 12 anos mais velho do que eu, tinha uma coleção de quadrinhos do Flash Gordon em inglês, eu não entendia o texto, mas adorava observar aquelas imagens. Ao contrário do que acontecia com os livros, eu adorava imaginar as histórias.

Como é o seu processo de criação? O senhor tem algum método de trabalho que costuma ser aplicado em todos os seus trabalhos?

Sempre gostei mais da fantasia e da mitologia do que da realidade, que normalmente me deixa mais triste e deprimido. Posso tanto criar uma história contemplando uma imagem quanto imaginar um universo visual após ler um romance ou um poema. Também posso fazer isso ouvindo música, não há nada mais inspirador do que uma melodia.

A maior parte dos seus trabalhos são sobre bárbaros, guerreiros e feitiçaria. O senhor vê algum elemento particular nessas histórias que as tornam tão universais?

O que faz os quadrinhos bárbaros tão universais é a mitologia dos contos de fadas. Acredito que eles reúnem todos os elementos da filosofia. Conheço muito bem a mitologia clássica e alemã e no momento estou empenhado em ler sobre mitos orientais – um universo muito completo, repleto de deuses, parece que cada ação humana tem o seu próprio deus.

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O senhor vê muita diferença em relação à forma como as pessoas consomem histórias fantásticas nos dias de hoje em relação ao começo da sua carreira?

A chegada das novas tecnologias e da internet mudou profundamente o mundo. Hoje, um computador ou um telefone celular são capazes de armazenar tudo o que existe, basta um clique para ter acesso a qualquer coisa. Por outro lado, o excesso de informações muitas vezes acaba por massificar e deteriorar a cultura.

É possível fazer com que histórias de fantasias como as suas reflitam os dramas e conflitos da nossa realidade?

Um quadrinho se diferencia de um filme ou de um videogame principalmente por ser um meio muito barato para se contar uma história e expressar ideias. O problema é que é uma linguagem que acaba sendo sempre rebaixada e depreciada por intelectuais que pensam nas HQs como um produto para jovens com capacidade intelectual muito limitada.

Os trabalhos do senhor já foram publicados por editoras de países como Espanha, EUA, Itália e agora Brasil. O senhor vê muita diferença no público leitor de cada país?

Eu sempre trabalho tendo em mente leitores com a capacidade de pensar por conta própria e eles existem em todas as partes do mundo. O difícil é chegar a eles competindo com multinacionais que parecem se importar apenas com uma única coisa: a venda de seus produtos.

O livro do senhor ocupou durante três dias seguidos a lista de obras de ficção mais vendida da Amazon brasileira. É um feito bastante impressionante para uma HQ de fantasia dos anos 70, o senhor concorda?

Quando jovem eu vivia em Madrid, muito perto do Museu do Prado. Pela minha fixação por pinturas e ilustrações me deram uma bolsa de estudos e eu podia entrar no museu sempre que quisesse. Eu passava grande período contemplando as pinturas, principalmente os trabalhos do Goya. Eu ficava fascinado com a série Os Caprichos, mesclando texto e desenhos como fazer os quadrinhos. Com o tempo fiquei amigo de vários dos funcionários, eles achavam engraçado que um garoto tão jovem estivesse tão apaixonado. Eles me levaram ao acervo de pintura guardado no porão do museu e eu acredito que ter acesso àquilo foi como entrar na caverna de Ali Babá, ou a um dos palácios encantados presentes nos Contos de Mil e Uma Noites que tanto marcaram a minha vida.

Reconheço não ser um grande leitor de quadrinhos nos dias de hoje. O mundo dos super-heróis, cheio de efeitos especiais me entedia e cansa. Por mais que eu reconheça ficar impressionado durante alguns minutos, estou cansado de lutas e de homens e mulheres vestindo capas e cuecas apertadas. Tenho que viver, me alimentar e cuidar da minha família, para isso me vejo obrigado a realizar trabalhos dos quais não me sinto tão orgulhoso. Mas sempre que posso gosto de desenhar meus próprios roteiros, algo cada vez mais difícil dada as atuais conjunturas do mercado editorial.

Então eu só tenho a agradecer a atenção de vocês e torço para que nos deixem pelo menos seguir pensando. Difícil é ser livre, não que nos deixem trocar de amos de vez em quando.

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Um vídeo sobre a importância do FIQ para a cena brasileira de quadrinhos

No auge da tensão sobre a possível não realização do FIQ em 2017, o pessoal da Pulo Comunicação criou uma campanha de financiamento coletivo para a produção de um vídeo ressaltando a importância do evento para a cena brasileira de quadrinhos. Mesmo com o anúncio recente do retorno do Festival à programação da Prefeitura de Belo Horizonte, os responsáveis pela campanha fizeram muito bem em dar continuidade à produção da obra.

O vídeo tá finalmente no ar. Um trabalho excelente e essencial, com depoimentos de gigantes como Shiko, Pedro Cobiaco, Jão, Rafael Coutinho, Dandara Palankof, Janaina de Luna e Paulo Floro. Assistam e compartilhem por aí: