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HQ / Matérias

Estudante de Medicina: a jornada de Cynthia B. da medicina para as histórias em quadrinhos

Acabou de chegar às bancas de São Paulo a edição de maio da Rolling Stone Brasil. Escrevi pra revista sobre Estudante de Medicina, livro da Cynthia B. sobre os anos dela na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O texto vem com algumas falas da autora em relação às reflexões feitas por ela relacionadas aos aspectos biográficos e ficcionais do quadrinho. Recomendo: compre a revista e leia o gibi – ou vice-versa.

Cinema

Little White Lies #70: The Dunkirk Issue

Foi divulgada a capa da 70ª edição da minha revista preferida de cinema. O destaque da próxima Little White Lies vai ficar pro aguardado épico de guerra do cineasta Christopher Nolan, Dunkirk (tirei esse print aqui em cima do vídeo produzido pelos editores da revista, quando a soltarem a arte em alta eu atualizo o post). Tô curioso com esse trabalho novo do Nolan. É o primeiro filme dele sem elementos fantásticos desde Insônia – depois vieram os três Batman, O Grande Truque, Inception e Interstellar. O filme tá marcado pra chegar por aqui dia 27 de julho. Segue o vídeo divulgado pelos editores da revista e o trailer de Dunkirk.

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Vitralizado Recomenda #0006: Onírica (independente), por Fabio Q.

Gosto muito de obras de ficção empenhadas em representar de alguma forma a memória. Daí um dos motivos da minha paixão pelo trabalho do Chris Ware: ele já disse ver as histórias em quadrinhos como uma arte da memória. Dentre suas missões, o autor de Building Stories cita  “tentar alcançar as verdadeiras texturas e estruturas da realidade e da memória como eu as percebo”. O objetivo de Fabio Q com Onírica me soa bastante parecido. As pouco mais de 30 páginas da publicação consistem em um fluxo narrativo pelas lembranças de seu protagonista a partir da mescla de pinturas belíssimas e texto. Belo trabalho.

OBS: Onírica será lançada hoje a noite (18/5) na Ugra, aqui em São Paulo, a partir das 18h, com uma exposição dos originais produzidos por Fabio Q. para o álbum. Recomendo bastante a ida.

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Papo com Esteban Maroto, o autor de Espadas e Bruxas: “O que faz os quadrinhos de bárbaros tão universais é a mitologia dos contos de fadas”

Dentre as memórias mais antigas do quadrinista espanhol Esteban Maroto está a leitura de uma versão ilustrada de As Mil e Uma Noites. Hoje aos 75 anos anos, o artista tem certeza como aquela obra teve impacto definitivo em sua formação. “Aquele presente me impressionou profundamente, acredito que marcou todas as minhas leituras seguintes”, conta o autor em entrevista por email. Maroto é o autor da coletânea Espadas e Bruxas, obra de estreia do canal Pipoca & Nanquim como editora. O álbum reúne três histórias publicadas pela primeira vez na íntegra no Brasil.

O acabamento gráfico da publicação reflete a imponência dos traços e das páginas de Maroto. A capa dura e o papel de alta gramatura do gibi estão em acordo com o design singular de cada uma das páginas produzidas pelo quadrinista. A ingenuidade das tramas de bárbaros e feitiçaria são compensadas com cenas de batalhas, cenários e criaturas sem iguais. O virtuosismo do autor e a belíssima edição resultam em um diálogo entre Espadas e Bruxas e Sharaz-De de Sergio Toppi, publicada em 2016 pela Figura no Brasil.

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A edição nacional de Espadas e Bruxas é marcada por seus vários textos complementares aos quadrinhos de Maroto, servindo como uma ótima introdução ao trabalho e ao legado de seu autor. O título ainda fica marcado por sua estratégia de distribuição exclusiva via Amazon. Em tempos de busca por novos modelos de negócio em um período de intensa instabilidade econômica, a Pipoca e Nanquim marca sua estreia tendo passado três dias seguidos de seu período de pré-venda como o livro de ficção mais vendido da loja virtual no Brasil.

Na entrevista com o blog, Maroto fala sobre o início de sua carreira, de sua falta de paciência com os quadrinhos de super-heróis, da infância como apaixonado por Goya e de suas visitas constantes ao Museu do Prado em Madri quando ainda era criança. Ó:

“Posso tanto criar uma história contemplando uma imagem quanto imaginar um universo visual após ler um romance ou um poema. Também posso fazer isso ouvindo música, não há nada mais inspirador do que uma melodia”

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Quais são as suas memórias mais antigas relacionadas a quadrinhos? O senhor se lembra do primeiro quadrinho que leu e do momento que decidiu trabalhar com HQs?

Quando eu tinha seis anos me deram uma versão ilustrada do livro As Mil e Uma Noites. Aquele presente me impressionou profundamente, acredito que marcou todas as minhas leituras seguintes. Confesso que gosto muito mais de ler obras literárias do que quadrinhos, talvez por preferir imaginar meus próprios mundos e dar os rostos que quiser aos personagens. Me lembro que o meu irmão, 12 anos mais velho do que eu, tinha uma coleção de quadrinhos do Flash Gordon em inglês, eu não entendia o texto, mas adorava observar aquelas imagens. Ao contrário do que acontecia com os livros, eu adorava imaginar as histórias.

Como é o seu processo de criação? O senhor tem algum método de trabalho que costuma ser aplicado em todos os seus trabalhos?

Sempre gostei mais da fantasia e da mitologia do que da realidade, que normalmente me deixa mais triste e deprimido. Posso tanto criar uma história contemplando uma imagem quanto imaginar um universo visual após ler um romance ou um poema. Também posso fazer isso ouvindo música, não há nada mais inspirador do que uma melodia.

A maior parte dos seus trabalhos são sobre bárbaros, guerreiros e feitiçaria. O senhor vê algum elemento particular nessas histórias que as tornam tão universais?

O que faz os quadrinhos bárbaros tão universais é a mitologia dos contos de fadas. Acredito que eles reúnem todos os elementos da filosofia. Conheço muito bem a mitologia clássica e alemã e no momento estou empenhado em ler sobre mitos orientais – um universo muito completo, repleto de deuses, parece que cada ação humana tem o seu próprio deus.

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O senhor vê muita diferença em relação à forma como as pessoas consomem histórias fantásticas nos dias de hoje em relação ao começo da sua carreira?

A chegada das novas tecnologias e da internet mudou profundamente o mundo. Hoje, um computador ou um telefone celular são capazes de armazenar tudo o que existe, basta um clique para ter acesso a qualquer coisa. Por outro lado, o excesso de informações muitas vezes acaba por massificar e deteriorar a cultura.

É possível fazer com que histórias de fantasias como as suas reflitam os dramas e conflitos da nossa realidade?

Um quadrinho se diferencia de um filme ou de um videogame principalmente por ser um meio muito barato para se contar uma história e expressar ideias. O problema é que é uma linguagem que acaba sendo sempre rebaixada e depreciada por intelectuais que pensam nas HQs como um produto para jovens com capacidade intelectual muito limitada.

Os trabalhos do senhor já foram publicados por editoras de países como Espanha, EUA, Itália e agora Brasil. O senhor vê muita diferença no público leitor de cada país?

Eu sempre trabalho tendo em mente leitores com a capacidade de pensar por conta própria e eles existem em todas as partes do mundo. O difícil é chegar a eles competindo com multinacionais que parecem se importar apenas com uma única coisa: a venda de seus produtos.

O livro do senhor ocupou durante três dias seguidos a lista de obras de ficção mais vendida da Amazon brasileira. É um feito bastante impressionante para uma HQ de fantasia dos anos 70, o senhor concorda?

Quando jovem eu vivia em Madrid, muito perto do Museu do Prado. Pela minha fixação por pinturas e ilustrações me deram uma bolsa de estudos e eu podia entrar no museu sempre que quisesse. Eu passava grande período contemplando as pinturas, principalmente os trabalhos do Goya. Eu ficava fascinado com a série Os Caprichos, mesclando texto e desenhos como fazer os quadrinhos. Com o tempo fiquei amigo de vários dos funcionários, eles achavam engraçado que um garoto tão jovem estivesse tão apaixonado. Eles me levaram ao acervo de pintura guardado no porão do museu e eu acredito que ter acesso àquilo foi como entrar na caverna de Ali Babá, ou a um dos palácios encantados presentes nos Contos de Mil e Uma Noites que tanto marcaram a minha vida.

Reconheço não ser um grande leitor de quadrinhos nos dias de hoje. O mundo dos super-heróis, cheio de efeitos especiais me entedia e cansa. Por mais que eu reconheça ficar impressionado durante alguns minutos, estou cansado de lutas e de homens e mulheres vestindo capas e cuecas apertadas. Tenho que viver, me alimentar e cuidar da minha família, para isso me vejo obrigado a realizar trabalhos dos quais não me sinto tão orgulhoso. Mas sempre que posso gosto de desenhar meus próprios roteiros, algo cada vez mais difícil dada as atuais conjunturas do mercado editorial.

Então eu só tenho a agradecer a atenção de vocês e torço para que nos deixem pelo menos seguir pensando. Difícil é ser livre, não que nos deixem trocar de amos de vez em quando.

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Um vídeo sobre a importância do FIQ para a cena brasileira de quadrinhos

No auge da tensão sobre a possível não realização do FIQ em 2017, o pessoal da Pulo Comunicação criou uma campanha de financiamento coletivo para a produção de um vídeo ressaltando a importância do evento para a cena brasileira de quadrinhos. Mesmo com o anúncio recente do retorno do Festival à programação da Prefeitura de Belo Horizonte, os responsáveis pela campanha fizeram muito bem em dar continuidade à produção da obra.

O vídeo tá finalmente no ar. Um trabalho excelente e essencial, com depoimentos de gigantes como Shiko, Pedro Cobiaco, Jão, Rafael Coutinho, Dandara Palankof, Janaina de Luna e Paulo Floro. Assistam e compartilhem por aí:

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Bianca Pinheiro e a produção do quarto número da Série Postal

Publico por aqui a íntegra de mais um making-of de uma edição da Série Postal. No caso, são as falas da Bianca Pinheiro falando sobre a criação do quarto número da coleção. Lembrando que você tem acesso com exclusividade a esse conteúdo de bastidores primeiramente lá no tumblr do projeto – a mil e beirando nas 90 postagens em seu 5º mês de vida. Enfim, segue a íntegra do depoimento da Bianca Pinheiro sobre a produção da HQ:

“Eu não fazia a menor ideia do que eu ia fazer com o postal ao receber o convite pra participar. Fiquei um tempinho meio em pânico, porque depois que aceitei eu percebi que o postal era muito pequeno e que era difícil criar alguma coisa legal ali dentro. Na verdade fiquei bastante tempo cozinhando a ideia”

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“Fui convidada pra participar do projeto em setembro do ano passado e em metade de outubro, mais ou menos, eu tava lá em Salvador e tive a ideia pra história. Eu já vinha pensando em algumas coisas sobre ficção científica. Eu e o Greg [Bert, marido da artista] estávamos vendo muita ficção científica, tínhamos visto 2001 – Uma Odisseia no Espaço e depois Inteligência Artificial, estávamos com algumas coisas do tipo na cabeça. Era recorrente essa discussão sobre a relação entre robôs, andróides, ciborgues versus a humanidade. Na época também revi Inteligência Artificial e Prometheus, que trata um pouco sobre a busca pelo criador da humanidade, ele ficou muito na minha cabeça. Foi daí que veio o conceito do quadrinho”

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“Aí entendi o que queria fazer e acabei esboçando o quadrinho, como ficaria a página. Na hora que veio a ideia saiu rapidinho, foi mais difícil colocar ela concisa num negócio só do que ter a ideia em si. Criar dentro de um espaço tão pequeno é uma forma de dar uma exercitada na mente, suponho. Tô acostumada a ter páginas ilimitadas, principalmente por causa da internet. Aí ter uma espaço apertado pra fazer é certamente um desafio interessante”

“Eu faço tudo muito mais intuitivamente do que conscientemente, vamos dizer assim. Como uma página só é muito pequena eu não queria que fosse apenas um monte de quadradinho, um do lado do outro, como normalmente faço. Eu queria deixar ela mais bonita, que enchesse mais aos olhos. Geralmente eu não faço nada circular, só percebi depois que combinava um pouco com a ideia cíclcia da história. Confesso que foi um pouco sem querer (risos) Assim, acho que sem querer, sem querer, acaba não existindo em um trabalho artístico, porque sempre usamos coisas que já estão dentro da gente, né? É um modo do nosso inconsciente de trabalhar, então ele fez muita coisa sozinho. Conscientemente acabou sendo sem querer”

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“Eu quero sempre variar os estilos e gêneros das histórias com que trabalho, mas isso também acaba acontecendo naturalmente. No momento eu tô parada, não produzindo nada novo, estou treinando desenho, a coisa mais chata que existe no mundo (risos). Então eu sempre tenho vontade sim de mudar o meu estilo, de variar um pouco. Ao mesmo tempo eu também gosto de adaptar o meu estilo para a história que eu quero contar. Nesse caso, ainda é obviamente o meu traço, mas eu queria dar uma mexida um pouquinho para ficar igual aos outros trabalhos. Na verdade eu vou adaptando dependendo da história que quero contar, é isso que me move no final das contas. No momento eu estou estudando porque tem uma história que quero contar e o que eu sei fazer não funciona. Tô treinando pra contar a história da maneira que eu acho melhor”

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Série Postal: a HQ produzida por Bárbara Malagoli para o nº5 da coleção

E chegamos à quinta das 12 edições da Série Postal, esse trabalho lindão aqui em cima assinado pela Bárbara Malagoli. O lançamento do quadrinho é amanhã na Gibiteria, a partir das 16h, com a presença da autora para uma sessão de autógrafos. Lembrando as coordenadas: a Gibiteria fica ali no número 158 da Praça Benedito Calixto em Pinheiros. Estarei te esperando por lá! Nos próximos dias o postal já estará disponível em São Paulo e em algumas outras cidades do Brasil – você confere os locais com as edições disponíveis lá no tumblr da Série Postal. E pra quem não viu (ou quer rever): aqui estão as edições assinadas por Bianca Pinheiro, Taís Koshino, Pedro Cobiaco e Pedro Franz.

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Is This Guy For Real?: uma prévia do álbum de Box Brown sobre a vida do ator Andy Kaufman

Gosto cada vez mais do trabalho do Box Brown e tô bastante empolgado por esse próximo livro dele. Como eu já tinha comentado por aqui, Is This Guy For Real? sai nos EUA pela First Second e será uma biografia do ator Andy Kaufman. O pessoal do ICV2 acabou de divulgar um preview de sete páginas da obra, reproduzo duas por aqui e deixo o link pra você ver a nota original com as prévias. Quero ler o quanto antes essa gibi. Acho remotas as chances de Andre The Giant dar as caras por aqui, mas acredito ser questão de tempo pra Tetris ser lançado – é uma HQ sobre a história do Tetris, além de excelente tem potencial pra repercutir bastante além do universo dos quadrinhos. Enfim, torçam pra sair algum Box Brown em português.

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Vitralizado Recomenda #0005: Lobo Solitário #1 (Panini), por Kazuo Koike e Goseki Kojima

Lobo Solitário (Panini) está entre os meus quadrinhos preferidos. Li as 28 edições lançadas entre 2004 e 2007 também pela Panini e pretendo acompanhar até o fim as novas 28 edições do trabalho de Kazuo Koike e Goseki Kojima. O papel desse relançamento torna possível apreciar melhor as várias nuances do preto e branco de Kojima. Segundo os editores, a republicação ainda inclui páginas de transição de capítulo ausentes na coleção anterior. Nesse primeiro número chama atenção o fato de apenas na página 255 serem reveladas as verdadeiras motivações de Itto Ogami, enquanto as missões narradas nos capítulos prévios serem destinadas a expor os princípios que ditam a postura do protagonista em sua jornada.

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Série Postal: Bárbara Malagoli lança o quinto número da coleção na Gibiteria, sábado (13/5), a partir das 16h

Ei! Anima aparecer na Gibiteria no sábado (13/5) pro lançamento do quinto número da Série Postal? A Bárbara Malagoli vai estar por lá autografando o trabalho dela pra coleção de HQs em formato de cartão postal do Vitralizado. Além dos postais da Bárbara estarei com os últimos exemplares dos quatro primeiros números do projeto. Vamos? Anima? Confirma presença lá no evento no Facebook! Nos próximos dias volto a lembrar vocês do lançamento, mas deixa anotado: Lançamento Série Postal #5 + Sessão de autógrafo com Bárbara Malagoli, a partir das 16h. A Gibiteria fica ali no número 158 da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros. Te espero por lá 🙂